Magia Do Destino
32 Interlúdio
Notas iniciais
3 anos antes
Entrei na tenda de Madame Creuzodete, hesitante. Eu não sabia ao certo o que tinha ido fazer ali.
– Estávamos te esperando, Magali – Berenice me ofereceu uma cadeira diante da cigana.
– Vocês já sabiam que eu vinha?
– Claro – Creuzodete deu de ombros. – Então hoje é seu aniversário de quinze anos. É uma grande data. Vamos ver o que o futuro te reserva.
Ela gesticulou para que eu lhe mostrasse minha mão. Obedeci.
– A gula é seu pecado capital, Magali.
– Disso eu já sei — zombei.
– Não por comida. Eu vejo aqui a serpente te chamando. Oferecendo uma grande maçã.
– Achei que o problema não fosse comida...
– Não a fruta. A cidade.
– A Big Apple... Nova York?
– Talvez. Hummm... Você se renderá às tentações. Sua gula vai te matar, Magali. Sua fascinação será sua ruína.
– Minha fascinação? Pelo quê?
– "Por quem", esta é a pergunta certa. Não está claro. Mas definitivamente não é ninguém que você espera que seja. Pobre criatura. Sucumbirá diante de você, como um pássaro abatido. Não se assuste. Você não é uma má pessoa, menina. Mas seu egoísmo, sua recusa em abrir mão do que gosta, é isso que vai te derrotar.
Eu não sabia o que dizer. Mas fiquei assustada, e depois com raiva, e depois cética, e depois assustada de novo.
Ela continuou:
– O segredo que você guarda é muito perigoso. Cuidado.
Arregalei os olhos. Como ela sabe do meu segredo?
A Madame respondeu, o que me fez perceber que eu havia pensado alto:
– Eu não sei qual é o seu segredo. E prefiro não saber. É algo perigoso demais, não quero me envolver nisso.
– Eu não vou fazer nenhuma bobagem, pode ficar tranquila.
Ela riu sem humor:
– Você acha mesmo, menina, que alguém com tanto poder nas mãos resiste a usá-lo? Na primeira oportunidade que você tiver, você vai cair em tentação.
Eu não queria ouvir mais nada. Apenas me levantei e saí andando devagar, sem prestar muita atenção ao meu redor.
Até que alguém estala os dedos no meu rosto, me chamando de volta ao mundo.
Ângelo.
– Magali, você pretende...?
– Claro que não – interrompi.
– A ignorância é uma dávida, sabia?
– Pena que eu não tenho mais essa opção.
– Se você pudesse voltar atrás, voltaria?
– Não sei... Acho que não. Essas coisas não acontecem por acaso.
– Não mesmo. Cuidado.
– Eu vou ter, Ângelo. Relax – respondi casualmente, sem entender o porquê de tanta celeuma em volta do que eu tinha acabado de fazer.
Fale com o autor