Notas iniciais
Oi, amores! Quero muito agradecer às recomendações de Magna, Emily1314, Gaby Akemy, Dani Pils e bluemoon!! Muito obrigada mesmo =) Quero também agradecer a cada um dos reviews, principalmente pela qualidade. Adoro quando vcs questionam, tentam entender os personagens... Aliás, os reviews renderam boas respostas, algumas bem esclarecedoras. Sugiro que todos leiam os comentários do capítulo 22. E leiam as notas finais também, quero compartilhar algo com vcs. Boa leitura!

Capítulo 23

Monstro

Senti uma mão segurando meu braço e me puxando para trás.

Era Nimbus, claro. Quem mais seria?

Ele se colocou à minha frente, obrigando-me a olhar para ele.

— O que aconteceu, Magali?

Uma lágrima teimosa escapou de meus olhos.

— Você diz isso pra todas — acusei-o.

— Do que você tá falando?

— É assim que você leva as mulheres pra cama. Com esse papo de magia do destino.

Nimbus ficou pálido e soltou-me de repente. Em seu olhar, a repugnância era visível.

Fiquei um pouco surpresa com a reação dele. Esperava que ele ficasse indignado, que tentasse se defender; mas sua resposta foi o silêncio.

Continuei:

— Mas eu não caio nesse seu papinho. Eu não vou pra cama com você, Nimbus.

Na expressão dele, havia uma mistura de ódio e tristeza que era difícil de definir.

— Você acha que eu só penso nisso? Em levar mulheres pra cama?

— Tenho certeza — enxuguei mais uma lágrima.

— Neste caso, eu não vou te desapontar. Observe-me.

Ele olhou em volta, claramente escolhendo um alvo para seu próximo ataque. Seus olhos se focalizaram em algo. Virei-me para olhar. Eram duas moças bonitas que estavam sentadas no bar, conversando.

Nimbus andou em linha reta em direção às moças e, em poucos segundos, os três estavam na pista de dança fazendo uma cena.

Tentando conter o choro, corri até Mônica e DC, e implorei a eles:

— Me levem pra casa!

Mônica segurou meu rosto, preocupada:

— Amiga, o que houve? Por que você tá chorando?

— Eu quero ir pra casa! Não quero mais ficar nessa festa nem um minuto!

Do Contra parecia entender melhor a gravidade da situação:

— Calma, Magá. Eu só vou avisar o Nimbus e já volto.

Ele deu meia volta e imediatamente avistou o irmão mais velho aos beijos com uma das moças.

— Aliás, mudei de ideia. Vamos embora agora — DC me segurou pela cintura e me levou em direção à porta.

Mônica, cujo ponto forte nunca foi a inteligência, ainda não havia entendido:

— Mas o que...?

Ela, enfim, viu a cena que eu estava, a todo custo, evitando olhar.

— Eu não acredito nisso!! Eu vou lá quebrar a cara dele!

— Não vai, não — DC a segurou pelo pulso e a arrastou conosco.

Enquanto DC tentava parar um táxi, Mônica me abraçava enquanto eu chorava no seu ombro.

Quando entramos num carro, Mônica perguntou ao namorado:

— Por que você não me deixou bater nele, amor? Aquele filho da...

— Não termine essa frase!! A mãe dele é minha mãe, esqueceu?

— Droga. É mesmo. Mas por que você não me deixou dar uma surra naquele salafrário?

— Porque a gente tava no meio de uma festa lotada de patrocinadores. Em casa, você pode partir a cara dele à vontade. E eu ajudo.

— Você vai me ajudar?

— Claro. Sabe, ainda bem que meus pais foram embora logo depois do show. Pra eles não terem que ver essa cena lamentável do Nimbus se esfregando naquelas meninas.

Os dois estavam mais bravos do que eu. Achei certa graça disso.

Do Contra, a quem nada escapa, perguntou:

— Magali, eu achei que vocês tinham se entendido. Vocês estavam ficando. Eu vi. O que aconteceu?

— Eu disse a ele que não iria cair no papinho dele, e não iria pra cama com ele.

Foi a vez de DC ficar branco feito um fantasma:

— Você não fez isso.

— Fiz! Ele tava tentando me seduzir com uma conversa bonita, falando de magia do amor e não sei o que mais. E sabe que eu quase caí? Quase! Mas recobrei minha consciência no último segundo, ainda bem. Porque ele acabou de me provar que não vale nada.

Mônica e Do Contra ficaram mudos. A indignação deles parecia ter se esvaído.

— Você foi muito cruel, Magá —DC afirmou.

— Cruel, eu? Cruel foi o seu irmão, que me disse um monte de coisas bonitas e depois fez o quê? Correu pra se agarrar com duas vadias quaisquer! Duas!! Ele fez questão de esfregar na minha cara que eu era só mais uma na lista dele!!

— Qual é o problema com você? — Mônica me olhou com asco.

Entre soluços, a verdade começava a ficar clara em minha mente.

Lembrei-me de ontem, quando Do Contra entrou no meu quarto e me viu dormindo abraçada com Nimbus. A reação dele foi de quem já esperava ver aquilo. O que só podia significar uma coisa.

A “garota de Boston”, na verdade, era eu. Era sobre mim que eles conversavam aquele dia em que bisbilhotei os dois.

A garota de olhos castanhos, que não precisa fazer regime para ser magra. Sim, essa poderia ser eu.

Mas ele disse que ela estava prestes a se casar com alguém. E isso não faz sentido.

Ou talvez faça.

Nimbus escutou uma conversa minha e da Mônica, quando minha amiga me contou sobre as intenções do Quim. Eu disse que estava em dúvida sobre o que fazer.

Nimbus achou que eu me casaria, e ficou arrasado desde aquele dia. Ele ficou diferente comigo. Até que conversamos e resolvemos tudo.

Mas as provocações dele aumentaram. Ele se insinuava mais e mais, e eu correspondia sob o pretexto de fazer ciúmes na “outra”.

Ele estava lutando por mim. Como ele disse que faria. Estava jogando com sua maior arma: a sedução.

Ele falou, com todas as letras, que eu deveria terminar meu namoro e me abrir para novas possibilidades.

Ele também falou que, se fosse para eu ficar com o cara errado, ele seria o primeiro da fila.

Mas, segundo o futuro que Mônica viu, ele era o cara certo.

Eu me recusava a acreditar que meu raciocínio estivesse correto.

Eu precisava que meus amigos me desmentissem:

— Gente, vocês enlouqueceram? Quem tem problema é o Nimbus! Vocês vão ficar do lado dele?! — berrei com eles.

— Vamos!! — DC gritou de volta.

— O que ele fez não foi certo, é claro que não, mas Magali... Você foi um monstro — Mônica balançou a cabeça em negativa.

— Eu sei o que vocês estão pensando!! Que eu sou a garota que o Nimbus ama, mas não sou eu!! Eu sei que não sou eu!!

— Por que você tem tanta certeza? — Do Contra questionou.

Sussurrei, sem forças:

— Porque, se sou eu, então eu acabei de fazer a maior merda da minha vida.

— Você fez!! — Mônica esbravejou.

O táxi finalmente chegou em casa. Mônica praticamente me carregou até o apartamento. Eu já tinha chorado até me exaurir.

— Por que vocês nunca me disseram nada?! — perguntei, me atirando no sofá.

— Tava meio óbvio, né, Magali? — DC deu de ombros.

— Pra mim não tava!! Pra mim, ele só demonstrava que tinha atração por mim.

— Mas é claro que ele tinha atração por você! A gente sente atração por quem ama. Não é essa a ideia? — DC defendeu o irmão.

— Mas eu não sabia... Eu não sabia... — voltei a chorar.

— Sabia sim, Magali. Você só tava teimando. E depois eu que sou teimosa! — Mônica reclamou.

— Na verdade, linda, você é teimosa — Do Contra pontuou.

Mônica revirou os olhos.

— Acho que eu preciso comer — mudei de assunto.

Levantei-me e fui até a geladeira.

Havia ali uma torta de limão que a dona Keiko tinha preparado. Peguei toda a bandeja e um garfo, e voltei a me afundar no sofá.

Enquanto comia, comecei a processar tudo que aconteceu.

De uma só tacada, eu havia traído meu namorado e partido o coração do homem por quem eu estava apaixonada.

Perdi os dois.

E não havia ninguém a quem culpar além de mim mesma.

Eu sou um monstro.

O barulho da porta sendo destrancada me arrancou dos meus pensamentos.

A porta se abriu, e Nimbus entrou em casa com as duas garotas.

Comecei a chorar de novo. Não que eu tivesse parado de chorar em algum momento.

Os três estavam rindo e visivelmente bêbados. Quando Nimbus me viu, pareceu hesitar por uma fração de segundo, mas abraçou as duas garotas e as levou em direção ao quarto.

O silêncio constrangedor foi quebrado pela voz aguda de uma das meninas:

— Não vai nos apresentar seus amigos?

Isso era ainda mais embaraçoso do que o silêncio.

— Claro. Esses são meus colegas de apartamento — Nimbus nos apontou. — Aquele é meu irmão caçula.

— Seu irmão? É lindo como você! Ele não quer se juntar a nós? — a voz aguda continuou.

Essa perua era mesmo sem noção.

Do Contra, sempre tão desencanado sobre qualquer tipo de assunto, ficou vermelho até a raiz dos cabelos. É muito raro vê-lo assim.

Mônica se levantou:

— Agora essa sirigaita vai apanhar!!

Do Contra e Nimbus correram para segurar Mônica antes que ela matasse a sirigaita. Digo, a garota.

Eles sabiam que a tentativa deles de contê-la seria inútil. Só uma coisa pode impedir a Mônica de virar o Hulk neste momento. É a voz de DC. E ele, depressa, sussurra para ela, em português:

— Calma, linda. Não vale a pena sujar suas mãos tão preciosas nessa garota.

Nimbus repreendeu o irmão com o olhar, mas ao mesmo tempo estava grato por ele ter acalmado a fera.

Mônica respirou fundo, mas gritou com o cunhado:

— Some da minha casa com essas barangas!!

— Esta é a minha casa também — Nimbus empinou o nariz.

— Você perdeu a noção do perigo, cara?! — DC interveio. — Porra!! Você não ajuda!

— No meu quarto mando eu, e eu trago quem eu quiser.

Minha vontade era de esganá-lo. Eu sei que eu tinha pisado na bola, mas como o Nimbus podia fazer isso comigo?

Com o que me restava de orgulho, disse num tom de voz glacial:

— Então vai pro seu quarto. Some com essas mocorongas da minha frente. Eu não sou obrigada a ficar olhando pra elas.

Nimbus me devolveu o olhar gelado, e, sem me responder, apenas falou em inglês:

— Vamos para o quarto, garotas. Esta sala está muito entediante.

Os três sumiram atrás da porta do quarto de Nimbus. Eu soltei meu choro que estava tentando reprimir:

— Eu traí meu namorado por causa desse crápula!! Eu estraguei tudo, Mônica!

Minha amiga me abraçou, tentando inutilmente me consolar:

— Calma, Magali. Às vezes a gente não enxerga a solução agora, mas o futuro vai dizer o que fazer.

— O Quim não vai me perdoar nunca.

— Eu acho que você devia contar tudo pra ele — DC intrometeu-se.

Ponderei por alguns momentos, e concordei:

— Você tem razão. Eu vou contar. Só não sei como.

Sem vontade, arrastei-me até minha cama e me deitei. Não tirei o vestido de festa. Eu não conseguia. Eu estava em estado de choque.

Eu esperaria o dia amanhecer, e contaria a verdade para o Quim.

Ele me recriminará, e com razão. Ele vai desmanchar o namoro. E isso me faz sentir... Alívio.

Já há algum tempo eu estava pensando em terminar tudo. Não desta forma indigna.

Mas isso vai ser bom para o Quim. Ele vai se ver livre de mim. Do monstro. Ele não merece um monstro como eu.

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O dia raiou, e eu não tinha pregado os olhos. Eu estava com fome. Mas meu medo era maior. Medo de sair do quarto e me deparar com Nimbus e aquelas duas vadias.

Não demorou até que Mônica viesse ao meu quarto para me trazer café na cama. Acho que ela adivinhou meus pensamentos.

Agradeci. Ela deixou a bandeja em cima da cômoda, ao lado de minha foto com o Quim, e saiu. Ela sabia que eu não estava em condições de conversar.

Levantei-me e tomei a xícara de café de um só gole, mas não consegui comer nada. Não tinha apetite.

Liguei o notebook e o Skype. Não fazia mais sentido adiar o inevitável. Eu vou falar a verdade, e vai ser agora.

Quim está online, mas em outra chamada. Que estranho. Com quem ele estará conversando às oito da manhã de sábado?

Espero vinte minutos até que ele fique disponível. Ligo logo em seguida.

Quim atende sem demora.

Seu rosto na webcam é bem sério.

— Oi, amor — seu tom de voz é preocupado.

— Oi, fofo — respondo.

Começo a chorar imediatamente:

— Eu... Eu preciso te contar uma coisa, Quim. Mas não sei como.

— Que você e o Nimbus se beijaram?

Arregalei meus olhos, em choque.

— Como você sabe?!

— Ele mesmo me ligou, agora há pouco. Eu sei de tudo.

Notas finais
Por hoje é isso, amores! Antes que vcs fiquem com ódio de mim, lembrem-se: o final feliz só pode ser... no final!! Se eles ficassem juntos agora, a fic acabava. Eu sei que vcs estão impacientes e querem vê-los juntos, mas eu prometo que a espera vai valer a pena. Sobre minhas novas fics, mais detalhes em breve! E, quanto aos meus sumiços e as correrias da minha vida, é que aconteceu algo muito legal! Lembram que eu, graças ao apoio e carinho de vcs, tinha decidido fazer vestibular novamente? E que eu não tinha passado na prova? Pois é, meus lindos... Agora eu passei! Vou realizar um sonho que tenho desde criancinha: estudar Comunicação Social na UnB! Bendito seja o Enem!! No mês de janeiro, estava correndo atrás de fazer a matrícula, dos documentos necessários, mas agora tá tudo certo! Já sou uma universitária novamente! E vou ser uma roteirista, sei que vou! E quero compartilhar minha felicidade com vcs, que sempre torcem por mim e me incentivam tanto. Nem sei como agradecer por tanto carinho. Muito obrigada do fundo do coração por tudo. Beijo grande a todos =*