Magia Do Destino
22 21. Dia de comemorar
Notas iniciais
Capítulo 21
Dia de comemorar
A estreia de Nimbus foi um sucesso. Ele fez truques incríveis, pulou, sapateou; ele dominou completamente o palco. Diante do público é quando Nimbus mostra seu verdadeiro brilho. E o público, em resposta, estava fascinado pelo mais novo mágico de Nova York.
Depois do show, Nimbus foi rodeado por novos fãs, que pediam fotos e autógrafos. Algumas moças tentavam investidas mais ousadas. Depois de dar atenção aos espectadores, foi a vez de atender aos jornalistas. Nimbus concedeu algumas entrevistas para os jornais locais e também para blogs.
Enquanto isso, Mônica e eu aguardávamos por ele e DC do lado de fora do teatro.
— Tchau, meninas — Lindsay se despediu.
— Não vai esperar pra falar com o Nimbus? — Mônica perguntou.
— Não. Tenho uma festa de fraternidade pra ir. Tem certeza que não vai comigo, Mags?
— Não posso. Agora nós quatro vamos a uma festa de gala que um patrocinador está promovendo.
— O Harrison vai ficar arrasado por você não ir.
— Mande lembranças. Diga que eu estarei entediada no meio da alta sociedade de Manhattan, rodeada de champanhe, canapés... — comecei a salivar.
— Aposto que a festa da fraternidade vai ser bem mais divertida — ela me mostrou a língua.
— Aposto que sim. Na próxima eu vou — pisquei para ela.
— Acho bom — ela respondeu, antes de entrar no táxi.
Mônica segurou minha mão e gritou:
— Amiga!! Me conta tudo!! TUDO!!!
— Tudo o quê?! — levei a mão ao coração, tentando me recompor do susto.
— Eu sei que o Nimbus passou a noite no seu quarto. Quero saber de todos os detalhes.
Suspirei, sem vontade de falar sobre o assunto:
— Foi normal, Mô. Não aconteceu nada de mais.
— Não acredito. Nem um beijinho, nada?
— Não!! Eu tenho namorado, esqueceu?
— Não. Mas é que...
— É que você é team Nimbus, eu sei. Já percebi.
— Sou mesmo — Mônica falou com um ar arrogante. — E eu sei o poder de sedução que aquela família tem! Ah, se sei! Por isso, eu duvido que não rolou nem um pensamento mais quente da sua parte.
— Você me perguntou o que rolou. Não o que eu pensei.
— E o que você pensou?
Escondi o rosto com as mãos:
— Não quero falar sobre isso.
— Rá! Sabia! Te peguei, Magá! A mim, você não engana!
— É que... — hesitei.
— Que o quê?!
— Ele recitou Vinícius de Moraes.
Mônica levou a mão à boca, em choque:
— Ele não fez isso!
— Fez, amiga. Pior que fez.
— Mas isso é golpe baixo!
— Né?!
— O DC faz isso também. Eu sei como é difícil resistir.
— Todo mundo naquela família é fã de Vinícius?
— A dona Keiko gosta bastante. Daí, os filhos acabaram aprendendo a gostar também. Mas me conta... O Nimbus recitou Vinícius assim, do nada? Sobre o que vocês estavam conversando?
— A gente tava falando sobre o término dele com a Ramona, e mais um monte de coisas. Eu conheci um lado do Nimbus que eu ainda não conhecia.
— Aham! Sei! — Mônica carregou a voz de sarcasmo.
— Oi, meninas! — a voz de Nimbus nos interrompeu.
Eu espero do fundo do coração que ele não tenha escutado nossa conversa.
Virei de costas para vê-lo. Ele estava absolutamente maravilhoso, vestido num smoking alinhado.
Abri os braços, esperando que ele viesse ao meu encontro.
Ele correu para me abraçar, e me rodopiou no ar.
— Eu consegui, gatinha! Eu consegui!!
— Você foi incrível, Nimbus.
Mônica quebrou o clima:
— Você arrasou, cunhado! — ela o abraçou também.
— Obrigado — ele retribuiu o abraço.
Do Contra se juntou a nós, e ficamos os quatro pulando e comemorando na calçada, até que uma limusine encostou ao nosso lado.
O motorista desceu, cumprimentou Do Contra e abriu a porta, pedindo que nós entrássemos.
— Sério que a gente vai pra festa de limusine? — perguntei.
— Serinho — DC respondeu, rindo, ajudando Mônica a entrar no veículo e entrando em seguida.
Nimbus me estendeu a mão, ajudando-me a entrar também.
— Nossa! Tô me sentindo num filme de Hollywood! — comentei ao ver o luxuoso interior da limusine.
— Este é o começo da nossa nova vida, gatinha — Nimbus beijou minha mão. — Preparada?
— A-acho que não — fiquei nervosa com o que aquilo significava.
DC entregou uma taça a cada um, e Nimbus estourou uma garrafa de champanhe.
Brindamos, e, sem desviar os olhos de Nimbus, pensei em voz alta:
— Talvez eu ainda não esteja preparada, mas acho que posso me acostumar com isso.
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A festa era deslumbrante. Até tapete vermelho tinha. Todos ali pareciam pessoas importantes. Uma festa da alta sociedade, realmente.
— Cadê a comida? — exigi. — Tô com fome!
Nimbus chamou um garçom e cochichou algo no ouvido dele.
— Pronto. Ele já vai trazer comida pra gente. Eu pedi pra ele tomar conta dos seus pedidos a noite toda.
— Ai, obrigada! — abracei-o e dei-lhe um beijo no rosto.
— Eu posso me acostumar com isso — ele sussurrou.
— Pois não se acostume — retruquei, mas com um sorriso.
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Depois de vários canapés — algumas bandejas — eu estava finalmente satisfeita. Peguei uma taça de champanhe e arrastei Mônica para a pista de dança.
— Os meninos sumiram. Cadê eles? — indaguei.
— Ali, ó — Mônica os apontou numa rodinha de homens tomando whisky e fumando charutos. — Estão dando atenção pros patrocinadores.
— Então vamos aproveitar — falei.
Dançamos várias músicas, até que começou a tocar reggaeton. Mônica e eu, já alegrinhas por causa do champanhe, não hesitamos: começamos a sensualizar.
— We are in New York, baby!! — gritei.
— Vamos comemorar!! — minha amiga gritou de volta.
Dançamos da forma mais provocante que conseguimos, o que chamou a atenção das pessoas na festa. Ignorando os olhares, dançamos até que a música acabasse.
Nimbus e Do Contra estavam nos encarando, boquiabertos.
DC puxou a namorada pela mão:
— O seu namorado sabe que você dança assim? E que fica deixando os homens malucos por aí?
— Acho que não — Mônica respondeu, sapeca.
— Eu espero que ele não seja ciumento, porque eu vou te agarrar agora.
Os dois, aos beijos, sumiram para um canto qualquer.
Nimbus se colocou à minha frente, com um olhar divertido:
— Eu não sabia que garotas do Limoeiro sabiam dançar desse jeito.
— Então você não sabe de muita coisa — cutuquei.
— Estou disposto a aprender — ele me lançou um olhar convidativo.
Eu o puxei pela mão até o bar. Eu estava com muita sede depois de dançar tanto.
Nimbus pediu duas taças de champanhe e me entregou uma delas. Virei de uma vez.
— Ei! Calma lá, mocinha — ele repreendeu. — Você não é jovem demais pra beber assim?
— E você não é jovem demais pra ser tão rabugento? — retruquei, insolente. — Hoje é dia de comemorar! Me deixa!
— Depois, quando acordar de ressaca, não venha reclamar.
— Pode deixar, eu não vou reclamar.
Fiz sinal ao barman para que providenciasse mais uma taça.
Começou a tocar uma música lenta. Uma música velha e um pouco brega. Acho que “I Knew I Loved You” do Savage Garden.
Os olhos de Nimbus brilharam:
— A gente precisa dançar essa!
— Por quê?
— Eu AMO essa música.
— Não sabia que você curtia essas músicas bregas dos anos 90.
— Para! Não é brega.
Logo, estávamos na pista de dança novamente. Nimbus envolveu minha cintura com as mãos, e, com as minhas, eu segurei sua nuca.
A letra da música falava sobre um cara que se apaixonou à primeira vista por alguém que ele esperou a vida toda. Que brega.
— Por que você gosta tanto de Savage Garden?
— Eu não conheço tanto assim a banda. Gosto só dessa música.
— E por que você gosta tanto dessa música?
— Ah, não sei bem. Acho que é porque ela fala de um amor que é... mágico.
— Um amor mágico. Às vezes você é tão óbvio.
— Eu tô falando sério! Escuta só: o cara fala que sabia que amava a menina desde antes de conhecê-la. São duas pessoas que nasceram uma pra outra. Não é mágico isso?
— Eu não sabia que você era tão romântico.
— Então você não sabe de muita coisa — ele devolveu.
Não sei se era efeito do álcool no meu sistema, ou se eu tinha perdido a sanidade de vez, mas respondi:
— Estou disposta a aprender.
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