Notas iniciais
esse cap não ficou tão bom, mas é pq deu um mega bloqueio, então me desculpem. P.S: me perdoem por não ter postado ontem, a net aqui de casa tá uma droga, por isso postei hoje. Beijos

Meus últimos dois meses em Londres como uma pessoa quase normal passaram rapidamente. Rápido até demais para o meu gosto.

Quando voltamos para a escola Peter agiu como se nada tivesse acontecido e continuou grudado em nós três, uma vez que eu, Linda e Liz decidimos que não poderíamos afastá-lo da nossa companhia sem um argumento convincente, além disso, eu voltei para Londres para aproveitar um último momento com meus amigos juntos. E ele aceitou sem questionar nossa desculpa esfarrapada de que tivemos um imprevisto e tivemos que viajar (cada uma separadamente) para ver um parente distante e por isso desaparecemos da escola por alguns dias.

Aconteceram alguns ataques de monstros depois do horário da saída, mas Linda e Liz me ajudaram a lidar com aquilo de forma rápida e sem alarde, dizendo que seria assim dali para frente, que aquela era a vida que eu teria que aprender a levar.

Então durante meus horários de folga eu resolvi que era hora de me esforçar um pouco na vida como semideusa e maga e treinava com Quíron, Linda, ou Liz, mas eu não me esforçava tanto no treinamento egípcio (sim, era uma forma de protesto, eu não me conformava com o fato de minha mãe não poder praticar magia nem para me ensinar, mesmo que Liz não tivesse culpa daquilo).

Meus dias ficaram cheios de atividades, mas mesmo assim sempre que podíamos fazíamos um programa apenas nós quatro. Era bom ficar apenas com Linda, Liz e Peter mesmo que fosse difícil dizer quem de nós parecia mais melancólico (ou, no meu caso e das garotas, preocupadas) a cada encontro, apesar de estarmos juntos.

Acho que estar às vésperas de nos despedirmos uns dos outros não ajudava muito com o nosso ânimo, mesmo que quiséssemos aproveitar o momento.

Mas, como era de se esperar (afinal o tempo não para), o dia mais temido por mim chegou.

– É hoje! – Exclamou um Peter parecendo dividido entre o alívio e a tristeza enquanto caminhávamos por entre os corredores da escola e acenávamos para alguns de nossos colegas. – O último dia de aula! Vocês duas vão fazer falta durante as férias, eu e a Nat vamos sentir saudade.

Eu e as meninas trocamos um olhar carregado, ainda não havíamos dito para ele que eu não ficaria em Londres nas férias.

– Er, Peter, sobre isso... – Comecei em voz baixa e ele voltou seus olhos castanhos para mim parecendo ansioso de repente.

– Não me diga que você não vai ficar aqui durante as férias! Por favor!

Baixei os olhos.

– Ela precisa. – Linda interveio quando eu não falei nada. – O acampamento para onde eu vou ofereceu uma vaga como campista para ela.

– E daí? É só um acampamento! – Ele protestou e eu e Linda recuamos como se ele tivesse nos batido. – Vale mais do que ficar com um amigo?

Eu me senti mal, as palavras “é só um acampamento” zumbindo nos meus ouvidos. Não era só um acampamento, era um lugar para pessoas iguais a mim, que me aceitaram sem questionar (ta, exceto pelo Logan, mas até ele estava fazendo falta para mim, estranho, eu sei).

– Não é só um acampamento! – Linda falou batendo o pé e fechou a expressão.

Eu suspirei, ela tinha razão, mas Peter não ia entender se eu não desse um bom motivo. Porém ele não podia saber a verdade, então uma luz surgiu na minha cabeça. Uma luz perigosa, mas que poderia ser a solução.

– Peter, nesse acampamento eu vou descobrir mais sobre o meu pai. – Falei e o queixo de meus amigos caiu, Linda me fitava com preocupação, mas ainda lançava olhares irritados na direção de Peter.

Olhei para ela como se dissesse: Calma, eu sei o que estou fazendo. Eu acho.

– Seu pai? – Ele perguntou e eu assenti. – Mas você não disse que ele tinha morrido?

Sacudi a cabeça, eu precisava contar uma mentira convincente.

– Foi o que falaram para minha mãe, mas recentemente eu e ela descobrimos que ele está vivo e mora em Nova York. – Eu pisquei quando percebi que não era uma mentira de verdade, embora o que viria a seguir fosse em parte. – Ir para esse acampamento pode me dar a oportunidade de encontrá-lo.

Peter olhou para nossas amigas.

– E vocês estavam ajudando ela?

Liz negou com a cabeça.

– Fiquei sabendo disso agora. – Ela respondeu e olhou para Linda, desafiando-a com um ligeiro olhar. Ela mentia tão bem. – Linda?

– Eu também não sabia, o diretor do acampamento apenas me disse que ela recebeu uma vaga como campista, eu não fazia ideia que ela havia aceitado ir comigo por ter uma chance de conhecer o pai desaparecido! – Se eu pudesse escrevia a palavra ‘mentirosa’ na testa de minhas amigas, mas como naquele momento elas estavam me ajudando resolvi que não seria legal.

– Então quer dizer que vocês três vão me abandonar durante as férias? – Peter perguntou parecendo chateado. – Acho que vocês sabem que não vou estudar com vocês ano que vem, não é?

Concordamos e eu mordi o lábio.

– Sobre isso. – Comecei incerta, estávamos entrando em outro campo minado, eles me olharam assim que terminei de pronunciar essas palavras. – Eu não vou estudar aqui no próximo ano. Mamãe me matriculou em um internato mais ao norte.

Liz e Linda pareceram surpresas, porém Peter me olhou como se estivesse quase esperançoso e abriu a boca para falar algo, mas antes que qualquer outro comentário pudesse ser feito o sinal para irmos para nossa sala tocou.

*****

As últimas horas passaram depressa e quando percebi estava abraçada com meus amigos no portão da escola. Liz e Linda estavam com os olhos vermelhos e injetados de choro, acho que eu e Peter não estávamos muito diferentes.

– Vocês prometem não esquecer de mim? – Peter pediu e assentimos. – As coisas vão ficar difíceis sem vocês aqui.

A expressão dele estava chateada, quase triste e senti uma pontada de culpa. Nós três éramos a verdadeira família de Peter, uma vez que seus pais adotivos o odiavam e seus irmãos simplesmente fingiam que ele não existia.

– Nunca iremos esquecê-lo. – Liz prometeu e Linda concordou com a cabeça

Ergui meu pulso mostrando o presente que ele havia me dado no meu aniversário.

– Não podemos esquecer dos amigos. – Falei e Peter beijou meu rosto, me fazendo corar apesar de soluços interromperem minhas palavras.

Linda e Liz trocaram um olhar cheio de significado ao verem isso, não contive minha reação e revirei os olhos.

Nossa volta para casa foi cheia de promessas de ligações, cartas e sinais de fumaça caso precisássemos uns dos outros.

Antes de se afastar Peter deu um último abraço em cada uma.

– Espero que nos vejamos novamente. – Ele falou com um sorriso tristonho e eu me senti mal, para o bem dele seria melhor que ele não nos visse novamente. – Mas até lá, tchau.

– Tchau. – Eu e as meninas falamos ao mesmo tempo quando ele começou a se afastar.

Peter se afastou, lançou um breve olhar para trás e apenas seguiu em frente sobre a calçada das casas com fachadas iguais até sumir na esquina, no lugar que ficava a árvore onde tantas vezes foi nosso ponto de encontro. Minha garganta se fechou e eu perdi a voz, era tão ruim vê-lo partir e saber que deveria ser a última vez que nos veríamos e ele não sabia disso, eu não sabia o que falar.

Sentei no meio fio e desabei em chorar ao sentir a realidade me atingir, Peter nunca mais poderia nos ver. Logo minhas amigas sentaram ao meu lado e afagaram meus ombros.

– Ele precisa ir. – Liz murmurou em meu ouvido depois de algum tempo, mas mesmo sua voz parecia deprimida e suas palavras saíram roucas.

– Liz tem razão Nat, Peter não pertence ao nosso mundo. – Linda concordou, sua voz falhou, talvez ela também estivesse chorando. – É melhor que o deixemos ir, pois se ele ficar e algo ruim acontecer, será nossa culpa.

Elas estavam certas, mas eu realmente gostaria que não estivessem. Trinquei os dentes com o pensamento e balancei meu corpo para frente e para trás ao perceber que eu estava agindo daquela maneira novamente. Eu não faria mais isso. Não fugiria de quem eu sou e se tivesse que deixar pessoas saírem da minha vida daquele jeito para a própria segurança delas, que assim seja. Ou pelo menos, eu podia tentar.

Ergui os ombros e minha cabeça.

– Muito bem então. – Falei me levantando e forçando minha voz a sair em um tom uniforme. – Agora tenho que ir para casa, a minha mãe está me esperando.

Recomeçamos a andar e toquei em minha pulseira quando elas não estavam olhando.

Nunca irei esquecer você Peter, eu prometo.

Notas finais
Me digam sua opinião nos reviews.