Maga, Bruxa ou Semideusa? - 2
7 Capítulo 7 - Notícia confusa
Notas iniciais
Pov: Nat
Assim que passei por ele ouvi os passos de alguém se aproximando.
– Segura a porta! – Exclamou Michelle e eu voltei-me para vê-la.
Ela parecia um pouco desconfortável com a presença de Richard, mas disfarçou e também passou por ele para ficar perto de mim enquanto descíamos a escada e eu olhava ao redor de queixo caído.
O lugar era enorme, redondo e fundo, como se fosse um poço e as paredes, o chão e o teto estavam decorados com imagens coloridas de pessoas, deuses e monstros.
– Que lindo! – Exclamei em voz baixa, como se de alguma forma eu falasse muito alto o lugar desapareceria.
Um céu azul e estrelado brilhava no teto, e estranhamente era pintado em um padrão giratório e não um azul puro e uniforme e olhando com mais atenção notei que lembrava vagamente a forma de uma mulher.
No chão o piso também possuía um desenho, com florestas, cidades e outras coisas que davam a forma do que parecia um homem enorme, um rio sinuoso atravessando seu peito.
Estremeci levemente com a visão, afinal meus irmãos no acampamento haviam me contado que a deusa Gaia havia tentado chegar ao poder a vários anos atrás, mas graças aos semideuses que agora moravam em Nova Grécia, ela não chegou a se reerguer.
Olhei ao redor e estranhei o fato da biblioteca não ter livros, nem prateleiras. As paredes eram cobertas por pequenos compartimentos redondos que pareciam conter um tipo de cilindro de plástico.
Ao norte, sul, leste e oeste havia uma estátua de cerâmica sobre um pedestal, eram um pouco mais baixas que eu e estavam de saiotes e sandálias, os cabelos eram de um preto lustroso e seus olhos estavam delineados, mas ignorei o que cada uma segurava e voltei a olhar para os desenhos que enfeitavam o teto e o chão.
– Estes são Geb e sua esposa, Nut. – Falou uma voz feminina e eu me assustei.
Segundos depois a avistei vindo em nossa direção com um sorriso.
– Olá Michelle! – Ela falou. Era bonita, com cabelos escuros e parecendo ligeiramente mais velha que Sadie e Carter.
– Oi Cleo! – Michelle falou e enfiou a mão no compartimento mais próximo e retirando o cilindro contido ali.
A mulher voltou seu olhar para mim e deu um leve sorriso.
– E você deve ser a nova iniciada, Natália, não é?
– Sim, mas gosto que me chamem de Nat. – Respondi e a mulher sorriu abertamente dessa vez.
– Está bem, Nat. – Então ela pareceu notar o garoto que estava com a gente. – Você já passou tempo demais na biblioteca hoje Rick.
– Mas Cleo, eu ainda tenho que terminar aquela tradução... – A voz dele foi morrendo com o olhar que ela lançou para ele. – Tudo bem, amanhã então.
– Muito bem.
– Nos falamos depois Nat. – Ele murmurou e começou a subir as escadas para o Grande Salão novamente.
Assim que ele sumiu de vista senti meu corpo relaxar, o que era estranho, já que não estava consciente de estar tensa como a corda de um arco. Olhei para Cleo esperando que ela começasse a falar algo ou passar alguma atividade, mas ela simplesmente retirou um cilindro e me entregou um rolo de papiro.
– Aqui na biblioteca e comigo, você vai aprender um pouco mais sobre o início de toda a criação e dos deuses egípcios, a leitura e tradução de hieróglifos, mas como hoje é seu primeiro dia vou passar uma coisa bem leve.
Desenrolei o papiro e passei os olhos brevemente.
– É sobre os dias do demônio. – Murmurei reconhecendo alguns trechos do que Liz havia me dito e Cleo assentiu parecendo bastante satisfeita com o que eu disse.
– E aqui está a versão em hieróglifos. – Falou me passando outro papiro. – O que eu quero que você faça é ler a versão que você consegue entender e ir comparando as palavras, aprendendo os hieróglifos, tudo bem? Se tiver alguma dúvida é só me chamar, ou a qualquer um dos outros seguidores de Toth, que estão ali na outra sala, mas logo vão vir para cá.
Concordei com a cabeça e me dirigi até a mesa onde Michelle estava trabalhando com alguns rolos de papiro, assim que cheguei à mesa ela olhou para mim e perguntou ansiosamente:
– Como é falar com ele?
Dei de ombros.
– Nada demais. – Murmurei sem graça. – Ele parece ser legal.
Ela me olhou estranhamente, mas falou:
– Ele me dá arrepios.
– E Zia não? – Perguntei e ela sorriu.
– Zia é diferente, é mais, hum, tranquila?
Soltei uma risada baixa com o tom incerto que ela lançou, mas logo me concentrei na tarefa que Cleo havia me passado e ficamos em silêncio.
*****
Durante o jantar, alguns dos iniciados chegaram até mim e se apresentaram, apenas uns poucos eram do acampamento e disseram ter chegado lá recentemente, por isso não nos conhecíamos, busquei fixar os nomes com as características que eu conseguia destacar, mas no fim acabei desistindo, era muita gente, estava exausta e naquele momento só queria um momento com minha mãe.
Ou mesmo com Liz, que passou o dia inteiro desaparecida e nem me procurou para saber como eu estava.
– Você parece triste. – Saeme comentou quando eu deixei sair um suspiro pesado.
– Vai passar. – Murmurei e sem muito entusiasmo dei uma mordida no meu bolinho.
– Sei como é. – A ouvi comentar, mas foi tão baixo que não tive certeza se realmente foi isso o que ela falou.
– Atenção! – Quando todos terminaram a refeição a voz de Amós se elevou acima de todas as outras e todos ao redor da mesa se calaram, ao lado dele minha mãe lançava olhares ansiosos na minha direção. – Primeiramente, boa noite a todos.
– Boa noite Amós. – Todos responderam em coro antes de tudo mergulhar em silêncio.
– Quero parabenizar Carter, Sadie, Zia e Walt pelo excelente trabalho feito aqui neste nomo.
Todos aplaudiram, alguns mais ousados soltaram assovios e levou algum tempo para tudo se aquietar novamente.
– Também quero agradecer pela hospitalidade, e avisar que amanhã de manhã estou de partida para visitar os outros nomos juntamente com uma antiga maga pertencente à casa, que cumpre o período de punição. – Ele acenou para minha mãe e muitos pareceram confusos até ele continuar. – Esta é Marcela Vasconcelos.
Ao meu redor muitos pareceram chocados e se levantaram para poder olhar melhor para ela.
– Não pode ser ela! – Ouvi alguém murmurar e senti meu rosto esquentar sem motivo aparente.
– Silêncio! – Walt falou, mas sua voz saiu estranha, mais carregada de poder.
Todos calaram e Amós pigarreou antes de continuar.
– Desejo um bom mês de férias aqueles que logo retornarão ao acampamento e simplesmente boas férias para aqueles que estarão conosco durante esses meses que teremos de folga da escola. Boa noite a todos.
A dispensa foi sutil, mas todos entenderam e levantaram da mesa para seguir para os quartos, fiquei por último para olhar minha mãe sem olhares curiosos ao meu redor, porém quando estava passando pelas portas de vidro senti a mão de alguém em meu ombro, eu a conhecia muito bem para conseguir imaginar com precisão sua expressão.
– Você pode ir comigo? – Perguntei me segurando para não chorar.
Ela não respondeu, imaginei que estivesse olhando para Amós.
– Por hoje, eu posso. – Mamãe respondeu em voz baixa e me seguiu até o quarto onde eu deveria dormir enquanto não encontrava um caminho divino.
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