Mafia Princess
5 Team
Notas iniciais
Dançando ao redor das mentiras que contamos
Dançando ao redor dos olhos grandes também, ah
Nem mesmo os comatosos
Não dançam e falam
Vivemos em cidades que você nunca verá na TV
Não são muito belas
Mas com certeza sabemos como comandar as coisas
Vivendo nas ruínas do palácio dos meus sonhos
E você sabe
Estamos no mesmo time
Team — Lorde
Clarke
Marcus caminhou em direção ao altar, sendo seguido por Bellamy, que vestia um típico terno preto. O casamento havia começado.
Jasper e Monty, meus padrinhos, caminharam calmamente pelo tapete vermelho, sendo seguidos por Octavia e Lincoln, padrinhos do Bellamy. Logo após eles se posicionarem, Raven apareceu com um sorriso no rosto, carregando um bouquet de rosas brancas.
Um silencio incomodo se instalou, me fazendo respirar fundo. Passei em passos lentos pelo arco de flores, admirando brevemente as diversas flores em tons de branco e rosa claro, respirei fundo mais uma vez, e ergui a cabeça, como um sinal de claro desafio. Segurei meu bouquet cascata com lírios e rosas brancas com mais força, avançando pelo tapete vermelho, sentindo diversos olhares – de inveja a cobiça — em cima de mim. Logo que alcancei Bellamy, ele me estendeu a mão, me olhando de cima a baixo, com certo certa satisfação. Eu, ao contrário, estava extremamente séria. Quando ele se abaixou, beijando minha bochecha, fiz a pergunta óbvia.
— O que aconteceu? – sussurrei.
— Drogaram minha bebida. – arregalei os olhos. – Depois de conto.
A cerimônia seguiu a mesma chatice de sempre, sendo trocado apenas algumas falas de como a máfia era importante, que não devíamos traí-la e blá blá blá.
— Os votos. – anunciou Marcus. – Você primeiro, Clarke.
Revirei os olhos, recebendo uma repreensão silenciosa de Marcus: — Eu, Clarke Adele Griffin, prometo ser-te fiel, solene e companheira para meu noivo, agora marido, Bellamy Blake. Prometo não desrespeita-lo, não envergonha-lo, não desamparara-lo, e o orgulhar e satisfazer, dedicando todos os dias da minha vida para sua felicidade, e nada mais que isso.
Bellamy ergueu uma sobrancelha. Muitos poderiam estar pensando que ele estava se divertindo com a cena, mas eu conseguia ver seu olhar incrédulo diante da minha fala.
— Você, Bellamy Blake, aceita Clarke Adele Griffin como a sua mulher?
—Eu, Bellamy Blake, aceito suas promessas e faço de você minha mulher. – recitou.
Os casamentos da máfia eram assim, detestáveis. A mulher era praticamente submissa aos homens, só tendo o direito de ficar calada e posar para "fotos". Já os homens, independentes de já participarem da máfia ou entrarem agora (como é o caso de Bellamy), ficam com todo o poder, podendo até dispensar a noiva em última hora, no melhor do casos.
— As alianças. – Marcus chamou.
Raven apareceu, trazendo um pequeno baú rústico com ela. Na tampa, havia a frase "blood must have blood". Ela o abriu, mostrando o fundo de veludo vermelho, juntamente com duas alianças de ouro com os nossos nomes gravados.
Percebi que suas mãos tremiam um pouco quando colocou a aliança com um pequeno diamante no meu dedo, o que me fez dar um sorriso presunçoso. Coloquei sua aliança em seu dedo, que tinha um olhar meio assustado, enquanto Raven pegava um baú maior, com as mesmas características que o outro. Marcus o abriu, nos dando a visão de duas coroas.
A maior coroa era toda de ouro, em um modelo masculino. Já a menor, era de prata, cheia de pequenos diamantes. Ela era, claramente, feminina.
Marcus pegou a primeira coroa, proferindo poucas palavras e a colocou na cabeça de Bellamy. Ele se mantinha imponente, mesmo seus olhos mostrando não entender nada daquilo. Marcus repetiu o mesmo processo em mim, só que com a menor coroa. Sinceramente, preferia a maior, até porque eu era a herdeira da máfia, mas ok... Não iria dar um piti de garota mimada só por isso.
— Bellamy Blake – chamou Marcus -, beije sua mulher.
Puxei o ar lentamente pelo nariz, o deixando sair pela boca. Eu já sabia desse costume, afinal, era ele que concretizava o casamento. Mesmo assim, ter que beija-lo... Não seria nenhum sacrífico, completou minha mente. A ignorei.
Ele se inclinou, aproximando seu rosto do meu e selou nossos lábios, acabando com o espaço que nos separava. De início o beijo foi lento, mas logo Bellamy aprofundou sua língua em minha boca, me embalando pela cintura, o que me fez arfar e o agarrar com mais força.
Só paramos pela maldita falta de ar, enquanto escutávamos uma pequena risadinha de Octavia. Olhando nos olhos um do outro, demos um passo pra traz, nos separando.
Entreguei rapidamente meu bouquet a Octavia, enquanto levantava minha saia e pegava a arma que estava na cinta liga, para cumprir outro ritual da máfia.
— Que comece a festa! – proferi, dando três tiros pra cima com o olhar incrédulo de Bellamy em mim, como se perguntasse mesmo se eu havia guardado uma arma na minha cinta.
♕♛♕
— O que foi aquilo? – Bellamy me perguntou, enquanto caminhávamos em direção ao carro.
— Aquilo o que, exatamente? – perguntei.
Tínhamos acabado de sair da festa, indo em direção a limousine, que nos levaria direto a nossa lua de mel. Aliás, sobre a festa... muitos convidados entediantes e chatos do qual tivemos que cumprimentar, Octavia e Raven se embebedando e pagando mico, Lincoln, Jasper e Monty tentando conte-las e a tão aguardada "dança do casal", o que me obrigou a trocar de roupa, colocando um vestido exatamente igual ao outro, só que no comprimento da coxa. Aproveitei também pra trocar o sapato de salto por uma confortável sapatilha transparente com pequenos diamantes e fazer um coque desajeitado no meu cabelo. Bellamy aproveitou que já estávamos no carro e tirou o smoking e a gravata, abrindo alguns botões de sua blusa e pegando uma cerveja no minibar. Sexy.
— Tudo aquilo. – ele fez um giro com o dedo, talvez tentando demonstrar tudo o que aconteceu.
Levantei uma sobrancelha. Calmamente tirei minhas sapatilhas, atirando em qualquer lugar do veículo, peguei a garrafa da sua mão e dei um gole.
— Bom... o que posso dizer? – fingi refletir enquanto devolvia a garrafa a ele. – A máfia tem muitos costumes...
— Desnecessários?
— Ah não, — fiz um gesto com a mão. — eles são ridículos mesmo.
— Então porque ainda cumprem?
Me endireitei suspirando: — Porque nós tomamos banho Bellamy? Porque nos maquiamos ou fazemos tatuagens? Estamos tão acostumados com isso no nosso dia a dia que nem refletimos que isso é um costume que herdamos dos índios. – fiz uma pequena pausa. – O que eu quero dizer, é que já estamos tão apegados a isso que poucos de nós ainda continua a questionar o porquê de fazermos aquilo.
— É. Talvez sua teoria esteja certa. – falou presunçoso, depois de algum tempo. – Mais isso ainda não explica o significado de cada uma delas.
— Vou te contar uma história. – propus, escorando minhas costas no banco. – Era uma vez...
— Era uma vez? Sério isso? – me interrompeu.
— Eu ainda estou com uma arma. – o informei, colocando meus pés em seu colo com certa força. – Posso continuar?
"Era uma vez, há muito tempo atrás, dois pequenos principezinhos. Esses dois principezinhos eram muito amados pela sua família e reino, o enchendo de alegria e divertimento."
"Muitos anos depois, no dia da coroação do príncipe mais velho, seu irmão, com inveja do trono, forjou um ataque ao castelo, ocasionado a morte de sua mãe com a ajuda de rebeldes infiltrados, e culpou seu próprio irmão pelo ocorrido. Com falsas provas e testemunhas, ele conseguiu enganar a todos, fazendo seu pai, o grande rei, o condenar seu irmão inocente, o banindo de seu país de origem para sempre."
Percebi no meio da narração que tinha conseguido a atenção de Bellamy.
"Desmotivado e em um país desconhecido, o príncipe teve que começar a trabalhar duro. Passou a pensar em muitas das regalias que se tinha no castelo, se dando conta que nunca mais teria algo assim. Até conhecer ela."
"A garota, não era nada mais nada menos que uma aventureira, que, contrariando todas as regras da época, fazia o que queria, quando queria e na hora que queria. Ele não pode resistir. Apaixonou-se. Depois de muitos convites para sair – da parte dele, é claro – ela finalmente aceitou, onde descobriu gostar de sua companhia e contou seu segredo mais bem guardado: era a filha bastarda de um rei."
"Depois de muitas conversas e encontros, eles finalmente se casaram, abrindo uma pequena loja de jardinagem nos fundos de sua casa, e assim, sendo felizes para sempre."
— Tá, e o que mais? — Bellamy perguntou com curiosidade, quando acabei o conto.
— Pense Bellamy. – o respondi. – Tem certeza que não se lembra de nada?
Fiquei prestando atenção no rosto do meu mais novo marido, até conseguir ver um brilho de percepção em seus olhos, quando ele finalmente conseguiu assimilar tudo o que eu havia contado.
— Você é...
Meu corpo foi jogado subitamente pra trás, como se um forte impacto tivesse ocorrido. Minha cabeça começou a girar, pontos pretos aparecendo em minha visão. Pensei ter ouvido alguém gritar meu nome. Minha mão inconscientemente foi ao lado direito de minha barriga, onde senti algo escorrer.
Minha visão se escureceu.
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