Madrugada II

1 Entre o corredor


Notas iniciais
Oi,

No quarto, apenas a luz do celular ilumina o lugar. Ela suavemente se levantava do colchão, olhando para o lado conferindo se todos dormiam. Esperava que sim, pois estava esperando há uma hora para que todos adormecessem.

Sentada do lado da porta. Recebendo mensagens, de alguém querendo saber se já tinha saído do quarto, respondia que o medo estava deixando ela no chão sentada sem coragem para levantar.

— Bora mana – Falava com ela mesma – Se não levantar volta para cama.

Foi o suficiente pra fazê-la levantar e sair do quarto. A porta fez um rugido quando foi aberta.

No escuro, não via nada. A vista aos poucos se acostumava a escuridão. Pegou o celular e respondeu.

— Tô aqui fora.

Era um corredor, de novo. No escuro. E ele, justo ele, estava vindo. Um suave arrepio passou por todo seu corpo.

Conseguia apenas sentir alguém vindo, e logo depois tentando levanta-la do chão. Ela fez força para ficar no chão, estava nervosa, sabia o que ia acontecer quando levantasse.

Certo, era o que ela imagina.

Sabe aquela segurança que os homens têm quando segura uma mulher? Ele tinha.

O beijo veio calmo, primeiro no rosto, fazendo caminho até os lábios. E ficou intenso, e quente. Misturando borboletas com alguma coisa dentro da barriga dela. O cheiro dele inundava suavemente o seu sentido, com uma mistura de colônia kaiak com cama, era estranhamente familiar.

As madrugadas novamente tinham invadido a vida dela, tão sorrateira. Algo depois das 2 da manhã deixavam as coisas melhores, e perigosas. A emoção de qualquer instante alguém acordar e pega-los aos beijos no corredor só aumentava a vontade de ficar onde estavam.

Bom, por falar em alguém acordar, eles ouviram um barulho vindo do quarto do pai dele. A casa é estranha, tínhamos que ir no quarto dele, e pra ir pra lá tinha que passar dentro do quarto da irmã. E ela pensava sobre ela mesma ‘ caraca, tu é foda’, esses momentos, essas minis aventuras dá uma boa história, e ela sabia disso. Continuando, o barulho.

Pense em duas pessoas que se olharam rápido e tentaram o mais rápido ainda e silenciosamente sair daquele lugar, foi eles. Passamos que quarto da irmã e ficamos entre a parede e o guarda roupa, a luz que entrava na janela era a única iluminação, que refletia no rosto dele. Depois de um momento e sorrisos de alivio, ele foi pra beija-la.

Cara, mas esse beijo deixava ela arrepiada. E os beijos dela iam delicadamente do ombro e subiam até a boca, junto com mordidas.

Ela pensava, ele ta mais perigoso que na última noite. Os beijos dele arrancavam suspiros, as mãos dele subiam e desciam percorrendo todo o seu corpo, deixando arrepios por onde ia. Mas ele deixava ela louca quando suas mãos subiam até seus cabelos e os puxavam, o corpo dela respondia imediatamente puxando o corpo dele pra junto o dela, encaixando os pedaços.

E de repente, ele se solta dela, e caminha até a cama, e a chama. Ela dava umas olhadas para a cama desde quando tinha entrado no quarto, com um impasse gigantesco dentro dela.

Bom, uma cama bem que ajudava. Bom, uma cama bem que atrapalhava, o seu auto controle.

Ela tentava até que ser uma boa menina, mas as circunstâncias... mas as circunstâncias não deixavam.

Ele estava lá, sentado, esperando.

Lentamente ela foi caminho até a cama e se sentou na ponta. E ele veio beijando e puxando ela para deitar aos beijos com ele, com as não tão suaves tentativas de tirar a blusa dela, e ela com a falsa vontade de ficar vestida. Aquilo a possuía por dentro, a vontade, o desejo, a pegada.

As mãos deles percorriam o corpo dela que a qualquer momento ela poderia se render as caricias e desejos dele. Mãos firmes, que juntavam os seus corpos tão rápidos quanto ela se afastava dele.

Naquele momento, naquele dia. Não dava.

Sabe aqueles momentos pacíficos e calmos na cama? Que só se abraçam em um longo silêncio, mas não aquele silêncio constrangedor, era um confortável. Eles estavam assim agora, ela mexia no cabelo dele e ele fazia carinho nos seus braços, e ela suspeita que ele de vez enquando cochilava, entretanto, não faz nada pra acorda-lo, sentia-se bem sabendo que dormia nos seus abraços.

Os minutos na madrugada passam depressa, depressa demais. Acho que ambos queriam ficar ai, deitados em um abraço dormindo, até se despertarem com o nascer do dia ao meio dia. Bom, retornando a razão, ela se levantou, dando um beijo de despedida, sumiu na escuridão e voltou para o quarto de onde havia saído.

Notas finais
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