Madre Cruz
1 Capítulo 1
Era um menino, um menino nasceu... mas não havia alegria, nem flores, havia o choro e o silêncio. O ambiente era rustico, a mãe, ainda moça, repousava no leito e o esposo segurava a criança sem demostrar emoção. Mil coisas passavam por sua cabeça, mas uma era certa, não era seu filho, ele não podia ter filhos. Era preciso fazer algo, foi ao cartorio registrou o bebê, não he deu seu nome ou o de sua mãe, mas o único que lhe ocorrera ser o mais sensato: Judas Iscariot, pois era o fruto da traição e carregaria isto por toda a vida. Abandonara mae e filho, mas logo outro veio e ocupou-lhe o lugar, mas era violento, agressivo, não demostrava carinho pelo filho e espancava a mãe constantemente. Já com o passar de alguns anos, em uma das tantas noites onde as mesmas cenas se repetiam constantes, Judas, aos seis anos, se aproxima da mãe que jazia ao chao em um canto escuro da casa, tomada de sangue e pavor, tenta socorrê-la com as suas pequenas mãos, mas esta o repele: “ Suma daqui, inferno! Você é o culpado do meu martirio... antes não tivesse nascido! Va embora, suma da minha frente.”
Era noite. Estava frio, ele caminhou por muitas horas, até cruzar com uma grande aglomeração de pessoas, havia gritos e orações. Pareciam arrastar alguém pelas ruas, espancavam e o jogavam de um lado ao outro, gritavam: “Morte ao traidor!” Até o atarem a um poste e colocarem fogo, mas o homem que era queimado parecia sorrir para Judas, que se assustou e correu, correu até as pernas doerem. Chegou a um grande casarão de portas largas e bateu desesperadamente, aos prantos. Foi quando um senhor de vestes longas e escuras abriu o portão, a criança o olhou por alguns instantes e caiu inconsciente, permanecendo assim por algumas horas.
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