Notas iniciais
Bela - Então, de volta cinco segundos depois. Espero que esse esteja melhor.
Gabi - ...

Rin não tinha a menor vontade de assistir a uma aula dada por Shiro, pois o fato de o professor ser seu pai tornava-a embaraçosa, e ele estava preocupado que o padre dissesse algo que não deveria. Mas seu colega de quarto maluco que achava que era Deus forçou-o a ir de algum jeito inexplicável, de modo que não pôde matá-la.

— Bom dia, gente – cumprimentou Shiro, sentado em cima da mesa do professor. – Ou não tão bom, porque vocês estão com cara de sono, mas eu também devo estar, portanto estamos quites. Para os que não me conhecem, eu sou Shiro Fujimoto, padre, professor de filosofia e pai desses dois gatos aqui – Ele indicou Yukio e Rin com um gesto. – Ah, devo avisar que eles vão ser padres como eu, portanto nenhuma garota tem permissão de se aproximar deles.

— Pai, por favor – pediu Yukio, em tom de “vamos ser razoáveis”, como se já tivesse passado por aquilo antes. Todos da turma riram.

— Brincadeirinha! Enfim, como eu detesto ficar só lendo o livro e dando palestra, trouxe uma coisinha legal pra gente fazer hoje – o professor tirou algo de uma sacola que estava ao seu lado na mesa. – Cubos mágicos! Terão a aula inteira para montá-los, mas meu objetivo não é exatamente que vocês montem os cubos. Quero ver como lidam com o estresse causado por essa coisinha aqui. Entendido? Vamos começar, então.

Ele distribuiu os cubos entre os alunos e começou a fazer a ronda pela sala para verificar o progresso (ou a falta dele) de cada um.

Para Noda, a solução foi muito simples. Com alguns golpes precisos, ele despedaçou o cubo mágico e tornou a montá-lo com as peças organizadas de modo que cada lado tivesse apenas uma cor.

— Fácil – disse. Shiro sorriu.

— Solução interessante, embora eu ache que você devia procurar uma solução menos violenta.

— E menos trapaceada, porque isso foi trapaça – acrescentou Hinata, recebendo um olhar de desprezo em troca.

— Quero ver você fazer melhor, então.

Hinata, de fato, não conseguia montar o cubo mágico de jeito nenhum. Shima desistira da tarefa logo no início; contentou-se em sentar com os pés sobre a mesa e as mãos cruzadas atrás da nuca, observando enquanto os outros se estressavam. Yukio parecia frustrado, como normalmente ficava quando não sabia a solução para alguma coisa, tendo conseguido montar apenas um lado.

Rin, por outro lado, resolveu o problema com bastante facilidade; em pouco tempo seu cubo mágico estava montado, o que deixou Yukio com a pulga atrás da orelha.

— Como você conseguiu? – exclamou o garoto de óculos. Seu irmão deu de ombros.

— Sei lá. Acho que pessoas idiotas podem fazer esse tipo de coisa.

— Muito bem! – aprovou Shiro. – Continue tentando, Yukio. Você vai conseguir.

— Não, não vou – discordou o garoto, desanimado.

— Você está parecendo uma criança.

Yukio soltou um chiado irritado e voltou a se concentrar em sua tarefa.

Yuri falava consigo mesma, lutando contra o brinquedo. Conseguiu montá-lo com muito esforço. Mei e Misaki conversavam sobre o problema, tentando resolvê-lo juntas. Suguro parecia prestes a jogar o cubo na parede. Kanade fitava o objeto sem muito interesse, enquanto Otonashi parecia prestes a se jogar na parede.

Ryuzaki e Raito resolveram o enigma em questão de minutos. Misa preferiu ficar elogiando o namorado no lugar de realizar a tarefa, e Kazami conseguiu resolver o seu três segundos antes de o sinal tocar. Jintan realmente jogou seu cubo na parede, deixando Yukiatsu feliz por ter se saído melhor que o outro pelo menos uma vez, já que seu cubo mágico estava perto de ser montado. Tsuruko concentrava-se na tarefa, em silêncio, e Anaru tentava sem muito ânimo, sabendo que aquilo estava acima de sua capacidade. Poppo e Menma simplesmente conversavam sobre como aquilo era impossível.

Já Akazawa tentava com todas as suas forças, como se agora fosse algo pessoal entre ela e o cubo. Teshigawara parecia achar a atividade idiota, e mexia o cubo sem lógica nenhuma. Mochizuki falava em voz baixa consigo mesmo enquanto desenhava o cubo de vários ângulos diferentes para “ajudar no pensamento tridimensional”, o que parecia ser mais para “ajudar na técnica de desenho tridimensional”, mas Shiro resolveu deixar para lá. Afinal, ele pelo menos estava fazendo alguma coisa, ao contrário de outros garotos por ali.

Naoi parecia convencido de que seria capaz de fazer o cubo se montar sozinho, pois o deixara sobre a mesa enquanto o fitava intensamente e falava com ele. Izumo parecia distraída, olhando pela janela ao mexer no brinquedo com uma mão e tentar ignorar as olhadelas furtivas de Shima. Sakakibara, Sakuragi, Shiemi, Paku e Konekomaru mexiam nas pecinhas pacientemente, tentando descobrir a lógica daquilo, ao passo que Matsuda simplesmente movia-o sem pensar, na esperança que as peças se encaixassem. Shiina conseguiu resolver o enigma após algum tempo, embora preferisse morrer a admitir quão difícil fora. Oyama resmungava frustrado.

Faltando quinze minutos para o final da aula, durante a qual os alunos se revezaram entre montar o cubo mágico e tirar sarro uns dos outros, Shiro chamou a atenção de todos.

- Muito bem, gente. Essa foi uma pequena demonstração de como serão nossas aulas. Eu procuro trazer questões para que vocês reflitam, e aplicá-las a alguma situação cotidiana. Por exemplo, hoje eu trouxe um cubo mágico. A maneira como cada um de vocês resolveu esse cubo provavelmente é a maneira como resolvem seus problemas na vida real.

- Então quer dizer que quem não conseguiu resolver o cubo mágico não consegue resolver os problemas da vida? – perguntou Mochizuki.

- Não necessariamente. Deixe-me reformular a frase: A maneira com a qual vocês lidam com o problema do cubo mágico provavelmente é a maneira com a qual lidam com os problemas da vida. Se você lida com o cubo de forma violenta – Ele olhou sugestivamente para Noda, arrancando risadinhas da turma. –, provavelmente faz o mesmo na vida real. Quero que vocês reflitam: Que maneira é essa? Essa maneira está correta? E se não estiver, qual é a maneira correta? Por hoje é isso, gente. Até mais.

Quando o sinal tocou, os alunos se dispersaram, conversando sobre a aula. A maioria nem pensou nas questões apontadas pelo padre, mas alguns poucos pensaram que aquilo poderia ser útil no futuro.

Notas finais
Gabi - Péssima ideia, Shiro. E o Noda é muito divo u.u
Bela - Yeah, I agree.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.