Madness

1 Capítulo único


A queda não foi à pior parte. Nem a mais chocante. Nem a que mais me indignava.

I can't get this memories out of my mind

And some kind of madness

Has started to evolve

Eu não consigo tirar estas memórias da minha mente

E algum tipo de loucura

Começou a evoluir

A pior parte eram as ligações perguntando se eu estava bem. Era Harriet me tratando como se eu fosse desmanchar bem em frente aos seus olhos. A pior parte fora a imprensa tentando me sondar em um funeral no qual não me era permitido chorar. Era deixar toda a comida que os vizinhos me davam apodrecer. Era encontrar uma pixação escrita “eu acredito em Sherlock Holmes”.

A mais chocante foi quando vi seu corpo inerte. Seus olhos azuis virando gelo, seu cabelo cacheado se misturando ao sangue escarlate. A pele pálida se tornando mais pálida.

E o que mais me tirava o sono, era lembrar aquela ligação. Era lembrar-me de como ele estendeu a mão e como naquele momento eu senti o que ia acontecer, antes mesmo que minha mente pudesse me mostrar isso. E eu me culpava tanto por aquilo. O suicídio do falso gênio. A cada dia que passava, mais me amaldiçoava por minha mente ordinariamente estúpida não ter podido decifrá-lo e salvá-lo.

And I...

I tried so hard to let you go

But some kind of madness

Is swallowing me whole

E eu

Eu tentei tanto deixar você ir

Mas algum tipo de loucura

Está me envolvendo por completo

E lá estava eu, mil cento e dezesseis dias depois daquilo, de novo acordando no meio da noite, perturbado com o mesmo sonho: Sherlock no topo daquele prédio, estendendo sua mão e logo depois... Caindo. Na queda, porém, de suas costas se abriam um grande e lindo par de asas brancas, que aos poucos se tornavam negras, as penas se soltando e queimando no ar. Quando seu corpo tocava o chão e eu finalmente chegava ao seu lado, via o sangue em gotas, erguer-se até o céu e se transformar em nuvens cinza, despejando logo em seguida, uma chuva torrencial.

Então eu acordo. Suado, ofegante, com o coração acelerado. Espero ouvir um violino, ou mesmo tiros, em algum lugar lá embaixo, mas tudo continua no mais absoluto silêncio. Soco o travesseiro e sinto lágrimas ardidas pelo meu rosto. Três anos se passaram. Três anos, e não há um dia em que eu não pense nele. Nessa madrugada penso em como segui em frente e em como também continuo preso ao passado.

Mas essa noite, excepcionalmente hoje, estou dando um passo a frente. Mesmo depois de uma madrugada em claro e um dia de falsos sorrisos, estou aqui, nesse restaurante, seguindo em frente.

And now I have finally seen the light

And I have finally realized

What you need

E agora eu finalmente vi a luz

E eu finalmente percebi

O que você precisa

– John.

Minha mente fica em branco. Meu sangue gela e meu corpo responde, cada pelo se arrepiando, sinto mãos de gelo descendo pela minha espinha.

Levanto-me – não acreditando em meus olhos – e vou em direção ao meu medo, minha algema, meu fantasma. Meu ombro bate no que eu presumo ser carne e osso. Paro.

– Você está vivo.

– Sim.

Não me parece apropriado pensar nisso, mas em qualquer outra ocasião sei que ouviria um comentário exaltando minha brilhante capacidade de dedução.

– Estou voltando para casa, John.

Ele dá um sorriso torto e expira todo o ar dos pulmões. Parece cansado e aliviado.

Antes que eu perceba o que estou fazendo, sinto sua mandíbula sob meu punho cerrado. O choque faz com que ele cambaleie e quase caia.

– Três anos! – Grito, atraindo toda a atenção – Três longos e malditos anos, Sherlock Holmes!

Quando volto a ter controle sobre meu corpo, estou envolto por seus braços, socando seu peito sem força alguma, dizendo – entre lágrimas – coisas sem sentindo algum. Ele me arrasta para o banheiro masculino e nos tranca lá. Fico parado esperando que ele se vire, e quando o faz, vejo que seu rosto continua o mesmo. Inconfundível. E definitivamente, ele mesmo.

– Três anos...

– E não houve um dia que não senti sua falta – Se aproxima – John...

Toco seu rosto com a ponta dos dedos involuntariamente. Ele é de verdade e dá mais alguns passos em minha direção. Não protesto; não consigo e nem quero.

Quando nossos lábios se tocam, é como se nos meus sonhos, as asas de Sherlock não perdessem as penas na queda, e antes que seu corpo toque o chão, ele voasse para perto do sol.

Sinto meu corpo pressionado na parede e envolto meus braços em volta de seu pescoço. Penso no lenço roxo, mas minha mente voa de volta para a textura daquela pequena boca sob a minha.

Nos separamos e vejo que minhas lágrimas se misturaram as dele.

Come to me

Trust in your dream

Come on and rescue me

Yes, I know

I can be wrong

Maybe I'm too head-strong

Our love is...

Mad mad mad

Venha até mim

Confie em seu sonho

Venha e me resgate

Sim, eu sei

Eu posso estar errado

Talvez eu seja muito teimoso

Nosso amor é

Louco, louco, louco

– Sherlock... Você voltou. Voltou para mim.

Notas finais
Eis aí o fruto de um surto após ver o novo vídeo da BBC, com novas imagens de Sherlock. Espero que tenham gostado *u*Dúvidas, sugestões, críticas ou declarações de amor... Comentários!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!