Madness
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Notas iniciais
POV: Misa
Cerrei os punhos e me afastei do local em que Ryuuzaki estava. Pude ouvir por um momento a conversa que o rapaz teve com a médica — sim, era uma médica, mas não ficarei com ciúmes... ainda. Só se cumprimentaram e a mulher o encaminhou para sua sala de atendimento. Só espero que tudo dê certo...
Enquanto ele não saia da consulta, decidi passear pelo orfanato. Era um local realmente bonito e encantador, pelo menos eu achava que era. Subi as escadas e comecei a olhar os quartos, eram realmente espaçosos e cheios de luxos. Encontrei um que havia uma plaquinha com o número, 111, e havia um L pintado na porta. Na certa, aquele era o quarto antigo de Ryuuzaki. Entrei no local e observei como era por dentro. Empoeirado, porém organizado. Havia um computador antigo e diversas fotos espalhadas pelas paredes. Nelas, tinham alguns garotos como aquele albino, o loiro e o ruivinho. Pude ver também uma foto de um rapaz quase idêntico á ele. Devo me lembrar de perguntar se Ryuuzaki tinha um irmão gêmeo.
Abri a geladeira e vi milhares de doces já estragados. O cheiro do quarto se tornou horrível. Fechei a porta em seguida para que não piorasse... Parece que L saiu do orfanato sem levar nada consigo, pois tinha milhares de roupas no roupeiro, comidas na geladeira e fotos nunca retiradas da parede. Se bem que Ryuuzaki voltará em breve para cá, creio eu, então isso não é problema. Eu posso até ajudá-lo a limpar tudo isso se ele quiser.
Enfim, deixei o quarto do rapaz como estava antes e voltei a andar pelos corredores. Imagino como deve ter sido a infância dele... Passar uma boa parte da vida em um orfanato não deve ser legal. Esse lugar parece ser tão severo e puxado com seus moradores... Digo, todos tem que ser extremamente inteligentes para entrarem aqui, não é? Isso deve ser horrível. Julgar as pessoas pela sua capacidade mental. Eu nunca entraria aqui, até porque, meu QI nunca passou de cinquenta.
Avistei o quarto onde os amigos de L se encontravam e ouvi sua conversa sorrateiramente. Eles discutiam sobre jogos de videogame, provavelmente por causa do ruivo, que aparentava ser um gamer. O loiro percebeu minha presença e solicitou para que os outros ficassem calados. Mordi os lábios e corri para o lado oposto do quarto, procurando algum outro lugar para visitar. De verdade, eu queria mesmo era ir até o consultório e falar com Ryuuzaki. Saber se está tudo bem, se sua cabeça está normal novamente. Desci as escadas correndo e me dirigi até o local em que L se encontrava, vendo se ele já estava saindo. Para minha sorte, pude vê-lo se retirando da sala. Pulei em seus braços e dei um abraço eufórico no rapaz, mas ele permaneceu cabisbaixo, sua expressão era triste.
Oh, não.
– Ryuuzaki-kun, porque está assim? — Perguntei ingenuamente. Já sabia qual era a resposta.
– A médica não quis me dar um pirulito de morango. Ela disse que era só para as crianças. — Respondeu enquanto fazia bico. Ergui uma sobrancelha enquanto o fitava.
– Tá, mas como foi a consulta, Ryuuzaki? — Falei impaciente. Não era hora de fazer birra porque não ganhou a droga de um pirulito de morango. Ele tem milhares desses em casa, pra quê mais?
– Ah, sim... — Voltou ao seu tom normal e abriu um sorriso discreto. Comecei a me animar novamente. — Está tudo bem, assim como você disse. Vou poder comandar o Wammy's.
– Yay! Parabéns, Ryuuzaki-kun! Eu sabia que ia dar tudo certo... — Pisei em seus pés e lhe dei um beijo na orelha. O rapaz deu um suspiro e segurou minha cintura, girando-me em seguida. Estávamos tendo um momento feliz depois de tanto sofrimento.
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