Madly Living
12 III
Notas iniciais
— Uou, Jack! – ouviu-se a voz de Rapunzel, que estava mexendo distraidamente no computador, depois de que os quatro haviam terminado uma pesquisa (Rapunzel para a aula de Geografia, Soluço e Merida para a aula de Química e Jack não precisava fazer nenhuma) – Olha isso daqui. – chamou, rindo.
Jack deu uma espiada na tela do computador. Lá, havia uma pesquisa com o seu nome.
— Seu nome foi inspirado em uma figura lendária élfica! – ela riu novamente, enquanto Jack encarava a tela do computador espantado, sem acreditar.
— Co... Como assim? – perguntou, abobalhado. Merida e Soluço chegaram perto para ver também.
— Olha, aqui diz assim: “Jack Frost é a personificação da geada e do frio”. – ela fez uma pausa – Nossa, que original. Frost é Geada¹ – ela resmungou em português, para depois voltar a ler –”, sendo uma figura lendária élfica pertencente ao folclore do norte da Europa, acredita-se que esse mito seja proveniente dos anglo-saxões e nórdicos. Sua missão é fazer neve ou criar condições típicas de inverno, colorir a folhagem no outono e deixar a geada branca nas janelas no inverno.” – concluiu, lendo tudo com um sorriso no rosto.
— E, olha aqui, — chamou Merida, colocando a cabeça por cima do ombro de Rapunzel – “Às vezes aparece como um encarregado de criar as condições para que Papai Noel possa fazer suas entregas de presentes.” Owwwn, que coisa linda Jack, um lindo elfinho do Senhor Noel.
Os três riram, enquanto Jack fazia uma cara infantilmente emburrada.
— Tem até alguns filmes que falam sobre você. – apontou Soluço para os links anexados na página.
— Não é de verdade sobre mim, vocês sabem – resmungou o outro, meio irritado, mas os outros fizeram questão de ignorá-lo. Rapunzel clicou no primeiro link que aparecia, o filme Jack Frost, do ano de 1998.
— Aqui diz assim...
— Vamos passar mesmo a tarde inteira zoando o meu nome? – tentou intervir, mas, novamente, os outros apenas ignoram.
— “Jack Frost (Uma Noite Mágica em Portugal e no Brasil) é um filme de comédia e drama estadunidense de 1998, estrelado por Michael Keaton e Kelly Preston. Keaton interpreta o papel principal, um homem que morre em um acidente de carro-”
— Mas que mer...
— “E volta á vida como um boneco de neve.”
— Oi?
— Lê a sinopse! – pede Soluço, animado. Os três pareciam decididos a ignorar as reações de Jack.
— Tudo bem, espera eu achar... – Rapunzel rolou a página – Aqui! “Jack Frost é um cantor de rock...”
— E fica cada vez melhor...
— “...que sempre está viajando, assim ele não pode passar muito tempo com Charlie Frost, seu filho. Ironicamente quando Jack decide não ir fazer um teste, que poderia resultar em um contrato com uma gravadora, para se encontrar com Gabby Frost, sua mulher, e Charlie e passarem o natal juntos, Jack morre em um acidente de carro...”
— Maravilha.
— “Charlie fica bastante triste,”
— Fico comovido.
— “mas um ano depois Jack retorna como um boneco de neve.”
— Ai, que lindo.
— “Agora pai e filho podem fazer tudo que tinham perdido quando Jack era um humano,”
— Estou emocionado.
— “mas as pessoas estão começando a reparar que Charlie sempre conversa com seu boneco de neve.”
— Hum, agora a história passou para garotinhos esquizofrênicos.
— “Além disto, o tempo está esquentando, o que certamente derreterá o ‘corpo’ que Jack agora habita.”
— Huh, agora é um drama. Estou chorando.
— Jack, que tal você calar a boca? – Rapunzel pediu. Voltou para a página que falava sobre Jack Frost e clicou em imagens. Rapunzel arqueou as sobrancelhas – Credo.
Cada imagem retratava Jack Frost de uma forma diferente. Um mostrava um homem de pele muito pálida, olhos azuis e cabelos espetados (como se fossem gelo), além de uma longa capa feita de neve e um cajado de madeira. Outra, que fez Soluço dar risada, era uma em que Jack Frost era uma... criatura estranha, parecida com um velho muito idoso e muito magro, feito de gelo, com um nariz enorme e cabelos e uma estranha barbicha espetados, como gelo. E uma que fez Merida gargalhar era em que Jack Frost era desenhado como um... homem pequeno, do tamanho de um inseto, que andava com uma palheta de tinta que tinha somente cores brancas, o que deveria ser a neve.
— Isso é claramente avacalhação com a minha parte – resmungou Jack, um avermelhado fraco lhe subindo as bochechas. Era só o seu nome, poxa! Não é como se ele realmente fosse aquilo.
Rapunzel rolou mais as páginas, até que achou um desenho que gostou.
— Hum, eu gostei desse. – ela murmurou e apenas Jack ouviu. Olhou para a tela do computador e se surpreendeu pela primeira imagem razoável do personagem que tinha o seu nome. Tinha orelhas pontudas, sim, mas, fora isso, parecia um garoto comum. Tinha uma pele rosada de tão clara (e a pintura tinha de passar a idéia de frio). Cabelos brancos e olhos de um azul claro estranho, quase surreal. Usava uma capa marrom, da pele de algum animal e saia gelo da gola, assim como de seu cajado. Hum, na verdade, tirando o gelo (e as malditas orelhas), parecia um adolescente comum – E, na verdade, se tivessem pintado o Jack Frost da imagem de cabelo castanho, seria igualzinho a você – Rapunzel comentou.
Jack corou levemente e resmungou algo que Rapunzel não entendeu. Nenhum dos dois percebeu que, as suas costas, Soluço e Merida planejavam algo secretamente.
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No dia seguinte, Rapunzel acordou consideravelmente tarde. Era sexta-feira, mas o diretor havia deixado esse dia “de folga” para que os alunos do ultimo ano pudessem dar os últimos preparativos para a festa, que ocorreria no sábado. Parecia ser meio estranho, mas livrava a diretoria de gastar com as festas de Halloween, então eles davam essa ajuda.
Ela ainda nem havia saído da cama, sonolenta, quando ouviu batidas fortes na porta. Sentou-se rapidamente, assustada; Observou então, com estranheza, que em dez segundos Merida já estava de pé e abria a porta, antes mesmo que ela pudesse descer de seu beliche.
— Soluço! – Rapunzel não conseguiu segurar a exclamação quando o amigo, ainda de pijamas, entrou completamente suado em seu quarto, rindo muito. Viu pelo canto do olho Elsa se remexer em sua cama; Anna nem se mexeu – Mas o que...?
— Ah... Ele... – Soluço estava ofegante e mesmo assim não conseguia parar de rir. Se jogou num espaço vazio da cama de Anna (a de baixo) e respirou fundo várias vezes, sem conseguir para de rir – A cara dele...
Rapunzel não estava entendendo nada. Merida, porém, se aproximou de Soluço, parecendo ansiosa.
— Não acredito! Você conseguiu?
Soluço respirou fundo mais uma vez, lentamente conseguindo parar de rir.
— Consegui.
Só para voltar a rir novamente, mas dessa vez sendo acompanhado por Merida. Rapunzel, por sua vez, não estava entendendo nada.
— O que aconteceu?
Mas então, naquela hora, Jack entrou no quarto, tão suado e ofegante quanto Soluço. E Rapunzel entendeu completamente o que havia acontecido.
Porque Jack Frost estava com os cabelos brancos.
— Jack...! – Rapunzel levou as mãos à boca, engasgando, meio dividida entre a surpresa completa e a incontrolável vontade de rir.
— Soluço Spantosicus Strondus Terceiro, você está morto! – gritou, enfurecido, o rosto muito vermelho.
Soluço riu mais um pouco.
— Desculpa se eu estiver rindo demais para ficar assustado. – ele disse em meio a risadas. Foi então que Rapunzel pareceu se recuperar do choque e começou a rir descontroladamente.
Jack, que estava preocupado em fulminar Soluço com o olhar, olhou para ela espantando.
— Ate você, Rapunzel?
— Ah, meu Deus! – ela conseguiu exclamar em meio a um ataque de riso – Como... Como você fez isso Soluço?
— É! – concordou Jack, voltando a olhar furiosamente para o amigo – Como você fez isso, Soluço?
Merida agora tinha apenas um sorriso de canto no rosto. Rapunzel já havia conseguido parar de rir. Soluço apenas deu um grande sorriso malicioso, antes de responder:
— Água oxigenada.
— O QUE?! – Jack gritou, parecendo muito indignado. Elsa o olhou levemente irritada; havia acabado de acordar! – Você... Você... Mas que merda, Soluço!
— Foi a Merida que me desafiou!
— Mas foi você quem fez!
Rapunzel riu.
— Pelo jeito, Jack, ou você pinta o cabelo ou fica assim. – ela comentou, rindo. Jack passou as mãos pelos cabelos brancos, irritado.
— Agora, é só esperar que ninguém descubra dessa merda de conto do Jack Frost – ele bufou – Vou ser zoado pelo resto da vida se isso acontecer.
— A gente guarda segredo. – Rapunzel piscou para ele, antes de olhar para Merida, como se avisasse para não falar nada, já que a ruiva tinha aberto a boca para, provavelmente, fazer um comentário engraçadinho. Merida apenas sorriu, mas decidiu ficar quieta – Mas quer saber de uma coisa? Você até que ficou, hum... bonitinho desse jeito. – murmurou, corando.
Ele sorriu de canto, parecendo constrangido. Soluço e Merida se entreolharam, antes de rirem. Rapunzel somente desviou o olhar.
Ele decidiu que não pintaria o cabelo.
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