Madly Living
10 II
Notas iniciais
Os dois caminhavam sem dizer uma palavra, Merida na frente, Soluço atrás. Merida ainda não havia soltado da mão de Soluço, e, apesar de parecer que Merida estava guiando-o, cada um sabia exatamente em que lugar o outro estava pensando em ir.
Em pouco tempo, chegaram a floresta. Andando um pouco mais rápido agora, eles se embrenharam em meio as arvores até que chegaram naquela especial. A arvore deles.
Com um pequeno riso, os dois se entreolharam antes de Merida começar a subir os galhos primeiro, num sinal de “me alcance”.
Soluço quase revirou os olhos, sabendo que ia perder, mas sem conseguir deixar de tentar. Ele podia ser competitivo como ninguém quando estava com Merida.
Minutos depois, os dois estavam sentados num galho particularmente grande. Ambos em “perna-de-indio”, de frente um para o outro, os joelhos se tocando. Merida pegou na mão de Soluço e começou a apertá-la, um costume dos dois.
— Helena está ficando cada vez mais paranóica – Merida contou, falando baixo. A imagem de Helena, a participante do grupinho de Vhandia, dava calafrios no moreno. A garota era louca. – Sério, Soluço, você deveria falar com ela. Eu acho que ela pensa que vocês estão namorando ou algo assim.
Soluço fingiu se arrepiar dramaticamente.
— Nunca, jamais, em hipótese alguma – ele frisou – repita essas palavras.
— Ah, vai! – Merida riu pelo nariz, dando um sorriso maroto – Ela não é tão ruim assim. É até fofa a forma como ela fica me encurralando para saber se vocês estão namorando!
Soluço torceu o nariz.
— O que ela te fez dessa vez? – perguntou, num tom um pouco mais baixo, levemente preocupado.
— Nada. Ela só me parou no meio do corredor e disse que... – Merida parou por um momento, relembrando da cena de hoje mais cedo — ...“me viu se pegando com Aaron Lee, e que se eu não terminasse com você ela espalharia para todo mundo”. Quando aquela idiota vai entender que eu não estou namorando com você?!
— Você ficou com Aaron Lee?! – perguntou, espantado – Como assim?
Merida revirou os olhos.
— Não, eu não fiquei com o Lee. – Merida disse, levemente irritada, apertando com mais força a mão de Soluço – E se eu tivesse ficado não teria problema nenhum! Eu beijo quem eu quiser!
— Não, não foi isso que eu quis dizer! – Soluço tentou se explicar rápido, atrapalhando-se – Eu só achei que você... Eu... Eu só não gosto de pensar em você beijando idiotas como o Lee.
Eles se encararam e Merida soltou a mão dele como se tivesse levado um choque. Desviaram o olhar, muito vermelhos.
Soluço olhou para a mão que ela estivera segurando e percebeu que sentia falta da mão dela ali. Fazia tempo que os dois não brigavam.
Soluço sentia-se um idiota. Mas... mas não sabia explicar. Era amigo de Merida havia anos, antes mesmo dela sair da escola aquela vez. Havia visto namorados e ficantes irem e virem muitas vezes e nunca se sentira como agora. Mas por que agora se sentiu tão incomodado?
Olhou de canto para ela. O rosto virado para o lado, as bochechas vermelhas. Soluço engoliu em seco. Uma coisa sobre Merida é que ela parecia desprovida de vergonha; Se ela estava vermelha, ah, meu amigo, pode apostar que ela está muito, muito brava.
Abriu a boca algumas vezes, antes de tomar coragem para falar:
— Está irritada? – perguntou, incerto. Merida ficou longos minutos em silencio, antes de responder.
— Não. – a ruiva suspirou. Soluço acompanhou o movimento de seu peito enquanto ela fazia isso.
Por que haviam brigado mesmo? Aquilo era tão estranho. Mas então, a imagem de Merida se agarrando com Aaron Lee lhe veio a mente e ele sentiu como se uma raiva quente descesse de seu peito até o estomago, pesando. Ele fechou os olhos e massageou as têmporas, subitamente irritado, com uma pequena dor de cabeça repentina.
Suspirou lentamente. Aquilo era tão idiota. Por que estava agindo assim?
A não ser que... que...
Oh, merda.
.¸¸.*♡*.¸ ¸.
Merida respirou fundo, sentindo o rosto esquentar. Merda, merda, merda. Soluço era o único que conseguia isso, a tirar do sério e ao mesmo tempo sentir que não conseguia brigar com ele. E o pior: Ele era o único que conseguia fazê-la ficar envergonhada. Ela odiava quando sentia o rubor subir as bochechas e então se odiava por isso.
Idiota. Você é um idiota, Soluço. Um completo e imbecil idiota!
— Está irritada? – sim. Ela estava morrendo de ódio de você, seu otário. O que ela mais queria é encher esse lindo rostinho de tapas. Suma – da – minha — frente.
— Não – respondeu, suspirando. Por que, afinal, nunca conseguia ficar com raiva de Soluço.
Mas sentia algo bem parecido. Algo gelado, inquieto, descia por seu estomago cada vez que coisas como essas aconteciam, acompanhado por um formigamento nas mãos e um calor no pescoço.
Observou enquanto Soluço fechava os olhos e levava os dedos as têmporas, massageando-as enquanto suspira. Ele estava irritado com ela? Por quê?
Colocou-se no lugar dele. Estavam conversando, como sempre faziam. Ele pegava em sua mão, um costume. E então, Soluço começava a falar sobre um assunto qualquer, e então, distraidamente, menciona que havia se beijado com uma garota. Charlotte Niew, por exemplo. E então... E então...
E então o pensamente não continua. A raiva cega. Sempre gostou muito de Charlotte Niew, por não se importar nem um pouco por ser chamada de vadia só porque ficava com muitos garotos e beijava quem queria. Mas agora...
Na verdade, não estava com raiva de Niew. Nem de Soluço. Só estava com raiva.
Não... Raiva, não. Algo mais.
Ciumes.
E alguma coisa lhe dizia que não tinha nada a ver com ciúmes de amigos.
Ela estava apaixonada por Soluço.
Suspirou. Não seria idiota o suficiente para ficar negando. Era uma pessoa decidida e sabia que estava apaixonada pelo seu melhor amigo, e isso já fazia algum tempo, pelo jeito.
Olhou para o moreno, sem saber que ambos pensavam a mesma coisa:
Oh, merda.
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