Madly Living

3 ♛ - Soluço? Sério?


Notas iniciais
Yay, Povo! Eu passo a semana inteira pensando: "Nossa, eu tenho que falar isso, isso e isso pros leitores, só tenho de lembrar de colocar nas notas". Chega aqui, eu nunca lembro o que tinha de falar 'u' E quem ai tá participando do desafio de outubro? EU QUE NÃO! Sério, eu simplesmente NÃO CONSIGO escrever só 100 palavras. Na minha classe o pessoal se mata para escrever as dez linhas de redação que a professora pede, enquanto eu to lá na segunda pagina. Não sei se a professora me ama ou me odeia por isso 9.9 Agora, ao capitulo.

Uns quatro meses depois de começar a cursar o quarto ano do Ensino Fundamental, o despertador de Rapunzel quebrou. Ela também não tinha celular na época e naquele tempo sua mãe saia antes dela para trabalhar. Depois de um tempo sendo acordada todos os dias pelo toque do telefone fixo, que era sua mãe ligando para acordá-la, Rapunzel acabou se acostumando em acordar sozinha no horário certo sem o auxilio do despertador, mesmo depois que o aparelho fora concertado e ela ganhou um celular.

Ela sempre se orgulhou mesmo disso, mas ela não podia estar odiando tanto isso quanto agora.

No Brasil, ela conseguia colocar na cabeça que ela não deveria acordar as 07h00min a.m em Dezembro, Janeiro e uma parte de Julho. Seu corpo se acostumou com isso. O que seu corpo não estava acostumado era a não ter aula em setembro, como era o caso desse dia, aqui, no Alabama.

E foi assim que ela se via acordada as 05h15min da manha no dia três de Setembro, num dia em que não tinha aula!¹

— Merda. – resmungou, sonolenta, mas conhecendo-se suficientemente bem para saber que não conseguiria voltar a dormir. Desceu da cama com cuidado, para não acordar Merida, que tinha a sorte de estar dormido tranquilamente na cama do lado.

Ela rodeou o quarto por alguns minutos, pensando no que poderia fazer para não ficar no tédio. Seus olhos bateram então no guia que estava em cima da mesinha de centro – que fora arrastado para o canto, quando Merida percebera a incrível habilidade de Rapunzel de ser extraordinariamente desastrada. O guia era, bom, um guia, que mostrava cada parte que um calouro poderia precisar, que eram, basicamente, as salas de aula, os banheiros, saídas de emergências, grêmio, diretoria, quadras, biblioteca e a ala feminina e masculina.

Rapunzel olhou pelo guia por um tempo, repassando mentalmente os lugares. Percebeu que, na área livre havia um lago. Decidiu que iria para lá.

Deixou o guia em cima da cama de baixo do seu beliche, e foi para o banheiro. O banheiro provavelmente foi a única coisa de tamanho normal que ela viu naquele lugar. O piso era de um tom canela claro e as paredes eram de um marrom um pouco mais escuro que o piso. A parede direita tinha um grande espelho na horizontal, com duas pias brancas abaixo dele. Na parede esquerda havia o chuveiro, que era rodeado por um box de vidro. Na “parede de trás”, a que ficava do lado do box, havia dois ganchos, provavelmente para se pendurar toalha. Ao todo, era um lugar bem bonito e organizado. Toda aquela organização moderna a fazia se sentir num hotel, e Rapunzel não conseguia tirar a sensação que iria embora a qualquer momento.

Ela demorou quinze minutos para conseguir arrumar o cabelo, escovar os dentes e tudo isso que se faz pela manha. Voltou para o quarto, decidindo-se por vestir uma blusa simples, com listras horizontais branco-e-preto, um shorts jeans e um All-Star vermelho. Com o guia na mão, saiu com o maior cuidado pela porta, verificando se Merida ainda estava dormindo antes de sair.

Eram cinco e quarenta quando Rapunzel saiu do quarto. Percorrer o caminho até a Área Livre – contando ainda com os corredores errados que ela pegara – levou vinte minutos. Eram seis horas em ponto quando ela finalmente chegou.²

O lugar não tinha nada de muito extraordinário. Como estava no guia, tinha um lago que se embrenhava em meio a floresta até não ser mais possível vê-lo. Envolta, o campo era coberto por uma grama verdinha e bem cortada, e havia uma paz – que por algum motivo Rapunzel achou um pouco sombria – em o lugar estar completamente vazio, sem sequer nenhuma alma viva no lugar.

— Até mesmo por que ninguém seria idiota o suficiente para acordar cedo num dia que não tem aula, Rapunzel – murmurou, azeda, para si mesma – E você não deve falar sozinha em voz alta. É estranho, até para você.

— Não sei se fico ofendido pelo idiota ou aliviado por não ser o único que falo sozinho. – disse uma voz atrás dela. E ela, como não podia deixar de ser, teve um leve do mínimo dos enfartos de susto.

Rapunzel não gritou, mas foi quase. Ah, mas com certeza havia alguém lá em cima rindo muito da cara dela, por que não era possível ser apenas coincidência ela ser assustada TRÊS vezes em menos de DOIS dias. Ela odiava levar sustos, pelo fato de que se assustava muito fácil. O coração batendo fortemente no peito, e levemente corada, ela virou-se para a pessoa que havia falado.

Era um garoto magricela, de cabelos castanhos, “compridos-mais-nem-tanto”, que lhe batiam um pouco abaixo das orelhas. Tinha um nariz fino e comprido, olhos verde musgo e era alto, mais alto que Jack, o garoto que conhecera ontem, mas nem tanto, e charmosas sardas se espalhavam por todo seu rosto. Ao todo, era bonito, e tinha uma aura fofa, como aqueles caras nerds bonitinhos que ficavam com a melhor amiga da principal nos filmes americanos.

— Você me assustou! – exclamou, antes de dar sua pequena analisada no garoto. Por um momento, perguntou-se se essa mania que tinha de analisar as pessoas quando as via pela primeira vez não seria inquietante, mas logo voltou a realidade.

— Eu percebi. – respondeu o moreno, risonho. – O que faz acordada ás... – ele consultou o relógio de pulso que usava — ...ás seis e dez da manhã nas férias?

— O que você faz acordado a essa hora?

— Eu perguntei primeiro – ele a olhou, como se analisasse, sorrindo – Mas tudo bem. – suspirou – Eu tive um pequeno, hum, acidente com meu colega de quarto, que me fez acordar. Daí não consegui voltar a dormir. – deu de ombros. – E você?

— Bom... – começou, um leve tom de rosado surgindo em suas bochechas – Eu sou Brasileira. – falou, desviando o olhar por um momento para depois voltar a olhá-lo – Eu me mudei ontem pra cá e...

— Ah, já sei! – ele disse, fazendo Rapunzel o olhar feio pela interrupção. O garoto não percebeu, e continuou – Diferença de fuso horário?

— O que? Ah, não! – negou com a cabeça – O fuso horário de onde eu venho com aqui é só de duas horas. Mas eu estava acostumada a acordar cedo no Brasil – sabe, lá não estávamos de férias – e eu esqueci de mencionar ao meu cérebro que eu podia dormir até mais tarde hoje, e, bom, aqui estamos.

— “Esqueceu de mencionar ao seu cérebro”? – repetiu, confuso – Você é estranha.

Rapunzel bufou.

— Por que todo mundo que eu conheci até agora me disse isso? – indagou para ninguém em especial – Primeiro a Merida, agora você...

— Merida? Do tipo, Merida DunBroch? – perguntou, as duas sobrancelhas levantadas em surpresa – Eu sou amigo dela!

— Sério? Que legal!

— Huh – exclamou o garoto de repente, como se se tocasse de alguma coisa – Então, nós meio que conversamos por um tempinho, mas eu não sei seu nome.

— Ah! – ela revirou os olhos para ela mesma; Havia se esquecido do básico – Rapunzel. Rapunzel Corona.

Ela aguardou por um momento, mas o garoto não comentou sobre o nome estranho.

— E eu... O que foi? – perguntou, se auto interrompendo, percebendo que ela o encarava curiosa.

— Nada. É que normalmente as pessoas no mínimo acham meu nome estranho.

Por algum motivo, o garoto riu.

— Isso por que você ainda não viu meu nome. – ele suspirou, sorrindo, antes de afastar a franja dos olhos. Rapunzel percebeu que se o garoto ainda sem nome se vestisse um pouco melhor, mais “descolado”, seria a sensação da escola; O afastar da franja fora extremamente charmoso – Prazer, Rapunzel, eu me chamo Soluço Spantosicus Strondus Terceiro.

Rapunzel ainda estava ocupada em corar pelo pensamento que teve sobre o garoto ser charmoso – o que não deixava de ser verdade -, por isso demorou um segundo para assimilar o nome do garoto, que agora sabia que se chamar Soluço.

Soluço.

Soluço Spantosicus Strondus Terceiro.

Rapunzel tossiu, engasgando. Encarou o garoto, vendo se ele não estava brincando, mas ele tinha um leve sorriso nos lábios, que demonstrava que ele estava sendo sincero.

Soluço? — tossiu, fazendo o garoto rir.

— É, eu sei. Que tipo de pessoa coloca o nome do filho de Soluço? – perguntou, jogando as mãos para cima, rindo. Parecia achar aquilo engraçado – É tipo: “Uau, que bebê lindo, vai se chamar Soluço!”. Que legal. – Soluço a olhou, antes de rir pelo nariz – Vai, fala, eu sei que você quer falar.

— Seu sobrenome é Spantosicus Strondus, e seu pai coloca o seu nome de Soluço?

— É, eu sei, bizarro.

.¸¸.**.¸ ¸.

— Ah! Você conheceu o Soluço – exclamou Merida, assim que Rapunzel e Soluço entraram no quarto, rindo. Merida ainda estava de pijamas. – Bom, pelo menos agora não perdemos tempo com apresentações.

— Já conheceu Jack? – perguntou Soluço, virando-se para Rapunzel.

— Jack Frost? – perguntou em resposta – Aquele garoto de cabelos castanhos e olhos azuis, o convencido?³

— É, ela conheceu – concluiu Soluço, rindo.

— Estão falando de mim? – ouviram a voz de Jack, e Rapunzel deu um pulo. Esse garoto tinha que parar de surgir do nada! Como ele estava do lado do beliche de Merida se Rapunzel não o vira passar pela porta? – Só coisa boa, né? – perguntou, e antes que qualquer um pudesse abrir a boca, respondeu para si mesmo a própria pergunta – É obvio que é só coisa boa, tem como falar mal de uma coisinha como essa? – e apontou para si mesmo com o polegar, uma expressão convencida no rosto.

— Ah, se tem. E como tem – murmurou Rapunzel para si mesma. Jack a encarou.

— O que disse?

— Você percebeu que respondeu a própria pergunta? – indagou a loira, ignorando a pergunta de Jack. O garoto deu de ombros. – Bom, você deveria ver isso, sabe, esquizofrenia é coisa séria.

Jack lhe olhou indignado. Merida e Soluço se entreolharam, mandando um pequeno sorriso para Rapunzel.

— Rapunzel, você estava discutindo com você mesma quando te conheci – Soluço lembrou, ainda sorrindo.

— E...? — Rapunzel deu de ombros.

— Eu gostei de você, loirinha. – Jack havia feito aquilo de novo. Se deslocou do beliche de Merida para o lado dela sem que ela percebesse. – Raivosinha. – completou, passando os braços pela cintura da garota.

Rapunzel o encarou, estupefata. Quem aquele garoto achava que era?

— Você tem demência? – foi o que ela conseguiu se falar, se desviando do garoto, corando – E não me chame de loirinha!

— Okay então, morena.

Rapunzel abriu a boca, indignada, mas não conseguiu dizer nada. Soluço e Merida começaram a rir de um jeito escandaloso, fazendo o olhar de Rapunzel se voltar para eles.

— Não liga não, morena – disse Merida, em meio a risadas – Uns dois dias e ele para de dar em cima de você.

— Outch – disse um Jack, com um biquinho – Assim até parece que eu sou um desses caras que fica com todo mundo!

— Verdade, você só tem um critério menor do que a maioria das pessoas para escolher as garotas. – riu Soluço.

— É, e não fica de enrolação. Pra que esperar mais de dois minutos depois que conheceu uma garota para beijar ela? – continuou Merida.

— Exatamente! – concordou o garoto, jogando os braços para cima, e Rapunzel então percebeu que Jack ainda estava de pijamas. Olhando para Merida, percebeu que ela também não havia se trocado.

— Vocês ainda estão de pijamas – comentou isso, e os três olharam para ela. Rapunzel olhou para seu celular e conferiu as horas – São... 11:30 e vocês ainda estão de pijamas.

— Vocês dois – Merida apontou para Rapunzel e Soluço – são os únicos malucos que acordam cedo num dia que não tem aula.

— São 11:30, é praticamente madrugada quando não se tem aula! – completou Jack, no que Rapunzel e Soluço reviraram os olhos.

— Eu não acordo cedo sempre. – disseram Soluço e Rapunzel juntos.

— Eu acordei por um pequeno e triste acidente — explicou Soluço, e seus olhos faiscaram na direção de Jack.

— Opa...? – murmurou Jack, com um sorriso amarelo, mas não parecia realmente se sentir culpado. Ao ver os olhares curiosos de Rapunzel e Merida, explicou: — Eu cai da cama.

— Você caiu da cama? – repetiu Merida, com as sobrancelhas arqueadas. – Caiu... Tipo, ploft? Você rolou e bluumm, tava no chão?

— Assim mesmo. Como uma jaca madura berrante – afirmou Soluço, acenando com a cabeça – Por que a criatura fez o favor de cair berrando.

— É, foi mais ou menos isso – resmungou Jack, dando de ombros.

Rapunzel riu.

— E a Rapunzel...

— Morena – Merida interrompeu Soluço. E depois, olhando para a amiga, completou – Seu apelido a partir de agora será Morena.

Rapunzel abriu a boca para reclamar, mas Soluço recomeçou a frase que estava falando.

— E a Morena – e eu não vou chamar ela assim o tempo todo, por que é esquisito – acordou cedo por que se esqueceu de avisar ao cérebro dela que ela não estava mais no Brasil.

— Você é Brasileira! – exclamou Jack, antes de se tocar do que Soluço havia falado – Como assim, “se esqueceu da avisar ao cérebro dela”?

Soluço ergueu as mãos, como se estivesse se rendendo.

— Palavras dela, não minhas.

Jack a encarou por uns dois segundos, antes de passar as mãos pelos cabelos castanhos, bagunçando-os. Meio segundo depois, os cabelos voltaram ao estado normal.

— Você é estranha. – concluiu, sorrindo. Jack estava sempre sorrindo.

Rapunzel bufou.

— Okay, já entendi. Sou estranha, obrigado. – exclamou para ninguém em especial, e Soluço e Merida riram.

Notas finais
¹ Então isso é importante. A diferença entre o fuso horário entre Rio de Janeiro e Alabama é de duas horas – me corrijam se eu estiver errada -, Alabama duas horas atrás do Rio. Como a Rapunzel acorda as Sete no rio, voltando duas horas que é o fuso horário, o 5:15 do Alabama é o 7:15 do Brasil, assim como o 7:15 do Alabama é o 9:15 do Brasil. Isso se eu fiz as contas certo. Mas, tudo bem, me corrijam nos comentários. Espero que tenham entendido ;D ²Então, vocês devem estar pensando: “Que tipo de maluca sairia por ai a 5:40/6:00 a.m?”. Mas, lembrem-se, para a Rapunzel é 7:40/8:00, de acordo com o fuso-horario que o corpo dela está acostumado, então ela não está tão cansada. ³ Yeah, o Jack de agora tem cabelos castanhos :3 Ai, ai. Tudo muito meio bobinho, brincadeiras legais... Adoro pegar os personagens assim, infantis, inocentes, e torturá-los e esmagá-los até ficarem maduros ‘u’ Não, espera, o que?, han, não disse nada ‘u’ Mereço reviews? ********************************** ♚Qual foi a maior burrada, "trouxisse", besteira, idiotice (vocês entenderam) que vocês já fizeram? Me- Sei lá. É muita coisa. Mas a mais recente foi: Eu estava viajando, numa cidade que ninguém da familia já tinha ido. Foi a familia toda. Dai a gente foi num Shopping meio feira de lá. O Shopping meio feira era dividido em dois, e, tipo, de um lado da rua era uma parte, do outro lado da rua era outra. A gente tava na parte mais "rica" do Shopping, e minha avó chegou e me disse "Olha, avisa pra sua mãe que eu e seu avó vamos lá procurar uma blusa pra mim no outro lado". Só que eu estava com o fone de ouvido, e eu ouvi "Vamos lá procurar um BANHEIRO pra mim no outro lado". E, pra melhorar tudo, quando ela disse "outro lado", eu achei que o "outro lado" era o outro lado da parte do Shopping que a gente tava, não do outro lado da rua, na parte mais "pobre" do Shopping. Nisso, toda a minha familia ficou louca procurando meus avos, entrando nos banheiros, fazendo ronda pelos dois andares... Até que eu me toquei que era "blusa" e que era "do outro lado". Gente do céu, juro que a minha familia queria me matar 'u'