Made to Suffer

3 Capítulo 3: Gosto do medo.


Notas iniciais
Olá meus amores. Eu voltei (meio atrasada) mas voltei. Eu tive que reescrever este capítulo, após uma conversa com a Amélia (uma adorável leitora) a ansiedade dela em relação ao capitulo me fez repensar o que estava escrito. Bom. Espero que agrade a todos, obvio! Os comentários que recebi, estou muitíssimo agradecida, e prometo responde-los mais tarde. Enfim, obrigada, vocês são incríveis. Boa leitura!

Era um dia calmo num parque qualquer. O céu estava brilhantemente limpo, com pequenas nuvens brancas. O sol era a sensação, as crianças se divertiam no chafariz do parque, correndo sorridentes, envolta das correntes d´águas. Dentre delas, uma me chamou bastante atenção. Era um garoto louro, olhos verdes e sorriso tímido.

Tento me aproximar dele, mas ele se afasta. Não entendo e faço mais uma vez, ele dá alguns passos para trás. Sou mais uma vez insistente e consigo alcança-lo antes do pequeno fugir. Ele está tremendo diante de mim, não consigo entender usa ação. É um dia calmo.

– Por que está fugindo? Não vou fazer mal algum a você. – digo ao confortar minha mão sobre seu ombro.

– Você já fez. – ele responde misterioso.

– Como? – franzo o selo.

– Você me matou Angelina. Você me matou!

Da sua cabeça começou a rojar sangue. Eu tentava ajuda-lo, era médica, sabia todos os procedimentos, mas ele permanecia imóvel, deixando o sangue sair de si. Ele não demonstrava dor, só continuava a repetir a frase que eu o matei.

Eu não matei ninguém. Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. O cenário do parque rapidamente se transformou em uma cela cheia de sangue, com pessoas acusando-me da morte do menino. Eu não conseguia conter meu medo, a cela estava se tornando cada vez menor e cada vez mais as pessoas gritavam para mim.

Acordo completamente ofegante. Meu corpo estava suado e meu peito subia e descia numa rapidez incrível. Encarei tudo ao meu redor e estava exatamente como antes, nada havia mudado, não havia vozes, nem mesmo o corpo do garoto que fora retirado mais cedo por Abigail.

Respirei um pouco mais tranquila. Já era noite e tudo parecia estar em completo silêncio. Infelizmente, a corrente ainda me mantinha presa àquele maldito cativeiro. Me levantei com calma e caminhei até a pia, jogando um pouco d’água em meu rosto. A água fria me fez acordar ainda mais, eu estava dentro de mim.

A morte do garoto não era minha culpa. Eu não o matei, não o expus ao perigo. Tentava me convencer de que estava certa, de que precisava confiar em minhas palavras. Scott era alguém completamente louco, ou pior, psicopata, não metia esforços para ter quem quiser em suas mãos e muito menos suas vontades feitas. Meu medo maior era vê-lo entra-lo por aquela maldita porta e fazer o que realmente está em sua mente.

Somente sozinha e em paz consigo ver o que há de mais nesse cativeiro. Dentro do guarda roupa a algumas roupas femininas antigas demais, todas estavam limpas e arrumadas no cabide por ordem de tamanho. Tento imaginar alguma razão para Scott guardar roupas velhas e ainda mais, manter alguém preso.

Pego um desses vestidos e troco minha roupa. Sinto-me aliviada ao retirar minhas roupas sujas e desconfortáveis, meu corpo todo entra em estase ao encontro da roupa nova. O tecido era leve como um tecido de camisola, as rendas dos braços eram fofas, porém, eu as cortei para que não me incomodasse tanto.

Ainda procurando por algo dentro do guarda-roupa consigo encontrar um pente com detalhes de flores no cabo junto a uma tiara cor de rosa bebê. Pego-as e sentando-me a mesa, começo a pentear meu cabelo cantarolando uma canção antiga de ninar.

Era uma das músicas que meu pai tanto gostava de cantar para mim ou Maggie dormirmos. A letra era simples, porém, linda. Falava de árvores, um campo com margaridas. Uma doce menina.

No instante em que paro de pentear meu cabelo a porta abre e Scott aparece. Ele parecia bem mais aliviado do que sua última visita pela manhã.

— Vejo que trocou de roupa. — sua voz sarcástica faz minha espinha se arrepiar, permaneço imóvel vendo-o sentar em outra cadeira. — Você deve se perguntar qual é a minha proposta, a que deveria fazer antes de você inventar de fugir. Confesso que você me surpreendeu, foi à única garota que conseguiu fugir no primeiro dia.

— Vou tomar isso como um elogio. — retruco pesado, deixando grande espaço de tempo entre as palavras.

— E à única abusada! — sua voz sobressalta. — A proposta era: você tem casa, comida e lugar seguro em troca, você me dá... Alguns segundos de prazer. É isso ou você acaba como às outras mulheres lá encima morta!

Era nítido o gosto em seus lábios com suas ultimas palavras. Bebeu o último gole do uísque – ou algo do tipo – em seu copo.

— Não tenho outra escolha. — falo.

Ele sorri. Seu sorriso me repudia ao mesmo tempo quê me intriga e me dá medo. Não sabia lidar com esses sentimentos diante dele, basta um simples olhar e tudo que tento fazer vai se tornando falho e embaraçoso.

Scott se levanta e caminha lentamente em minha direção. Sua mão toca meu ombro e todo meu corpo se arrepia, fecho meus olhos e mordo meus lábios tentando controlar minha vontade de chorar. Ao contrario do que imaginei, Scott não me força a nada, sua mão fria desliza por todo meu braço. Numa lentidão assustadora, ele segura minha mão e com a outra, acaricia meu outro ombro.

— Você deve estar confusa sobre essas roupas... — ele sussurra no meu ouvido. — Os grandes reis prendiam a mais bela das princesas, para quê ela nunca fuja ou encontre alguém melhor que ele. — cravou suas mãos nos meus braços. — Você será minha Anastácia.

— Scott... Por favor... – choraminguei.

Scott se deliciou com meu desespero, seus olhos e toda sua expressão gostavam de ver alguém sofrer. Eu continuava estática, não conseguia me mover e meus olhos transmitiam o quão desesperava eu estava.

Ele beijou meu pescoço e depois selou nossos lábios. O desprezo que eu sentia por esse beijo faz as lágrimas rolarem pelo meu rosto, pressionou seu corpo ao meu. Eu conseguia sentir a ereção por baixo de sua calça. Tentei empurra-lo para trás, mas Scott permaneceu imóvel.

Primeiro rasgou a parte de cima do vestido, deixando meu colo exposto. Seus olhos permaneceram firmes ao meu colo até ele terminar de rasgar o meu vestido e, me arrastando até a mesa e dobrando meu corpo diante da mesa, penetrou-me.

A dor era absurda. Scott fazia movimentos cada vez mais fortes. Eu já não aguentava mais, as lágrimas começaram a rolar cada vez mais pelo meu rosto. Ele, por sua vez, não se importava com meu choro alto e meus pedidos que parasse, ao contrário, ele se deliciava cada vez mais.

Eu me sentia um completo lixo. Me sentia usada e o pior de tudo, não havia acabado. Scott me virou e terminou de rasgar o maldito vestido.

— Eu gosto do bom e velho corpo gelado... — falou, aproximou ainda mais sua boca ao meu ouvido. — Eu gosto do medo em seus olhos, me deixa excitado.

Foi então que paralisei. As penetrações de Scott tão violência que não pude me mexer. Eu sentia seu órgão entrando e saindo do meu, porém, não sentia nenhuma dor. Parecia que meu corpo entrou em colapso, tudo estava em câmera lenta. O único barulho que conseguia ouvir era a respiração ofegante e os gemidos brutos de Scott. Minha visão foi ficando turva, eu já não conseguia me manter em pé quando Scott gozou. Ele deu seu último gemido e separou seu corpo suado do meu. A única coisa que pude ver antes de desabar no chão era o sangue escorrendo pela minha vagina.

Eu me sentia um lixo, uma coisa descartável e abusada. Sentia nojo do meu corpo e desprezo por quem o fez. Eu me sentia suja e fraca. Tentei me colocar de pé, mas a única coisa que consegui foi o encontro do chão. Scott não se importou em ver meu estado, deu um pulo ridículo na cama e respirou cansado.

Eu sabia que o sangue que escorria de mim foi causado pela brutalidade. Meu corpo e principalmente minha vagina estava dolorida. Já não escorriam lágrimas dos meus olhos. Eu não aguentava mais. Meu corpo foi ficando cada vez mais mole, minha visão cada vez mais escura e minha respiração fria. Deixei todo meu corpo cair no chão e uma dor insuportável me atingiu.

•••

Quando abri meus olhos o sol já estava radiante no céu. Eu permanecia na mesma posição em que adormeci – ou, simplesmente, desmaiei – estirada no chão. Consegui encontrar forças para levantar e encarar a imagem do crápula ainda dormindo em meu colchão.

Seu rosto estava sereno, como se nada tivesse acontecido pela noite. Sentia raiva em vê-lo e vontade de vomitar. O maldito estava ali, dormindo. Encarando sua imagem, lágrimas enfurecidas escorriam pelas maças de meu rosto, não conseguia contar quanto tempo eu chorei.

Sentei em uma das cadeiras e examinei as manchas avermelhadas pelo meu corpo. Algumas tinham mais intensidades outras eram fracas. Assim que ouvi o barulho da cama se mexendo, tracei um caminho dos meus machucados até o rosto nojento de Scott. Ele demorou a abrir os olhos e quando os abriu sorriu ao me encarar.

— Não esperava encontra-la acordada. — comentou enquanto colocava suas vestes. — Deve ter tido um sono muito meu, imagino eu.

Permaneci em silêncio.

— Eu tenho que ir, mas Abigail aparecerá logo. — aproximou-se de mim e selou nossos lábios. — Nos veremos a noite!

Quando ele saiu, senti uma vontade enorme de tomar banho. Era como uma necessidade. Necessidade de tirar aquela sujeira de mim, tirar o cheiro de sexo e as digitais de Scott espalhadas pelo meu corpo. Eu me sentia imunda.

Fui para cama onde não sai mais. Estava machucada, tanto por dentro quanto por fora, queria me matar, mas seria impossível naquele local. Me sentia suja e precisava de um banho. Desprezível como um lixo. Essa era a frase que me definia.

Nem vi quando Abigail chegou. Quando dei por mim, ela estava sentada diante de mim secando-me os braços. Não conseguia encara-la, ela com certeza já sabe o que aconteceu aqui ontem. Fechei meus olhos, esperando que tudo aquilo acabasse, esperando que ela fosse logo embora. Meus olhos começaram a se encherem d’água, tentei controlar minha vontade de chorar, mas foi inevitável. Em segundos eu estava em lágrimas.

— A noite de ontem não foi tão boa... — ela fala enquanto passava um pano úmido nas minhas pernas. — Sabe; o mesmo aconteceu com minha filha. Ela estava na mesma situação que você... Mas não conseguia ser forte como você foi e... acabou sendo devoradas por zumbis.

— E você permitiu isso?

— O que eu poderia fazer? Scott é louco. — ela respondeu. — Minha menina não precisava ter esse fim. — ela sorriu e, desde que conversamos, essa é a primeira vez que vejo outro sentimento em seus olhos. — Você é forte!

— Não como gostaria... — respondi fraca.

— Você vai saber lidar com isso e inverter tudo a seu favor. Eu sei disso!

Notas finais
E aí? O que acharam?! Estarei esperando pelos comentários de cada um. O que virá para Angie agora? Como ela reagirá? Espero vocês nos próximos! Devo parar por aqui ou continuar?! Até logo amores!