Made to Suffer

14 Capítulo 14: Primeiros problemas.


Notas iniciais
Olá pessoal! Voltei! Pois bem, eu tenho milhões de explicações para esse sumiço. Escola, curso, o sumiço do meu pen-drive. Mas não quero enchê-los com as mesmas desculpas! Agora que estou de férias, prometo retornar mais vezes! Só queria dizer que a partir de agora, usarei uma parte da série, mas modificarei muitas coisas para coincidir com a história! Vou responder a todos os comentários. Obrigada a quem está acompanhando a história e deixando os comentários. Obrigada mesmo! Boa leitura pessoal

BETH GREENE.

Eu estava na ala administrativa da prisão, recolhendo alguns desenhos deixados pelas crianças. Como Carol e Karen foram chamadas para ajudar nas grades, restou a mim ficar de olhos neles.

O silêncio que se formou era bem agradável depois de quase uma hora de gritaria e animação infantil. Era uma forma de ocupar minha mente já que eu não estava me concentrando nada bem. Desde que Jack vomitara sangue e fora levado à enfermaria eu não tive notícias deles. Minha irmã não me deixava vê-lo, o que só piorou as coisas. Jack é muito importante para mim e se alguma coisa acontecesse com ele, eu não sei se saberia lidar.

O vento frio fez alguns desenhos em cima da mesa voar. Pela janela aberta, eu via alguns homens trabalharem para fortificar a parte mais vulnerável dos muros. Eles usavam armadilhas para impedir a entrada de walkers e depois colocavam madeiras.

— Se você quer saber, eu estou muito bem... Razoavelmente bem!

Jack estava parado na porta. Um sorriso, mesmo que fraco, surgiu em seus lábios secos. Não deixei de notar que ele usava as mesmas roupas de ontem, as únicas coisas de diferentes nele eram sua camiseta cinza manjada de vermelho, provavelmente sangue seco há algum tempo e seu cabelo, completamente bagunçado.

Quando o vi escorado à porta, a única coisa que pensei era em correr para abraça-lo, mas ao encara-lo por mais alguns segundos, descartei a possibilidade e sorri.

— Isso me parece um excelente começo. — disse.

— Qual é?! Eu estou aqui, falando para você que estou recuperado e você não se alegra nenhum pouco? — ele sorriu demonstrando estar bem ou mostrando que seu humor não mudava nem quando estava mal. — Você não é nada receptiva, tenho que assumir!

— Eu sei que você sairia dessa. Você é forte!

— É só isso que você tem a me fala?

— E o que você esperava? — sentei observando Jack ainda de pé. Ele permaneceu imóvel encostado no batente da porta, me encarando em silêncio. — Como foi ficar lá?

— Muito agradável! Com todo aquele drama do meu pai, as tosses que pareciam destruir meu pulmão. — respondeu irônico.

— Você não consegue ser alguém sério pelo menos uma vez na vida?

— Não! — ele esboçou um sorriso sínico e eu o encarei. —, tudo bem... foi o dia mais logo que já vivi. Não é nada agradável passar um dia olhando para uma parede cinza.

— Então saiu de lá e veio diretamente para cá?

— Eu queria te ver — ele meneou com a cabeça até me encarar.

Senti minhas bochechas rosarem e queimarem meu rosto. Eu até tentei formular uma resposta, mas minha boca apenas abriu e fechou. Depois de insistir e não conseguir nada, esbocei um sorriso bastante envergonhado. Aquilo me deixara desconfortável, mas estranhamente feliz.

Ele dizia estar bem, mas não era isso que aparentava, pelo menos não fisicamente. Havia olheiras escuras e seus olhos estavam fundos e cavados, sua pele estava branca e de longe era possível ver o quão longe do normal ela estava. Jack se esforçava para respirar e não demonstrar isso. Quem queria enganar? Ele não estava nada bem.

— Eu fiquei tão preocupada com você. — senti meus olhos arderem e os fechei. — Se algo tivesse acontecido... eu não sei se conseguiria lidar.

— Acha que vai ser fácil assim me ver longe de você? — Jack questionou sentando ao meu lado.

— Eu não suportaria a ideia de tê-lo longe de mim — levantei meu olhar até o dele. Nem eu saberia dizer o que ocorreu naquele momento, foi um impulso grande demais para que eu pudesse segurá-lo.

De repente, ouvimos barulho de tiros. Eram muitos julgando pela intensidade do som. Jack levantou no mesmo momento e poucos minutos depois, quando começaram os gritos, eu também levantei.

— Eu vou lá! — ele falou decidido.

— Está louco?! Você não está bem para bancar o herói — retruquei.

— Eles podem estar precisando de ajuda e eu não posso negar isso a eles.

Depois de falar isso, Jack saiu da sala e eu o segui. Conforme íamos seguindo o barulho, víamos as mesmas expressões em todas as pessoas: apreensão. Eu também estava apreensiva, torcia para que nenhuma cerca tivesse caído. Mas, quando chegamos ao local dos tiros e de toda gritada, meu pensamento mudou. O bloco D estava cheio de walkers.

ANGELINA GREENE.

Eu estava no refeitório conversando com algumas pessoas quando os tiros começaram. Inicialmente, fiquei parada observando as expressões das mulheres a minha frente. Logo em seguida, vi Daryl, Glenn e Rick passarem correndo por nós.

— O que está acontecendo? — perguntei.

— Walkers do D! — Daryl respondeu, jogando uma arma para mim.

Não questionei como os infectados entraram na prisão e muito menos como eles chegaram ao D, apenas me juntei a eles. Conseguimos chegar rápido ao bloco, onde a cena era horrível. Haviam pessoas caídas no chão, pessoas se transformando e muito sangue. Rick, Glenn e Daryl não hesitaram e logo que entraram no bloco começaram a atirar.

Entrei logo em seguida, atirando contra a cabeça de um walker que se aproximava de uma criança. Não era possível contar ao certo quantos transformados havia dentro daquele bloco. Todos estavam desesperados, gritando e atraindo os mortos, tornando cada vez mais impossível a tentativa de salvá-los. Sasha também tentava retirá-los.

Rick desceu com algumas pessoas que estavam na parte superior das celas e eu as tirei do bloco, fechando os portões logo em seguida. Assim nenhum walker sairia e não transformaria a prisão em um massacre. Com os portões fechados, tínhamos noção do número de mortos no bloco. Daryl pediu que não gastássemos munição, então peguei minha faca e comecei a matá-los.

Quando conseguimos acabar com todos, paramos ao redor dos corpos no chão, cansados e confusos com o que acabava de acontecer. Rick terminava de descer as escadas quando ouvimos um barulho, vindo de uma das celas debaixo. Daryl foi o primeiro a reagir, pegando sua besta e apontando-a para a cela.

— Abaixe isso... — a voz era familiar o suficiente para que eu ficasse enfurecida. Jack cambaleava cansado e ofegante com sua blusa novamente manchada de sangue. — Não sou um cabeça-oca.

Daryl pareceu zangado pela forma como olhou para Jack. O restante do grupo respirou mais aliviado. Rick pediu a Sasha que chamasse Shawn para ajudá-la a retirar os corpos no chão enquanto o restante do grupo vasculhava as celas para ver se tudo realmente havia acabado.

— O que você achou que estava fazendo? — perguntei ao me aproximar de Jack que estava no chão, tentando recuperar a respiração.

— Eu queria ajudar — respondeu.

— Bancando o herói? Você não está em condições nem de respirar normalmente — falei tentando controlar minha raiva. — Deveria ter ficado na enfermaria quando mandei ficar. Isso é perigoso e você estava se recuperando, não deveria ser mais um problema.

Jack não havia dito uma única palavra enquanto eu o repreendia. Sua cabeça permaneceu baixa assim como seus olhos. Mas, de uma hora para a outra, ele ergueu a cabeça e olhou para os lados assustado.

— Beth?! Onde ela está?!

— Ela estava com você? — franzi o cenho.

Ele não respondeu a principio. Ficou com os olhos trêmulos a me encarar até que meneou, afirmando.

— Sim — eu entendia o motivo da demora dela em responder e por isso fiquei mais irritada.

— Eu vou...

— Angie? — olhei para trás e vi meu pai apoiado em suas muletas. Ele me encarava com um semblante bastante confuso, o que me deixou temerosa.

— Eu vou matá-los quando voltar. — sussurrei antes de me afastar.

Segui meu pai até o grupo formado por Rick, Daryl Glenn e o doutor S. Eles olhavam um walker morto dentro de uma cela.

— Sem mordidas, sem ferimentos. Eu acho que ele só morreu, igual a Patrick — a voz de Rick saiu tremula e embargada.

— E de um jeito horrível. Aspiração pleurisia. — doutor S disse.

— Se sufocou com o próprio sangue, o que causou esse rastro — meu pai completou.

— Dá para explicar melhor? — Daryl, como sempre, perguntou ríspido.

— É como uma garrafa de refrigerante, só que seus olhos, seus ouvidos e sua garganta são... a tampa. — respondi.

— É uma doença? Vem dos zumbis? — Glenn questionou confuso.

— Não isso já acontecia antes deles aparecerem. — falei. — Pode ser penumococo, causando uma gripe muito agressiva.

— Alguém o trancou antes dele se transformar.

— Não foi não, Charlie era sonâmbulo — Daryl contou. — Eu não entendo! Ontem o cara estava aí, comendo churrasco... como é que ele morre no dia seguinte, de resfriado?

— Eu tinha um porco doente. E um javali, na floresta — Rick confessou. Isso explicava tudo, era como antes, porcos e aves carregando doenças.

— Precisamos nos livrar dos porcos — meu pai afirmou.

— Talvez tenhamos sorte e só existam esses dois casos — doutor S disse.

— Já faz tempo que não sei o significado de sorte — falei. — Insetos gostam de ambientes fechados. Mais fechado que uma prisão? Não tem. — suspirei fundo, as conclusões em minha mente não eram nada otimistas. — Todos nós aqui fomos expostos.

— Eu vou ver como Carl e o restante da prisão estão — Rick falou enquanto se levantava.

— Não... não fique próximo a ninguém — pedi a ele por preocupação. Eu não sabia o quão tudo isso estava evoluído e por isso todo cuidado era pouco.

Ele assentiu antes de deixar a cela. Quando saímos, Sasha e Shawn amontoavam os corpos para tirá-los dali e algumas pessoas choravam diante dos corpos estirados no chão.

Aquilo parecia um cometa caindo sobre nós, em um segundo tudo parecia normal e, dois segundos depois, a prisão começava a sofrer um colapso. A gripe era rápida, portanto perigosa e não sabíamos se toda a prisão estava infectada ou só quem teve contato com Patrick ou Charlie. Minha cabeça parecia querer explodir com tudo que acabava de acontecer. Passei a mão e tentei respirar fundo, eu sabia que o que viria a seguir não seria nada fácil.

Quando olhei para o local onde deixei Jack, ele não estava mais lá. E foi como um estalar de dedos. Jack poderia estar infectado também, porém, com um processo menos acelerado em relação aos outros dois casos. De qualquer forma, teríamos de combater isso o quanto antes. Ninguém poderia morrer.

— O conselho irá se reunir, precisamos de você lá! — a voz de Glenn me trouxe de volta. Eu o encarei, assentindo logo em seguida.

Estávamos todos reunidos na sala do conselho. Ninguém conseguia disfarçar que toda aquela confusão acabou nos abalando, mas tínhamos que ser rápido se não quiséssemos ver mais mortes.

— Patrick estava bem e morreu ontem à noite — Carol começou. — Precisamos separar as pessoas.

— Sabemos que essa doença pode ser letal, nós não sabemos como ela se espalha — meu pai falou. — Alguém mais viu alguém demonstrou os sintomas que conhecemos agora?

— Não dá para ficar esperando — falei. — Tem as crianças, não é só a doença se as pessoas morrem se tornam uma ameaça.

— Precisamos colocá-los em um lugar novo, não podem mais ficar no D. Não podemos arriscar a continuar com essas pessoas lá — era Rick quem falava.

— O bloco A pode ser uma boa opção. — Glenn falou e todos concordaram.

— Precisamos chegar o estoque de medicamentos e os blocos, descobrirmos quem está apresentando os sintomas e levá-los para o bloco A. — meu pai fala.

Tudo precisava ser resolvido logo. Daryl saiu para enterrar os mortos e Glenn para arrumar algumas celas nos túneis. Eu deixei a sala tempo depois, queria chegar o estoque de medicamentos. A prisão estava em silencio, os únicos sons que se podia ouvir era dos mortos do lado de fora. A enfermaria poderia ser a salvação deles ou precisaríamos de mais medicação, uma que fosse mais ágil e pesada.

Depois de me encontrar com doutor S na enfermaria e ajudá-lo a levar todo nosso medicamento para o bloco A, as pessoas começaram a chegar. Era muito mais do que eu conseguia imaginar. Doutor S e meu pai iam colocando-as nas celas e tentando ser positivos. Eu os observava da guarita, diferente deles, não conseguia ser otimista, tudo que eu via era morte.

— Angelina — ouvi alguém me chamar e me virei.

— Rick...

Ele parou ao meu lado e também começou a observar as pessoas pelo vidro. Sua expressão não era nada boa, Rick parecia ser o mais abalado de todos nós.

— Patrick e Ryan eram boas pessoas — ele comentou. — Essas pessoas boas pessoas...

— O apocalipse não escolhe seus mortos, ele só... mata! — olhei para Rick. — E Carl? Como ele está?

— Ele está bem, pelo menos é o que tenta demonstrar.

— Todos nós fazemos isso Rick. Não o culpe!

— Eu não quero fazer isso — ele falou. — Depois de muito tempo, Carl está voltando a demonstrar o garoto que era. Eu não quero perder meu filho para isso.

— E não vai Rick. Tenha fé — sorri. — Eu posso não estar otimista, mas eu tenho certeza de que você não perderá seu filho.

Ficamos em silêncio novamente, encarando aquele bloco de cela. Era como se encarássemos nosso inimigo, com pequenas armas na mão enquanto eles tinham todo um exercito contra nós. De repente, senti a mão de Rick sobre meu ombro. O encarei e exibi um sorriso fraco. Rick estava prestes a deixar a cela quando ouvimos a voz de Beth.

— Angie, você está aí?

— Beth... eu não acho que aqui seja um bom lugar para conservamos agora. — falei.

— Não, é Judith. Ela está com febre e tossindo!

Notas finais
Quis deixar para vocês uma supresinha: uma curta narração da Beth. Acho que deu a entender as coisas, não é? Espero que tenham gostado. Deixem o comentário de vocês sobre este capítulo. Até mais amores!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.