Made to Suffer

12 Capítulo 12: Apenas uma humana.


Notas iniciais
Queria começar me desculpando pela demora quase eterna, como falei no outro capítulo, este demoraria um pouco. Porém, eu não imaginei que demoraria tanto! Eu recomendaria que escutassem uma música enquanto leem, a minha preferência foi por ''Human'' da Christina Perri. Bom. Esse capítulo é bem revelador e eu espero de todo, todo meu coração mesmo, que ele os agrade. Foi difícil para mim criá-lo! Outra coisa que eu queria comemorar é nossa 2 recomendação. Sim, nós já temos duas recomendações! Meu Deus Eduardo, muito muito obrigada mesmo. Também, nós passamos de mais de 4 mil visualizações. Obrigada mesmo pessoal, por tudo que você estão fazendo!!!!!!!! Quero informar que os comentários do capítulo passados serão respondidos rapidamente! Eu prometo! Dedico esse capítulo ao meu amigo, Eduardo, por me aguentar falando da história, fazendo pesquisas e obrigando-o a guardar links que me ajudaram e ajudarão com a história! Esse capítulo é todo seu, aproveite!!! Boa leitura à todos!

Os últimos dias não foram diferentes um dos outros. A rotina da prisão não era nenhuma novidade e minha vida começava a ser rotineira novamente. Era estranho porque nunca imaginei que nessa circunstância eu estaria entediada com ela. Aos poucos eu também ia conhecendo a prisão de uma forma geral, como os outros conheciam. Existiam corredores com mortos, porém não precisávamos nos preocupar. Os corredores ficavam afastados e trancafiados pelas grades. A prisão de fato era um bom lugar para sobreviver.

Eu estava na enfermaria esperando pela chegada do doutor S. Como ele ainda não havia chegado, comecei a revirar as folhas do caderno que armazenava todo o estoque da enfermagem. Lá marcávamos o que havia e o que faltava assim quando acontecesse à próxima busca, não colocávamos em risco a vida de alguém, tentando buscar os mesmo medicamentos de sempre.

Eu não lembrava bem quantos dias passou desde que chegamos aqui, mas se fosse parar para contar, fazia mais de dois meses. Willie e Jack estavam cada vez mais envolvidos com os afazeres da prisão assim como eu, o caipira entrou para o conselho; Jack estava em todas as missões, depois de ter aulas com meu irmão, ele se tornou um bom atirador. Eu estava feliz por eles, depois de tudo que aconteceu eu tinha um enorme apego por eles.

— Angie?

Olhei para cima e minha irmã me encarava. Fiquei alguns segundos sem esboçar reação, depois da nossa pequena discussão quase nunca nos falamos e ela vir de repente me deixava um pouco apreensiva.

— Deixe suas coisas aí, nós vamos dar uma volta — ela disse.

— Há algo de errado com as grades? — Maggie não me convidaria para um passeio se não fosse para fazer um favor à prisão.

— Só me acompanhe — ela falou. — E não faça mais perguntas!

Ela pareceu minha mãe quando eu ainda era adolescente. Procurei não retrucar e como ela pediu, eu a acompanhei. Seguíamos pelos corredores frios da prisão, ela ia à frente com o passo autoritário enquanto eu me perguntava para onde iríamos e o quê iríamos fazer fora da prisão.

Antes de sairmos, fomos até o conselho. Fiquei um pouco mais aliviada ao saber que Maggie comunicaria a todos que iríamos sair, assim, se ela for me deixar para trás todos saberão e irão me buscar. Assim que entramos, encontramos Daryl e Willie sentados, esse, com um haltere balançando nas mãos.

— O que você está fazendo? — Maggie questionou.

— Estou tentando emagrecer — ele respondeu balançando aquele negócio.

Nós tentamos segurar o riso, Willie parecia concentrado naquela bobagem, mas não entendia que fazia de forma errada. Também não pensamos em avisá-lo, era uma cena engraçada para recordamos.

— Vamos sair — Maggie pegou uma chave no quadro. — Voltaremos logo!

Partiremos em direção aos carros em silêncio. Ventava muito lá fora e eu me arrependia de não ter pego um casaco ou algo para me cobrir. Mesmo involuntariamente, chequei o tanque de combustível. Eu não sabia quanto duraria essa saída com Maggie, mas não iríamos ter imprevistos com gasolina.

— Posso ao mesmo saber o que vamos fazer? — questionei quando o silêncio era intolerável. Ela ainda remexia em duas mochilas pretas, jogadas no banco de trás da caminhonete. — Maggie, não finja que é surda. Poder ser madura um pouquinho?

— Você não quer conversar? Nós vamos conversar. Agora entra nesse carro e dirija! — ela respondeu fria.

Eu fechei meus olhos por um segundo. Maggie parecia querer me atingir a cada segundo e conseguia, de alguma forma. Respirei fundo por vários motivos, em especial, para manter a calma e entrei no carro. Maggie empurrou a porta com força para fechá-la.

Liguei o carro e saímos. Pela janela eu observava as árvores carregadas. Com certeza estávamos com os pés no outono, isso me fazia lembrar de como o tempo passou desde que a infecção se espalhou pelo mundo. Foi no verão que fui chamada e no final dele, eu já estava sobrevivendo na estrada. Era estranho como o tempo passa rápido quando a única coisa que temos a fazer é sobreviver e engraçado porque era como antes, porém, sem uma ameaça de exterminação da raça humana. Deixei com que meu corpo relaxasse um pouco, não sabia onde essa viagem ia durar. Enquanto isso observava as árvores praticamente rolarem pelo vidro.

A estrada estava bem tranquila, podíamos contar nos dedos o número de mortos que encontramos. Maggie permanecia em silêncio ao meu lado. Eu queria muito entendê-la, entender seus motivos para me tirar da prisão e me fazer dirigir. O silêncio dentro do carro me incomodava, queria que tudo isso que ela fez resultasse em algo, mas parecia que não dependeria dela. Estávamos na estrada fazia um tempo e Maggie não se pronunciava então desliguei o carro, teríamos essa conversa por bem ou por mal.

— Nós não podemos parar na estrada! — ela falou.

Peguei uma mochila do banco de trás e sai. Eu sabia que não era nada maduro parar o carro no meio da estrada, estávamos correndo perigo, mas era o único jeito de arrancar algo de Maggie.

— Por que me tirou da prisão e me fez dirigir para nada? — eu questionei assim que ela parou na minha frente.

— Você não queria conversar?

— Eu queria, mas me fazer dirigir e ficar calada não é conversar.

Ela se calou. Maggie começou a andar de um lado para o outro com as mãos no cabelo, estava muito irritada para me responder.

— Ele sofreu por sua culpa, sua! — ela apontou o dedo para mim. —Papai entrou em depressão por sua culpa. E por quê? Porque você negava sua família.

— Eu jamais faria isso com vocês! — gritei.

— Ah, jamais?! Eu procurei você depois de um tempo e sabe o que sua mãe falou? Que você queria distancia da família de seu pai. Sabe como isso o corroeu por dentro? Você é uma vadia ingrata — ela bateu com tanta força no carro que acabou disparando o alarme, imediatamente, atraindo alguns zumbis para a estrada. — E depois, quando essa merda aconteceu, você aparece e age como se nada tivesse acontecido. Você esconde seus sentimentos dele, nós sabemos que algo aconteceu! Você tem tanta merda guardada dentro de você e age como se fosse a mesma princesinha de antes! Eu não esqueci que você negou nossa família. Você é um monstro manipulador!

— Eu fui estuprada Maggie, estuprada! Eu passei a porra de um mês sendo estuprada, vivendo um verdadeiro inferno enquanto um filho da puta usava meu corpo — gritei. Senti meu rosto queimar ainda mais enquanto lágrimas caiam dos meus olhos. Maggie precisava saber de tudo havia acontecido. — Ele me mantinha presa, tinha-me nas mãos e me usava como queria — engoli a vontade de vomitar. Alguns mortos começavam a ser atraído pelos meus gritos, mas eu ignorei. — Eu só queria ser eu mesma quando encontrei minha família. Você não sabe o que é monstruosidade. Você não sabe o que é um monstro!

A mesma sensação de nojo começava a me consumir novamente. As lembranças de Scott viam como flashes na minha cabeça. Maggie estava chorando sem dizer uma única palavra.

Os passarinhos cantarolaram nas árvores. O sol era tão forte que chegava a arder. Um barulho oco invadiu a casa da senhora e sucedeu por mais três vezes. Ela levantou, deixando sobre a mesinha ao lado de sua cadeira, suas costuras e caminhou até a porta. Passou a mão na maçaneta e ao abrir a porta, admirou-se.

A imagem da garotinha de seis anos sumiu de sua mente. Agora, ela era uma mulher formada e bela. Os cabelos continuavam curtos, porém o rosto era mais largo, o nariz mais empinado e o olhar mais firme do que imaginável. Ela lhe sorriu e Anelise não soube o que pensar sobre a estranha visita.

— Como você cresceu! — falou surpresa a principio. — Por favor, entre. Tome uma limonada, está um inferno aí fora!

As duas caminharam até a cozinha. Para a mais nova, nada ali havia mudado, contudo era estranho estar dentro daquela casa novamente. Seu interior parecia confuso, mas por um segundo ela conseguiu sorrir. Estava contente em entrar ali e reviver as lembranças com sua irmã, o motivo de sua vinda até aqui.

— Então, o que veio fazer aqui? Soube que largou a rebeldia e decidiu cursar uma faculdade — a velha sentou-se à sua frente.

— É. Estou começando a faculdade de administração, é algo que eu sempre gostei e parece que estou me saindo muito bem. A propósito, a limonada está maravilhosa!

— E como sua família está?

— Bom... estamos bem, mas... eu e meu pai!

— Nem precisa responder, eu já sei qual é a resposta andam em pé de guerra? — Maggie permitiu rir um pouco. — Desde pequena você sempre estava em pé de guerra com alguém!

As duas prosearam por um longo tempo, sentadas no quintal do fundo. Anelise admirava a beleza de Maggie enquanto essa notava as mudanças provocadas pelo câncer.

— E você minha jovem, não saiu de tão longe para fazer uma visita a essa pobre velha! Ande, diga o que veio fazer — Anelise deixou o copo sobre a mesa e a encarou.

— É... — ela respirou fundo. — Papai se recuperou do AVC, está demonstrando melhoras, mas eu temo que algo aconteça com ele. Talvez se Angie for visita-lo, ela consiga convencê-lo de continuar com o tratamento. Ela sempre o convenceu!

A senhora parou por um segundo. Ao se recordar das visitas de Hershel, um sentimento horrível lhe tomou conta. Angelina era sua preciosidade, a única coisa boa que fez. Hershel foi um bom pai, mas ao deixá-la, não pensou nos sentimentos da filha. Hershel jogou-a de escanteio.

— Olha minha querida, Angie mudou muito. Se tornou uma mulher e está começando uma vida nova. Ela... ela não quer saber da família do pai. Angie se machucou muito quando ele foi embora e agora, não quer se lembrar dele!

Maggie segurou com força o copo na mão para não socar a cara de Anelise. A velha não tinha culpa, mas o gosto das palavras eram amargas. Não havia motivos para Angie odiar o próprio pai. Maggie sentia raiva da irmã, ódio. Nunca imaginou que Angelina mudaria tanto.

— Desculpe! Eu realmente sinto muito — ela se penalizou. —Mas se quiser deixar um recado a ela...

— Sim. Diga a Angie que gostaria muito que ela fosse para o inferno!

Anelise sabia que o que estava fazendo era errado. Por mais que esperasse essa reação da filha, Angie jamais negaria seu pai ou sua família. Seu coração ficou apertado quando viu Maggie se erguer e caminhar como um furacão em direção à porta. Porém, ela temia mais o coração de sua filha e se fosse preciso mentir para protegê-la, ela mentiria.

A pedra que joguei no rio pulou algumas vezes antes de afundar completamente. Saímos da estrada antes que mais mortos aparecessem. Não tínhamos caminho certo, apenas entramos na mata e acabamos parando nesse lago. Por sorte, não encontramos nenhum morto pelo caminho. Eu estava sentada em um tronco velho, a beira do lago enquanto Maggie estava distante. Queria fechar meus olhos e pensar que nada aconteceu, por mais que fosse doloroso, estivesse igual.

— Por que você não me contou isso? — ela sentou ao meu lado.

— Você ao menos me deu uma oportunidade? Desde que cheguei à prisão a única merda que você fez era me culpar! Você não se importa, só queria saber dessa mágoa estúpida.

— Você não se importou quando nosso pai estava doente, só pensava no dia em que ele foi embora!

— E quem te contou isso, minha mãe? Ela guardava tanto rancor, se sentiu traída quando ele foi embora. Era lógico que ela inventaria esse tipo de desculpas para me afastar vocês.

Remoer todo aquele passado me deixava entristecida, mas além de tudo muito enfurecida. Minha irmã conhecia a personalidade da minha mãe, mas conseguiu cair naquilo. Queria muito parar por ali, mas algo dentro de mim me fazia continuar a soltar tudo que estava preso dentro de mim.

—Você não sabe como é sentir um lixo, ter nojo do próprio corpo. Eu passei os piores momentos da minha vida ali presa, sem poder escapar. Quando eu encontrei vocês, achei que, de alguma forma, eu voltaria a ser quem eu era, voltar a ter um pouco de luz nos olhos, mas você me provou que eu jamais voltaria a ser como eu era.

O barulho a nossa volta tomou mais volume. Os pássaros e o lago poderiam ser ouvidos enquanto nós, novamente, começávamos a nos afastar.

— Você acha que eu não a entendo? Angie, eu posso não ter sido estuprada, mas eu sei o que é nojo, o que é sentir desprezo!

Assim como eu, Maggie chorava. Toda a imagem de cofiança fora embora diante dos meus olhos, minha irmã não chorava só por mim, eu sabia que tinha algo a mais.

— Para defender a prisão eu... eu fiquei nua para um homem — sua voz saia embargada pelo choro. — Ele roçou seu corpo no meu. Eu... eu me sentia um lixo, mas tinha que parecer forte, pelo menos para Glenn. Não queria pensar naquilo, mas... quando Glenn me tocava, eu queria me afastar!

Maggie começou a me contar aquelas coisas e eu não sabia o que falar. Ela parecia tão despedaçada, como um vaso que cai no chão e que se partiu completamente.

— Eu sinto muito, muito mesmo — ela disse.

Nas entrelinhas, eu sabia que aquilo era um pedido de perdão. Maggie me magoou muito com a forma que ela me tratava, todavia ela era minha irmã. E eu não deveria tratá-la como ela me tratou, por mais que merecesse.

Sentei ao seu lado e segurei firme sua mão. Era como se nos comunicássemos nas entrelinhas. Uma parte de mim estava com raiva da atitude da minha mãe, porém eu conseguia esquecer isso. Estar com minha irmã e saber que estávamos resolvidas me deixava feliz como se uma parte de mim voltasse um pouco.

Acabamos encontrando uma cidade depois de caminharmos pela mata densa. Como estávamos sem carro e temíamos encontrar infectados na estrada, decidimos procurar por um novo. A cidade era pequena como todas as outras, talvez fosse para evitar ajuda a presos fugitivos. Ela estava bem visualmente o que poderia dizer que os antigos moradores deveriam estar mortos.

Estávamos na rua onde havia mais comercio. Ela era extensa, mas pequena e com os carros estacionados parecia menor ainda. As lojas mantinham a mesma arquitetura e estilo. Todas com o nome acima e uma grande vitrine, o bar poderia ser considerado o mais diferente. A porta estava no centro enquanto duas vidraças indicando o preço das bebidas.

— Acha que todos estão infectados? — questionei, tentando observar o bar pelo vidro bastante embaçado.

— É tão difícil falar ‘’zumbis’’? — ela ironizou. Estava mexendo em um dos carros que encontramos ainda conservados.

— Era como o chamávamos na corporação — respondi lembrando de tudo. O cientista principal, Steven nos comandava enquanto o vírus ainda era um problema nosso e do governo. — Eu preciso me acostumar a ser uma sobrevivente, não uma cientista.

Não entendíamos de carro, mas Maggie decidiu ir a busca de um. Eu iria sair por ali, vasculhando os locais a procura de algo que nos ajude. Mesmo com apenas uma faca, a cidade parecia abandonada e livre.

Continuei a caminhar até que uma loja me chamou atenção. Os carrinhos de bebê em promoção na vitrine poderiam ser vistos mesmo com a poeira. Eu fechei meus olhos, respirando fundo e sentindo meu coração se apertar. Senti a mão quente de Maggie repousar sobre meu ombro e forcei um sorriso.

— Talvez tenha algo para Judith — falei antes de entrar. Eu entendia a expressão de temor da minha irmã, ela entendia como aquilo doía em mim. Porém, eu não deveria pensar somente em mim quando estou fazendo parte de um grupo.

—Leve isso com você caso alguma coisa aconteça — ela jogou uma arma e eu agradeci, mesmo com pouca noção de usá-la.

O interior da loja estava parcialmente arrumado, contudo bastante sujo. O cheiro de mofo não era agradável, mas também era o único odor da pequena loja. As paredes estavam em torno de algo como bege e cegonhas quase desaparecidas levavam delicadamente bebês enrolados em um pano. Peguei uma cadeirinha jogada no chão e alguns macacões, tanto para o frio quanto para o calor.

No final, eu já estava cheia de roupas leves e pesadas, brinquedos e uma cadeirinha. Porém, não sai antes de vasculhar bem a loja. Caminhei com cuidado até a porta dos fundos e prendi a respiração antes de passar a mão pela maçaneta. O que eu via era algo abominável e muito desumana. Corpos estirados no chão com tiros certeiros na cabeça. Larvas indicavam que aquelas pessoas morreram há pouco tempo.

Eu me aproximei de um dos corpos e peguei sua arma. Por mais que odores fortes e corpos abertos fizeram parte da minha rotina no passado, eu não queria mais ficar ali. Limpei o taco na parede branca e retornei ao encontro de minha irmã.

— Como uma loja de bebês guarda uma arma? — Maggie brincou.

— Você não faz ideia de como a encontrei — falei. — Onde está o carro?

— Eu não tinha ideia do que estava fazendo, vamos ter que voltar para a estrada até encontrarmos um carro.

Com total certeza estávamos longe da prisão e seria uma longa caminhada. Poderíamos aproveitar a luz do sol e percorrermos um bom tempo andando. Maggie mostrou algumas coisas que pegou nas demais lojas e ofereceu uma mochila para colocar as roupas de Judith.

— Você sabe como lidar com essa arma? — ela questionou depois de um tempo.

— Não, mas ela pode ajudar na prisão, de alguma forma.

— Você precisa aprender a atirar — ela ajeitou a mochila em seu ombro.

A última vez que toquei em uma arma fora para matar alguém, mas Maggie tinha razão, eu realmente precisava aprender a atirar. O mundo está cheio de perigos e estar preparada poderia ser uma saída. Eu preciso seguir em frente se quero continuar viva.

O sol nos castigava juntamente com o cansaço e a falta de água. Nada era mais desconfortável do que carregar aquela cadeirinha, mas só de imaginar Judith deitada nela, protegida, fazia valer a pena. Senti a mão de Maggie entrelaçar a minha e a segurei firme.

— Sobre seu filho... você está bem? — ela perguntou depois de um tempo.

— Foi preciso. Pelo menos eu acho que foi — inclinei a cabeça, tentando convencê-la e me convencer. — Esse mundo não seria bom para ele, eu não seria boa para ele.

Felizmente um tempo depois encontramos um carro abandonado. Era velho e provavelmente estava ali um bom tempo, pelas marcas enferrujadas. O seu interior tinha o cheiro péssimo por isso deixamos as janelas abertas. O pouco de gasolina que Maggie encontrou na cidade nós ajudaria a voltar para a prisão. Desta vez ela comandaria o carro, já que eu havia me perdido da rota depois que pararmos na estrada.

O receio de contar sobre meu passado para minha família me dominava, mas seria preciso. Eu não queria esconder nada deles, queria que soubessem o que aconteceu comigo e que, acima de tudo, não sentissem pena de mim apenas que tentassem me compreender.

O sol havia caído um pouco quando a primeira torre fora avistada. Felizmente, não tivemos nenhum empecilho pela estrada. Senti minhas mãos queimarem e tentei esfregar uma na outra para acalmar o nervosismo. Respirei fundo antes de deixar o carro.

— Por onde você estava andando? Eu fiquei preocupado — Glenn apareceu correndo e abraçou minha irmã, me olhando logo em seguida. — Vocês estão bem?

— Estamos — ela respondeu. — Sabe onde meu pai está?

— Na enfermaria com seus irmãos — ele apontou para trás e me olhou. — Tem certeza que está tudo bem, Angelina está pálida!

— Eu estou bem — tentei abrir um sorriso.

Lembranças são como cicatrizes, sejam elas boas ou ruins. Meu passado ficaria marcado em mim como uma, contudo eu teria de aprender a lidar com ele para não morrer. Quando chegamos à enfermaria, senti um calafrio percorrer meu corpo, mas de qualquer forma, eu estava pronta. Precisava mostrar a eles o quanto confio neles e que não sou um monstro, apenas uma humana.

— Eu fui estuprada — falei fechando meus olhos. — Eu fui mantida em cativeiro enquanto ele se aproveitada do meu corpo — finalmente, consegui encará-los. Meu pai estava de cabeça baixa enquanto meus irmãos me encaravam perplexos. Maggie estava ao lado da porta, sorrindo para mim. — Eu o matei quando consegui escapar. Eu fiquei grávida — respirei fundo, encarando o teto cinzento. — mas acabei perdendo meu filho.

Quando finalmente tudo aquilo acabou, senti uma vontade incontrolável de chorar. Não queria encarar a reação de todos, então voltei a abaixar a cabeça e chorar baixinho.

Notas finais
Eu espero imensamente que vocês tenham gostado do capítulo. Finalmente o segredo foi revelado. Só a cabeça dura de Maggie para se importar com algo disso, mas felizmente, a família está unida e agora, outra TRAMA se iniciará. E aí, algum palpite? Eu vou deixar uma dica, o próximo capítulos se chamará: ''Entre Grimes''. E aí, apostas, palpitas? Por favor, comentem falando o que acharam. Todos os comentários serão sempre bem vindos! Até a próxima pessoal!