Made to Suffer

11 Capítulo 11: Monotonia.


Notas iniciais
Olá pessoal!!!! Eu queria muito me desculpar pela demora em respondê-los e postar o novo capítulo. Com as férias, minha família decidiu fazer muitas viagens e visitar alguns parentes. Então eu não tive tempo de absolutamente nada, muito menos em pensar no que colocar no capítulo. Minha criatividade não me ajudou muito também, tenho manias de pensar no capítulo quando estou no meio do mato, mas simplesmente não conseguia pensar em nada. Depois de muito tempo, e de muito insistir, eu consegui pensar em algo! Queria AGRADECER IMENSAMENTE O BARDO pela 1 recomendação!!!! Sério, ele é um super amigo meu que nem queria ler o gênero romance no fandom, mas se apaixonou pela minha história. E QUERIA AGRADECER TAMBÉM vocês!!! Chegamos aos mais de 100 comentários. Sério, sem vocês nada disso teria acontecido. Então, obrigada mil vezes!!!!! Me desculpem por falar demais. QUERO MUITO QUE VOCÊS DEI UMA OLHADINHA NAS NOTAS FINAIS!!!! Boa Leitura!!!! Dedico o capítulo ao ''O Bardo'', pela recomendação!!!

ANGELINA GREENE.

A enfermaria era um espaço grande, porém cinzento e sem emoção. Com alguns toques meu consegui deixar aquilo bem mais harmônico para todos. Agora existiam flores espalhadas para todos os lugares. Eu não sabia, mas trabalhar ali renovou minhas energias e me levou de volta ao passado. Eu sabia que as aulas de medicina básica, urgente e cirúrgica me serviram de alguma coisa, porém não imaginava que seria aqui, nesse mundo.

Além de trabalhar com meu pai, tínhamos o Doutor S. O rapaz era bem eficiente, trabalhava como médico-enfermeiro e fazia diversos plantões em Atlanta. Ele e meu pai são bons parceiros, temos nossas desavenças, mas sabíamos trabalhar em grupo.

Com minha chegada, meu pai pode descansar um pouco porque tomei a liderança do local. Não seria novidade sabendo que meu cargo na medicina era elevadíssimo comparado ao de doutor S.

O bom de trabalhar lá era que não ocorriam casos graves, ao longo do dia apareciam pessoas reclamando de dores de cabeça, febres ou um corte básico, nada que alguns curativos não os deixassem mais relaxados. Carol procurava estar presente sempre que podia de alguma forma inexplicável, ela tinha habilidades bem elaboradas sem ter feito nem ao menos um curso.

Pela manhã e a tarde inteira, doutor S era quem cuidava de todos. Eu entrava somente à noite e ficava até o amanhecer. Assim não tínhamos sobrecarga e poderíamos ajudar em outros afazeres pela prisão.

Era o fim de tarde e eu pedi que S fosse descansar um pouco. A prisão inteira estava reunida para o jantar e como eu já me alimentado, achei que deveria cumprir minha tarefa. Meus irmãos me deram os parabéns, enchendo-me de coisas. Shawn a toda viagem que faz, sempre traz algo de utensílio medico para dar-me de presente.

Eu estava lendo um glossário sobre medicina mediável quando um barulho me assustou, então pude ver Maggie se aproximar com a cara fechada. Estava um pouco escuro por onde ela vinha e só quando ela se aproximou mais do aglomerado de luz que pude vê-la por inteira. De imediato não tive reação senão olhara de cenho franzido.

— Antes que você ache alguma coisa, eu só vim lhe dar os parabéns — ela falou sem enfatizar nenhuma coisa. — Agora que está trabalhando conosco será de grande ajuda para a prisão.

— É, eu sei... é o que todos dizem — murmurei. — Mas obrigada! É a primeira vez que você fala sem estar com sete pedras na mão.

Ela me encarou com os olhos cerrados por alguns segundos. Mesmo depois de anos, Maggie ainda tinha as velhas manias. Uma delas era demonstrar que não havia gostado de algo ou que estava brava, serrando o olhar.

— Desculpe, eu não quis dizer...

— Tanto faz. — ela ficou em silêncio. Se não era constrangedor, era; ao menos estranho estarmos quietas, encarando uma a outra durante muito tempo. — Soube que andou tendo dores fortes na barriga. — ela fechou os olhos, mas desta vez, desconfiada.

— É... dores de mulher. Você deve saber — eu tentei disfarçar, mas mais me atrapalhei do que expliquei algo.

— Dores que me deixa de cama ou que me fazem soar frio? Não, eu não sei. — ela ironizou da maneira mais constrangedora possível. — Você está escondendo alguma coisa.

— Eu escondendo algo?!

— É, eu só não sei o que é. Você chega aqui tão cheia de mistérios, não revela quase nada para ninguém e sente dores estranhas e até surreais. Não sabemos quase nada de você.

— Cada um tem seus segredos.

E todas as chances de tentar estabelecer algum tipo de relação com Maggie, poderiam estar no chão ali. A forma como a respondi foi tão arrogante e calculista que fez Maggie se retirar na hora. As palavras de Maggie me faziam lembrar coisas que eu tentava esquecer. Ela veio até mim, dar-me os parabéns, talvez fosse uma iniciativa dela em querer começar algo ou ela só estava sendo madura. Eu não queria pensar em nada disso.

Voltei a sentar e a ler as coisas do glossário. O livro era velho e fora encontrado nos escritórios da prisão. Estava cheio de escrituras antigas, mas bem valiosas levando nas circunstâncias em que vivemos hoje. A forma original e tradicional da medicina, também a mais complicada e complexa de se entender. O livro era escrito por um inglês famoso, Frederick Berneck, suas técnicas de medicina eram contestáveis no tempo em que ele vivia. O que mais me estranhava era o que um livro desses estava fazendo aqui, numa prisão na Geórgia.

O silêncio daquela sala chegava a ser agonizante. Por diversas vezes, me vi encarando a vela sobre a mesa ao invés de lendo o livro. Pela janela ao alto da sala, eu via um céu muito escuro. As trovoadas que se sucederam pela tarde faria a chuva cair pela noite. Eu não tenho medo de chuva, obvio, mas esse era um cenário assustador para presenciar uma.

— Angelina?... — Rick aparecia pelo mesmo local que minha irmã saíra há pouco tempo. Para mim sorte, ele não vinha desconfiado.

— Sim — redargui.

— Será que tem uns minutos a sós? — ele questionou.

— Claro, sente-se se quiser.

Ele não sentou, mas apoiou o pé na cadeira e fitou-me. Seu rosto estava bem diferente comparando-o a nossa última conversa. Algumas pessoas diziam que Rick estava se recuperando do surto que sofrera, porém eu não achava que ele tenha surtado ou coisa do tipo. Ele guarda tanto sofrimento dentro de si.

— O que é isso em sua mão? — perguntei ao ver o machucado na base de seus dedos. A pergunta era meio obvia, mas foi feita num momento de espanto. — Precisamos limpá-los logo.

— Não é para tanto, é um simples machucado.

— É um simples machucado até ele se transformar num núcleo de infecção. Vamos Rick, não vai demorar muito.

Peguei gazes e um pouco de álcool. Esses tipos de ferimentos podem parecer simples, mas nesse mundo que vivemos o simples pode nos matar. Sentei dessa vez, mais próximo dele e peguei sua mão fria e calejada. Era estranho Rick ainda usar a aliança depois de ficar viúvo. Ele, de alguma maneira, conseguiu abrir um corte entre os nós dos primeiros dedos.

— Carl me contou que você perdeu feio para ele no xadrez — Rick disse levantando o olhar.

— É. Mas só quero dizer que estou um pouco enferrujada — tentei me explicar.

— Ah, um pouco enferrujada? — ele riu. — Ele está esperando uma revanche.

— Eu sei. Não tem um dia que Carl não me procura para falar dessa revanche.

— Carl sempre foi competitivo, não puxou isso de mim. Lori que era muito competitiva — seus olhos foram tomados por uma estranha sensação. Eles brilhavam, mas de uma forma triste. — Eu queria agradecer. Não vejo meu filho agir como uma criança há muito tempo.

— Eu sei que Carl tem seus motivos para ser assim.

— É. Ele tem — os olhos de Rick eram intimidadores. Estar diante deles me remetiam a lembranças horríveis, mas ao mesmo tempo que isso acontecia, eles me deixavam instigada.

Rick tem seus problemas, talvez tão complexos quanto os meus. De certa forma eu o entendia e até o admirava. Ele não se deixava abalar por eles enquanto eu me mantinha presa, ligada aos meus.

— Sua esposa deve ter sido uma grande mulher para os dois — involuntariamente as palavras saíram da minha boca.

Rick não respondeu, fez pior, ficou em silêncio e tornou o clima mais constrangedor ainda. Me toquei que não estava mais limpando seus machucados e sim, com as mãos paradas sobre as dele. Tomei o resto de consciência que me restava e voltei a limpá-las.

— Eu não vim só para agradecê-la — ele quebrou o silêncio. — Vim fazer um convite em nome do conselho. Estávamos pensando que, como líder de um lugar dentro da prisão, você deveria estar a par a todos os acontecimentos.

— Mas Carol já não está lá?

— Carol mexe com outras coisas além da enfermagem. Achamos melhor que você entrasse, pode não ser em todas as reuniões, mas para as principais você deve estar lá.

— Eu...

— Vai ser fácil para você. Se, conseguiu se acostumar com isso, pode se acostumar com o conselho — ele me interrompeu.

— Me desculpe, estou criando monstro na minha cabeça. É claro que aceito o convite. — balancei a cabeça com os olhos fechados para afastar os monstros imaginários.

Rick apenas assentiu com a cabeça e começou a se retirar. Eu criava monstros imaginários que me impediam de decidir algo. Eu observava Rick se afastar, mas de repente, ele parou. Seu corpo ainda se iluminava por pequenas brechas de luzes que escapavam. Ele virou-se e continuou em silêncio, mas não durou muito:

— Lori era uma mulher boa... uma mulher boa antes do apocalipse.

Já estava amanhecendo. Durante a noite não se ouvia ninguém, eu também não esperava ninguém. Achava o turno muito tranquilo e gostaria até de mudar, se Doutor S permitisse. Faltava pouco para que meu pai aparecesse e menos de três horas para que eu saísse da enfermagem. Eu gostava de deixar tudo muito bem organizado para o Doutor S e meu pai trabalharem melhor. Os remédios mais simples, como para dores de cabeça, dores no corpo ou febre, ficam numa estante de livro pequena próxima à mesa enquanto os outros eram organizados nas prateleiras. Gazes, bisturis e álcool eram guardados na cômoda velha que deveria estar ali antes mesmo do apocalipse.

Eu estava esperando as horas passarem enquanto pensava nos últimos acontecimentos da minha vida, para ser mais exata, nas dores que venho sentido. Com a desconfiança de Maggie, aquilo acabou entrando na minha cabeça. Não era de hoje que eu as sentia e também já me pareciam diagnosticadas. Eu só não queria pensar nessa possibilidade, seria difícil de contar a alguém que sofri um aborto e que precisava colher o que restara da placenta para não sofrer nada. Já estava sendo difícil e seria mais difícil depois disso.

Quando vi meu pai se aproximar foi que tomei a realidade de volta. Não pude deixar de abrir um largo sorriso e recebê-lo com um abraço.

— Como se saiu essa noite? — ele perguntou.

— É tranquilo o período. Só tive a visita de Rick e de... Maggie — contei. Meu pai abriu os olhos completamente surpreso, mas antes de se alegrar tanto, eu tratei de completar: — ela veio me dar os parabéns. Nada de mais.

— Vocês duas são difíceis de lidar, até mesmo quando eram pequenas. Quando Maggie ficava brava com você era difícil dela perdoa-la. Mas...

— No final ela sempre perdoava. — ri. — Eu era uma boneca aos olhos de Maggie. Ela pensava que eu era como ela, aventureira ou uma menina sem medos. Éramos tão diferentes, mas não desgrudávamos nunca.

— Você sente saudades dela, não é?

— É, eu sinto — abaixei a cabeça, respirando fundo. — Mas ela esconde algo atrás daquela marra e não me deixa nem ao menos saber o que é. Às vezes fica difícil me aproximar dela.

Doutor S logo chegou e nós acabamos com essa conversa. Despedimos-nos de forma breve e eu voltei para o bloco de celas. Um grupo de moradores estava reunido, conversando baixo e a conversa encerrou quando passei por eles. Eu não sabia o que pensar, também pouco me importei, estava cansada e só queria o conforto da minha cama.

Dentro da minha cela os problemas pareciam ficar do lado de fora. Jogada na cama, com boa parte do cabelo sobre meu rosto eu só pensava no quanto bom era esse colchão velho. Isso me remetia ao tempo em que eu lembrava com alguns amigos, no inicio da minha carreira. O dia era completamente esgotante e quando chegava à noite, a única coisa que queríamos era deitar e descansar um pouco.

— Angie? — a voz de Beth invadiu minha cela. Ela estava com Judith em seus braços. — Está acordada?

— Sim, eu estou viva — respondi abafado por conta do travesseiro.

— Você sabe se Jack tem... sei lá... teve... uma namorada?

Eu fiquei alguns segundos processando aquilo até que ergui a cabeça e sorri. Não era loucura o que eu acabava de ouvir. Beth estava querendo saber um pouco mais sobre Jack, isso era estranho, mas poderia ser divertido.

— Eu não sei — respondi. — Eu e Jack não conversamos sobre isso, mas por que você está tão interessada?

— Por nada, eu só queria saber — ela deu de ombros.

— Você está interessada nele.

— Não, eu não estou! — ela falou alto tentando me convencer.

— Até que seria legal vocês dois juntos, você não acha pequena Judy?

— Não seria legal até porque não tem nada entre nós dois. Jack e eu somos apenas bons amigos.

— E tem a mesma idade, praticamente os mesmo gostos e são bonitos... Eu não sei, acho que vou conversar com esse rapaz e saber suas reais intenções com você. — vi a face de Beth ficar completamente vermelha. Era uma mistura de fúria e vergonha. — Eu estou brincando com você...

— Você é tão insuportável quanto Maggie. — ela retrucou. — Eu nem deveria ter contado isso a você. Alguém que nunca me contou sobre antigo namorado, deve ter sido uma encalhada, ou pior, não satisfazia homem algum.

Por mais inocente que Beth tenha falado isso, aquilo me atingiu. Eu não consegui esconder o quanto fiquei mexida e mudei minha expressão. Eu levantei e fui em direção à cômoda, tentando esconder dela enquanto remexia em algumas roupas.

— Eu não queria dizer isso... me perdoe!

— O problema não é esse — sorri voltando-me a ela. — É que... no passado, eu sofri coisas que me machucaram muito. E falar delas ou até pensar, me trás lembranças que são impossíveis de esquecer.

— Você nunca conta sobre elas. — ela lastimou.

Quando descobri sobre Beth, certamente, nossa primeira conversa não foi a melhor de todas. Mas era como todos falavam: um irmão mais novo nunca chegará a te magoar de verdade, basta uma palavra dele e tudo estará acabado. Era o que acontecia comigo e Beth. Tínhamos uma relação incrível, ela era como um anjo para mim e eu nunca conseguia me magoar com ela.

Jogamos mais um pouco de conversa fora até que sairmos. Judith veio para o meu colo, ela estava mais forte e corada, estava saindo muito bem com sua sobrevivência. Pequena e indefesa como era não era difícil não se apaixonar. Eu a queria proteger de todas as maneiras e não conseguia mais esconder aquilo. O pátio estava agitado como sempre está. O sol não sairia pela manhã, as nuvens carregadas cercavam um bom perímetro e talvez fosse chover um pouco. Pelo que ouvi isso era bom para as plantações, mas ruins para os demais afazeres. Nos encontramos com Carol no meio do caminho, ela veio me dar parabéns pela entrada no conselho e até zombou que era melhor ter mais mulheres do que homens na cabeça.

— Você não me contou sobre isso. — Beth sussurrou.

— Você não me contou que anda de conversinha com Jack Daniels. — retruquei e a ouvi bufar.

Shawn se aproximou de nós. Ele estava com uma barra de ferro nas mãos e um pouco suado. Estava nas cercas cuidando da aglomeração de infectados que estavam nas grades. O número era bem maior comparando aos de antes, isso realmente era preocupante.

— Será que você pode ajudar? — ele estendeu a barra para mim.

Judith saltou do meu colo para o colo de Beth. Ela sorriu para nós antes que nós dois saíssemos a caminho das grades. Além de Shawn, Sasha e Willie estavam lá. Eu me aproximei da grade e assim como os outros, comecei a acertar os infectados na cabeça.

— O número é bem maior do que imaginamos — Sasha comentou.

— Eu e Glenn vamos fazer uma ronda mais parte para sabermos o que está atraindo-os para cá. — meu irmão respondeu.

— Essa resposta é fácil: vivos estão os atraindo. Quanto mais pessoas circulando como se a ameaça não estivesse do lado de fora, mais zumbis aparecerão. — Willie contou.

— E você tem ideia de como iremos tirá-los, senhor caipira?

— Colocando mais empecilhos para eles. — o caipira barbudo respondeu. — Assim nos livraríamos de estar todos os dias matando-os.

— É uma boa ideia. — falei.

— O que você fazia antes do apocalipse? — Sasha questionou desconfiada.

— Eu era dono de uma reconstrutora de carros.

Não era bem essa resposta que esperávamos, mas continuamos com o trabalho. Era um pouco exaustivo, a cada zumbi que matávamos mais um parecia. O bom era que existiam pessoas nas quatro extremidades da prisão.

— Soube de Beth? — questionei meu irmão, mas ela rebateu negando. — Sobre Jack e Beth.

— Não. O que têm eles? — ele pareceu não se importar com a noticia.

— Ela veio me perguntar se eu conhecia ou sabia de alguma namorada de Jack.

Com os cantos dos olhos, vi Shawn parar o que estava fazendo. Eu sabia que Beth era sua irmãzinha e que ele se importava muito com isso.

— Ela me disse que são somente amigos e realmente parecem ser.

— Ela e o filho do caipira? — Shawn perguntou tem ser ouvido à última coisa que falei. — Eu vou conversar com ele.

— Shawn, não! — eu o impedi segurando-o pelo braço. —É brincadeira!

Ele bufou estressado e tomou em mãos sua barra. Foi engraçado vê-lo tão furioso com isso. Nós continuamos a matar os infectados durante um longo tempo. Os mortos tinham sempre a mesma aparência, suas cabeças ocas facilitavam para matá-los.

Quando finalmente acabamos, era o horário do almoço. Recolhemos nossas coisas e caminhávamos para a barraca montada no pátio mais próxima, Carol era quem cuidava dela. Ela nos serviu um guisado de porco, poderia não estar apresentável, mas parecia delicioso para quem estava morta de fome.

Eu não sabia como conseguia ainda estar de pé pela noite. Descansei por alguns segundos, porém meu turno começaria em alguns minutos e eu precisei me adiantar. Quando cheguei à sala, doutor S estava atendendo um último paciente reclamando de dores na barriga. Nós ficamos há conversando um pouco antes dele me desculpar e se retirar. Novamente sozinha, naquele cenário macabro de conto de terror. Agora que estava sozinha e ficaria assim por longas horas, meu pensamento sempre voava longe.

As paredes cinza pareciam querer falar com você. Um vento breve balançava as chamas das velas em alguns momentos. A enfermagem era grande, mas quando se está nela sozinha parece muito maior. Passei os dedos pelas pálpebras terminando o percurso com as mãos juntas e os cotovelos apoiado sobre a mesa, respirando entediada. A calmaria nunca fizera parte da minha vida, nem mesmo antes do apocalipse. A vida de um cientista está cercada por pressa, cobrança e perfeccionismo e toda essa calmaria que a prisão proporcionava era de deixar qualquer um frustrado.

Com um longo tempo em minhas mãos eu achei melhor ir treinando algumas jogadas de xadrez. Poderia parecer bobeira, mas eu estava inclinada a vencer o filho de Rick.

Notas finais
Antes de escrever a história, eu já sabia da trágica história de Angelina. Com a ajuda da minha tia e de algumas pesquisas, conseguir elaborar bem. Resto de placenta no útero pode resultar em muitas dores e possivelmente em câncer. Espero que vocês tenham entendido e que nada tenha ficado confuso para vocês! O próximo capítulo com certeza tratá muitas coisas a tona. Por isso, será quase que certeza que demorarei um pouco em postá-lo, mas mesmo assim, tentarei postar o mais rápido possível. O que posso adiantar dela é que teremos um capítulo inteiro focado em Angelina e Maggie!!! O que vocês acham que vai acontecer? Alguma sugestão? Conte!!!! Espero que tenham gostado do capítulo, espero também vê-los nos comentários!!!!! Até a próxima!!!