Made of Stone
24 Vergonha
Notas iniciais
Horas antes...
Hermione estava com a cabeça a mil, descobriu que o rapaz, quando ela esteve a primeira vez na cabana de Dumbledore, meses atrás, era Rurik.
O moço que pouco falava e a intrigava bastante, era ele! Ela descobriu tantas coisas, como que ele também trabalhava com espião na ordem como ela, tomando poção polissuco e se tornando Darius. Era muita informação para pouco tempo e sua mente e coração não estavam conseguindo conciliar tanta informação.
—Está explicado...-Murmurou Hermione, para ninguém em particular.
Dumbledore sorriu enigmático, já Freya bufou, batendo ritmicamente os pés no chão, ao mesmo tempo que apertava ainda mais sua varinha na mão esquerda, deixando seus dedos quase brancos.
Desde que descobriu por meio de um elfo doméstico que seu irmão havia sumido, quando presumidamente era para ele estar na biblioteca, ela sabia no seu intimo que aquele momento mais cedo ou mais tarde iria chegar.
Porém, ela não poderia evitar o frio na barriga e um medo incomum, que subia pelo seu pescoço, deixando um gosto amargo em sua boca. O medo de perder Rurik estava a deixando nervosa e para não dizer bem fora de si e eles estavam ocupados, fofocando na sua opinião, enquanto seu irmão estava em perigo.
—Agora que você já sabe uma boa parte da história, vamos! -Ralhou, interrompendo o raciocínio da grifa.
Ela pegou no braço de Hermione e a puxou porta a fora, sem nem ao menos dizer nada a Dumbledore. Este último, sorriu enigmaticamente, olhando para as duas moças que saiam e nem sequer tentou impedi-las. Era um dia crucial, ele sabia, para todos eles.
No corredor, Hermione apressou seus passos para acompanhar Freya.
—Desculpa, eu…
—Sim?
—Qual seu nome?
—Freya...
—Certo, pelo visto você já sabe o meu nome ...mas o que aconteceu com esse Rurik?
Freya parara na frente de uma porta, e entrara no quarto, indo direto ao um baú, que estava no canto inferior, ao lado da cama.
Hermione apenas ficou de pé no meio do quarto, não perdendo tempo em olhar a decoração, ela conhecia muito bem aquele lugar. Ela mesma já tinha dormido ali várias vezes. Ela fitou Freya, que acabava de se agachar em frente ao baú e de lá tirou algo de dentro de uma caixinha em forma de círculo, um colar de pedras brancas.
—Você aconteceu…eu o avisei…que isso iria dar errado, mas meu irmão não é do estilo que escuta, emocional demais…
Freya se levantou e caminhou até Hermione, a raiva cintilando sobre sua íris, a qual a castanha franziu a testa em confusão. Ele fez algo errado? Pelo que sabia, não.
—Como assim, eu aconteci?
Vestígios de lágrimas transbordaram pelo rosto da morena, que não desviou seu olhar da castanha, tentando controlar uma crise iminente de choro.
Não era tempo de ser emocional, agora.
Ela apertou seus dedos pálidos e longos, usando uma força quase desnecessária na varinha tornando os dedos ainda mais brancos.
Hermione percebeu que era uma forma de tentar se acalmar, por isso não fez nenhum comentário a mais, somente prestou atenção a conversa.
—É muito cedo ainda para você saber, mas … se você for comigo, poderá haver uma grande chance de você ser morta, e por consequência eu e ele podemos sumir, posso dizer com grande segurança neste momento, que você é o alvo de Andrey Sven…
Hermione piscou os olhos várias vezes. Essa garota era intrigante.
—Você o conhece…?
Com um movimento de varinha e pronunciando palavras em gaélico antigo, Freya fez um padrão rúnico em círculo aparecer aos pés de Hermione, que há pouco via no espelho de corpo inteiro do quarto, que seu corpo brilhava à medida que runa ia sumindo, acentuando ainda mais suas características.
O cabelo ondulado e castanho claro, os olhos acastanhados, sua pele acetinada.
Claramente significava que, quem quer, que a veja agora, sem a magia da runa, a reconheceria de imediato. De fato, Freya tinha um poder incrível, não podia deixar de ficar admirada.
—Eu o conheço, tal como te conheço também, Hermione Granger…eu não queria pedir sua ajuda, mas pelo meu irmão eu faço tudo…Andrey Sven planeja vingança contra Tom Riddle, algo que você deve saber…e pode usar Rurik para esse fim também.
Hermione ofegou em espanto. Como ela poderia saber desses segredos? E como assim usar Rurik? Freya sorriu sarcástica, e o verde de seus olhos cintilaram, tornando-se mais frios. Ela caminhou mais para perto de Hermione, quase a ponto de tocá-la.
Um sentimento de impaciência, como se estivesse deixando algo para trás tomou conta de Hermione. Olhando para o rosto límpido e transparente da moça, ela tinha a impressão de já ter visto aquele olhar, no rosto de alguém, varias e várias vezes. Ela só...não conseguia ainda associar a quem.
— Sim, mas…porque eu seria o seu alvo?
—Simples, você no momento, é a pessoa mais importante para Tom Riddle, ou como você conhece melhor, Lord Voldemort.
—Não é verdade…
Freya revirara os olhos em aborrecimento e tensão.
Hermione continuou olhando firme para rosto dela, que com um pouco de delicadeza pegou sua mão, desviando o olhar.
Ela pousou sua varinha sob o pulso esquerdo de Hermione, dando a entender que não responderia, em vez disso começou a fazer um feitiço não verbal, que fez com que saísse uma luz azul clara da varinha.
—O que está fazendo?
—Simples, buscando através das memórias do seu corpo …
—Porque não viu a mente?
O sorriso de Freya do seu habitual sarcástico, foi substituído por um suspiro irritado.
—Porque eu sei em como você é boa de Oclumência, deixando de fora que não me conhece e porque me diria a verdade, não é?
Freya fez alguns movimentos a mais com a varinha no pulso de Hermione, fazendo aparecer umas luzes coloridas, que a castanha poderia dizer que eram algum feitiço de localização, mas não qualquer feitiço, um conjuramento complexo e fora do nível padrão. Ao mesmo tempo, ela continuava falando.
—Além disso, isso seria uma perda de tempo. Prefiro conseguir as coordenadas exactas das memórias de seu corpo, de quando você esteve na mansão Sven, preciso entrar por baixo, sei que estudou o local …com Astoria.
Por isso, tive que remover a runa da clareza, faz interferência no feitiço que estou usando.
Aquilo eram informações muito particulares e dificilmente poderiam ser espalhadas por aí como o nome verdadeiro de Lord Voldemort ou que ela sabia que ela possuía a runa da clareza, Hermione afasta sua mão de frente da varinha, ao que a outra olhara interrogativamente, arquejando uma sobrancelha.
—Quem é você?
—Muito cedo, ainda para saber…
—Não me venha com essas frases feitas…você está falando como se…- Lentamente, a castanha foi se dando conta da magnitude da situação, vendo que Freya ainda mantinha a mesma expressão neutra, à medida que a expressão de Hermione se modificava, indo do descrédito total para a surpresa absoluta. Seu peito se apertou, se tornando angustiado, à medida que ela dizia as palavras- Você veio do futuro?
A morena estendera por breves segundos, as mãos ao ar como num sinal divino.
—Oh, dez pontos para a Grifinória…bem, agora posso acabar o feitiço?
—Quem é você?
Freya fixara os olhos dela, desviando mutuamente de volta para o pulso, e finalizando o feitiço.
—Obrigada.
—Pelo o que?
—Peça a Dumbledore para devolver a runa da clareza, não tenho tempo…
Quando ela ia encaminhando para a porta, Hermione colocou seu próprio corpo na frente dela, barrando seu caminho. Freya soltou um suspiro pesado, lançando de volta um olhar duro para a castanha.
—Não, quem é você? O que você é minha, como eu te conheço?
A morena engolira em seco, mas sustentando o olhar.
—Preciso ir…
—Eu tenho que ir com você…
—Não…acho que você não está escutando direito, é você quem Sven quer…
—Não quero saber…só quero ajudar vocês…você pediu minha ajuda, me deixe ajudar, Freya…além disso, se for algo que eu estou pensando, Sven irá querer você também...e eu não posso deixar isso acontecer!
O olhar da morena ficara fixo no da castanha, pelo que pareceu um longo tempo, até que as lágrimas caíram do rosto de Freya como se tivesse segurando a tempo demais, isso quebrara o coração de Hermione que num impulso, abraçara a garota, que apertara os braços em volta da outra com força.
—Eu quis te odiar por tanto tempo, era bem mais fácil, mas agora que você está aqui... que saudades…
Aquelas palavras enigmáticas fizeram o rosto de Hermione ficar à beira das lágrimas, sem que ela entendesse ainda a dimensão do porquê, ou simplesmente a sua mente resguardava essa informação para outro momento menos crítico.
—Bem, eu estou aqui agora…como posso ajudar?
Freya suspirara longamente, limpando o rosto com as costas das mãos.
—Nossa, você é teimosa…
—Você também…
—É eu tive a quem puxar…- Sussurra entre dentes, puxando Hermione consigo para fora do quarto, ambas indo em direção do escritório de Dumbledore.
—Certo…mas eu tenho uma regra…
—Qual?
—Nada de se colocar em perigo, entendeu?
Hermione assentira de leve, entrando novamente no escritório do velho Diretor.
(...)
Horas Depois...
Sven olhava de Rurik para Freya e Hermione, com um largo sorriso em seu rosto, como se tivesse conseguido uma vitória, sem tamanho.
—Engraçado, como é o destino não acha, minha querida Hermione?
—O que quer com eles? — Dizia ignorando o ato esnobe do bruxo, de apontar a varinha para Rurik e Freya, esta última ajudava o irmão a respirar e ficar bem, com feitiços e uma pequena poção num frasco que pela cara do garoto não parecia a melhor coisa de se beber.
—Na realidade, eles foram uma surpresa agradavel, afinal me trouxeram você…querida Hermione Granger…
Hermione engolira em seco, ao ouvi-lo dizer seu nome verdadeiro. Ela não sabia explicar o tanto de medo que aquilo lhe causara, tudo porque sabia que de uma maneira ou de outra, eventualmente Sven iria usar aquela informação para atingir Tom e isso a deixava apavorada, mas agora, era hora dela mostrar porque foi classificada para a Grifinória, porque agora mais do que tudo, era um momento dela ser forte.
—Para que você me quer?
—Oh, eu vejo a ironia diante de meus olhos, Tom Marvolo Riddle, que despreza trouxas, abortos e sangues ruins, romantizado com uma…é a maior ironia do universo e eu quero…a destruição completa dele…junto com a sua prole.
E com um giro de varinha, chamara Hermione a si, com um “Accio, prendendo-a bem contra o corpo, à medida que erguia a varinha na direção do pescoço da castanha, mantendo Rurik, já recuperado e Freya, em alerta a qualquer movimento que ele fizesse.
O coração de Hermione batia a mil, à medida que sentia o pedaço de madeira fria pressionando sua veia de seu pescoço, ela não podia morrer agora, isso não podia acontecer, seus olhos desviaram para os gémeos e a vontade de chorar estava ficando enorme.
Seria possível? Eles poderiam ser seus filhos?
Com o canto de olho, ela pode ver Rurik sendo segurado pela irmã ,que não o deixava fazer nenhum movimento brusco, à medida que ela própria também segurava a própria varinha entre as mãos, frustrada por igualmente não conseguir fazer nada.
Sorrindo maligno e vendo que seus inimigos estavam em um impasse, Sven aproveitara para olhar o círculo rúnico brilhando em carmesim e novamente a magia voltando, claramente trazendo Tom para a armadilha. Parecia que o dia que tanto esperou. O dia que iria finalmente conseguir sua vingança chegara.
—Oh, ele está vindo…que ansioso que estou por esta reunião…
No entanto, um barulho alto e gritos de surpresa e alerta se fizeram presente na divisão e qual não foi seu espanto, quando viu os seus Soldaty se debatendo com a Ordem da Fénix e Aurores do Ministério da Magia Londrino, sua fúria fez com que apertasse a varinha no pescoço de Hermione com ainda mais força, quase forçando uma artéria.
—Esperta…
—Muito, afinal eu não fui escolhida para ser aprendiz de Lorde Voldemort á toa…
Mas a conversa cessara ao verem a luz aparecer novamente no círculo e gritos agonizantes acompanhando, quando em pé e respirando com enorme dificuldade, encontrava-se Lord Voldemort que naquele momento possuía o seu olhar mais vermelho e a sua fúria mais patente ao ver Hermione com a varinha apontada no seu pescoço.
—Olá, velho amigo…quanto tempo…
—Sven…
—Oh, que pálido…precisa de ajuda? — O sarcasmo impiedoso marcava sua voz, enquanto que Voldemort parecia resistir a perda de força e de sangue, que estava sofrendo, mas notava e sentia que ele estava verdadeiramente preocupado na direção dela e isso emocionava Hermione, além de claro, deixá-la com uma enorme culpa sobre seus ombros.
—Deixe-a ir…
—Não…mas temos muito o que conversar…mas primeiro…- Dando um movimento de sua varinha, que havia alarmado Freya e Rurik, a runa da clareza começara a sair de seu corpo e com isso Hermione fechara os olhos, sentindo-se despida, sem o seu disfarce fiel, que fora por tanto tempo.
Hermione não conseguia encarar o olhar que Voldemort deveria estar fazendo naquele momento. Ela só não conseguia.
—Me permita apresentar…meu caro Tom…
Mas Sven não conseguira terminar a frase, ao notar que o salão onde estavam todos, estava sendo invadido, a fúria começara a subir, mas se amenizou rapidamente, transformando em um largo sorriso maldoso, ao ver quem era o intruso.
—HERMIONE…COMO ESQUECI DE VOCÊ POR TANTO TEMPO…SOLTA ELA…ANDREY SVEN-Aquele grito fizera com que o coração de Hermione descesse aos pés, fazendo-a abrir os olhos com pavor, era Harry que tinha acabado de estuporar um dos Soldaty, e entrara no salão correndo desesperado, olhando para a grifa, com medo do que Sven pudesse fazer com ela.
Mas Hermione já não olhava para o seu melhor amigo, seu olhar infelizmente recairá sobre o seu maior medo, Tom estava olhando para ela, com uma expressão indecifrável, sentindo seu sangue sendo drenado e seus olhos não transpareciam nenhum sinal de estar presente ali, parecia preso em uma bolha em seus pensamentos.
Mas isso não durara muito tempo, o ódio, rancor, e principalmente decepção bateram forte dentro dela e ela sabia que não era o que ela sentia e isso fizera com que lágrimas caíssem de seus olhos.
—SOLTE ELA, SVEN…-Continuava Harry com a varinha em riste, com a sua coragem imbatível e tentando salvá-la, mas ela naquele momento só desejava à morte, ao que teria que enfrentar mais tarde.
—Oh, Potter não posso fazer isso, mas tem certeza que quer arriscar a sua vida…por alguém como ela?
Harry mudou sua expressão para confuso, ao olhar para Sven que tinha o seu sorriso mais terrível no rosto.
—O que quer dizer? Como alguém como ela? Ela é minha melhor amiga…a deixe ir…
—Oh, Potter, um melhor amigo dorme e te trai com o seu maior inimigo?
O espanto tomara conta de Harry que olhava Sven como não acreditando no que ele queria dizer, abanando a cabeça.
—Você está mentindo…
—Não, Potter…Hermione Granger, a sangue ruim do famoso trio de ouro…apagou as memorias dela e seu rosto do Mundo, mediante runas e com isso tomou outro nome de Hermione Jean, se infiltrou nos Comensais da Morte, dormindo, transando, fazendo sexo…se você não está entendendo com o seu maior inimigo…que está aí bem do seu lado.
Harry olhara para o lado, engolindo em seco, o espanto continuava porque só podia ser mentira o que ele dizia, aquilo não podia ser verdade, mas ao olhar para Voldemort no chão, tendo seu sangue drenado e seu olhar de repulsa na direção de Hermione, começou a cogitar que talvez fosse verdade e quando seu olhar focara nela, via que ela olhava para o chão, não se atrevendo a olhá-lo, e isso confirmava tudo.
Só a vergonha podia fazer a cabeça de Hermione baixar a cabeça e não o encarar.
—Dei-xe…ela ir…
Sven olhou na direção da voz trémula e cansada, era Rurik...
Seu sorriso maldoso só fazia aumentar, rindo que nem um louco, tendo seu olhar alucinado aumentava a cada segundo.
—Oh, eu poderia…mas que graça teria isso…estou amando este cenário, sem contar que Tom…você teve filhos com a sangue ruim…veja só a que nível de traição que chega a ser, sr.Potter, a amizade não existe…só ilusão de que se tenha. Aprendi essa lição á muito tempo…
Voldemort encontrava-se cada vez mais fraco, mas podia escutar perfeitamente, seu olhar deslocara seu olhar para onde Sven apontava, vendo Rurik e Freya que olhavam sérios e apreensivos, não se importando com ninguém ali, só mesmo com a varinha no pescoço de Hermione e nem um pouco abalados, pela revelação que este fizera a Harry e Voldemort.
—Como pôde…fazer…isso comigo, Hermione? COMO? — Gritou Harry, no entanto, Hermione não conseguia encará-lo, era decente demais para que conseguisse encarar sem sentir ainda mais culpa.
O silencio tomara conta por segundos, Harry encontrava-se atordoado, de tanto que estava nem notara que a sua varinha tinha sido retirada de suas mãos por um dos Soldaty, que agora lhe prendia com cordas invisíveis, sob o olhar impotente e derrotado de Hermione.
Porém, mesmo em situações como essa, o destino tem seus amplos laços e uma luz vinda da lateral do salão, brilhara por segundos, mas só ela aparentemente havia notado, porque logo após sumira. Devia de ter sido ilusão da sua mente...
Estava desesperada, e de certa forma, sem esperança. Mesmo que conseguisse escapar das garras de Sven, Harry e Tom a odiariam, a única coisa que desejava no momento, era que a morte lhe levasse de uma vez.
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