Made of Stone
27 Meu amor nunca irá morrer
Notas iniciais

“ My love will never die...” Claire Weydman
Quando Rurik decidiu vir ao passado nunca imaginaria que passaria pelas coisas que passou, mas de uma coisa tinha certeza se tudo ocorresse bem valeria a pena cada cicatriz, cada coisa terrível que teve que fazer, mesmo que algumas das vezes ele tenha quase descido ao nível da escória dos homens de seu pai, ele faria tudo novamente.
Seu coração palpitava sem cessar em seu peito tamanha era a sua ansiedade por tudo estar acabando, tomou conta de seu corpo. Riu nervosamente bebericando seu whisky, que descia queimando sua garganta.
Quem ele queria enganar, ele não era capaz de matar nem uma mosca, por mais que a situação exigisse, até Freya era mais corajosa que ele. Bom tirando uma tortura aqui e ali ou deixando alguém inconsciente , era o seu máximo, não tinha coragem de fazer muita coisa, a realidade era essa, suspirara longamente.
Mas sua mãe havia lhe dito que ele tinha uma força especial, mais poderosa do que a sua irmã ou seu pai, ou até mesmo ela. Nunca lhe chegara a dizer ... mas ele iria ouvir, essa determinação e essa força interior, ele não poderia perder.
Um arrepio tomou conta de sua espinha, dos seus maiores medos era se tornar a cópia de seu pai, nunca que confessara a alguém, claro que ele sabia que isso era completamente impossível de acontecer, mas a cada injustiça, a cada dor que vivenciou a vontade sempre esteve lá palpitando , ressurgindo contra a si mesmo, assim o medo de se tornar aquilo que ele sempre abominou tomava conta de seu ser cada dia a mais que ele ficava naquele ''tempo'', seu desejo era que tudo corresse bem e acabasse rápido. Evitava a todo o custo olhar para o lado, ele não podia agora, não conseguia olhar mais ninguém. Não podia fraquejar.
—Paciência Rurik... Já está quase acabando...-Sussurrou Freya desviando seu olhar de águia das quatro pessoas sentadas ao fundo do restaurante, provavelmente sentindo a ansiedade de seu irmão.
Ele assentiu batendo o copo quase vazio com menos da metade de firewhisky na mesa e assim como a irmã, voltou sua atenção ao casal duplo que estava sentado do outro lado do restaurante, ignorando completamente que acontecia á volta.
Voldemort suspirou percebendo o que os filhos faziam , pensando e repensando, duvidando de tudo e do que poderia acontecer, até ele sabia que podia acontecer, simplesmente colocava no fundo da sua mente. Havia que pensar em soluções no momento.
Apesar de tudo o que descobriu recentemente ele aparentava estar calmo e focado. Não se preocupou em mudar suas roupas drasticamente como um cidadão da Londres antiga, como Rurik e Freya fizeram. Ele apenas usava um filtro de percepção em volta de si mudando pouca coisa de sua aparência, coisas simples, apenas para seu eu mais novo não notá -lo.
Querendo ou não Tom Riddle jovem não era bobo, ele notaria sem dúvidas outra pessoa igual a si, mesmo que mais velha, no restaurante e pensaria ser suspeito.
Fez uma careta ao ver Anastácia conversando com Natasha e volte meia olhando para seu eu jovem, com uma face apaixonada. O peso da culpa ao mesmo tempo surgia com todo o seu asco. Não sabia se era de arrependimento ou pelo olhar inocente da jovem.
Agora ele sentia o peso de suas escolhas, perguntava-se como podia ter sido tão frio e desligado com os anos, como podia os outros não afetá-lo até chegar Hermione, ao lembrar a última vez que a vira, um nó formara-se na sua garganta e faria de tudo para se redimir. Ela e sua futura família era importante. E querendo ou não, Sven também. De nada lhe valia a hipocrisia neste momento.
Família...era importante! E era algo que nunca pensou em ter, mas agora que sabia a sensação de ter uma, ele não ia deixar suas escolhas erradas interferirem de novo.
Ele precisava desesperadamente de uma rendição, e Hermione era a sua.
Tom Riddle mais novo passou os olhos pelo restaurante entediado com a conversa que as duas moças e Andrey conversavam, vez ou outra ele respondia algo nem se preocupando em não parecer entediado. Aquilo era desnecessário. Sair para cortejar era algo que se não fosse por insistência de Sven ele não faria.
Escutou Natasha rindo feliz com Sven, mas ignorou o motivo e continuou sua delicada averiguação pelo restaurante.
Seu tempo extra sendo gasto com esse tipo de coisa o irritava! E pensar que ele podia estar a essa hora colocando seu projeto sobre a imortalidade em andamento. Morrer era algo que estava fora de cogitação! Pensar nisso fez seu estômago revirar e abruptamente ele levantara da mesa indo ao bar buscar algo forte.
—Tom... Tudo bem? -Disse Sven sorrindo amigavelmente, mas ocultando uma veia fina de preocupação, que não passou despercebida pelo jovem lorde das trevas.
—Bebida...! Preciso de algo forte para aguentar todo esse grude. -Disse forçando um sorriso e notando a expressão do amigo se suavizando.
—Eiiii –Se queixou Natasha, sendo seguida por uma Anastácia rindo timidamente.
—Deixarei você cuidando das damas...-Disse Tom saindo de fininho e indo pro bar. -Com licença lady's!
E nos próximos quinze minutos a família Riddle observou Tom tomando alguns copos de Firewhisky um atrás do outro. E desenrolando uma conversa animada com os companheiros, a que Rurik e Freya não tinha ideia do que falavam por estarem a uma distância considerada, mas seu pai jovem parecia animado.
Já Voldemort lembrava exatamente do que acontecia, e certa vergonha quase preencheu seu corpo, quase, isso que dava não ser acostumado a beber.
Freya olhava o panorama, tal como todos ali presentes, ela tinha suas próprias reflexões sobre o assunto, além de ter pesquisado sem fim, sobre o quão difícil, alterar o passado seria.
Era algo que nunca corria bem no fim, fosse onde ela lesse, sempre encontraria essa frase assustadora.
Quem mexia com o passado, sempre iria alguém pagar o pacto. O tempo sempre seria o lorde e senhor de tudo e todos, ninguém lhe escapava.
Se havia algo em seus parcos anos de vida que havia aprendido, era que com o tempo deveria ter-se enorme respeito.
Eles ergueram-se dos seus lugares, ela sabia que provavelmente iria acontecer e o suspiro pesado tomou conta de seu ser, aumentando a sua crescente tensão e desgosto.
Nenhum dos dois sabia, nenhum dos dois saberia o que era preciso fazer agora, mas ela sabia, podia não ser a pessoa mais próxima da família no seu próprio tempo, mas o era do seu irmão, eram gémeos e sabiam o que cada um passava, se bem que ela havia aprendido a esconder muito bem o que seu ser pensava ou sentia. Mas, ela havia investigado a fundo ainda no seu próprio tempo, um jeito de reverter tudo, antes de voltar para junto de Rurik no passado dos pais e quando tinha chegado, a sua conversa com alguém no seu próprio tempo e naquele tempo só confirmava o que ela pensava e começava a fazer todo o sentido.
Ela desejou mais que tudo sair dali, pegar no seu irmão e ir embora, mas seu corpo não movia e limitava-se a beber o seu copo, forçando-se a lembrar porque não podia.
O corpo de sua mãe gelando e morrendo a sua frente, era um bom lembrete pelo qual não poderia ceder, sem contar que ela sentia-se cada vez mais leve e menos fisicamente presente, ela estava sumindo e nem precisava olhar seu irmão ao lado para saber que aconteceria.
Como sua mãe estava ainda morrendo, eles estavam deixando de existir, o tempo estava tapando as falhas, naquele momento, eles eram uma, alguém que não deveria existir ,precisavam agir rápido.
Mas o momento viera rápido, talvez rápido demais. Mas, não se poderia recuar agora.
—Voldemort...- Começara ela, sentira a mão de Rurik sobre a sua, olhara para ele, vira este dar um leve sorriso, como dizendo se esforce mais, ele sempre fora o mais sentimental sem dúvida.
A realidade é que ele sempre evitava qualquer forma de sentir, era doloroso demais perder, perder a mãe tinha sido um golpe terrível, ela sempre havia vivido pela metade. Incrível, como quando o fim se aproxima, o pensamento fica mais demarcado, ela não havia vivido nada, quase nada.
Seu pai lhe olhara, ao que ela engolira em seco.
—Obrigada por tudo...pai.
Voldemort franzira o seu elegante sobrolho, como se não entende ou não quisesse entender, sentira o nó demasiado apertado na garganta. Que ela queria dizer com isso?
Não tivera muito tempo para raciocinar, quando sentiu cordas invisíveis amarrá-lo com muita força, mal teve reação quando olhou para Rurik apontando a varinha para ele.
Precisamos de fazer isto sozinhos, mas gostamos imenso de ter você connosco, pai...você de todos nós, irá ter a memória de tudo...que aconteceu e do que acontecerá...terá o caminho mais longo a percorrer.
—Como?
Freya arquejara um sobrolho, suavizando de leve o rosto, entendendo a sua confusão.
—Você irá perceber...obrigada por estar perto de nós neste momento, mas não pode vir connosco e desculpe.
Dito isso, os dois aparataram de perto de Voldemort, que podia a qualquer momento ter libertado-se do feitiço, mas sentia que não devia, por algum motivo, sentia que era o certo,mas então porque sentia aquele peso no coração.
Devagar desfizera o feitiço, conforme o coração dele batia com força contra o peito, aparatara para o lugar onde sabia que eles provavelmente iam.
Quando lá chegara, deparara-se com que estava esperando ver, o seu eu passado apontando a varinha a Anastácia, via-se em seus olhos que ele estava muito bêbado, Natasha estava colocando -se na frente da irmã, ele iria matá-la e consequentemente iria matar a Hermione no futuro, a sua Hermione. Seria tarde demais?
—Devemos extirpar da nossa sociedade ….Sven....dos fungos que nos infectam...
Começara a ver o flash da luz verde a aproximar-se do corpo de Anastácia, mas alguém metera-se na frente, era...não podia ser...era Rurik com um leve sorriso no rosto, como se tivesse em paz.
Lentamente como se em câmara lenta estivesse vendo, este cairá no chão, com seus olhos fechados irremediavelmente morto.
Fora por fração de segundo, pois Freya movia-se rápida e velozmente, ocultando o irmão da visão de todos. Seus movimentos demonstravam uma firmeza e os olhos aguando em dor, vira aproximar-se da sua cabeça jovem, tocando nas têmporas, lentamente ele vira imagens suas do futuro passando na sua mente
Imagens que ele lembrava, sobre os recortes de jornais que falavam sobre seus feitos, suas escolhas e seus pecados, cada morte e cada loucura que havia cometido, cada glória e cada perca, ele lutando com Sven, quase colocando tudo a perder, depois passara-se bruscamente para o momento anterior a terem vindo ali, ele vendo Hermione caída em sangue e quase morrendo pelas mãos do outro e não se ralando nem um pouco e vira seu eu jovem a parar lentamente, deslocando a varinha para ela, pela primeira vez na vida totalmente assustado.
—Isso é o que se irá tornar...
—Que-m...é você ? Quem era o seu amigo?
—Tom?- Sven começara a falar, parecia visivelmente atordoado, tal como sua noiva e cunhada. Freya devia de ter alterado a memória de todos eles, porque pareciam incrivelmente confusos e preocupados com Tom, se tivessem retido as memórias teriam tido uma reação muito diferente.
—Que raio estaria acontecendo ali? Porque tinha que assistir tudo isto? A visão da morte de Rurik encontrava-se tinindo em sua cabeça.
—Vá para casa com sua noiva ...saiam daqui...- Conseguira reunir aquelas palavras e falar, ele não entendera, mas vira que Sven concluirá rapidamente que ele devia de conhecê-los e decidira sair levando consigo a noiva e a sua cunhada.
Freya sairá de trás da versão jovem de seu pai, colocando-se de frente para este, este tinha a varinha bem sob o coração desta, ao que ela não se movia e não sentia medo, este podia pressentir.
—Vou repetir de novo, quem é você ? De onde você e seu amigo surgiram? Que imagens eram aquelas em minha cabeça...?
Ela dera um leve sorriso, um leve filete de sangue começava a escorrer pela sua boca, ao que ele abrira mais os olhos.
—Não preciso dizer...se tudo correr bem irá saber quem sou …e aquele que matou era meu irmão, mas não precisa se sentir culpado...ele já estava morrendo.
—Como assim?
—Irá entender...
—Que me impede de acabar com você?
Era mais que conhecido, que alguém assustado, não era a pessoa mais racional do mundo, principalmente se for alguém como Tom Riddle Jr. , mas ela alargara o seu sorriso ainda mais.
—Sabe eu realmente admirava imenso você...- Seu olhar deslocara-se da versão jovem até a versão mais adulta que saia agora das sombras onde até aquele momento encontrava-se escondido.- olhando agora...só vejo um garoto solitário e assustado com o futuro...seus amigos não irão lembrar do que tentou fazer...- desviara levemente a varinha do sitio onde encontrava-se tremulamente apontada- não se preocupe com isso...eu já estou morrendo...não precisa gastar o seu tempo.
—Como?
—O tempo...é um senhor e dono de tudo. Sempre lembre disso.
Lentamente, Voldemort vira sua filha a cair no chão de joelhos, para depois tombar sonoramente sob o chão, sob o olhar estupefacto de Tom Riddle Jr, sentia sua energia vital sumindo,, ela esforçava-se para chegar perto do irmão, agarra a sua mão, com uma leve lágrima, não aguentara mais.
Sabia que não devia cruzar com o seu passado e nem deixar-se ver, mas tinha que estar ali perto deles, sabia que era o certo. Algo lhe dizia que seria o correto.
Baixara-se perto dos filhos, sentido vontade de algo que ele sempre dizera a si mesmo que nunca faria na vida, mas ali estava ele novamente, chorando olhando os dois, com o desespero bem patente em seus olhos.
Quando é que havia mudado tanto? Nem ele saberia dizer.
Pegara a cabeça de Freya entre seus joelhos, que lutava fortemente por respirar, só podia ser filha de sua mãe, definitivamente, os dois tinham saído a mãe deles, não a ele que provavelmente estaria encolhendo-se de medo naquele momento, pedindo a qualquer entidade divina para não morrer.
— Freya...
—Seja corajoso...vai tudo correr bem...- Dizia ela, sorrindo na sua direção, nunca que a vira sorrindo se bem que quase nunca cruzara com ela, sempre fora mais com o irmão que convivera, pensando nele, olhara para ele ao lado dela.
Sua garganta não conseguira mais conter o som de desespero, quando ele sairá sem freio.O arrependimento surgia tão grande e tão alto em sua alma dividida em partes que a dor era algo intolerável. Isso era a dor de perder um filho?
Subitamente, na sua mente surgira cada pessoa que havia matado, cada pai de família que havia tombado sob a sua cegueira e ambição, cada mãe protegendo o seu filho, cada filho defendendo sua família. Que havia ele feito com a sua vida?
Subitamente, algo começara a brilhar no seu bolso que ele não tinha notado até aquele preciso momento, retirara devagar, tentando ver através de seus olhos enevoados com o choro, era uma espécie de nota parecia ser a letra do velho, quando é que Dumbledore lhe tinha colocado algo no bolso? Ele não saberia dizer, mas isso não era particularmente relevante agora, somente dizia:
“ Você sabe que fazer . O futuro está nas suas mãos, Tom.”
Ele erguera seu olhar para o ainda estupefacto e surpreso Tom Riddle Jr, que praticamente observava o seu igual em sua frente sem entender, olhando a si próprio e a ele, quando é que o filtro de percepção havia sumido, ele nem queria saber.
E sim, ele sabia exatamente o que fazer. Por mais que lhe custasse, ele sabia.
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