Made of Fire

5 IV - Aquela segunda primeira aula


Notas iniciais
Rich's POV Demorei pra postar este, desculpa! Queria postar um cap a cada semana ou a cada 15 dias pelo menos, mas tava sem inspiração e cheia de conteúdo pra estudar. Meio irônico até quando estou escrevendo uma história onde o cenário é a universidade... Mas enfim, ficou mais curto que os últimos, mas espero que gostem! Boa leitura! *-*

Senti o vento frio em meu rosto e fechei os olhos, escorando a cabeça nas costas do sofá. O canto dos pássaros chegava aos meus ouvidos através das portas entreabertas da varanda na sala. A música só era interrompida pelo barulho de pipoca começando a estourar e pelas falas britânicas que saíam tanto da televisão quanto da boca do meu amigo. Abri os olhos.

— Não tenha pena dos mortos, Harry — disse ele, concentrado na tela. — Tenha pena dos vivos. E sobretudo, daqueles que vivem sem amor — completou sussurrado junto ao velho barbudo.

Revirei os olhos antes de rir alto. Jay, que havia sentado no braço do sofá, então me olhou com os olhos castanhos estreitados.

— A pipoca vai queimar — avisei a ele, divertido com sua paixão pela saga mágica.

Observei-o dar um pulo e correr para a cozinha, com seus dreads balançando.

Jay é meu melhor amigo. Nos conhecemos na faculdade e, de certa forma, passamos a andar sempre juntos. Até hoje não entendo como isso foi acontecer. Jay é formado em Artes e é a pessoa mais livre que conheço. Sentamos na mesma mesa durante o almoço em um dia universitário qualquer.

Flashback on

— Cara, eu amo essa comida! — exclamou o rapaz de pele escura com dreads, sentado à minha frente, depois de ter puxado assunto sobre o tempo. — O almoço é minha hora preferida do dia, sem ela, não sobrevivo — continuou, com a boca cheia.

Sorri, tentando ser amigável. O cara era estranho, mas isso não queria dizer que eu devia ser rude.

— É realmente muito boa — disse a ele, levando uma colherada à boca.

Ele acenou com a cabeça, distraído.

— Ei, você faz o que aqui? — perguntou, os olhos castanhos pararam em mim antes de desviar novamente para o prato.

— Contabilidade, e você?

O estranho rapaz de roupas soltas e manchadas de tinta me encarou de cima a baixo antes de acenar, sorrindo.

— Saquei. Homem de negócios — falou, rindo. — Por isso você é tão sério! — Me encarou como se tudo fizesse sentido. — Eu sou de Artes.

Surpreso, larguei os talheres no prato e estreitei os olhos em sua direção.

Saquei. Homem das artes — disse a ele, erguendo uma sobrancelha —, por isso tão espontâneo! — Observei-o arregalar os olhos antes de dar uma gargalhada. Ri também.

— E o feitiço vira contra o feiticeiro! — disse ele, sorrindo. — Acho que seremos bons amigos...

— Richard — completei.

— Rich — disse ele. Bufei com o apelido logo de cara e este riu. — Eu sou o Jay — disse simplesmente, dando de ombros ao levar mais comida à boca.

Flashback off

Jay não poderia estar mais certo. Havia acertado em cheio, já que éramos amigos por anos já.

Jay é o tipo de pessoa que todo mundo quer ter por perto. Ele é engraçado, divertido, inteligente e mente aberta. Somos muito diferentes, mas nem seus dreads nem minha postura séria, como ele diz, nos impediram de virar amigos.

Quando terminei a faculdade, um semestre depois dele, comentei sobre a vaga de professor na universidade de Hybridfield, cidade vizinha. Ele disse que a ideia era maravilhosa e perguntou, cheio de ansiedade, quando iríamos nos mudar. Ele estava, na época, trabalhando como garçom em um restaurante e dividindo apartamento com mais quatro pessoas. Acho que se Jay tivesse que morar debaixo de uma ponte, iria com um sorriso no rosto sem ao menos se importar.

Ao contrário de mim, Jay nunca teve um trabalho fixo. Sempre conseguia algum trampo de forma rápida. Com todo aquele charme e sorriso carismático, conseguia praticamente qualquer coisa. Fazia bicos aqui e ali e por incrível que parecesse, nunca se preocupou com isso. Teve uma criação bastante diferente da minha e uma infância difícil. É admirável que tenha se transformado nessa pessoa extraordinária.

Observei-o colocar sal na pipoca e derrubar o saleiro no chão. Fechei os olhos. Meu deus!

Jay era um ser humano, no mínimo, curioso. Vivia um dia de cada vez e não estava nem aí para estabilidade, algo que nunca consegui entender. Não tinha objetivo algum, além de deixar a vida o levar para onde quer que fosse e fazendo o que quer que fosse. Terminou sua faculdade com as mãos abanando.

Se vivêssemos em outro tempo, ele com certeza seria um nômade. Viajando para onde tem vontade, seguindo o vento e as borboletas ou o que seja. Hoje em dia, trabalhava em uma galeria de exposição de artes e seguido apresentava as suas pinturas ali. Sempre foi talentoso, mas era impressionante como ainda não havia morrido de fome e sequer conseguia dinheiro pra ter onde morar.

Bom, não tão impressionante. Afinal, estava no meu apartamento usando minha camiseta, fazendo minha pipoca e agora andando em minha direção para sentar ao meu lado no meu sofá.

— Eu ainda vou fazer você entender a magia de Harry Potter, Rich — disse ele, sentando ao meu lado.

— Eu já entendi a magia! Você me forçou a assistir todos os filmes quinhentas vezes! Eu sei até as falas — falei, indignado, ao pegar um pouco da pipoca que me oferecia.

— É muito mais do que isto! — disse, com os olhos brilhando. — Você tem que ler os livros, vou te emprestar.

Que os céus me protejam!

— Não posso ler livros agora — falei, lembrando-me que era domingo —, amanhã começa o semestre — expliquei, com um suspiro cansado.

O semestre passado havia acabado de forma desastrosa. Metade da turma havia repetido. De novo. O Sr. Fitzgerald, coordenador do curso, me chamou em seu escritório na última semana de aula. Aparentemente, meus alunos de Administração Financeira I haviam feito um abaixo-assinado para trocar de professor. Não foram alunos suficientes para me tirar o cargo, porém, o suficiente para causar um alerta do coordenador.

Minha má fama pelo curso podia acabar custando meu emprego. Nunca fiquei tão chateado na vida.

— Recebo menos reclamações dos alunos de Administração Financeira II. Talvez você deva usar as mesmas táticas das aulas do quarto semestre nas do terceiro. Havia dito, olhando-me por cima dos óculos.

Claro que reclamam menos. Os alunos que chegam em A.F. II são os que conseguiram, de fato, entender a primeira parte do conteúdo. Eles já conhecem meus métodos e se dedicam mais. Sem falar que a segunda parte da matéria não é tão difícil quanto a primeira.

Sr. Fitzgerald "sugeriu" que eu mudasse meus métodos, minhas aulas, ou qualquer coisa que fosse. Deixou claro ao me olhar nos olhos que, se acontecesse mais alguma situação assim, as coisas ficariam bem feias para o meu lado. E não precisou dizer uma palavra para isso, bastou o olhar.

Olhei para a mesinha em frente ao sofá. Havia alguns papéis das aulas que havia preparado. Passei quase as férias inteiras enrolado com isso, depois de passar uma semana na casa dos meus pais.

Refiz todas as minhas aulas e os slides dados aos alunos, e procurei deixar mais claro o conteúdo. Já havia feito isso nos primeiros meses como professor na universidade, mas só piorara a situação. Esperava que dessa vez funcionasse.

Pedi um pouco de ajuda à Jay, explicando as aulas e dando o conteúdo como se ele fosse meu aluno, mas tudo que ele havia dito no final foi: — Tudo isso é grego para mim, cara! Não entendi bulhufas do que você disse!

Acabei terminando tudo sozinho.

— Boa sorte com o pessoal — disse ele, chamando minha atenção. — Eles realmente te odeiam — completou, os olhos vidrados na televisão.

Olhei para ele com as sobrancelhas erguidas.

— Nossa, Jay! — falei, exalando sarcasmo. — Era tudo que eu queria ouvir neste momento!

Desviou o olhar para mim ao perceber sua gafe. Sua gargalhada propagou-se pelo meu apartamento.

— Desculpa — disse, risonho. — Você tem que baixar um pouco a guarda com os alunos, Rich! Você sabe como esses adolescentes são — completou, todo sábio.

Ah, claro, muito velho que você é!

Jay, na verdade, é quatro anos mais novo que eu, com vinte e cinco apenas.

— Conversa com eles, sorri um pouco mais, faz alguma piada... Sei lá, qualquer coisa assim pode fazê-los gostar um pouco mais de você! — continuou ele, distraído.

Sorrir?

— Eu sorrio — respondi, incrédulo.

Jay levantou a sobrancelha.

— Nas aulas? — perguntou ele, também incrédulo.

— Bom... — comecei, mas fui atrapalhado.

— Poupe-me! — disse ele, rindo. Então sua expressão mudou, suavizando. Até demais. — Você sabe que sorri só para mim! — completou, piscando um olho e abrindo um sorriso malicioso.

Revirei os olhos.

— Com certeza, Jay. — Cutuquei-o no braço e completei, com a mão no peito e a melhor cara de apaixonado que consegui: — Você é o único que me faz feliz, meu amor.

Ficamos nos encarando em silêncio, com olhares apaixonados, antes de Jay soltar uma gargalhada que deve ter acordado a vizinhança inteira. Seu rosto chegou a ficar roxo de tanto rir. Não pude evitar rir junto dele.

— Não fala assim que me apaixono — disse ele, agora um pouco mais recomposto.

Revirei novamente os olhos, ainda rindo do imbecil.

— Viu só, Rich? É um pouco deste seu lado divertido que você tem que mostrar para os alunos! — disse ele, levantando com a bacia de pipoca vazia nas mãos.

Até parece!

Pensei a respeito, imaginando que, se consegui virar um professor respeitado de universidade, poderia virar um professor carismático também. Fiz o que deve ter parecido uma careta ao imaginar a cena, percebendo quando Jay riu ao me dar as costas, indo em direção à cozinha.

Impressionante como ele se sentia em casa aqui. Jay, na realidade, mora no mesmo prédio que eu e no mesmo andar. Praticamente na porta ao lado. E mesmo assim quase sempre come, toma banho e dorme no meu.

Meu apartamento é bem semelhante ao seu. É espaçoso, apesar de ser pequeno. Não trouxe muitas coisas para cá ainda, apesar de morar aqui há três anos já. À esquerda da porta de entrada fica a maior parte da sala, junto à varanda, e à direita fica a cozinha. Os dois cômodos são separados por um balcão. Paralelos a estes ficam os dois quartos e o banheiro.

É bastante simplório, na verdade, e não possuo muita coisa. Além do necessário, como os móveis, tenho algumas fotografias de família nos balcões, alguns presentes deles e outros enfeites que Jay despachou para cá. Ao contrário de mim, ele tem muita coisa em seu apartamento. Em sua maior parte, são cacarecos que encontra ou ganha, ou faz. Diz ser arte, mas boa parte é apenas lixo que acumula por dó de jogar fora. Nunca vou entender.

No fim das contas, acabei indo dormir quando Jay foi para o seu apartamento. Estranhei o ato e encarei-o confuso, até ouvi-lo explicar com um sorriso de orelha a orelha: — Tenho companhia hoje — disse, convencido. Bufei.

Seus músculos e a afrodescendência, seu jeito à vontade e sua arte, junto às tatuagens e o piercieng no nariz conquistavam as mulheres mais do que se fizesse serenatas e declarasse sua paixão como Romeu.

Tempos modernos, pensei.

— Quem é ela? — perguntei, rindo. — Ou quem é ele? — completei rapidamente, levantando uma sobrancelha.

Quando Jay finalmente me contou — com os olhos esbulhados, assustado como se pisasse em ovos — que tinha casos com homens também, eu ri tanto que achei que fosse passar mal. Ele me encarou confuso enquanto perguntava, indignado: — O que foi?

Jay demorou séculos para me contar sobre sua sexualidade, porque estava com medo da minha reação, só que eu sabia desde o início. Depois que consegui me recompor do ataque de riso, contei a ele que logo depois de nos conhecermos, vi-o de longe agarrado com um cara de cabelos coloridos.

— Você demorou mais de ano pra me contar algo que já sei? — Havia perguntado. Ele me empurrou, embaraçado e com o rosto em chamas.

— Idiota! — respondera apenas.

Voltei à realidade, encarando o rosto iluminado de meu amigo, enquanto este segurava a porta de entrada.

— Não te interessa! — disse, rindo alto antes de sair e fechar a porta.

Balancei a cabeça, tomei uma ducha quente e fui dormir. Fechei os olhos ao deitar na cama do meu quarto e mergulhei em um profundo mar de diferentes tons de verde, sentindo minha consciência se esvair.

*

Entrei apressado no prédio universitário pela manhã, cinco minutos antes da minha aula começar. Pelo visto, estava mais cansado do que pensava e dormi além do que devia. Bufei. Gosto de ser pontual e chegar pelo menos uns vinte minutos antes do meu horário, para não haver problema algum.

Subi as escadas apressado e ao entrar na sala já aberta, me deparei com diversos rostos conhecidos. Os alunos que estavam do lado de fora imediatamente entraram atrás de mim. Metade dos rostos eram novos e me encaravam curiosos.

Mais um semestre, mais nomes de alunos para aprender.

Coloquei minha pasta em cima da mesa e esperei-os se arrumarem. Pude reconhecer os alunos do semestre passado. Estes não dirigiam olhares muito amigáveis em minha direção. Reprimi um suspiro.

Em seguida, me apresentei e expliquei um pouco sobre como funcionavam as minhas aulas.

— ... sem conversas paralelas, sem celulares e sem dormir na minha aula — disse, sério. — São regras das quais não renunciarei. É uma questão de respeito e respeito é indispensável.

Silêncio total. Pude sentir seus olhares desgostosos em mim. Suspirei.

— Alguns alunos não estão de acordo com minha forma de ensino — disse, encarando os repetentes. — Por este motivo, refiz todas as minhas aulas durante as férias e pretendo tornar as coisas um pouco... — Fiz uma careta. — Mais fáceis para vocês.

Pude ver alguns rostos surpresos e o pessoal cochichando. Limpei a garganta.

— Alguns alunos — falei, relanceando William, que brincava com uma caneta — têm certa dificuldade em aprender — disse, lembrando de seu discurso. — Então, tentarei ser mais... razoável — completei, vendo seu rosto tingir de vermelho.

Desviei o olhar, esperando alguma reação da turma.

— Quanto aos alunos novos — continuei, ao ver que ninguém falaria nada —, devo dizer que sou um pouco exigente e vocês vão precisar se esforçar bastante para manter o ritmo da matéria. Não faço por mal — enfatizei, estreitando os olhos —, faço porque creio que na faculdade vocês precisam de muito mais do que apenas decorar o conteúdo. Vocês precisam aprender. Caso contrário, se tornarão péssimos profissionais e isso é simplesmente... inaceitável. Quero sentir orgulho de vocês — completei.

Embaraçado, pisquei algumas vezes antes de fazer a chamada e começar a aula. Quase pude sentir o clima aliviar e o ar ficar mais leve na sala.

Enquanto explicava o conteúdo e passava os slides para eles, notei que alguns estavam satisfeitos, outros pareciam confusos e alguns ainda me olhavam com raiva, como quem diz: o que este professor ainda tá fazendo aqui?

Bom, não se pode agradar todo mundo.

William tinha o rosto vidrado em mim durante a aula inteira, com o cenho franzido. Estranho. Atrás dele, Louis olhava pela janela, perdido em pensamentos. Laurel encarava suas unhas e passava o olhar por mim e pela sala algumas vezes, completamente alheia à aula. Gabriel, estranhamente, parecia prestar atenção no conteúdo. Desviei os olhos do grupinho para os alunos novos, localizados quase todos à esquerda da sala. Percebi, satisfeito, que grande parte dos rostos novos me olhavam com atenção.

— Sugiro que me procurem desde o início do semestre para tirarem qualquer dúvida que surgir. Garanto que vai ser melhor assim do que terem que correr atrás do prejuízo na época de provas — falei a eles, no fim da aula.

Depois de dispensados, os alunos saíam da sala e eu guardava meus papéis e polígrafos na pasta quando dois deles vieram falar comigo sobre algumas dúvidas que tiveram.

Expliquei, satisfeito comigo mesmo. A mudança nas aulas realmente parecia ter tido um efeito positivo na turma. Peguei minhas coisas após conversar com as duas alunas novas.

Apaguei a luz da sala e fechei a porta, porém, depois de passar a chave nesta, derrubei todo o chaveiro no chão. Suspirei.

Acabei apoiando minha pasta no braço e alguns polígrafos na mão esquerda para juntar, mas antes de me abaixar ouvi um: — Opa, professor!

Virei e deparei-me com os cabelos claros de William, enquanto este, abaixado, juntava minhas chaves. Algo havia de diferente nele, de alguma maneira, mas não pude dizer o que era. Usava uma roupa simples e tinha a mochila pendurada no ombro direito. Remexia na base de sua camiseta, de certa forma inquieto.

— Obrigado — falei, quando me entregou o molho de chaves.

Sua mão magra estava gelada, pude perceber quando roçou de leve na minha. Ele ergueu os olhos das minhas mãos para o meu rosto, parecendo confuso.

— Não tem de quê — respondeu, com a voz um pouco falha.

Esperei que ele dissesse alguma coisa a mais, já que, apesar de estar mudo, Will tinha os olhos verdes cravados em mim e não moveu um músculo para sair da minha frente. Franzi o cenho, inclinando a cabeça ao observá-lo.

— Vejo que não desistiu da matéria, William — falei, vendo-o suspirar e fechar os olhos levemente. Logo percebi meu erro. — Digo, Will — enfatizei o apelido. — Fico feliz por isto.

Ele me encarou por mais um tempo, parecendo perdido em pensamentos. Os olhos verdes, desfocados, pareciam tão grandes como sempre e seu rosto parecia um pouco mais claro. Pude perceber o que havia de diferente em meu aluno: os cabelos bagunçados já não estavam mais ali. No lugar destes, haviam alguns fios curtos e parelhos ao rosto.

Não soube dizer por que a mudança em Will me deixou desconfortável.

Como se voltasse à realidade, piscou algumas vezes e sorriu.

— Não desisto tão fácil — disse ele, os olhos brilhando em desafio.

Sorri, desconcertado.

— A aula de hoje foi bem esclarecedora, professor — continuou ele. — Pensei que, se o senhor pode mudar seus métodos, também posso mudar os meus — disse, dando um passo em frente. — Vou provar que mereço ser aprovado — completou, com um largo sorriso.

Esbocei o que esperava ser um sorriso, mas algo me dizia que não se parecia com um. Depois de haver falado, sua expressão foi mudando completamente, deixando-me confuso. Não soube interpretar o brilho nos olhos alheios.

Desorientado, sustentei seu olhar à medida que, estranhamente, sentia meu rosto esquentar.

O que ele estava fazendo?

— É o que espero dos meus alunos — falei, estranhando minha própria voz.

O sorriso de orelha a orelha de Will pareceu — impossivelmente — alargar mais quando percebeu, também, a falha na minha voz.

Aquilo era uma covinha em seu rosto?

— Sr. Turner — chamou ele, me olhando nos olhos —, quais são mesmo seus horários de plantão?

Notas finais
Juro que os flashbacks vão acabar eventually, mas é que é meio necessário para vocês conhecerem um pouco mais os personagens! :p Falando nisso, espero que tenham gostado do Jay :3 Qualquer erro, avisem! Atualizada: 07/2017.