Made in Destiny
9 New Year
Na manhã seguinte ao Natal, ficamos apenas curtindo o dia com nossos pais. Fomos esquiar, saímos jantar, demos risadas. Vocês devem estar se perguntando: por que os pais do Neels não vieram? Aqui está a resposta: a família dele mora no Texas e não puderam vir esse ano. Mas Neels está acostumado, já passou alguns anos sem os pais nessa época, ele entende que é difícil para a família conseguir vir. Nós acabamos não marcando com nenhum dos nossos amigos durante esses dias já que nossos pais estavam conosco. Tecnicamente, os Paul moram aqui, mas estavam em uma viagem longa e, pelo que entendi, não poderão ficar muito. É um pouco triste ter pais que trabalham tanto assim, mas precisamos de dinheiro para viver, certo? Acho que, em parte, é isso que faz você dar valor a eles. Você acaba percebendo a falta que eles fazem e você pode conviver com isso, não é como se eles tivessem morrido ou nos abandonado. Eles apenas tentam o máximo deles, para você ter uma vida melhor. E confesso que já me senti abandonada por eles, até perceber que o que eles fazem é puramente para me dar uma qualidade de vida melhor.
Hoje era quarta-feira, dia 29 de dezembro. Nossos pais disseram para que nós saíssemos, de início nós negamos, mas eles insistiram tanto que tivemos que concordar. Fui colocar uma roupa decente. Depois de alguns minutos sentada no chão de frente para as roupas, acabei usando o moletom que ganhei de Jake, por cima de uma blusa básica cinza. Um jeans preto com correntes e um coturno preto que ia até perto do joelho. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo baixo e meio mal feito, depois subi para a sala esperar os outros.
— Vocês tem certeza de que não querem que fiquemos? – Pergunto para os nossos pais, sentados nos puff’s conversando.
— Filha, vocês são jovens, tem mais é que aproveitar a vida. Além do mais, teremos outros dias para gastarmos juntos. – Minha mãe diz enquanto gesticula com as mãos.
— Sua mãe tem razão querida. Aproveite a vida com seus amigos e seus amores. – Teresa, mãe de Alissa, sinaliza com um sorriso para alguém atrás de mim. Viro-me confusa e vejo Jake saindo de seu quarto. Ele está usando uma jeans levemente esfarrapada, um moletom preto com touca que vai até metade das coxas e um tênis vermelho.
— Do que vocês estão falando?
— N-nada. Só estava perguntando se eles tinham certeza de que não nos queriam por perto. – Sinto minhas bochechas esquentarem, os adultos apenas dão risada da minha situação e Jake fica sem entender nada. – Aparentemente eles estão ansiosos para um pouco de paz. – Nós rimos e Jake para os olhos em mim. Ele me olha de cima a baixo.
— Gostei do casaco. – Ele dá um risinho de canto, eu retribuo o sorriso.
— Aonde iremos hoje crianças? – Alissa aparece saltitando na escada. Ela veste um jeans bordô, um moletom fininho que vai até abaixo da cintura, preto com detalhes em branco parecendo neve. Uma botinha sem salto preta e uma touca preta com o desenho de um diamante.
— Eu me perguntei o mesmo. – Neels aparece ao lado de Ali. Ele está sempre muito bonito, é até irritante. Ele vestia uma camiseta preta que ia quase até o joelho, uma jaqueta de couro, uma jeans desfiada e tênis.
— Eu estava pensando em dar uma volta e ver o que a gente quer fazer no caminho, tomar café, comer uma pizza ou algo do tipo. – É Logan, saindo do banheiro. Ele veste uma camiseta branca com as mangas pretas, usa uma calça de moletom preta, um tênis, também preto e carrega um moletom cinza com touca nas mãos.
— É, poderíamos ir a pé. – Jake sugere.
— Por mim tudo bem. – Neels, Ali e eu falamos em uníssono. Pegamos nossas coisas e partimos. Está um clima muito agradável. É frio, mas não de congelar os ossos. Bom o suficiente para tomar um café, ou um chá, sentar debaixo de cobertas e ler um livro. Estávamos andando havia alguns minutos, quando Alissa pede para que eu pare e espere ela amarrar o cadarço da botinha. Os garotos continuam andando e mal percebem que paramos.
— Olha isso. – Falo um pouco mais baixo para Alissa, já que recomeçamos a andar e não estamos tão longe deles. Começo a correr e, na metade do caminho grito. – NEELS! – Dito isso, ou melhor, gritado isso, pulo nas costas de Neels. Ele tenta se equilibrar, mas seus joelhos cedem. Apenas no último segundo ele consegue colocar as mãos no chão e se apoiar nas mesmas. Já eu sou jogada para frente. Por sorte, consigo dar uma cambalhota e parar em pé, rindo. Obrigada Marcus e Lucas por me ensinarem alguns truques, devo muito a vocês.
— VIO. – Neels grita para mim. Ele parece zangado, mas eu não consigo parar de rir, assim como Jake e Logan.
— Qual é, Neels. Foi divertido. – Dou um soco de brincadeira no seu braço, ao mesmo tempo em que ouvimos um grito:
— LOGAAAAN! – Em seguida, Logan se vê sendo atacado por Alissa. Aparentemente, ele esperava algo do tipo, já que conseguiu se equilibrar e continuou caminhando com Alissa nas costas, parecendo um macaco bebê. Neels não parecia muito a fim de me carregar, então acabei dando essa função para Jake. Nós acabamos andando mais um pouco até encontrarmos uma pista de skate com espaço para parkour e breakdance. Acabamos parando ali e ficamos dando mortais e vários passos de dança. Chamamos Marcus e Lucas, que me ensinaram tudo o que sei, e olha que não é pouca coisa. Mortal para trás, para o lado, para frente, rolamento lateral, giros, saltos e o que mais você conseguir imaginar. Passamos a tarde lá nos exibindo, eu até consegui ensinar uma e outra coisa para Alissa.
— O que vocês vão fazer hoje à noite? – Marcus pergunta, sentando em um banco.
— Nem sabemos, na verdade nós fomos expulsos de casa hoje. – Jake fala logo após um mortal parafuso muito bem executado e que me deixou com muita inveja.
— A gente podia ir na pizzaria, com o grupo todo. Sabe... Grayson... Ethan... – Lucas fala e me olha como se esperasse alguma aprovação. Sinto que todos me olham, esperando que eu reaja ao nome de Ethan.
— Gente, parem de me olhar assim. Nós apenas terminamos, não tivemos uma 3ª Guerra Mundial. Por mim tudo bem, temos que chamar a Amanda também. – Às vezes acabamos nos esquecendo de Amanda por que ela não é da nossa turma, mas eu faço o máximo para incluir ela nos programas.
— Nós podíamos chamar também a Lele. – Logan fala olhando para o chão. Eu e Alissa nos olhamos e lançamos uma cara maliciosa para Logan, assim que ele levanta a cabeça. – Vocês duas parem de me olhar assim, ela é tão amiga de vocês quanto Amanda ou qualquer um de nós aqui.
— Se você diz. – Alissa diz, ainda com uma cara maliciosa.
— Se for assim, é melhor irmos para nos arrumarmos. – Lucas fala, se levantando ao mesmo tempo que Marcus. Às vezes me pergunto se eles fazem as coisas iguais sempre.
— Vamos mandar mensagem para a Amanda e para a Lele e vocês mandam para os Dolan. – Neels fala enquanto pega seu celular e começa a digitar.
— Nos vemos às 20h na pizzaria de sempre. – Me pronuncio e me levanto do muro no qual havia me sentado. Nós nos despedimos e voltamos para casa. Nossos pais haviam pedido uma pizza e aparentemente não ligavam para o fato de íamos sair novamente já que, eles não iriam dividir a pizza conosco, de qualquer forma. Sim, eles disseram isso. Decidi colocar um vestido branco sem mangas, mais justo na cintura e com uma gola preta, uma meia calça que era quase uma calça, uma botinha com salto, um casaco preto e deixei o cabelo solto. Alissa me fez passar uma maquiagem bem produzida, não sou muito boa com maquiagem, então ela teve que me maquiar. Quando terminamos de nos arrumar, nós duas subimos para a sala, onde os rapazes esperavam um tanto quanto impacientes. Jake bate o olho em mim.
— V-você está, é... – Ele pigarreia. – muito linda. – Eu coro. Como vocês devem ter percebido, eu coro com bastante facilidade.
— O-obrigada. – Eu dou um sorriso meio sem graça e ele retribui.
— Pessoal, nós estamos atrasados, deixem a paquera pra depois. – Logan fala enquanto pega as chaves do carro e vai empurrando todo mundo porta a fora, eu apenas reviro os olhos e digo:
— Isso tudo é ansiedade para ver a Lele?
— Cala a boca Vio. – Eu dou risada e nós vamos para o elevador. Chegamos na pizzaria por volta de 20h20, obviamente os outros já haviam chegado e começaram a nos xingar quando chegamos.
— Vocês que marcam as coisas e vocês que chegam atrasados, é deplorável. – Grayson diz com uma risada. Precisamos pedir para juntar mais uma mesa para que tenha lugar para todos, assim feito, Logan senta ao lado de Lele e passa o braço nos ombros dela, que não se opõe. Alissa senta ao lado de Logan, Neels senta ao lado dela, Jake e eu nos sentamos nos lugares que sobraram. Eu acabei me sentando de frente para Ethan, ele dirige um sorriso para mim, como quem diz “espero que esteja feliz porque eu te amo e terminei nosso namoro por isso, ainda estou sofrendo, garota”, eu retribuí com um sorriso meio falso de felicidade, mas acho que ele entendeu a mensagem. Nós pegamos batatas, refrigerante, uma pizza grande salgada e uma média doce. Comemos tanto que todos pareciam estar passando mal. Depois de acertarmos a conta, decidimos caminhar. Ethan faz um sinal para que eu fique para trás com ele.
— Então... – Ele começa, coloca as mãos nos bolsos e respira fundo. – como está indo? – Olho para ele e fico pensando durante algum tempo uma forma de dizer para ele que passei quase todos os dias chorando desde que terminamos.
— Bem, eu acho. Quer dizer, eu chorei muito, sabe. Mas os outros me apoiaram, principalmente...
— Jake?
— É. – Mordo meu lábio, não estou me sentindo muito confortável com essa conversa.
— Ele vai fazer você feliz, eu sei. Ele já te faz feliz.
— Como você...?
— Vio, qualquer um que olhar para você quando está com ele, vai perceber isso. E eu sinto muito tê-la feito chorar, de verdade. – Ele me puxa para um abraço.
— Tudo bem Ethan. – Dou um sorriso. – Então, amigos? – Estendo minha mão para ele.
— Amigos. – Ele sorri e aperta minha mão, logo em seguida, bagunça meu cabelo. Ethan, isso não é coisa que se faça. Obrigada. Depois de um tempo caminhando e rindo, voltamos para nossas casas.
(X-x-X)
Sexta-feira, 31 de dezembro. Acordei extremamente cedo hoje e fiquei com muita raiva disso. Às 7h30 da manhã, meu corpo decidiu que seria legal acordar e não conseguir voltar a dormir, fazendo com que eu me sentisse obrigada a levantar e fazer algo. Hoje o dia estava consideravelmente quente, se contar o fato de que era inverno. Coloquei um jeans velho que ia até a metade da canela e estava esfarrapado, um blusão largo do Avicii e prendi o cabelo em um coque frouxo. Subi para a cozinha preparar um café da manhã para mim. Depois, com absolutamente zero coisas para fazer, me joguei em um puff na sala e fiquei olhando minhas redes sociais.
— Bom dia. Dormiu mal? – Desgrudo os olhos do celular para olhar para ele.
— Acordei cedo e não consegui mais dormir. E você?
— Até gosto de acordar cedo, essa brisa matinal é boa. – Ele se senta do meu lado. – Ansiosa para a virada?
— Eu não diria ansiosa. Sabe, é só mais um dia, é uma madrugada que todo ano as pessoas comemoram, não vejo muita coisa nisso tudo.
— Mas esse vai ver. – Ele levanta e me lança um sorriso de canto, eu retribuo o mesmo sorriso.
— O que quer dizer com isso?
— Vai ter que esperar.
(X-x-X)
Acabamos de terminar de lavar a louça da janta e são cerca de 23h. Eu decidi colocar um vestido branco e um tênis Adidas, não sou muito chegada em sapatilhas e sandálias. O que resta fazer agora é apenas esperar meia-noite para soltarem os fogos e comemorarmos.
— Ei, lembra do que eu disse mais cedo?
— Sim, o que tem?
— Vem comigo. – Jake me estende a mão e me puxa do puff. Ele pega as chaves da moto e nós saímos. A idiota aqui esqueceu o casaco em casa, então passei muito frio durante o trajeto de moto. Quando chegamos, eu estou tremendo e vejo que estamos em cima da placa de Hollywood. Bem, não em cima no sentido literal, mas qual é, vocês entenderam. – Tá com frio, branquela?
— N-não, tô b-bem. – Eu estou batendo o queixo, na verdade, sim, eu estou com frio, MUITO frio. Ele dá uma risadinha, tira seu casaco e coloca sobre mim. Ficamos ali, conversando até ser quase meia-noite, quando ele me leva para um ponto mais próximo do letreiro. Logo, os fogos começam, um mais lindo que outro, explodem no ar da mesma forma que uma bomba de chocolate explode na boca. Jake vira para mim.
— Feliz Ano Novo, Branca de Neve. – Ele dá uma risada.
— Feliz Ano Novo, projeto de Ken. – Nós dois rimos e ele me puxa para perto, coloca a mão na minha cintura.
— Eu sei que eu não deveria, mas a gente nunca sabe quando vai ter outra oportunidade. – Então ele começa a se aproximar cada vez mais até nossos lábios se tocarem. Seu beijo tem um gosto doce e é como receber um abraço. Eu o correspondo, talvez eu não deva, mas qual é, ano novo e ninguém precisa saber disso mesmo. Ficamos ali nos beijando, iluminados pelos fogos de artifício e ouvindo o som de comemoração das pessoas.
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