Madama Butterfly
2 Capítulo 2
Notas iniciais
*O trocadilho com o nome Sharpless é feito por Pinkerton para Shameless, que significa Sem-vergonha. 'Tenderam ? XD
** Os nomes originais dados aos servos são :
Para Suzuki : Miss Nuvola leggiera.
Para um servo: Raggio di sol nascente.
Para outro: Esala aromi.
Pinkerton observava impressionado as “paredes deslizantes” de sua nova casa na colina: “Se eu quiser deixar minha cozinha maior é só empurrar essa parede e... Puff!” — Pensava ele. A vista de onde ele estava era esplendorosa! A tal casa na colina permitia uma visão privilegiada do porto de Nagasaki e do mar.
Estava ficando impaciente com a demora do corretor matrimonial e imobiliário Goro, ele teria ido buscar os servos para apresenta-los ao tenente, mas estava realmente atrasado. Estava quase desistindo de esperar quando aquele homenzarrão pigarreou atrás dele: Sharpless, o cônsul dos Estados Unidos no Japão e também (e primeiramente, como ele gostava de citar) seu grande amigo.
- Pink! – Fez graça com o nome do seu amigo – É tão bom vê-lo meu caro amigo! Que me diz dessa casa e noiva gueisha? O grande Pinkerton vai finalmente sossegar?
- *Shameless! – devolveu a piada – É sempre bom ter sua presença, mas achei que após todos esses anos você me conheceria melhor... Sossegar? – riu alto.
- Que quer dizer? Não vá me dizer que não está levando esse casamento a sério homem!
- Os contratos aqui no Japão são bem flexíveis, não acha? Meu contrato é de 999 anos podendo ser cancelado por mim todo fim do mês... Whisky?
- Não, obrigado. Pinkerton, os sentimentos dessa jovem são sinceros... Faz ideia do quanto irá destruí-la se você simplesmente a descartar em um fim de mês qualquer? Jesus! Ela é uma pessoa, pare de agir como se ela fosse um brinquedo japonês...
- Haverá o dia, meu caro Sharpless, em que me casarei de verdade com uma americana e nesse dia festejaremos uma união eterna! Um brinde! – ignorou o que o amigo disse dando-lhe mais whisky. Brindaram.
- Com licença senhores! Senhor Cônsul! Tenente! – Aquele bizarro homenzinho cheio de trejeitos fez uma reverência exagerada a eles .
- Goro! Finalmente! Achei que já não mais queria fazer negócio com este pobre Tenente – disse Pinkerton, com o maior sarcasmo possível.
- Ora, mas é claro que quero! Oh não! Como desfazer uma promessa? Sim, Sim! O acordo será cumprido senhor! – disse Goro beirando o desespero, sem perceber o sarcasmo do Tenente.
Pinkerton riu gostosamente até lagrimar, Sharpless ficou sério, enojado com a atitude do amigo.
- E onde estão os tais servos Goro?
Goro bateu palmas duas vezes e uma moça de aparência simples, vestida com roupas bonitas demais para servas entrou acompanhada de dois rapazes fortes e belos, se ajoelham sutilmente curvados, como reverência aos presentes. Eis Suzuki e os outros empregados.
- **Esta é a senhorita Brisa suave da manhã, serva leal de sua noiva. Como pode ver está muito bem vestida, prova da generosidade de Cio-Cio-San. Este é o rapaz Raio de Ouro do Sol e este é o senhor Pinheiro Perfumado.
Suzuki quase riu quando ouviu e entendeu o nome em inglês designado ao seu colega, mas sabia que jamais poderia fazer isso.
- Que nomes mais bobos! Francamente, jamais vou me lembrar! Vou chama-los de espantalhos! – disse com um largo sorriso, e começou a apontar um a um – Espantalho Primeiro. Espantalho Segundo e Espantalho Terceiro. Lindo e rápido!
Sharpless não conseguiu conter uma risada com a bendita idiotice do amigo, mas ainda assim achou muito errada sua atitude.
Suzuki-San aproveitou a deixa dos sorrisos para deixar os americanos impressionados com seu vasto leque de elogios, fazendo uma longa e floreada declaração aos sorrisos de Pinkerton. Goro, ao ver que Pinkerton estava entediado, faz sinal para que os servos saiam, e os mesmos obedecem.
- Goro, onde fica o local do casamento? – Pinkerton ainda curioso com a arquitetura do local.
- Ali, senhor – aponta para um local delicadamente decorado com flores de cerejeira no chão – e logo ali, o seu quarto com Cio-Cio-San.
- Aberto?? – Indignou-se – Como assim aberto? Não há portas nesse país?
- As paredes deslizantes servem para isso senhor, basta arrastar uma para que seu quarto seja fechado, com privacidade.
- Ah sim... Entendi... – responde depois de um tempo puxando e empurrando distraidamente a parede — Goro? – que o deixara sozinho com sua “bizarrice ocidental”
- Estou vendo a chegada da noiva senhor!
- Já Está tudo pronto? – Surpreende-se.
- Sim senhor, não acha melhor ir até lá?
Notas finais
Eis a letra na Ópera:
"Sorride Vostro Onore?
Il riso è frutto e fiore.
Disse il savio Ocunama:
dei crucci la trama
smaglia il sorriso. Schiude alla perla il guscio,
apre all'uomo l'uscio
del Paradiso.
Profumo degli Dei...
Fontana della vita...
Disse il savio Ocunama:
dei crucci la trama
smaglia il sorriso".
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