Mad World
1 00:Blood on my name.
Notas iniciais

Para Helena, seu irmão murmurava palavras desconexas enquanto dormia, porém, já estava acostumada com o fato. Seus sonhos conturbados a irritavam mais do que o normal nos últimos dias. O estresse e cansaço tomava conta do corpo da mulher, devido os treinamentos excessivos, mas ela não poderia fazer nada sobre. Decidiu levantar da cama, colocando um robe por cima de seu pijama e calçando os chinelos.
— Diego, eu já volto. — murmurou, sabendo que ele iria respondê-la, mesmo que dormindo em sono profundo.
— Sim, eu sei disso, mãe.
Helena riu, achando ridículo o fato de seu irmão gêmeo, confundi-la com a mãe de ambos. Abriu a porta com cuidado, encarando o corredor escuro e vazio. A base se tornava sombria durante a madrugada, com alguns seguranças fazendo ronda entre os corredores. Indo em direção a cozinha, cumprimentava um ou outro agente ainda em seus deveres, ignorando qualquer pergunta que pudesse ser levantada. Não costumava perambular por aquele horário, mas pensou que um copo de leite poderia ajudá-la a dormir em paz.
— Warshawiak, o que está fazendo aqui? — Daryl, o segurança particular de seu pai, apareceu do nada, encarando-a de modo curioso. — Meio tarde para dar um passeio, não?
— Eu que o diga. — rebateu, entrando no cômodo e acendendo as luzes, deixando sua vista incomodada por alguns segundos. — Sem sono?
— Pode-se dizer que sim. — o loiro concordou com a cabeça, sentando-se num banco. — Você?
— Diego não para de falar. — suspirou, seguindo caminho até a geladeira e pegando o líquido desejado. — Dividir o quarto com ele, não tem sido uma boa ideia.
Desde criança, ouvia os murmúrios do irmão através da parede que separava o quarto dos dois. E para piorar a situação, ele também era sonâmbulo e muitas vezes foi encontrado dormindo no chão do corredor ou parado em frente ao banheiro, gritando coisas desconexas sobre outros seres na galáxia. Para evitar problemas, Diego passou a ter aulas particulares em casa, já que ninguém sabia exatamente quando iria “surtar” e o que estava acontecendo com o garoto.
— Então mude de quarto. — Daryl deu os ombros, observando cada movimento da mulher. — Não é só isso que está impedindo seu descanso, não é?
— Não faça isso, te conheço o suficiente para saber que está tentando vasculhar minha mente.
— Não fiz absolutamente nada, Helena. — levantou, indo em direção a morena irritada. — Você que permitiu.
— E já estou me arrependendo disso. — resmungou, empurrando o telepata.
— É o Sargento Barnes que está tomando conta dos seus pensamentos? — perguntou.
Zola congelou. Ouvir esse nome ainda lhe causava pesadelos e autopunição. Se passaram dois anos e ainda não era capaz de perdoar a si mesma, não era capaz de acreditar que o homem americano passava dia e noite numa câmara criogênica no laboratório. Bucky a fazia lembrar do passado e das escolhas erradas que tomou no meio da guerra. Ela poderia ter fugido ao lado do Capitão América e seu melhor amigo, ter uma nova vida, uma profissão e no futuro, quem sabe, uma família. O seu coração falou mais alto e decidiu continuar do lado dos vilões e proteger o irmão gêmeo, sabia que o Caveira Vermelha jamais o deixaria em paz, pelo menos não com os seus dons.
— Pensei que não se abalasse mais, estou vendo que estava errado. — riu, tocando levemente o ombro de Helena. — Você o ama?
— Ele é uma máquina, Browning, como eu poderia? — sussurrou, lembrando-se de cada missão já executada pelo Soldado Invernal. — Meu pai o transformou numa máquina, se bem me lembro.
— Não muda o fato que seu coração bate mais forte ao ouvir o nome dele. — constatou. — É arrependimento ou amor?
— Sabe muito bem que o salvaria, se pudesse.
Saiu da cozinha, deixando o homem que ainda tentava vasculhar sua mente sem ser percebido. Prosseguiu seu caminho até o andar de cima, andando rapidamente na escada para se livrar do mesmo. Fazia meses que estavam nesse joguinho, perturbando um ao outro, imaginou que fosse a pedidos de seu pai. Arnim Zola não deixava nada escapar, muito menos sua filha mais nova em busca de vingança. Helena sentia necessidade de se vingar, acabar de uma vez por todas com a HYDRA, destruir cada pedacinho da organização que arruinou sua vida.
O laboratório encontrava-se no último andar do antigo prédio, ocupando o andar inteiro com experiências fracassadas e outras nem tanto assim, deixando um rastro de sangue e podridão por todos os cantos. Respirava pela boca, tampando seu nariz com a mão, enjoada com o cheiro forte de corpos em decomposição. Seus olhos reviraram com o estado do local, pensando que deveriam dar um jeito urgentemente. Ao chegar na última sala, pegou a chave mestra do bolso de seu robe, onde a escondia para não levantar suspeitas.
— Esse lugar é uma merda. — resmungou, trancando a porta por dentro e indo até as câmeras no meio da escuridão, desligando-as por alguns instantes. Depois da conversa de minutos atrás, precisava checá-lo, para saber se tudo estava bem. — Está na hora de acordar, soldado de chumbo.
O relógio na parede indicava três horas da manhã, o horário perfeito para acordá-lo sem que ninguém soubesse. Estava ciente de que Daryl poderia ter seguido-a, mas não iria dar para atrás agora, não com o homem congelado na sua frente. Aplicando uma quantidade de força na porta com as mãos, conseguiu abrir a câmara de primeira, sentindo o vapor gelado tomar conta do ambiente.
James Barnes, ou mais conhecido como Soldado Invernal, usava uma máscara para cobrir metade de seu rosto e um óculos para cobrir os olhos, mas para Helena, nada a faria esquecer suas orbes azuis. Seu cabelo crescia depressa, porém Arnim não deixava que a filha o tocasse de maneira alguma, dizendo que armas não necessitam de toques pessoais. Apesar do frio, seus braços descobertos não tremiam e por alguns segundos, o homem não teve nenhuma reação sequer, deixando-a preocupada.
— Soldado? — proferiu, se aproximando do corpo delicadamente, já que movimentos bruscos o assustava. — Você está bem?
— Quem é você? — sussurrou, tendo dificuldades para reconhecê-la com clareza. — Não me lembro de tê-la visto antes.
— Sou a agente 03, soldado. — abriu espaço para que ele pudesse passar. — Estou encarregada do programa Soldado Invernal.
— Outros serão criados? — sua cabeça doía, o fazendo sentar em um dos bancos e massagear suas têmporas.
— Não, pelo menos não por enquanto. — negou, ajeitando suas luvas e indo procurar aspirina na caixa de remédios. — Toma, isso vai te ajudar.
Ambos passaram alguns minutos calados. O homem queria saber o que se passava na cabeça da mulher, que agora não parecia tão desconhecida. Suas memórias iam e voltavam com o tempo, algumas vezes se lembrando de Steve e outras de Helena, apesar de quase nunca citar o nome dela, Arnim já havia avisado os cientistas para apagar qualquer resquício da filha na mente do soldado.
— Suas luvas… por que usa ela? — perguntou, observando o acessório de couro preto atentamente. — Não está frio, agente 03.
— Não é para me proteger do tempo, soldado. — afirmou, suspirando. — É para a proteção de outras pessoas.
Odiava dar explicações sobre o assunto, principalmente sobre os seus dons, mas era necessário, caso quisesse conquistar a confiança de Barnes.
— É algo complicado, talvez um dia possa te explicar.
Bucky não a respondeu, porém, ficou em alerta ao ouvir um barulho no corredor, levantando e indo até a porta. O vidro embaçado impediu sua visão e Helena também foi até a porta.
— Fique aqui. — pediu.
Ao sair, deu de cara com Diego em seus pijamas e cara sonolenta. Revirou os olhos, vendo que ele a perseguiu, seja lá qual fosse o motivo para tal.
— O que está fazendo aqui, Lena? São três horas da manhã. — bocejou, tentando espiar a sala. — Não me diga que o acordou.
— E se tiver? O que você tem com isso?
— Helena, você realmente está me fazendo essa pergunta numa hora dessas? — franziu o cenho, pronto para dar um sermão na irmã. — Porra, não tem como você esquecer esse assunto de uma vez? Faz mais de dez anos e você ainda não superou.
— Ele é a minha única chance, Diego. — resmungou. — A nossa única chance de acabar com tudo isso, de finalmente se vingar.
— Deixe de ser obcecada, Helena! — esbravejou. — Essa obsessão por vingança vai lhe custar caro qualquer dia desses.
Não queria admitir que passava uma boa parte de seu tempo tramando algo contra a organização e tentando mexer os pauzinhos para que tudo desse certo. Acontece que ela necessitava da aprovação do irmão, não conseguiria fazer tudo sozinha, precisava de apoio.
— Volte para a cama, por favor. — ele pediu. — Vou apagar as memórias dele e colocá-lo de volta na câmara.
— Diego…
— Não, Helena! Não ficarei quieto vendo você se afundar, entenda que estou fazendo isso pelo seu bem. — suspirou. — Fique longe de James Barnes, é o melhor para você e para ele também. — passou na frente da mulher, empurrando-a com o braço. — Pense no que Arnim pode fazer, se descobrir que vocês dois estão se comunicando?

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