Notas iniciais
Nenhum dia é igual ao outro se você cresce cercado de motoqueiros. Há sempre algumas coisas que, mesmo sendo praticamente rotina, não deixam de te surpreender. Há sempre segredos e coisas que alguém não deveria saber, mas sabe sem que ninguém saiba. Tem sempre alguma tensão desnecessária. Tem sempre um monte de perigo e confrontos. Tem sempre uma assustadora quantidade de conflitos aparentemente não justificados, ou simplesmente seletivamente inexplicáveis.
A vida no clube representa o lado negro da vida de Mackenzie desde que ela tinha onze anos. Desde que sua mãe faleceu, deixando-a sozinha com ninguém além do seu pai.
Não leve a mal, ele era um bom pai, a vida que vinha com ele que era incrivelmente desagradável. Mack o adorava, mas nunca realmente pode tê-lo. Primeiro porque ele tinha uma família; uma esposa, dois filhos. Segundo, porque a família de seu pai a odiava. Em terceiro lugar, ele tinha o seu moto-clube para cuidar, e como bom presidente que era, dedicou enorme parte do seu tempo ao clube.
The Diamonds Dash.
Três palavras que podem parecer sem sentido se você não mora em São Francisco, Califórnia, ou em qualquer lugar ao redor. Para a sociedade, um grupo perigoso de páreas; para a igreja, os maiores pecadores, agentes do próprio coisa ruim; para as autoridades, um calo no dedão do pé; para a polícia, eternos suspeitos; para a vizinhança, um sinal de proteção ou destruição, a depender do dia. Para os inimigos, perigo mortal. Para Mack, uma corrente de presidiário.
Aquela desagradável liga de metal que te mantem preso; grande o suficiente apenas para que você possa se movimentar, para que tenha a falsa ilusão de liberdade, mas que no fim das contas não te deixará ir a lugar nenhum. Que te controla, e quanto mais você tenta se distanciar, quanto mais liberdade você pensa ter conseguido, quanto mais longe você for, maior será o inevitável puxão de volta.
Mack estava vivendo o momento do puxão, e por mais que tentasse resistir bravamente, a força da corrente era maior que ela. Nesse caso, não metaforicamente.
O homem parado a sua frente tinha mais de trinta centímetros de altura do que os seus um e sessenta e dois. Ele também tinha um pacote inteiro de músculos que não vieram incluídos no designe de Mack, sem falar em um humor particularmente desagradável. Algumas vezes ele poderia ser considerado mais besta do que homem.
Essa era uma delas.
Jason Asher estava além de chateado nesse momento. Lívido, puto da vida.
Mack assistiu ele dobrar os braços musculosos sobre o peito, igualmente musculoso, fazendo as mangas de sua camisa preta prestes a explodir de tão esticadas. Sua mandíbula construída, puramente masculina, tinha dois dias de barba marcando um sombreado espesso preto, que apenas servia para acentuar o quão duramente seu queixo estava travado. Seu cabelo, tão preto quanto o céu à noite, estava amarrado para trás, sobre sua nuca, para manter o comprimento de roçar o seu rosto.
Ela desviou o olhar com certa dificuldade, xingando-o mentalmente. Era injusto que ele fosse tão bonito, ficava difícil ignora-lo quando preciso.
O executor fodão do moto-clube estava parado de pé na frente do balcão de bar onde Mack estava trabalhando, numa tentativa de intimida-la a obedece-lo.
Ela estava do outro lado do balcão, segurando uma garrafa de burbom numa mão e um copo na outra, mantendo seus olhos propositalmente longe de sua figura intimidante. Era, possivelmente, a única mulher na porcaria do bar que não estava olhando para ele, mas era a única para quem ele estava olhando.
Jason queria que Mack fosse com ele.
Mack não gostava de onde ele queria leva-la.
Vinha aproveitando o tamanho da sua corrente de prisioneira, trabalhando dois turnos no bar apenas para se manter ocupada enquanto o semestre de primavera não começava, e manter um pequeno cubículo, que gostava de chamar de lar. Não era muito, realmente. Um quarto minúsculo, com uma cama minúscula, uma cozinha menor ainda; um banheiro tão pequeno que, se ela abrisse os braços, atingia as duas paredes com sobras. Mas não importava, porque, do tamanho de uma caixa de fósforo ou não, era dela. Apenas dela.
Desde que seu pai morreu, seis meses atrás, vinha aproveitando o que gostava de chamar de liberdade. Mesmo sem nenhuma perspectiva de futuro para além do agora, Mack saiu da casa onde cresceu sem olhar para trás. Não tinha nada mais que a prendesse aquele lugar. Não tinha ninguém que ia sentir sua falta. Não tinha ninguém que fosse querer leva-la de volta, não seus meios-irmãos, não os membros do clube.
Ninguém, exceto ele.
Mack, continuando a ignorar a figura imponente parada na sua visão periférica, colocou o copo de vidro que segurava na frente de um de seus clientes regulares, despejou uma dose do liquido âmbar, antes de escorregar o copo para frente. Ted, um homem gorducho e um pouco calvo, que tinha por volta dos cinquenta anos de idade, puxou uma nota de dez dólares do bolso de sua camisa de botão e segurou para ela antes de agradecer com um sorriso.
— Obrigado, querida — disse.
Mack piscou para ele antes de ir até o caixa, descontar o valor de sua bebida e colocar a diferença no bolço. As noites de sexta traziam as melhores gorjetas e ela estava feliz de ter sido escalada para esse turno, afinal, precisava comprar sapatos novos. Os seus estavam gastos. Possuía apenas um único par que levou quando se mudou. Eram botas estilo coturno, e elas estavam pedindo arrego de suas horas de trabalho.
Mack serviu mais uma cerveja a Ronald, outro cliente regular, e umas doses de tequila para o grupo de meninas da sua idade que estava fazendo uma algazarra enorme no lado do bar onde trabalhava, provavelmente por causa do motoqueiro gigantesco brincando de estatua bem perto delas, que abertamente o admiravam. Não que pudesse culpa-las por olhar, pensou, antes de pegar um pano e começar a limpar algumas partes do balcão. Estava propositalmente de cabeça baixa, assistindo distraidamente o movimento da sua própria mão com a flanela amarela como se fosse a coisa mais incrivelmente fascinante que tinha visto o dia inteiro. A verdade é que ela estava fortemente decidida a evitar Jason. Ela sabia disso tão bem quanto ele.
Jason não permitiria isso, no entanto. Se movendo com destreza, deu a volta no bar para alcançar Mack. Ela não reparou que ele tinha se movido para mais perto, para detrás do balcão, até que uma mão enorme segurou o seu pulso, parando qualquer movimento que tinha sua atenção. Mack deu um pulo assustado, antes de ficar ciente de quem a segurava e então xinga-lo.
Para alguém tão enorme, Jason se movia muito graciosamente.
A pegada dele no braço de Mack não era forte, mas firme, para que ela não tivesse chance de se desvencilhar. Não que ela não tenha tentado, de qualquer forma.
— Mackenzie — sua voz profunda chamou. O tom de Jason era gelado, e ainda assim, tão quente quanto o inferno maldito quando falou com ela. — Olhe para mim — exigiu.
Mack não podia evitar o arrepio que passou pelo seu corpo; não era capaz de controlar nenhuma reação física do seu corpo a Jason, a sua voz, a seu toque. Nunca foi. Mas se tinha uma qualidade que Mackenzie Jones prezava, era a determinação; ou, como Jason gostava de apontar, teimosia. Mesmo com todo seu corpo implorando para ceder ao toque de Jason, Mack pensava diferente. Havia muitas coisas sobre as quais ela não podia tomar ciência com a presença intimidante de Jason Asher, felizmente sua teimosia/determinação não era uma delas.
Ela não olhou para ele.
A outra mão de Jason foi rápida em resolver esse problema quando segurou sua mandíbula, forçando-a a encontrar seus olhos. Assim como o aperto no braço, não machucava, mas era determinado.
Mack podia ser tão teimosa e determinada quanto Jason, mas ele era maior e mais forte do que ela.
— Eu disse: Olhe. Para. Mim. — Jason rosnou, marcando cada palavra. E assim, Mack, literalmente, não tinha nenhuma escolha.
Os olhos castanhos dele estavam flamejantes de raiva, mas não era a única coisa queimando lá, Mack percebeu.
Havia desejo.
Puro, carregado e cru, como sempre esteve lá, em cada ocasião que ele olhou para ela a partir do dia em que se conheceram, no décimo quinto aniversário de Mack.
Ela não gostava de encarar os olhos dele, porque todas as vezes que fazia, era o mesmo, e, não importa quantas vezes ao longo do tempo ela tenha dado a Jason chance de consumar o desejo que estava explicito em seu olhar, nenhuma vez ele fez, além de uma única fatídica noite.
— Eu já disse a você — Mack cuspiu em tom ríspido, seguido por um bufo que era um misto de cansaço e impaciência de sua parte. — Eu estou trabalhando.
Jason retribuiu as palavras com um olhar gélido.
— Eu já disse a você, eu não me importo.
— Jason — tentou mais uma vez, suavizando a voz para um tom que geralmente fazia ele ouvir, mas ele a cortou de pronto.
— Não, Mack. Não me venha com esse tom doce de gato que comeu o canário — rosnou. — Não há discussão nesse ponto. Você vem comigo nem que eu tenha que carrega-la sobre meus ombros. Eu não estou arriscando sua segurança apenas porque você decidiu ser mais difícil que o normal hoje.
Mack suspirou observando o olhar determinado no rosto dele. Ela conhecia Jason a tempo suficiente para saber que ele é tão osso duro de roer quanto ela e que não ia se livrar dessa facilmente. E, tanto quanto não queria ir com ele, Mack sabia que Jason faria exatamente como ameaçou, caso ela não concordasse em segui-lo de boa vontade.
Não a impediu de tentar uma última vez.
— Por favor, Jay, eu preciso desse emprego. Eu não posso simplesmente abandona-lo no meio do expediente. Essa coisa não pode esperar até que eu termine aqui?
Jason olhou para ela com olhos mais serenos após a forma como o chamou. Mack sabia que era um apelido especial para ele, apenas um grupo seleto de pessoas o chamava assim, mesmo em sua família. Ela também estava mais que ciente de que, além de sua irmã, era a única menina que ele permitiu chama-lo dessa forma.
Jason deixou o braço cair do rosto dela, apenas para que ele pudesse passa-lo pelos cabelos, em seu típico gesto de frustração.
— Porra, Mack, você não precisaria desse maldito emprego se você voltasse para casa.
Nesse caso, a palavra casa era sinônimo de sede do The Diamonds Dash Motorcycle Club.
— Lá não é minha casa — Mack discordou rapidamente, usando de todo seu honesto sentimento impresso em seu tom de voz determinado.
Jason tinha certeza de que sua determinação era forjada de uma profunda mágoa, mas não comentou isso.
— É claro que é — foi rápido em replicar e, em seguida, colocou a mão sobre a boca dela, para que não pudesse argumentar. — Vamos falar sobre isso mais tarde, eu estou ficando sem tempo e eu ainda tenho que te levar para o clube antes de sair para a corrida dessa noite. Tire a droga do avental e siga-me. Eu prometo que deixo você discutir comigo em outra ocasião.
Mack ainda não queria ir com ele, e no momento em que ele baixou a mão que cobria sua boca, ela começou a argumentar, de novo. Jason lhe deu uma olhada trocista, mas não teve a oportunidade de professar todos os xingamentos que passaram em sua estupida mente, nem de latir mais ordens a Mack. Rory, a dona do bar onde ela trabalhava, surgiu ao lado deles, chamando a atenção de ambos.
Mack não gostou da compreensão que viu estampada em suas feições, muito menos das palavras que acompanhariam aquela expressão em particular.
— Escuta, garota — Rory disse, encarando-a —, faça o que homem diz. A última coisa que eu preciso é que um motoqueiro faça uma cena no meu bar hoje à noite. Se ele diz que sua vida pode estar em perigo, eu tenho certeza que ele quis dizer isso. Além do mais, nós duas sabemos sob quais cenários as quarentenas são convocadas em moto-clubes, não são situações para se brincar — advertiu.
— Aí é que está a coisa, Rory, eu não sou parte do estupido moto-clube. Não há uma alma naquele lugar que se importe comigo, então, que diferença faz se eu estou segura ou não? Seus estúpidos inimigos não conseguiriam me usar para chantageá-los de forma alguma. Eu vou ficar bem.
Rory olhou para Mack como se ela fosse estúpida.
— Não fale um monte de besteiras, garota. É claro que, se ele está aqui — disse balançando o ombro em direção ao homem enorme parado ao lado —, é porque alguém se importa.
Mack suspirou, exasperada.
— Ouça a mulher, ela é claramente mais sábia que você — Jason rosnou no ouvido dela.
Ela, por sua vez, lançou um olhar hostil na direção dele, mas aceitou a derrota. Mack podia lutar com Jason o resto do dia, mas não podia lutar com Jason e Rory.
Retirando o avental, ela pendurou junto com os outros e alcançou sua mochila antes de retornar para perto dos dois, ainda com um semblante que deixava transparecer sua não satisfação em obedece-los. Mack nunca foi boa e agradável com essa coisa de obedecer.
Acatando sua derrota, Mack abraçou Rory quando chegou perto dela, já forçadamente conformada.
— Tenha cuidado, qualquer que seja a merda da vez, deve ser séria — advertiu à senhora levemente robusta.
Rory soltou um bufo irônico.
— É sempre sério com eles. E não me venha com avisos como se eu fosse uma novata, Mackenzie Jones — repreendeu. — Eu não fui quarenta anos casada com um motoqueiro para não saber das coisas.
Jason sorriu mediante a bravata da mulher mais velha parada a sua frente, ao mesmo tempo se perguntando como diabos seu marido lidou quarenta anos com seu temperamento. Rory Miller era uma das mulheres mais duronas que ele já teve o feliz prazer de conhecer, e mais teimosas também.
Mack riu, captando a atenção de Jason quase que completamente em um instante. Era um dos sons que Jason mais amava ouvir, gostava de comtemplar o seu sorriso de menina bonita também. Jason desejava que Mack fosse sempre assim, toda sorrisos, mas antes que ele pudesse sequer aproveitar um pouco mais de sua expressão abertamente feliz, ela se virou para ele, já com uma carranca.
— Se não tem jeito, então vamos — disse mal-humorada.
Foi a vez de Jason se fechar em sua própria expressão carrancuda.
Ele não entedia a relutância de Mack em ir com ele e sua luta para manter-se longe de casa. Não aquela espelunca que ela vinha chamando de casa, mas a sede do clube, onde ela sempre pertenceu.
Bem, não sendo totalmente hipócrita, ele fazia alguma ideia, mas a verdade é que Jason detestava a mera menção de que ela estava sozinha, naquele lugar de vizinhança duvidosa, voltando para casa as duas da manhã depois de ter se matado de trabalhar. Não gostava do fato de que ele não podia protege-la, e de que ela não estaria disponível para que pudesse vê-la a qualquer hora do dia.
Não gostava de olhar para o corpo de Mack e ver como ela tinha perdido peso por conta das horas de trabalho duro, e fodidamente odiava como ela parecia cansada.
Mas principalmente, Jason odiava que ela estava desprotegida e disponível para qualquer filho da puta dar em cima dela ou, Deus os livre, machuca-la. No clube, as pessoas sabiam que não devem olhar, cobiçar ou tocar no que Jason considera seu. Não sem uma retaliação.
E Mack era dele.
Os fodidos bêbados no bar onde ela trabalha, ou não sabiam ou tendiam a esquecer. E, honestamente, ele estava cansado de gastar suas horas vagas apenas sentado lá, distribuindo olhares de aviso.
Jason não via a hora que ela fosse velha o suficiente para que ele pudesse colocar um título de senhora sobre ela. Tinha absoluta certeza de que a frase “propriedade de ASHER” bordada em um colete com o emblema do clube espantaria qualquer tipo de olhar para longe de sua menina.
Balançando a cabeça para se livrar de qualquer pensamento, que não o de leva-la para a segurança do lar, ele olhou para Rory e lhe deu um sorriso, mais que agradecido por ela ter interceptado o terceiro round de sua luta com Mack. Rory devolveu o sorriso.
Jason adorava Rory, ela era como uma tia para ele. O marido dela, Rett, faleceu a um ano e meio, mas ele era como o pai que Jason nunca teve. Ele sentia falta do velho, e estava agradecido que ainda tinha Rory em sua vida, e que ela não mudou nada depois que Rett se foi.
Ele piscou para Rory, antes de falar: — Esteja segura, Ror. Qualquer movimentação suspeita é só me ligar.
Ela apertou os olhos em sua direção.
— Não venha você também, garoto. Eu sei muito bem me cuidar, e não preciso de ninguém além da minha Betsy — falou enquanto acariciava algo por debaixo do balcão.
Jason riu. Betsy não era “alguém”, a menos que você pudesse chamar assim uma espingarda calibre vinte de cano duplo.
— Só reiterando, Ror. Só reiterando — garantiu com um sorriso, antes de puxar Mack para fora do bar. O que ele menos precisava era que Mack resolvesse começar uma quarta rodada de discussão.
—--
Mack encarou a moto preta de aparência mortal uma vez antes de voltar o olhar para o homem enorme parado imponentemente atrás dela.
— Eu não posso ir no meu carro? — Questionou, lançando um olhar saudoso para o seu lindo carro velho reformado, que tinha sido um presente do seu pai. — Eu não quero deixa-lo aqui.
Jason suspirou.
— Não — ele falou cansado. — E não comece outra rodada de discussão, meu doce, eu realmente não tenho mais tempo.
Mack fez o que ele pediu e manteve a boca fechada. Quando ela apenas o encarou, Jason levantou uma sobrancelha, claramente surpreso, mas não disse nada. Ele alcançou um capacete, o capacete dela, Mack percebeu com espanto, e colocou em sua cabeça, antes de começar a tirar sua jaqueta de couro e segurar para ela.
— Vista — demandou —, a última coisa que eu preciso é que você pegue um maldito resfriado.
Mack fez uma careta. — E você?
Os lábios deliciosos e tentadores de Jason formaram um pequeno sorriso de canto quando ele olhou as feições dela. — Eu vou ficar bem — afirmou simplesmente antes de jogar uma perna sobre sua máquina poderosa e liga-la. — Vamos lá, meu doce, suba na minha garupa.
Ela fez, e no momento em que sua bunda pousou no assento, Jason alcançou ambos os seus joelhos e a puxou para mais perto. Mack suspirou, e então envolveu seus braços envolta dele, quase sufocando com a sensação de familiaridade. Jason segurou uma de suas mãos na dele, forte e calejada, e levou aos lábios para um beijo que aqueceu até a última partícula do corpo de Mack.
Porra, ela pensou. O homem a afetava. Afetava pra caralho, e ele sabia disso.
Ela gemeu baixinho, não podendo se controlar de envergonhar a si mesma, e sentiu ele vibrar contra o seu peito, quando riu. Então ele devolveu a mão dela para o local certo, sobre seu estomago duro e definido, e acelerou a moto, arrancando noite a dentro.
Agora, Mack suspirou de uma forma boa.
Essa era a grande questão de ela não ter discutido para subir na moto quando Jason lhe disse para fazer: Mack adorava, mais do que gostaria de admitir em voz alta, andar eu sua garupa.
Tipo, muito.
—--
Mack não sabia em que se concentrar durante o caminho do bar até o complexo que abrigava uma das sedes do moto-clube. Ao mesmo tempo em que adorava estar na parte de trás de uma moto, com vento soprando seus cabelos onde o capacete não pegava, ela amava demais o corpo no qual estava firmemente pressionada.
Adorava a forma como seus músculos se apertavam e retesavam debaixo da camisa quando ele pilotava sua moto; amava ter as coxas envolvidas nele; e amava sentir o ronco do motor debaixo dela. Era uma sensação poderosa que apenas rivalizava com a de liberdade que voar em alta velocidade garantia.
Jason sabia disso, de ambas as coisas, e ele as usava para provoca-la, e a cada vez que Mack ousou focar sua atenção apenas nas paisagens e no vento no seu cabelo, ele a trouxe de volta para ele com toques maliciosos, na perna dela, pelo seu braço...
Como ele conseguia fazer isso e pilotar a velocidade em que estava, Mack não sabia, mas ele fazia bem; e no momento em que atravessaram os portões metálicos do clube, Mack estava pronta para implorar que ele a levasse, no mal sentido.
Jason sabia disso também, o sorriso bastardo no rosto dele era prova suficiente.
Ele estendeu a mão para trás e ajudou Mack a descer, antes de fazer o mesmo; então ele se virou para ela e a estudou. Jason adorava provocar Mack, apenas para que ele pudesse apreciar o resultado disso. Ele amava ver a chama de desejo nos olhos dela, como agora, e gostava de saber que era para ele.
Sempre era só para ele.
E, apesar disso, ele não fazia nada a respeito. Mack estava frustrada, mais que cansada de esperar que ele tomasse uma atitude com ela.
— Você sentiu falta disso, não, meu doce? — ele respirou no ouvido dela, apreciando a forma como ela arrepiou — sentiu falta de pressionar seu corpinho apertado contra o meu?
Ele estava perto dela, seu corpo apenas brincando de roçar contra o de Mack. Ela respirou fundo, tentando se manter sobre controle, mas se arrependeu na sequência. O cheiro dele era tão bom, muito, muito bom; e fez Mack fechar os olhos e ter de travar os joelhos para não cair em uma poça desejosa aos pés dele.
Jason levou as mãos envolta da cintura dela, como se soubesse que Mack estava prestes a cair se ele não a segurasse. Então ele riu no ouvido dela, baixo, sexy e gutural. A pele ao longo do pescoço de Mack se arrepiou ainda mais e ele deu um beijo lá, ao mesmo tempo a puxando mais perto do seu corpo.
Mack deitou a cabeça no peito dele e suspirou, cedendo. Jason rosnou e, se possível, a puxou mais apertada contra ele.
— Porra, Mack, eu senti sua falta pra caralho.
Ela bufou uma risada tremula, ainda com a cabeça enfiada contra o peito dele.
— Você vai até o bar me ver todos os dias — apontou.
Ele grunhiu, irritado. — Não é a mesma coisa de ter você em casa todo dia, porra. Você sabe que não.
Ela levantou a cabeça, dispersando um pouco da névoa sobre a qual ele a mantinha com sua proximidade. Jason não pareceu feliz, mas ele raramente estava feliz com alguma coisa, de forma que ela prosseguiu. Ele podia ser o senhor Fodão para o clube, mas ela não tinha um pingo de medo dele. Mack o desobedeceu e irritou todo o momento desde que eles se conheceram, e Jason não esperaria nada menos dela.
Mack levantou as mãos até seu peito e empurrou, numa tentativa patética de fazer ele se afastar. Jason não se mexeu um centímetro do lugar. Ela bufou, frustrada, e forçou sua cabeça para trás e para cima, com o objetivo de encontrar os olhos dele. Era o mais longe que ela iria se Jason não quisesse solta-la.
— Não comesse de novo — avisou olhando nos olhos dele.
Jason xingou sob sua respiração, mais que um pouco irritado com a relutância de Mack em não discutir esse assunto. Ela não podia mais lidar com as coisas no clube, e Jason não entendia, porque o clube era toda a vida dele, e ele amava pra caralho. Mas Mack queria algo diferente, de preferência, o mais longe do MC que ela pudesse se colocar.
Jason lançou a Mack um olhar feroz, que carregava iguais partes de raiva e desejo. Ele levantou suas mãos enormes da cintura de Mack e deixou que elas afundassem no cabelo dela, enquanto pressionava suas testas juntas. Estavam a um centímetro de distância e Mack pôde sentir a respiração dele quando resmungou — Você é tão incrivelmente frustrante.
Os lábios de Jason roçaram sobre os dela, apenas uma leve carícia, como uma brisa. E assim, mesmo cansada pra caralho desse joguete, se ele empurrasse para Mack, ela empurraria de volta para ele.
— E o que você vai fazer sobre isso? — Questionou antes de lamber os lábios para provocá-lo.
Jason rosnou e Mack pôde ver seu olhar incendiar com o desejo. — Porra, eu vou te colocar sobre o meu joelho e te dar umas boas palmadas quando eu voltar, Mack.
Ela mordeu o lábio e sorriu. Esperou que isso fosse chamar a atenção dele, e, não decepcionando-a, Jason grunhiu e seu olhar caiu diretamente para os lábios de Mack, então ela disse: — Não, não vai. Nós dois sabemos que você é mais palha do que fogo.
Ela não esperou nem um segundo pela reação dele. Mack sabia que tinha cutucado o vespeiro. Tão rápido quanto as palavras deixaram sua boca, ela estava afastando as mãos de Jason e se virando para a porta da frente do prédio.
Jason amaldiçoou alto atrás dela, mas ela não parou de correr por sua vida. Ele perseguiria sua bunda em retaliação, e, por isso, Mack precisava ser rápida e se esconder em algum lugar. Ela já podia ouvir o barulho de suas botas bem próximas dela, quando ele deu passos em sua direção, e quase podia sentir fisicamente sua presença imponente a suas costas, mas então o rugido de uma moto vibrou alto no estacionamento em frente à sede do MC e, antes que Jason pudesse alcançar Mack em sua pequena perseguição, uma voz doce e feminina soou atrás deles, fazendo-o parar.
— Jason! — Harlow chamou com um gritinho feliz.
Os passos dele pararam de acompanhar Mack, e, no momento em que ela chegou na porta, ouviu ele responder ao grito de sua irmã: — Hei, boneca.
E assim, Harlow Asher havia salvado o traseiro atrevido de Mack, ao menos, por agora.
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