Macabro

9 investigação, aula e separação


Notas iniciais
demorei mas postei bjs e boa leitura. desculpem pelo nome sem graça do capitulo mas não achei melhor no momento.

— Hei! O quê vocês estão fazendo? – Gritava um policial a todo pulmão.

— Qual é? Nós só estamos nos divertindo. – dizia um rapaz meio embriagado.

— Este local é a cena de um crime. É proibido ficar ai.

O pobre detetive espantava os adolescentes do laboratório de mecânica lacrado e ainda manchado com o sangue do infeliz que morrerá na noite anterior. O que mais impressionava a perícia é que não importava o quando eles procurassem nunca encontravam uma pista de quem estava matando os jovens, sem impressões digitais, mostra de DNA ou qualquer coisa que levasse ao assassino. O mais estranho era que as vitimas quase não tinham ligação uns com os outros, alguns não se conheciam. O novo defensor da lei não tinha idéia de onde procurar. E apesar de seus vinte e oito anos já estava com uma ruga de preocupação na testa. Quantos jovens ainda morreriam até que se descobrisse o culpado? Ele entrou no laboratório e se agachou ao lado do torno, o corpo não se encontrava mais lá, mas os óculos que a vitima usava antes de morrer ainda estavam lá estraçalhados e cobertos de sangue.

Ele acompanhava o caso desde o primeiro assassinato e todos os locais tinham câmera de segurança, mas durante dez minutos a imagem se perdia e não se via nada, quando ela voltava já tinha ocorrido à matança. Um necrotério também tinha dado queixa de ter perdido um corpo de tinha chegado. O boato que mais corria nos corredores da delegacia era que provavelmente quem estava matando era uma seita satânica, mas ele não achava isso muito provável só podia ser uma pessoa, uma única pessoa.

— Não te farei mal, mas acho que você precisa descansar. Não é todo mundo que vê o que você viu e fica assim tão bem. – falava Caleb sentado na beirada de uma cama king side com dossel, mosquiteiro e lençóis de seda vermelha. Ele cuidava da garota que ainda estava em estado de choque, deitada na cama dormia como uma criança inocente recostada nos travesseiros de pena de canso. O que ele disse não foi ouvido, mas ainda ecoava em sua cabeça. Ele agora se levantava e se encaminhava para a sala de visitas e se sentava em uma poltrona antiga, porem confortável. Pensou em ligar a televisão de 52 polegadas tela plana, mas pra que ver desgraça. Olhou o livro de encadernação de couro e com letras douradas e floreadas que diziam Hamlet. Já havia lido aquele livro um bilhão de vezes, mas era um de seus favoritos. Sempre viveu sozinho e a eternidade não o incomodava, mas desta vez era diferente, tinha com quem falar e conversar, mas ela dormia profundamente tinha horas.

Ele já estava na metade do livro quando se lembrou de sua companhia. Levantou e andou elegantemente até o quarto que tinha emprestado pra moça. No caminho passou por um espelho e ficou de admirando. Olhou o visual dark que sempre usava. Camisa social preta e calça igualmente escura.

— Como seria que se eu ficasse velho? – Um vislumbre passou pelo espelho e refletiu um homem caquético, enrugado de cabelos brancos. Ele afastou a imagem da cabeça e continuou seu caminho solitário pelo longo corredor.

Ao entrar pelas portas duplas não encontrou a cena esperada. A cama estava vazia e os cobertores estavam no chão. A garota tinha acordado e olhava pela janela. A alcova estava escura e a única luz que entrava era os fracos raios de por do sol.

— Quanto tempo eu dormi? – ela tinha notado a presença dele mesmo sem olhar.

— Umas 17 horas. Pensei que ou você não acordaria ou ficaria louca.

— Eu acordei e não to louca. O que você fez com as minhas roupas? – Ela saia de trás da cortina e mostrava pra ele o que estava vestindo. Eram as roupas dele. Uma samba cansa preta e a camisa social branca.

— Estão lavando. Não se preocupa nunca as usei mesmo e não te vi nua. Pelo menos não totalmente. Só te vi de sutiã e foi rápido. Desculpe. Tem roupas que você pode pegar naquele baú. – apontou para a arca velha aos pés da cama.

— Obrigada. Tem o que comer?

— Imaginei que quando você acordasse estivesse morta de fome. Eu vou preparar alguma coisa enquanto você se troca. – Saiu deixando a menina sozinha em seus devaneios.

Enquanto preparava um delicioso espaguete ficou pensando em como a garota tinha uma charme mesmo borrada e descabelada do jeito que estava. Ficou uma meia hora na cozinha e de repente ficou triste. Ela comeria e iria embora e ele voltaria à solidão de antes. Não poderia prender a garota ali e ela é que decide. Voltou com a bandeja nas mãos. Prato de porcelana já servido, taça de cristal com suco de goiaba e talheres de prata. Quando ele entrou no quarto ela ainda estava com as roupas dele.

— As roupas não couberam? Eu posso sair pra comprar o que você quiser.

— Não. Elas couberam, mas eu não quis por. Onde você conseguiu roupas tão antigas?

— Coleção, mas pode levar se quiser. Afinal eu ainda não sei seu nome. – ele já havia imaginado um milhão de possibilidades.

— Caleb? – ele assentiu – O meu é Joana.

Eles conversaram enquanto ela comia tudo com vontade e rapidez, a maioria das ciosas quem falou foi ela e ele apenas a admirava. A capainha toca suavemente e o rapaz é obrigado a se retirar. Ao abrir uma das duas portas altas de madeira maciça se depara com uma velha amiga.

— A quem eu devo a honra de pessoas tão importantes em minha casa? – perguntava fazendo uma pequena referencia para que as visitantes entrassem.

— Você não perdeu seu sarcasmo. Nem o cavalheirismo. – Sofia falava fazendo dengo.

— Eliza você não fala mais? Já foi mais comunicativa, mas agora que sua dona voltou do inferno você só olha torto.

— Eu falo quando necessário.

Eles seguiram até a sala principal e ele gentilmente ofereceu bebidas para elas.

— Como você teve seu corpo de volta sem que ele tivesse apodrecido? Eu sei que você já me falou que voltou logo a pois sua morte, mas passamos anos juntos naquele maldito lugar.

— O tempo passa diferente nos dois mundos. Na verdade passei só sete horas morto, mas lá pareceu uma eternidade. – falava detrás do bar.

— O que fizeram com você foi pura sacanagem. Você não merecia ter morrido muito menos ter ido parar no inferno.

— O mundo e as pessoas não são confiáveis. Falemos do que vocês querem. – distribuía as bebidas e se sentava na poltrona.

— Ou seria a Alessandra que não era confiável? – falou Eliza.

Ele a olhou com cara de poucos amigos e com um olhar ameaçador.

— Eu quero saber como faço pra assustar como nos filmes de terror.

Do outro lado da cidade Fernanda contava como foi à noite e como o mágico era realmente belo. Tanta empolgação era estranha vinda da garota que se dizia gótica.

— Pra mim você não é gótica apenas quer chamar atenção e seu namorado é a mesma coisa.

— Fica quietinho seu corno. Marco não acredito que você ficou nove meses esperando um bebê que não é seu filho. Muito inteligente vindo da sua parte.

— Olha quem fala. Você não passa de diversão pro seu namoradinho ou eu devo dizer recipiente de sangue fresco?

— Vai à merda. – Saiu batendo a porta atrás dela e deixando Gabriela, Paulo e Lucas com caras de otários.

Essa não é uma boa hora pra brigarem e ficarem separados.

Notas finais
até o proximo.