Macabro
7 amaldiçôo
Sobre a luz do fraco abajur Elisa e Sofia conversavam. Chegaram à conclusão que assim que o contrato acabasse, elas se mudariam para Amsterdã.
- Se fosse por mim iríamos embora daqui agora mesmo, mas eu tenho que cumprir minha parte no acordo – dizia Sofia sexy e resignada.
- Eu amaldiçôo o desgraçado que nos condenou a essa vida. Tirou você dos meus braços.
- Ele queima no inferno. Assim que eu terminar minha missão viveremos eternamente juntas fazendo o que mais gostamos.
O que elas mais gostavam era a orgia, os jogos, uma vida libidinosa, mas antes de aproveitar tudo isso ela precisava mandar almas pecadoras para o inferno tapando o buraco deixado pela alma dela.
- Eu quero brincar de alguma coisa! – pedia infantilmente Lucas.
- Temos diversas opções: compasso, brincadeira do copo, Bloody Mary...
- Fernanda, meu bem, algo normal. Você só pensa em espíritos e mortes horripilantes. – Lucas usava toda sua doçura na voz.
- O macabro me excita.
- Vocês não vão acreditar no que aconteceu. – Marco tinha a voz embargada e uma expressão triste no rosto.
- Você descobriu que sua vida é insignificante. – gentilmente Fernanda cuspia as palavras.
- Vou fingir que não ouvi nada. Eu recebi uma ligação dos pais da Renata e eles me informaram que ela faleceu ontem à noite.
- M-meu Deus, ela j-já estava tão b-bem. – chorava Gabriela.
- Como aconteceu? Ela morreu do quê? – perguntou Paulo abandonando as falas emo.
- Ela foi estrangulada.
- Assassinato. Seremos os próximos. Tenho certeza que é a louca do cemitério.
- Para de drama Lucas. Somos mais inteligentes e não vamos morrer assim, se for pra morrer eu quero que seja no cemitério. – dizia Fernanda segura de si.
- Eu preciso acabar essa peça ainda hoje – reclamava Fabio sozinho de seu atraso.
O menino vestia o jaleco azul marinho com o nome do curso “Mecânica” e o óculos de proteção, se encaminhava para o laboratório onde pegaria o material necessário para a fabricação da peça que era mais que metade de sua nota trimestral.
Escolhido o material se dirigiu ao torno mecânico afim de terminar a peça. Ligou o equipamento na tomada e quando prendia o aço na castanha ouviu um barulho, deixou a chave na castanha e se virou para ver o que era.
- Tem alguém ai? – ninguém respondeu – Foi minha imaginação. – tornou a prestar atenção na tarefa.
- Eu não sou imaginação – Sofia estava a uns sete passos de distancia vestida apenas com uma lingerie preta e cinta liga da mesma cor, salto alto e por cima de tudo um jaleco igual ao do garoto.
- Não é imaginação, mas parece uma miragem. Tu é muito gata.
- Essa gata aqui ta louca de vontade. Eu sempre quis transar aqui, encima da mesa da morsa no meio da graxa com um cara bem suado.
- Bem estamos só nos dois aqui.
- O que é isso? – perguntou pegando um objeto que estava na bancada.
- Um paquímetro, é usado para medir.
- E essa ponta afiada aqui? – se aproximava de Fabio.
- Haste de profundidade. Toma cuidado. Pode se machucar.
- Você é tão atraente. – ela já estava cara a cara com ele. O puxou para si e o beijava calorosamente. Quando ele cedeu e se entregou ao beijo ela o golpeou várias vezes no pescoço com a haste de profundidade.
No desespero ele se virou para o torno e pondo a mão na alavanca que liga. A castanha girou com toda velocidade, soltando a chave que foi na direção do rapaz atravessando o óculos e atingindo o olho verde. Ele caiu morto para trás. Sofia pegou uma serra que estava na bancada, ajoelhou no lado do corpo e serrou a base da cabeça até arranca – lá, o sangue espirrava na pele morena.
Quando ela acabou tinha deixado um corpo decapitado, uma poça de sangue e um torno em trabalho. Lambeu as gotas vermelhas que haviam respingado nos lábios e se retirou.
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