Notas iniciais
Eu voltei, voltei para ficar.

— Eu tenho um acordo pra fazer com você. – Caleb dizia sentado de frente pra poltrona onde estava Sofia.

— O que você quiser. – ela dizia enquanto o seduzia.

— Mate aquela garota pra mim. A Joana. E eu banco um ano da sua vida em qualquer lugar. – ele a olhava com face de negociante.

— Porque precisa que eu mate aquela menina? Quando pode fazer isso sozinho. – ela não iria aceitar sem saber a ração.

- Ela ficando aqui é perigoso pra mim e pra você. Ela pode ouvir demais e ela tem o mesmo jeito da Alessandra. Isso me incomoda. E além do mais você precisa da sua cota de homicídios pra não voltar pro inferno. – ele juntava as mãos apoiando os cotovelos nos braços da poltrona.

Ela precisava pensar. A garota não esteve no ritual, mas conhecia muita gente que lá estava. Ela não podia fazer nada errado senão voltava pra nunca mais sair pro inferno. Lá não é um lugar muito bom e gata escaldada não gosta de água quente. Ela podia ter mudado de corpo, mas ainda era a mesma desleal, cruel e vil Sofia.

— Eliza, minha querida podia nos dar licença um minuto. Eu preciso negociar com o nosso gentil amigo. – Sofia dizia doce e fatal.

— Claro. Eu já volto. – ela saiu pela porta dupla da casa.

— Caleb. Eu estou cansada dessa brincadeirinha. Eu sou uma mulher explosiva e só o que me satisfaz é um homem de verdade que entenda o que eu quero. Eliza é ótima comigo, mas não me dá o que eu preciso. – ela sempre soube usar de jogo sujo.

— Aonde você quer chegar Sofia? – ele iria entrar no joguinho dela.

— Eu sempre gostei de você, mas você era da Alessandra e quando ela morreu...

— Eu a matei. – ele interrompeu.

— E quando você a matou eu pensei que tivesse uma chance, mas acabei tendo o mesmo destino dela. – ela descruzou e tornou a cruzar as pernas, umedeceu os lábios com a ponta da língua e passou os dedos despreocupados pelo decote – Só que agora nós temos uma chance de tentar.

— E o que você vai fazer com a Eliza? Simplesmente deixá-la? Depois de tudo que ela fez por você. – ele sempre precisou de provas concretas antes de cair de cabeça. Esse é o meu garoto.

— Eu vou matá-la. Ela acha que é minha dona, que eu tenho que fazer tudo que ela pedir. Age como meu homem, mas não me realiza. Eu não nasci pra isso e muito menos ressuscitei pra viver assim. – é uma santa.

— Você me deixa excitado. – Henrique dizia pra uma garota qualquer que estava com ele.

— Amorzinho, você vai terminar com a Fernanda?

— Claro que não. A Fernanda é uma garota pra casar e você não passa de diversão. – Sinceridade.

— Então sai de cima de mim.

— Não vai fazer charme agora.

Ele a prendeu mais entre seu corpo e a sepultura onde os dois transavam. Se esse fosse o meu túmulo eu saia do inferno pra puxar os pés deles. São incríveis os lugares que as pessoas acham pra transarem. Na minha época era mais discreto.

De longe eles eram observados e nem desconfiavam do que estava pra acontecer. Ela espreitava as vitimas e dizia mentalmente: “aproveitem seus últimos minutos”. Saindo das sombras, com movimentos graciosos como os de um felino, farejou o cheiro das presas.

— Fedem a álcool e sexo. – sussurrou pra si.

Em um canto largado estava à arma do crime, uma grande lasca de madeira de um dos caixões do velho cemitério. Era como ela queria: bem pontiaguda e comprida. Já podia ouvir os gritos.

— Você ouviu alguma coisa? – a garota perguntou assustada.

— Deve ser um gato. – ele não queria perder a diversão.

— E ser for o maníaco que está matando jovens por ai?

— Tenho quase certeza de que não é ele.

— Pára. Eu não quero mais. Me solta.

— Depois não vem me encher o saco.

Andando sorrateiramente e passando rápido pelos túmulos foi de encontro aos jovens amantes. Com um salto pulou a lápide e pousou suavemente encima do túmulo. A menina gritou e tentou correr. O alvo principal era mesmo Henrique, a garota seria apenas mais uma diversão. Com um aceno de mão o garoto caiu de costas na terra do cemitério.

Sofia não se deu o trabalho de descer do túmulo, foi flutuando atrás do menino que rastejava de costa olhando aquela terrível visão da mulher que julgava estar morta. Em um impulso de coragem ele levantou e saiu correndo pelo cemitério velho. Por um momento ele achou ter despistado a maligna moça, mas nada é tão fácil. Os passos cuidadosos o levavam para trás sem nem ao menos olhar pelo o que o aguardava. Ele sentiu os braços gelados e duros se enroscando em seu peito. Eram os braços de uma das estátuas que ornavam as sepulturas. Não tinha vida, mas estava sobre o comando da fria ressurgida. Cada vez mais o aperto mortal aumentava. Já lhe faltava o ar, ele ouviu o primeiro estalo suas costelas estavam quebrando, mais um estalo e outra costela; a dor era imensa, mas não lhe saia a voz. Os braços já como duas gelatinas não respondiam aos seus comandos. Fragmentos de ossos perfuravam seus órgãos vitais e em esforços inúteis o coração tentava pulsar. O pouco ar que tinha foi substituído pelo sangue que jorrava de sua boca pausado pelas hemorragias. Não demorou muito até o coração bater pela última vez.

Enquanto isso a garota corria em vão. Não sabia como sair daquele lugar sozinha e sua única chance de achar a saída estava morta. Parou em frente a um mausoléu e julgou ser seguro lá. Ela só não contava que sua algoz já estava a espera da vítima. Quando percebeu o erro tentou fugir e dando as costas a carnífice correu até a porta trancada, mas que a pouco estava aberta. O único jeito era encarar de frente a morte e tornando a olhar cara a cara com a assombrosa figura sentiu uma pontada no peito e o sangue quente escorrendo por sua blusa. Ela ainda teve tempo de olhar a lasca de madeira de um caixão qualquer atravessada em seu tórax antes de cair de joelhos e tombar de lado do chão frio do jazigo abandonado. Caiu em uma escuridão eterna.

Notas finais
Gente desculpe a demora (vocês estam me xingando, já sinto minhas orelhas queimarem), mas vou explicar o que aconteceu: primeiro fiquei sem computador, depois foi o nyah que saiu do ar, quando ele voltou em tinha perdido minha inspiração e resolvi começar outra fic, mas agora ela voltou (aleluia, aleluia) e eu não predendo para de novo com essa fic.
Beijos e mereço que vocês continuem comigo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.