Mabel e Johnny - O Retorno dos Pugs Malditos
2 Capítulo 2 de 2
Mabel & Johnny — O Retorno dos Pugs Malditos
Um olhar confuso consumiu a satisfação pessoal de Corn Flakes.
— Como disse?
Mabel soltou um riso abafado.
Sua mão direita tremia, ao passo que as lágrimas de seu rosto se mesclavam ao suor frio.
— Ele era o irmão mais atencioso do mundo. Meu melhor amigo.
E fazia sexo oral com ninguém, era uma máquina!
Mais um riso escapou da caçadora, desvairado e sem controle.
No entanto, passageiro. Ela deixou que a nostalgia e tristeza tomassem conta de sua voz.
— Eu o amo. Mas não posso mais fazer isso com ele, sabe?
Não posso mais protege-lo do mundo. Eu tenho um aprendiz agora.
Um menino que eu jurei cuidar. E jurei em cima dos túmulos dos pais dele, que não consegui salvar.
Mabel tomou ar antes de soltar a sentença.
— Não posso mais defender os dois. E eu sei que Dipper vai entender, onde quer que ele esteja.
— Então, vai simplesmente me deixa matar seu irmão, a sangue frio!
— Como acha que eu cheguei tão rápido aqui, Pug?
O pequeno cão não entendeu a pergunta.
Mabel continuou.
— Eu já estava vindo pra cá. Muito antes da sua invasão. Vim desligar os aparelhos dele.
Deixa-lo descansar. Mas acho que ser morto por um Pug falantes seria algo que Dipper acharia engraçado. Vai em frente. Mate-o.
Depois, eu mato você. Isso acaba essa noite.
....
— Tanto tempo planejando isso, planejando te ver sofrer, e você me vem com essa?
Você tira o prazer de uma boa vingança, sabia?
— Está se vingando por eu matar todos da sua espécie ou por eu te vestir com Tchu Tchu de Ballet?
— Pelo Tchu Tchu. Basicamente.
— Entendi.
— Bom, sempre tem o plano B.
— Que seria?
— Ah, não sei.... Eu ainda posso atirar em você.
Num saque rápido, Corn Flakes disparou o revólver.
A bala veio, cortou o ar, rodopiou, rodopiou um pouco mais e parou.
Congelada em pleno ar, a centímetros do rosto de Mabel.
Atrás dela, Johnny se matinha em total concentração.
— Esqueci de te apresentar. Esse é o Johnny, meu pupilo. Um telepata muito habilidoso, por sinal.
Quer fazer as honras, amor?
— Com prazer – Respondeu o garoto.
E num estalar de dedos, Johnny fez a bala curvar na direção oposta, acertando a testa do Pug.
....
— Acabamos? – Ele perguntou.
— Quase. Pode me dar uns minutos, a sós com o meu irmão?
Respeitando o pedido de sua mestra, o garoto deixou a sala, aguardando no corredor.
Mabel se aproximou da cama. Jogou o corpo do Pug para longe e abraçou seu irmão uma última vez.
Dando – lhe um último beijo nos lábios, ela se despediu do irmão no estilo dos Pines.
Com uma frase babaca de efeito e lágrimas nos olhos.
— É melhor que você vá parar no céu. Se eu te encontrar no inferno, juro te expulso de lá.
E dito isto, ela desligou os aparelhos de Dipper, permitindo que o rapaz partisse para sempre.
....
De volta ao carro, mestra e aprendiz não trocaram uma só palavra.
A não ser o mínimo essencial com a diretora do hospital que haviam acabado de explodir.
— Eu ouvi a sua conversa no hospital.
Você realmente prefere ficar comigo do que com seu irmão?
Mabel olhou para nos olhos de Johnny. Ele estava aflito à espera de uma resposta.
Mas ela respondeu o medo do menino com um sorriso largo.
— Meu irmão se foi. E já faz muito tempo. Você é tudo que me resta. E vou te proteger, até que eu não possa mais.
Ele gostou do que ouvira. Usando as palavras como motivador, ele engoliu a vergonha e estendeu sua mão, revelando um pequeno embrulho prateado.
A caçadora não entendeu muito bem até abrir o presente.
— Você sempre me apresenta como seu noivo.... Eu achei que a gente deveria formalizar....
Era um par de alianças de ouro.
Marcadas no metal, Mabel não levou muito tempo para reconhecer as inicias.
MPC em uma. JC na outra.
Mabel Pines Constantine.
John Constantine.
Não eram só anéis. Era uma declaração de amor de um menino de doze anos à sua mestra.
Sincera. Pura. Sem preço.
A mulher sentiu vontade de chorar. Mas de alegria. Algo que não fazia a muito tempo.
— Eu amei – Mabel respondeu.
Dando um beijo suave no canto da boca do menino (que fora suficiente para deixa-lo corado por horas), ela acelerou o carro o máximo que pôde.
— Se segura firme. Tem um lugar que eu quero que você conheça.
— Sério?
— É. Passava meus verões lá. Você vai adorar.
E sem demora, pegaram a próxima saída, rumo ao Oregon.
Rumo a Gravity Falls.
....
Até caçadores de monstros tiram férias.
....
Hospital Harrisson, Essex County, Massachusetts
(Hospital vizinho ao Miskatonic)
Com todos os pacientes transferidos enquanto o Miskatonic estava em reformas, a doutora Ariel Hirsch passava por um período agitado.
No entanto, abrira agenda para conversar com um dos pacientes.
Um, em especial, chamava a atenção.
— Acho que devemos ao senhor algumas explicações referentes aos fatos ocorridos ontem à noite.
— Como por exemplo?
— O declaramos morto, senhor Pines. Sua recuperação é um milagre.
Dipper sorriu.
— No meu ramo, fatos estranhos acontecem.
— Ainda assim. Há muito o que o senhor deve saber. Como a participação de sua irmã, nisso tudo.
— Pugs, explosões. Ouvi falar. As paredes têm ouvidos.
A médica sorriu de volta para seu paciente. Era bom saber que ele estava lidando bem com a situação.
— Bom, minha equipe e eu acompanhamos seu caso de perto, desde o início.
Achamos que seria boa ideia conversar sobre tudo o que o senhor perdeu enquanto estava em coma.
Se me permite, posso te chamar de Dipper?
Ele piscou com certa malícia para a médica.
....
Na verdade, com muita malícia.
— Por favor, doutora, sem formalidades.
Pode me chamar de Bill....
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