Mabel & Johnny — O Retorno dos Pugs Malditos

Existe uma lenda, contada a gerações, que fala sobre demônios de focinhos curtos, olhos vermelhos e uma sede implacável de poder, sangue e.... Açúcar.

Toda a vez que estes ressurgem no multiverso, trazem consigo caos, pânico e um rastro de fofura.

A mesma lenda também fala que a cada vez que eles renascem, uma mulher se erguerá para enfrenta-los.

Essa história relata a batalha pela retomada do Hospital Miskatonic, em Essex County, Massachusetts.

....

Hospital Miskatonic

Mabel estacionou o carro próximo a barricada das viaturas policiais.

O hospital estava completamente cercado.

Normalmente ela deixava o menino fora dessas situações que ocorriam tarde da noite.

Mas dessa vez, abriria uma exceção.

Talvez a ajuda de seu noivo de doze anos fosse necessária.

Ela o acordou no banco do carona com um beijo maternal no rosto. E quem não conhecesse Mabel Pines de perto, juraria que se tratava apenas disso.

No entanto, com os Pines, sempre tem um algo a mais.

....

— Boa noite, Doutora.

— Senhorita Pines.

Ariel sempre considerou Mabel como alguém esquisita.

Mas toda vez que se viam, sempre havia um novo motivo para isso.

— Vem cá, amor, deixa eu te apresentar. Essa é a doutora Ariel Hirsch.

Ela é psiquiatra e diretora do hospital.

Acanhado e ainda com sono, o menino cumprimentou a médica com a cabeça.

— Esse é o Johnny. Meu aprendiz.

O que temos, doutora?

Ariel passou a mão pelo rosto antes de começar a explicar a situação.

— Eles invadiram a algumas horas. Colocaram todos para fora, mas estão mantendo um paciente como refém, no segundo andar.

— Tá certo. Como eles são?

— Eles.... Estão armados.

— E como eles são...?

— Pequenos. Irritantes e..... Ligeiramente, fofinhos.

Mabel balançou as mãos aos céus, completamente revoltada.

— Ah, não! Eles não!

Eu detesto esse Pugs!

....

Desde que passaram a dedicar a sua vida caçando o sobrenatural, os irmãos caçaram de tudo.

Mas, sem sombra de dúvida, os Pugs falantes, viciados em açúcar eram a pior praga de todas.

Como se não bastasse estarem armados, mantinham Dipper como refém no segundo andar.

....

Da janela do segundo andar, o rei dos Pugs estava pronto para divulgar suas exigências.

Exigências muito específicas.

— Queremos Mabel Pines se entregue!

E sorvete! Muito sorvete! AGORA!!!

E completou dando tiros ao alto.

Todos se abaixaram para se proteger das balas, exceto Mabel.

Ela se manteve resoluta.

— O que eles querem de você?! – Exclamou a doutora.

Mabel deu de ombros.

— Eles querem vingança. Exterminei quase toda a raça deles, aqui na Terra.

E por eu ter postado na Internet uma foto do líder Pug usando um Tchu Tchu de Ballet....

— Mas porque você fez isso?!

— Era um Pug vestindo um Tchu Tchu de Ballet. Parecia engraçado, na época.

....

— Tudo bem, damos conta – Afirmou Mabel.

Doutora, peça para que os policiais se mantenham de fora.

Johnny, por enquanto, fique aqui com a Ariel, tá bom?

O menino pareceu confuso com a ordem de sua mestra.

— Tem certeza?

— Tenho sim, amor. Lembra o que eu te ensinei sobre os Pugs?

— Para mata-los, sem piedade.

— Meu garoto.

Sacando uma pistola e um facão da cintura, Mabel partiu em disparada rumo a porta principal.

Em seguida, ouviu – se tiros e estrondos do interior da instituição.

Como ordenado, a polícia se manteve aposta, mas não interferiu.

Foi um momento tenso.

....

Por dois minutos.

....

Em seguida, Mabel retornou à barricada das viaturas, lançando – se desesperadamente atrás dos carros, evitando assim os raios mortais infligidos pelo Pugs.

— Boa tentativa, gênio!

O rei Pug gargalhou com gosto do segundo andar e mais uma vez, se escondeu na escuridão.

Mabel urrou de raiva, socando a traseira de um dos carros.

— Que droga! Eles atiram raios lasers dos olhos, agora! Quem faz isso?!

— Você não sabia? – Indagou a doutora.

— Não! Isso é novidade.... Johnny, vai no carro e pega a Berta.

— Pegar a Berta?! É mesmo necessário?

— Não. Mas eu vou usar assim mesmo!

E pára de olhar pro decote da doutora! Isso é uma ordem!

Na mesma hora que as palavras emergiram no ar, médica e menino se entreolharam, visualmente constrangidos.

— Eu.... Não estava olhando!

— Estava sim! – Gritou Mabel – Eu vi! Se é para olhar para algum decote aqui, que seja só para o meu! Entendido?

O jovem fez um muxoxo, rangendo os dentes.

— Sim, senhora.

Enquanto dirigia – se na direção do veículo, Ariel não pode controlar a curiosidade.

— Vocês dois tem uma relação bem.... Diferente, não é?

— Ele é meu noivo.

— O que?!

Mabel riu e delicadamente, pousou sua mão no ombro da médica.

— Johnny é meu aprendiz. Conheci o pai dele. Era um gato.

Então, ele também vai ser lindo, quando ficar mais velho. E quando isso acontecer, ele é vai ser todinho meu.

Até lá, não quero que ele tenha nenhum pensamento erótico que não seja comigo. É um plano a longo prazo, entende?

— Você é muito singular, senhorita Pines.

— Gosto de me antecipar.

....

Como esperado, Johnny retornara com um grande estojo negro, trazido do porta-malas do carro.

Em seu interior, não havia um instrumento ou qualquer tipo de arma.

Era a arma.

Era a Berta.

— Está louca, mulher?! Não pode atirar com uma bazuca num hospital!!!

— Porque não? – Questionou Mabel – Você mesmo disse que só há um paciente de refém.

E se bem conheço Corn Flakes, ele está mantendo Dipper consigo, lá no segundo andar.

Corn Flakes?

— O rei dos Pugs. É o nome dele.

— Não importa qual seja o nome dele! Não pode simplesmente explodir o primeiro andar do Miskatonic!


A caçadora respondeu fundo. Ariel Hirsch poderia ser uma médica e tanto, mas nada sabia sobre matar Pugs.

— E que opção nós temos? Me entregar de bandeja, acompanhada de vinte baldes de sorvete de chocolate?!

Isso sim, seria loucura! São três da manhã! Não temos onde comprar sorvete!

— Faz sentido – Concordou Johnny.

Verdade. Fazia mesmo.

— Não se preocupe, doutora. Sou rica. Me mande a conta.

Não era mentira. Caçar monstros rendera a Mabel uma conta bancária de oito dígitos.

Dígitos o bastante para ela disparar uma bazuca em uma instalação médica avançada, e pagar os reparos.

E ela o fez.

O tiro cortou o ar e rapidamente, atingiu o hospital.

A explosão destruiu todas as janelas do Miskatonic, bem como às das viaturas policiais.

O estrondo pôde ser sentido ao longe. Alarmes de carros dispararam a quilômetro de distância.

....

Não se negocia com terroristas.

Mesmo aqueles com focinho fofo.

....

Assim que a nuvem espessa de fumaça abaixou, Mabel recarregou sua pistola e mais uma vez, decidiu entrar no prédio.

Entregando seu facão a Johnny, ele a seguiu.

A psiquiatra ficou do lado de fora, atônita, segurando a Berta.

Bem como os policiais, que depois da explosão, acharam melhor deixar que Mabel lidasse com a situação dos Pugs sozinha.

....

— Uau, eu devia usar a Berta mais vezes.

O primeiro andar estava completamente destruído. Havia apenas cinzas, escombros e Pugs mortos.

Eles tinham atirado raios lasers dos olhos pela última vez.

Mabel cutucou um deles com o pé.

Depois, piscou para o aprendiz.

— Uma pena. Estão muito queimados. Cozidos, até que ficam saborosos.

Também não era mentira.

....

No segundo andar, restava agora apenas um Pug. O rei Corn Flakes.

O último dos Pugs malditos.

Atingindo uma bifurcação no corredor, a caçadora fez um sinal a Johnny.

— Cheque os quartos da esquerda. Eu vou pela direita.

— Sim, senhora.

Contudo, ela não precisou procurar por muito tempo.

Corn Flakes estava no segundo quarto, à direita.

Sorridente, trazia consigo apenas uma pequena coroa na cabeça em um revólver calibre .22 nas patas.

Apontados para a cabeça de Dipper Pines.

Ele nada podia fazer para se defender. Estava em estado vegetativo fazia anos.

....

— Boa noite, senhorita Pines.

Corn Flakes.

— REI Corn Flakes.

O pequeno Pug soltou uma gargalhada perversa.

— Levei anos. Perdi todo meu exército. Mas encontrei seu ponto fraco.

Terei minha vingança.

Ela olhou para o rosto do irmão. Ele ainda era lindo.

Se lembrara da última vez que ficaram juntos.

Caçando lobisomens em Minnesota.

Mabel sempre achava o sexo com Dipper melhor depois de uma caçada.

Ela ainda o amava. Do contrário, não estaria nesta situação, arriscando Johnny.

....

A caçadora guardou a arma de volta no coldre e se sentou em uma das cadeiras do quarto da UTI.

— Então, é só isso? Vai matar o meu irmão? Essa é a sua vingança brilhante?

O Pug esboçou um sorriso de dentes amarelados no rosto.

— Vou matar o seu irmão/amante. E te ver definhar.

Ideia melhor?

Ela o amava demais. Sexo incestuoso nunca perdia a graça. Ao menos, não com Dipper.

Ele era único.

Insubstituível.

Mabel deu de ombros.

— Mate-o. Não me importo.