Camus nunca admitiria em voz alta, mas a ideia de perder a virgindade o deixava aterrorizado. Não que ele fosse inexperiente em carinho ou desejo — Milo, seu parceiro de longa data, sempre soube explorar cada toque e cada olhar — mas o passo final parecia um abismo que ele não conseguia atravessar.


Milo nunca o pressionou. O dourado de Escorpião era impetuoso, sim, mas também sabia ler Camus melhor do que ninguém. Ele percebia o modo como o aquariano ficava tenso quando o assunto surgia, o rubor discreto em sua pele pálida e o desvio de olhar quando a conversa se aprofundava.


Numa noite tranquila no Santuário, após um longo dia de treinamento, Milo o abraçou com delicadeza. O quarto estava iluminado apenas pela luz suave das velas, e o silêncio entre eles era confortável. Camus sentia o calor do corpo do parceiro, o cheiro familiar que sempre o acalmava.


— Você está pensando demais de novo — Milo murmurou, acariciando seus cabelos. — Eu te conheço, Camus.


O aquariano suspirou, apertando os dedos na túnica do outro. Queria responder, mas as palavras não vinham. Milo se afastou um pouco para encará-lo, os olhos azuis cheios de ternura.


— Não precisa ter medo — continuou. — Nunca vou te apressar. Só quero que você se sinta seguro… e amado.


Camus sentiu o coração disparar. O que mais o assustava não era o ato em si, mas a entrega. Confiar em alguém a ponto de se despir de todas as barreiras que construíra por anos. Mas, ali, diante de Milo, compreendeu que essa confiança já existia.


Ele não precisava se forçar a nada. O tempo certo chegaria, e Milo estaria ali, sempre paciente, sempre pronto para guiá-lo sem pressa. Então, Camus sorriu, um sorriso pequeno, mas verdadeiro, e se aconchegou mais no abraço do parceiro.


Por enquanto, aquilo era o suficiente. E, talvez, quando estivesse pronto, daria o próximo passo — sem medo.







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