Ma Chérie

13 Capítulo 13: A Valsa do Amor


Notas iniciais
Ah gente, eu espero realmente que eu tenha conseguido suprir a expectativa que algumas de vocês estavam criando! ><' peço desculpas, eu tive uns problemas no meu braço e tals, mas já to bem melhor!

POV Victoria

Eu estava caminhando sem rumo, sem nem ao menos prestar atenção para onde meus pés estavam me levando. Minha mente remoía todas as palavras que Elizabeth havia dito, fazendo meu coração pesar mais do que meu corpo poderia aguentar. Eu não conseguia acreditar que depois de tanto trabalho, de tantas expectativas, planos e sonhos tudo acabara daquela forma. Henrique a beijou sem nem se importar em cortejá-la, apenas seguiu o habitual plano de conquista... Não, isso estava errado, Liz não merecia algo assim! Meus sentimentos se mesclavam em um caleidoscópio confuso e conflituoso, ora estava completamente irritada, ora deprimida como se o amanhã não fosse existir.

-Senhora – alguém tocou o meu ombro.

Pisquei várias vezes como se estivesse despertando de uma hipnose. Só então notei que havia parado em uma praça e congelado no lugar. O que diabos aquela garota estava fazendo comigo?

-Seu celular está tocando – um senhor que passeava com seu cachorro alertou-me tentando sorrir de forma simpática.

-Ah... Obrigada.

Ele acenou e partiu com o seu vira-lata. Respirei fundo e retirei do bolso o meu celular que tinha um toque incrivelmente alto, o que era importante para uma pessoa distraída como eu. Na tela aparecia o nome e a foto de Anne, pensei por alguns segundos se eu deveria atender, mas a necessidade de minha melhor amiga falou mais alto.

-Anne... – comecei com uma voz vaga, mas ela me cortou logo com uma voz urgente – Onde estou? Eu acho que na praça perto da passarela, você pode vim aqui? – ela negou fortemente e quando falou que a Liz estava passando mal meu coração disparou de medo – COMO ASSIM?!

E então veio aquele desespero todo. Meu corpo pareceu congelar por dentro enquanto eu imaginava o que a Liz poderia estar passando. Os segundos que se passaram até Anne desligar daquela forma trágica foram como um apocalipse. Segurei firme meu celular, dei meia volta e comecei a correr de volta para casa. Não, não! Liz não podia estar machucada! Todo o meu sofrimento havia desaparecido perante a simples hipótese de que a garota que eu amava estivesse de alguma forma mal. Acima de minha própria dor, de toda a minha confusão, estava Elizabeth Aimeé. Eu corri sem me importar com os meus músculos reclamando do exercício repentino, ignorei até mesmo os sinais, quase sendo atropelada por uma moto e esbarrando nas pessoas.

Quando cheguei ao edifício não peguei o elevador, não aguentaria ficar esperando! E mais uma vez me pus a correr as escadas sentindo minhas pernas queimarem e o suor escorrendo pela lateral de meu rosto. Quando cheguei finalmente de frente ao meu apartamento parei bruscamente quase tropeçando em meus próprios pés. Abri a porta com tudo em um desespero que eu nunca havia sentido.

-Elizabeth! – gritei assim que eu não a vi na sala, corri para o quarto com o coração na mão, temendo o que iria encontrar quando a visse – Liz! Porra cadê você?!

-Nossa você foi rápida.

Virei e me deparei com Anne encostada na porta de meu apartamento. Já estava me aproximando com ânsia quando finalmente reparei que havia algo errado. Minha amiga estava com um sorriso sapeca no rosto e nem um pouco preocupada.

-O que está acontecendo? Cadê a Liz? – exigi saber.

-Ela está na cobertura – Anne explicou apontando o dedo para cima – E acho bom você correr ou vai perder sua chance.

-Espera, ela não está passando mal?! – deduzi rapidamente.

-Deixe para me agradecer depois – Anne sorriu de maneira irônica – Agora vai logo, está perdendo tempo aqui e não se atreva a fugir.

Abri a boca para reclamar, mas de fato uma pergunta em minha mente foi mais forte: Por que Liz faria isso tudo e estaria no terraço? Respirei fundo e fui até a minha janela que dava acesso às escadas de incêndio. Comecei a subir sentindo um medo do que estava por vim, minha mente cogitava várias hipóteses, mas a maioria era com Elizabeth dizendo que nós nunca daríamos certo. Assim que finalmente alcancei o topo do edifício pela segunda vez naquele dia meu corpo congelou completamente.

Liz estava de costas para mim, próxima ao limite do prédio observando a paisagem. A noite por ser uma sexta-feira estava agitada, o som do trânsito se fazia ainda mais presente do que a última vez em que estivemos ali. E de pensar que há poucos dias atrás eu a tinha em meus braços... Engoli em seco e me aproximei hesitante.

-Liz? – chamei incerta, afinal de contas eu não queria ser dispensada ou ter de me explicar.

Ela tornou seu corpo rapidamente, fazendo um leve efeito com o movimento de seu cabelo avermelhado. Caramba bom Deus, por que tinha de fazê-la tão linda?!

-O que esta...

Eu ia exigir saber o que estava acontecendo. Mas ela começou a aproximar-se de mim e minhas palavras simplesmente morreram na garganta. Eu já estava esperando um pequeno embate, mas ela passou direto por mim indo até seu notebook que estava sobre um tamborete. Arqueei minhas sobrancelhas completamente confusa, mas segundos depois uma música preencheu o lugar fazendo-me perder a cor.

Estava tocando A Thousand Years.

Dessa vez quando Liz voltou a se aproximar ela parou a minha frente, mais perto do que o de costume. Ao contrário de mim ela tinha as bochechas levemente coradas, mas seus olhos cor de chocolates estavam mais determinados do que nunca.

-Vamos dançar valsa – ela disse em um tom calmo.

-O que? Valsa? Espera! – eu fiquei subitamente nervosa, aquela música e a dança significava tanto! Mas mesmo com minha situação patética, Liz pegou minha mão e colocou em sua cintura enquanto com a outra segurava a minha e ficava em posição básica de valsa – Liz eu não sei...

-Tenho certeza que você sabe dançar essa música.

Toda a cor que se esvaiu de meu corpo segundos atrás retornou rapidamente, eu tinha certeza de que havia ficado mais vermelha do que nunca. “Eu vou ter um ataque”, pensei assim que senti meu coração alucinado dentro de meu peito. Parte de mim resistia à ideia de que Elizabeth tinha lembrado aquela noite, mas outra parte bem maior começava a entrar em júbilo.

-O que está fazendo? – perguntei quando ela começou a me guiar a passos lentos, eu estava tão concentrada que quase pisei no pé dela só com alguns movimentos.

-Dançando com você – ela respondeu em um tom baixo, quase tímido.

-Por quê?

-Parce que je veux que mon premier baiser – finalmente Liz mostrou-se um pouco nervosa, porém ao falar em francês eu arqueei uma sobrancelha e ela respirou fundo – Porque se eu quero continuar alguma coisa, eu tenho de retornar ao começo, não é?

Ela lembrava o beijo. Ela se lembrava daquela noite. Eu estava tendo minha chance de ouro ali, no terraço e sobre a luz das estrelas com uma música romântica de fundo. Dessa vez eu não podia hesitar mais, eu a desejava mais do que qualquer coisa. A segurei mais firme, apertando sua cintura e entrelaçando nossos dedos, comecei a guiar a dança, mesmo que com movimentos mais tímidos e mal planejados. Afinal como eu poderia pensar quando tinha aquele intenso olhar acastanhado prendendo a minha atenção? Não, era mais que isso, Elizabeth me fitava de uma maneira diferente, de um jeito que me aquecia por dentro e me dava à certeza de que eu estava fazendo a coisa certa ao me apaixonar por alguém tão diferente de mim. Segurei melhor em sua mão e afastei sutilmente para poder girar o corpo dela e puxá-la de volta para mim, mas dessa vez ela parou em meus braços.

Nossos olhos não quebravam o contato, passavam mensagens silenciosas e em uma linguagem desconhecida, mas que era completamente compreendida. Liz segurou em meus ombros enquanto minhas mãos pousavam em sua cintura, ousei colar nossos corpos e como um delicioso resultado eu escutei o suspiro satisfeito dela. Ainda dançávamos, a passos miúdos e lentos, porém sem consciência nenhuma do que estava realmente fazendo.

-Aimeé – a chamei pelo segundo nome em um sussurro rouco – Eu vou te beijar.

Ela tornou a suspirar e dessa vez fechou seus olhos lentamente. Minha mente mal conseguia registrar tudo o que estava acontecendo, assim eu soube que estava agindo de verdade apenas pelos impulsos que meu coração dava a cada batida rápida. Aproximei meus lábios lentamente, primeiro roçando com os dela apenas para sentir aquela textura macia que eu tanto ansiava desde a primeira vez que havia experimentado. Depois finalmente encaixei nossas bocas, selando um beijo casto e suave, mas que para mim era o mais maravilhoso de todos. Movimentei meus lábios sobre os dela devagar, com uma delicadeza que nem mesmo sabia possuir, mas que se fazia inerente àquele beijo. Afastei os lábios e entreabri os olhos, temerosa com a reação de Elizabeth. Ela primeiro sorriu, um sorriso que para mim valeu mais do que qualquer coisa do mundo, então sussurrou meu nome com um carinho que me fez estremecer.

Eu não resisti mais aos meus impulsos e vontades, ergui minha mão até segurar a nuca de Liz e a trouxe para mais um beijo. Eu sabia desde o primeiro momento que nunca me cansaria daquele sabor singular, assim como também sabia que aquele parecia ser um caminho sem volta para mim.

Pov Liz

O beijo de Victoria era avassalador. Não por ser intenso, forte ou selvagem, mas por causa das sensações e emoções que despertavam em mim. Incontroláveis, dominadoras. Enquanto meus lábios eram tomados pelos dela eu me sentia entregue a uma felicidade alucinante.

Deus, aquele beijo era tão bom! Ela não tinha pressa, pelo contrário, parecia querer acariciar a cada movimento delicado, deixando-me acostumar com aquele novo sabor. Dessa vez quando achei que Victoria mais uma vez iria se afastar descobri que estava completamente enganada. Ela invadiu minha boca com sua língua quente e apertou-me ainda mais contra seu corpo. Foi como um choque quando senti a carícia dentro de minha boca, a língua dela roçando a minha. Meu corpo arrepiou por inteiro e meus olhos se abriram em surpresa, ah uma deliciosa surpresa. Por alguns segundos tive medo de não saber o que fazer, afinal aquele era meu primeiro beijo! Mas bastou Vic começar a explorar minha boca para as sensações me fazerem parar de pensar, fechar os olhos e simplesmente me deixar levar. Eu queria que aquele beijo durasse para sempre, que aquelas sensações se mantivessem dentro de mim e aquelas borboletas continuassem a dançar em meu estômago. Mas havia uma lei natural que nos obrigou a separar nossas bocas: precisávamos respirar.

-Mon Dieu – suspirei ofegante.

-Vou aceitar isso como um bom sinal – Vic murmurou com os lábios ainda próximos dos meus e sorriu, sorriu grande e bobamente – Você pode me dar um segundo?

Victoria afastou de mim e eu a olhei confusa, estranhando o frio que meu corpo sentiu apesar de ser uma noite fresca. A brasileira caminhou alguns passos para longe de mim, levou a mão a cabeça, olhou para o alto e gritou. Mas um grito gostoso de felicidade, como um daqueles que se comemora quando seu time marca um ponto. Vê-la daquele jeito sem saber conter a alegria me fez sorrir de maneira inconsciente, mas logo Victoria retornou em passos rápidos, abraçou-me pela cintura e me ergueu do chão começando a me girar no ar. Dessa vez eu que gritei surpresa, segurando nos ombros dela com medo de ficar tonta, mas ao mesmo tempo rindo daquele gesto completamente inusitado.

-Son fou! Lâchez-moi!

-Ah como se eu entendesse o que você fala – Vic riu e me colocou no chão, não demorou um segundo para ela me abraçar com força – Eu não quero que isso seja um sonho.

-Não é – disse envolvendo meus braços no pescoço dela – Desculpe ter demorado a perceber.

-Não importa, você está nos meus braços e sorrindo para mim – a morena tocou meu rosto com a ponta dos dedos e sorriu novamente – Vamos para casa?

Naquele momento a primeira imagem que me veio a mente quando ela falou em casa foi o nosso apartamento. Aquela moradia na Suíça começava a ficar para trás em meu coração, por mais que eu sentisse falta de minha irmã e do conforto de lá, era ali que eu estava me sentindo bem. E mais viva do que nunca graças a minha brasileira. Ah sim, só minha! Apenas acenei com a cabeça e fui pegar o meu notebook que ainda tocava a música já que eu tinha colocado o modo de repetição. Seguimos juntas até o apartamento, Vic ajudou-me a pular a janela e assim que ela pode se jogou no sofá massageando suas pernas.

-Só agora elas começam a doer – ela disse em um tom risonho.

-Doer? Aconteceu algo? – depositei rapidamente meu notebook sobre o balcão da cozinha e fui sentar ao lado dela preocupada – Machucou-se?

-Não – Victoria riu, mas continuava a massagear as pernas – Mas eu estava a umas cinco quadras de distância daqui, vim correndo e subi as escadas sem descansar. Ah, por falar nisso – Victoria não demonstrou piedade ao me beliscar na cintura, me fazendo soltar um “ai” de dor e incredulidade – Isso é para você nunca mais brincar que estava passando mal, eu literalmente surtei na rua e quase fui atropelada. Não repita mais isso.

-Foi a Anne! – defendi-me logo e cruzei os braços sem conter um pouco do incomodo – Ela disse que provavelmente você iria para algum bar beber e ficar com outras pessoas.

-A parte do beber está certa, nada como uma cachaça para afogar as mágoas – Victoria deu de ombros – Mas ficar com outras pessoas eu não tenho tanta certeza.

-Não tem tanta certeza? – repeti ficando realmente incomodada com o rumo daquela conversa, como ela poderia não ter certeza de algo assim?!

-Depois que você me beijou naquela noite acho que fiquei estragada para o resto do mundo – Victoria disse simplesmente, com aquele jeito direto dela de falar as coisas, mas logo estava com um ar convencido – O que é uma pena para as outras garotas, eu só dou certo com uma agora.

-Só com uma – enfatizei de maneira mais firme.

Ela riu e inclinou o corpo até conseguir selar nossas bocas em um selinho demorado, mas ainda assim conseguindo fazer aquelas sensações borbulharem dentro de mim. Vic afastou apenas um pouco, fitando-me com aqueles olhos azuis de um jeito carinhoso e intenso ao mesmo tempo em que me fazia perder o fôlego.

-Eu vou tomar um banho – ela disse em um tom baixo, mesmo que estivéssemos sozinhas ali na sala – Ai a gente conversa um pouco sobre... Sobre tudo isso.

Apenas concordei com a cabeça e ela começou a levantar, mas parou no meio de caminho, resmungou baixo e voltou para me dar mais um beijo. Dessa vez não foi um simples selinho, seus lábios cobriam os meus em movimentos experientes, a língua passava por entre meus lábios pedindo passagem que não lhe foi negada. O beijo foi mais intenso do que os outros, mas eu não consegui segurar um gemido abafado quando Victoria capturou meu lábio inferior e o sugou lentamente. Meu copo inteiro estremeceu e eu a segurei mais firme, fiquei mais arfante do que antes.

-Acho que acabei de descobrir um ponto fraco – ela murmurou com um sorriso de lado.

E como que para comprovar a sua hipótese, ela repetiu o ato sugando meu lábio inferior de uma maneira ainda mais gostosa. Eu encolhi no sofá sentindo meu corpo esquentar, não resistindo em segurá-la e puxá-la para mim. Mas Vic se desvencilhou de meus braços e me olhou com as íris mais escuras.

-Banho, eu cheguei do trabalho, fiz a maratona e agora estou quente – ela falava como se tentasse convencer a si própria.

-Vá – murmurei a contra gosto, mas logo estava sorrindo – Vou preparar algo para o jantar.

Victoria suspirou, segurou meu rosto e deu-me um selinho. Porém ela logo se afastou e praticamente correu dali. Não pude evitar um riso baixo com a situação, não havia cogitado que seria tão difícil separar-me, mesmo que por alguns minutos de alguém. Levei meus dedos à boca e toquei meus lábios ainda úmidos dos beijos de Victoria. Um sorriso bobo brotou enquanto eu tinha a certeza de que estava perdidamente apaixonada pela brasileira.