Ma Chérie

44 Quem eu sou


Notas iniciais
Mil perdões, fiquei de postar ontem, mas eu estava meio malzinha. Meu melhor amigo mudou de Estado para começar uma nova fase da vida e, infelizmente, fiquei meio deprê e com sensação de que to sozinha em minha cidade. Mas voltamos a programação normal!! Próxima atualização daqui dois dias! Ou seja, sexta-feira!

Pov Liz

Eu já tinha passado a virada de ano em incontáveis locais diferentes. Geralmente acompanhando meu pai e Cassie em algum evento importante, viajávamos pela Europa ou outros locais famosos para passar aquele momento teoricamente simbólico cultivando a imagem de família perfeita.

Ibiza. Paris. Roma. Dubai. Londres... A lista era infindável e, apesar de muitos considerarem aquele momento importante e festivo, em pouco me lembrava o que havia acontecido, pois tudo era simplesmente um replay do ano passado. Os mesmos sorrisos falsos, os mesmos cumprimentos educados e palavras de incentivo para o ano que estava por vim. Conhecidos de meu pai se aproximavam com discursos do que seriam melhor para o mundo nesse novo ano que estava por vim.

Obviamente nada havia se comparado a virada de ano no Rio de Janeiro.

Não por ser a beira da praia em plena Copacabana ou pelo show de fogos de artifícios. Aquela noite e madrugada ficaram marcadas em minha mente e memória pelas pessoas que me cercavam. Chegamos cedo para acompanhar os shows e só então eu percebi o quanto o espírito brasileiro era genuinamente festivo. Eles simplesmente não paravam! Não me restringi as bebidas, apesar de evitar veementemente a cerveja, o gosto amargo não apetecia o meu paladar. O que se provava contrário quando se tratava de drinks doces.

Nós bebemos, rimos, cantamos e dançamos. Dançamos a noite inteira. Dançamos no meio de pessoas estranhas e sem nos importamos com o que elas pensariam de nós. Até mesmo minha Victoria ousou uma dança ou duas comigo, mesmo que na maioria das vezes ela apenas pulasse ou balançasse o corpo tentando seguir um ritmo ou apenas para se mexer. Durante a contagem regressiva todos pareciam acumular a energia e liberá-la assim que o tempo findou. Quando Victoria me beijou eu não conseguia pensar em pudores sociais de troca de carinho intimo em meio a uma multidão. Tudo o que eu compreendia era que eu estava em um momento especial com a minha pessoa especial.

Naquela noite eu havia compreendido o que era passar uma virada de ano com os amigos. Cada um deles me abraçou apertado, um abraço sincero e demorado. Eles me desejaram coisas bobas e esquisitas, mas sinceras. Pierre me emocionou ao segurar meu rosto e dizer o quanto estava orgulhoso de mim. Anne assim que escapou do beijo com Nicoly também se aproximou, mais me agarrando do que abraçando, apenas para sussurrar em meu ouvido um "obrigada por fazer minha melhor amiga feliz".

Foi uma das melhores noites de minha vida.

Entretanto, momentos como esse sempre faziam emergir pensamentos de como havia sido o ano que se passou e como desejássemos como fosse o que estava apenas começando. Há um ano, nessa mesma data, eu estava em uma festa de gala em uma cobertura de hotel cinco estrelas, vestindo um conjunto exclusivo e extremamente caro. Naquela época eu era a filha caçula do Duque Roux, uma dama perfeita como exigia o enredo. Nesse ano eu estava em uma praia carioca, não apenas de braços entrelaçados com uma garota, mas a amando e tendo todos os meus planos futuros traçados ao lado dela.

Finalmente eu tinha convicção do que queria. Quando tinha fugido de casa almejava minha independência, o direito de seguir meu coração sonhador e conquistar as coisas por mim, não por ser uma nobre dama. Surpreendentemente, em poucos meses eu tinha alcançado vitórias mais do que em toda a minha vida. Porém, aquele era apenas o começo, uma base para meus próximos passos.

E meu próximo passo era a sinceridade.

—Eu consigo escutar o seu cérebro fritando.

A voz rouca e levemente sonolenta da brasileira rompeu a minha linha de raciocínio. Não recordava quando tínhamos de fato chegado à casa de Nicoly e adormecido no quarto reservado para nós duas. Mas ao despertar encontrei-me presa naqueles pensamentos sobre o passado e o futuro. Lentamente, virei meu corpo na direção da minha morena, deitando de lado e tendo a visão de um belo rosto amassado e uma confusão de fios negros. Acabei sorrindo suavemente, ela era uma linda bagunça sempre quando acordava.

—Não me olhe desse jeito, eu sei que eu estou ridícula – Victoria tentou colocar a mão sobre meus olhos, mas seu corpo ainda mole apenas a fez colocar a mão sobre meu rosto – Você é uma maldita por ser linda de qualquer jeito, como posso competir com isso?

—Eu adoro sua aparência quando acorda – argumentei em tom risonho – Honestamente, eu gosto de sua aparência o tempo inteiro.

—Já ouviu a expressão de que o amor é cego?

—Você sabe como surgiu essa expressão?

—Do filme? Tem o carinha lá que começa a ver as garotas como elas são por dentro e...

—Non mon amour— acabei rindo pois havíamos assistido aquele filme há um tempo atrás e era realmente um belo longa-metragem – O filme é justamente baseado nessa expressão. Mas ela vem do deus grego Eros.

—Ah esse eu sei que é o deus do amor.

—Exatamente, chèrie— retirei a mão dela que ainda permanecia em meu rosto e depositei um beijo sutil na palma antes de prosseguir – Muitas vezes o deus do amor era representado com vendas nos olhos.

—Sei que deve ter alguma metáfora escondida nisso ai, mas estou sonolenta demais para tentar adivinhar.

—Sim, é uma metáfora. Uma de que o amor não precisa ver a aparência do outro para amar ou sentir prazer, ele pode se regozijar com qualquer pessoa. Ele é cego para a altura, peso, cor de pele, gênero... Ou para quem acabou de acordar.

—Tudo bem, eu aceito que aos seus olhos eu sou linda e maravilhosa desde quando acordo!

—Pardon mon amour, mas eu disse que adorava sua aparência durante a manhã. Isso não é sinônimo de que seja, de fato, linda e maravilhosa.

A expressão de indignação que tomou a feição de Victoria foi tão divertida que me flagrei rindo. Algo que prolongou graças ao verdadeiro ataque de cócegas provocado por ela como punição. Mas logo o ataque se transformava em vários beijos aplicados por todo o meu rosto até ela finalmente voltar a deitar e me puxar para perto, entrelaçando nossas pernas e fazendo aquele carinho gostoso em meu braço. Um em que seus dedos mal roçavam a minha pele, provocando uma sensação gostosa e suave.

—No que estava pensando? – Victoria indagou de repente.

—Sobre o que eu almejo para esse ano – respondi mordiscando o lábio o inferior incerta de como aquela conversa poderia terminar.

—E o que tem em mente?

—Eu quero estudar dança. Eu quero continuar dando aulas. Eu quero descobrir novas receitas para quando você chegar ao nosso apartamento anunciar que chegou e encontrar uma boa refeição. Eu quero estar com você, eu quero viver com você.

—Esses são meus planos para esse ano, pro próximo, pro que vem depois e depois... – o sorriso que cresceu em meus lábios não escondia a euforia de escutar que ela me queria por tanto tempo – Meus planos estão totalmente entrelaçados a você, Aimée.

Aquela era definitivamente a melhor primeira declaração de amor de início de ano. Foram necessários apenas poucos meses para que meu rumo por inteiro estivesse mesclado com o caminho de Victoria. Eu não resisti por mais tempo e nem ponderei que havíamos acabado de acordar. Apenas ajeitei melhor meu corpo, me afoguei por alguns segundos no oceano azul do olhar de Victoria, suspirei apaixonadamente e finalmente a beijei. Um beijo lento e até mesmo preguiçoso, um beijo carinhoso e que fazia nossas bocas e língua valsarem. Estávamos selando um acordo mudo, um em que aceitávamos que fazíamos parte da vida uma da outra e que seria assim por um longo – verdadeiramente longo – tempo.

Esses eram os planos para o futuro. Porém não foi apenas isso que me fez acordar e manteve-me pensativa. O passado quando não resolvido poderia reaparecer com uma força demasiadamente grande. Por Deus, havíamos acabado de viver isso nesses últimos dias. A família de Victoria, a conversa com dona Helena, o encontro inesperado com a garota que causou todo o pandemônio na vida de minha morena. Ao voltar a pensar demais, acabei quebrando o beijo e me afastando lentamente. Deparei-me com o olhar azul questionador e levemente confuso de Victoria, indagando-me silenciosamente o que se passava em minha mente.

—Alguns casais levam anos para chegar ao nível que estamos, estou certa? – questionei em tom incerto.

—Sim, pulamos várias etapas... Mas eu não me importo com isso, você sabe e...

—Nos conhecemos a meses e sinto que você me conhece melhor do que qualquer pessoa – a cortei suavemente e comecei a brincar distraidamente com o cabelo dela, enrolando os fios escuros em meus dedos – De fato, mademoiselle Victoria conhece esse meu novo eu totalmente. Você segurou minha mão e me guiou nesse novo mundo, nessa nova realidade. Mas nem sempre foi assim e eu temo que algo do meu passado acabe destruindo a imagem que você tem de mim e...

—Você está escondendo algo de mim, Elizabeth?! – Victoria se afastou bruscamente, com um olhar afiado.

—Non é esconder! É... não dizer o que não foi perguntado?! – tentei uma forma de amenizar o impacto, mas descobri que estava nervosa o suficiente para levantar da cama em um pulo e andar de um lado para o outro em aflição – Je ne veux pas que vous pensez différemment de moi...

—Eu não falo francês, Elizabeth! Diga de uma vez a sua mentira! Tanto tempo juntas!

— Il est pas un mensonge!— eu disse rapidamente e coloquei a mão sobre a boca quando percebi que estava falando francês mais uma vez, meus olhos dobrando de tamanho como se tivesse sido pega em flagrante ao fazer algo errado. Respirei fundo duas vezes antes de voltar a sentar na cama – Não é uma mentira. É sobre o meu passado, você não me conhece e...

—Quem disse que eu não conheço você e seu passado? – Victoria me cortou subitamente calma.

Eu a fitei com os olhos abertos sem esconder o semblante surpreso e confuso. Em minha mente busquei pelo período de tensão menstrual para justificar aquela mudança brusca de humores. Então como que para me deixar ainda mais desnorteada, Victoria começou a rir e sentou na cama bem a minha frente, cruzando as pernas em pose de índio.

—Desculpe, eu sabia que você ia ficar nervosa e ficar toda fofa tentando se explicar. Eu não estava com raiva nem nada – Victoria explicou com um sorriso travesso.

—VICTORIA! – eu exclamei incrédula.

—Eu não resisti! Você sabe que eu fico bem idiota pela manhã, meu cérebro ainda estava acordando. Olha Liz, nessa última semana te arrastei para um tuor pelo meu passado revelando coisas que você nem fazia ideia ou suspeitava. Mas eu sei sim sobre seu passado e sobre você.

—O que quer dizer com isso? – questionei cuidadosamente.

—Eu posso ser lenta com relacionamentos, mas não sou idiota e presto atenção nos detalhes Liz – Victoria ergueu a mão e começou a levantar dedo por dedo a medida que começou a falar – Você tem uma educação de alto nível, fala inúmeras línguas, entende de política e o máximo de palavrão que eu já escutei você falar foi apenas quando me mandava calar a boca. Não é difícil imaginar que na Europa você era rica, provavelmente morava em uma mansão e você já me disse que tinha cozinheiros e até mesmo uma governanta. Você teve aulas de piano e as odiava, mas amava as aulas de dança. Sua relação com seu pai é delicada, pois você malmente o menciona para mim. E sei, principalmente, que você fugiu de casa porque iria ser obrigada a se casar. O que eu acharia bem improvável no início, quem hoje em dia é obrigado a se casar com outra pessoa? Mas se trata de você e de uma cultura que pouco entendo. Você fala de sua irmã como alguém importante, provavelmente ou é alguém ligada a política ou ao mundo de negócios.

Era impossível não deixar que meu queixo descesse alguns bons centímetros. Aos poucos ia me recordado de conversas nossas em que eu narrava as minhas lembranças ou comparava o meu antes com o presente. Também havia dito para dona Helena o real motivo de ter deixado todo o meu conforto e título, recordando só agora que Victoria havia escutado toda a conversa, inclusive essa informação.

Ela sabia. Ela sabia que de certa forma erámos de realidades completamente diferentes. Mas ainda assim, ela estava ali dizendo que queria traçar o futuro ao meu lado. Finalmente perceber isso me fez ter a percepção de quão realmente era grande o nosso amor.

—Você não vai me deixar porque temos realidades diferentes? – foi surpreendente que o meu tom de voz soou embargado e vulnerável – Ou me tratar diferente por eu ser, de verdade, uma dama burguesinha?

—Por que o faria? – Victoria franziu o cenho e se aproximou ainda mais, em poucos movimentos ela estava sentada bem pertinho de mim, com suas pernas sobre as minhas – Você tinha isso com você quando nos conhecemos, quando nos beijamos pela primeira vez, quando brigamos, você ainda é você aqui e agora. E eu amo você. Dama. Burguesinha. Dançarina. Tanto faz para mim contanto que seja você – ela agarrou firme minhas mãos e inclinou ainda mais em minha direção – Teria efeito se você dissesse que quer voltar pra aquela realidade, eu não poderia te oferecer isso, não agora...

—Não há uma realidade sem você, Vic – eu disse com a voz embolada pela vontade de chorar.

Com o coração parecendo pulsar em minha garganta tamanha era a sua vontade de escapar de meu corpo, eu simplesmente me joguei sobre ela. Agarrei aquele corpo alto e moreno, as lágrimas escapando silenciosamente. Naquele momento eu transbordava emoções, sentindo que todo o mundo poderia estar em um vendaval de desafios e incertezas, mas que quando os braços dela finalmente me envolveram... Tudo no final ficaria bem, pois eu sempre estaria daquele jeito junto com ela.

—Eu li inúmeros romances que tudo acabava por causa de um segredo do passado. Eu não quero que isso aconteça conosco. Eu não quero que isso acabe, jamais!

Eu falava entre verdadeiros soluços. Não entendia porque chorava daquela forma, talvez fosse alívio? Provavelmente sim, pois o destino tinha todas as cartas para que meu passado fosse usado contra mim e no final Victoria se mostrava mais incrível a cada momento.

—Que tal levantarmos, tomar um banho e sairmos para comer alguma coisa? Então poderá me contar o que quiser contar – Victoria propôs com um quê desesperado na voz – Porra, só não chora mais, eu te amo, eu não vou a lugar nenhum. Isso é impossível porque eu te amo pra caralho entende? Todas as minhas convicções do passado levaram uma surra do seu romantismo, eu to fodidamente louca por você e...

—Oui, nós podemos sair em um encontro – a interrompi antes que ela ficasse mais nervosa tentando me acalmar.

—Encontro? Não lembro ter dito que era um encontro! – a olhei e todo meu eu mimado produziu um belo de um beicinho. Victoria encolheu os ombros e logo resmungava derrotada – Tudo bem, vamos a um encontro.

Pela segunda vez eu me joguei nos braços dela, mas dessa vez fui eu a tomar aquela boca para mim em um beijo animado e singelamente aliviado. Naquele primeiro dia do ano eu tinha certeza de que queria que todos os outros dias fossem assim.

(...)

Acabamos em uma lanchonete próxima ao apartamento de Nicoly. Era limpa e até bem decorada, mas o ponto principal era que estava praticamente provavelmente por ser tão cedo. Estávamos sentadas em um lugar afastado da entrada em um daqueles assentos que mais pareciam sofás. Uma do lado da outra, degustávamos lanches e suco de laranja com acerola. Victoria mantinha uma conversa amena, parecendo dar-me o tempo que eu precisava para me organizar e finalmente começar a contar tudo.

E eu contei. Contei sobre onde morava, sobre as aulas particulares, sobre a educação rígida e de etiqueta. Falei sobre meu pai ser um político e de como o casamento arranjado lhe daria mais influência e poder. Contei sobre como Cassie era a herdeira de tudo e se esforçava para ser a mulher moderna perfeita, noivando um pouco antes da minha fuga com um importante investidor alemão. Até então ela fazia poucas perguntas e tentava esconder a surpresa. Até que eu finalmente revelei algo que a fez engasgar com o suco e precisar de cinco minutos para se recuperar.

—Uma nobre?! – ela exclamou enfaticamente, apesar de manter o tom baixo e surpreso – Tipo, uma de verdade verdadeira?

—Sim, meu pai sustenta o título de Duque Roux. Cassie herdará o título nobre – expliquei mais uma vez – Isso atualmente não tem tanto impacto mundial, mas na Europa continua a ser respeitado. É sinônimo de tradição e força real, mesmo que a realeza não seja mais tão influente quanto no passado.

—Uma nobre... – ela repetiu parecendo meio aérea – Deus, puta merda, uma nobre!

—Sim, mon chèrie, eu sei que eu sou uma nobre – fiz uma breve careta.

—E você mudou tudo bruscamente, foi para um apartamento medíocre em uma cidade pequena...

—Eu adoro o nosso apartamento! – a cortei prontamente, ficando levemente indignada por ela falar daquele jeito de um dos locais mais importantes para mim – Sim, é realmente um apartamento que segue o padrão da classe média e---

—Ele deve ter o tamanho do seu quarto – Victoria comentou franzindo o cenho.

—Oui, mas...

—Seu porão deveria ser maior do que a nossa sala – Victoria prosseguia.

—Mademoiselle! – proferi um pouco irritada – Oui, não tenho como negar que minha casa em Genebra era uma mansão. Oui, era tudo muito luxuoso. Mas eu posso alegar veementemente que eu prefiro nosso apartamento!

—Como é possível? – Victoria encarou-me quase indignada.

—Porque ele não é frio! – exclamei sentindo um aperto no meu coração – Porque há sorrisos sinceros. Porque não importa quanto dinheiro ou influência ou título eu tive, eu nunca fui tão feliz quanto eu sou agora! Tudo começou porque eu fui morar com você. Eu trocaria tudo, mon amour, qualquer luxo ou riqueza, por todos os momentos que eu tive em nosso lar. O que me faz feliz é acordar com você, dançar, ter amigos de verdade e não um exército de empregados que irão dizer e fazer qualquer coisa para agradar!

Respirei fundo quando senti meu tom embargar. Encostei-me ao sofá sentindo uma pontada na cabeça enquanto lembrava vividamente a sensação de solidão que eu sentia em meu próprio lar. Tudo se tornou terrivelmente complicado quando minha mãe morreu. O Duque afundou-se na política e Cassie estava ocupada demais realizando todas as expectativas que todos tinham sobre ela. Senti a sensação de sufocamento que a tanto tempo não aterrorizava o meu peito e tudo o que eu queria era fugir mais uma vez.

Mas qualquer impulso desapareceu quando um braço protetor rodeou meu ombro. Victoria me envolvia e puxava para perto, abraçando-me e me aquecendo apenas por estar ali, do meu lado. Ela beijou demoradamente a minha cabeça e pareceu tomar fôlego.

—Eu não tenho nada do que você teve no passado Aimée. Tudo o que eu posso oferecer é meu amor, o mais sincero e profundo. É a coisa mais preciosa que tenho porque de quebra tem o meu coração envolvido. Você aceita?

—Vic... Eu já o aceitei a muito tempo, muito antes de você saber que o tinha me dado.

—Sim, isso é verdade! – ela riu brevemente e segurou meu rosto entre suas mãos, obrigava-me a fita-la e lutar para não me afogar na intensidade de seu olhar azulado – Eu me ofereço por inteiro para você. Se isso é o suficiente para você, então você é muito louca. Mas sou feliz por você o ser.

—Prometa-me que nada vai mudar agora que você sabe – implorei sentindo meus olhos marejarem.

—Nada vai mudar, eu prometo.

Então, mais uma vez, eu não me importei em juntar nossos lábios em um beijo em um lugar público. Era uma necessidade, um ato que selava aquela promessa que finalmente calava um perigo. Enquanto a beijava apaixonadamente, eu sentia meu corpo perdendo toda a tensão e minha alma sentir o alívio merecido. Agora todos os fantasmas do passado haviam sido caçados e os demônios exorcizados. Naquele momento eu sentia que, de fato, era apenas de Victoria que eu precisava e que eu seria totalmente louca se não a aceitasse. Com todos os defeitos e qualidades, ela era o meu bem mais precioso, ela era uma parte de mim e definitivamente era o meu futuro.

Notas finais
Alguém esperava por isso? Que a grande revelação fosse feita dessa forma?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.