Ma Chérie
22 Conselhos
Notas iniciais
POV Victoria
–Ai então a Nic estava evidentemente bêbada e foi tentar imitar os passos de dança da Anne, mas convenhamos que a Anne é excelente e até mesmo eu tenho dificuldade em acompanha-la. O resultado foi que mademoiselle Nicoly caiu bem sobre Anne – Liz contava animada do outro lado da linha – E eu sei que se você estivesse aqui teria feito algum comentário que deixaria Anne sem jeito, pois ela demorou uns bons segundos para soltar a garota.
–Certamente que eu faria, ainda iria sugerir ela experimentar o lado bom da vida com uma garota linda como a Nic – disse um pouco distraída.
Comecei a mudar de canal inúmeras vezes, sem conseguir prestar atenção em nada por causa da leve irritação que eu estava sentindo. Por que tudo tinha de se resumir a Nicoly? Elizabeth não parava de falar dessa garota, em todas as nossas ligações ou mensagens, esse ser irritante tinha de aparecer de alguma forma. Tudo bem, estava geralmente relacionado a Anne e ela, mas... Por que ela tinha de ser tão bonita também? Não mais que minha Liz, mas ainda assim um risco enorme. Minha amiga e vizinha havia tirado uma foto com ela e mandado por mim pelo whatsapp, corroendo ainda mais meu coração ciumento. E eu estava tão distante para cuidar do que era meu! Era irritante a sensação que estava me tomando sem que eu tivesse controle, eu não queria ser uma daquelas que ficava vigiando e monitorando a sua garota, mas... Merda! A insegurança arrombava a minha porta e entrava com tudo nesses momentos. E não maliciem, porque é foda sentir algo assim e não é no bom sentido da palavra.
–Então, que horas você vai chegar aqui amanhã? – interrompi o que ela ia falar sobre Nicoly ter desenhado algo incrível, eu não aguentava mais ouvir sobre aquela loira.
–Dez horas da manhã – Liz lembrou e suspirou – Falta bem pouco agora, mas parece que fico ainda mais ansiosa a cada minuto que se arrasta.
Agora sim, era uma conversa que me agradava.
–Eu irei busca-la e sinto muito, mas irei beijá-la na frente de todas aquelas pessoas – disse com um sorriso sonhador.
–Non pode fazer isso – ela falou naquele tom fofo de quem estava negando algo a uma criança – Porque duas pessoas que não estão namorando não fazem isso.
Ai essa doeu. Ri baixo para disfarçar aquela grande indireta bem direta. Deitei no sofá e fechei os olhos tentando imaginá-la ali fazendo cafuné. Deus, saudade não deveria doer tanto!
–Então terei de roubar os beijos – comentei irredutível, em um evidente tom de gracejo – Se os quiser de volta, teria de me beijar para recuperá-los. O que acha?
–Que é errado e inadequado – Liz respondeu prontamente, mas sua voz vacilava – Sabe o que eu acho sobre beijos em públicos, mon amour.
–Mas estou com saudades – choraminguei – Posso imaginar você aqui sabia? Fazendo carinho em meu cabelo enquanto assistimos algo na televisão – sorri com o pensamento – Então bastaria que eu me erguesse um pouco, você notaria o movimento e me olharia, tornando perfeito o momento para que eu tomasse sua boca para mim em um longo e lento beijo.
–Victoria – alertou Liz, mas sua voz estava pesada – Acho que devemos dormir, assim amanhã chega mais rápido.
–Vai sonhar comigo?
–Oui, mon amour. Até mesmo meu inconsciente almeja estar perto de você. Irá dormir também?
–Provável que não. Estou sem sono e com tédio, ficarei vendo televisão até que meu corpo canse. Mas eu sei que foi um dia agitado para você, ma chérie. Você está certa, amanhã chegará mais rápido se descansar.
–Bonne nuit et doux rêves, mon amour.
Sorri toda boa quando escutei ela me desejando boa noite e bons sonhos, com aquele francês que ficava ainda mais rouco quando estava com sono. Eu podia sentir meu corpo estremecer só de imaginar ela gemendo em francês para mim. Ah, esse dia seria inesquecível, eu tinha certeza. Desligamos e eu soltei uma longa respiração, Deus, eu estava tão apaixonada que chegava a ser deprimente. Não queria sair em pleno sábado, não sem minha ruivinha por perto. Ficava contando as horas para poder vê-la e ficava imaginando o que ela estava fazendo.
Meus pensamentos foram cortados pelo som da companhia tocando. Arqueei as sobrancelhas surpresa, afinal estava esperando ninguém. Saltei do sofá e fui atender me esquecendo de olhar pelo olho mágico para checar quem era. Qual o meu choque ao ver Pierre parado lá, com uma garrafa de vinho na mão e um sorriso de lado.
–Esqueceram de te dizer que eu sou lésbica e não curto pepeu? – questionei erguendo uma sobrancelha.
–Eu não posso visitar uma amiga mais? – Pierre se fez de ofendido.
–Qual a intensão? – perguntei ainda desconfiada.
–Levei um fora, não queria desperdiçar o vinho e estava por perto – o francês deu de ombro, dessa vez sendo sincero.
Não contive o riso e dei passagem para que ele entrasse. Pierre não era exatamente um amigo, ele quando estava por perto o estava por causa de Liz. Ele já conhecia meu apartamento, da primeira vez em que esteve ali para ajeitar as coisas com a minha princesa ruiva. Pierre seguiu diretamente para a cozinha e eu prontamente fui pegar as taças de vinho. As coloquei sobre o balcão e ofereci o abridor para ele.
–Sabe, acho que essa é uma ótima oportunidade para que possamos conversar – ele disse distraído na tarefa de abrir o vinho.
–Sobre? – indaguei o observando.
–Elizabeth Aimeé Bellamy.
Meu coração disparou. Vejamos, Liz não tinha parentes aqui no Brasil, seu único contato, originalmente pelo menos, era apenas Pierre. Então aquele homem a minha frente seria a figura mais próxima de “sogro” que eu teria. Ele provavelmente estava fazendo o papel de protetor da inocência da menina. Abaixei os ombros incerta se estava gostando do rumo daquela conversa, porém Pierre ficou em silêncio enquanto servia as taças com o líquido roxo até a metade. Pegou a própria e bateu na minha em um brinde.
–Eu entendo como sua mente funciona – Pierre começou depois de alguns goles – Posso imaginar os motivos para você não a ter pedido em namoro ainda.
–Pode? E o que sugere? – indaguei mais curiosa do que ofendida.
–Medo. De se machucar e machucar ela – Pierre ficou pensativo, sentando em uma cadeira perto do balcão – Pessoas pegadoras como eu e você não estamos acostumados com a parte afetiva de um relacionamento. E se você não souber fazer a coisa certa? De qualquer forma, é uma situação nova.
–Está começando muito bem – disse surpresa com as palavras.
–E também há o fato de Elizabeth ser inexperiente. Ela comentou por alto comigo sobre você não querer ter compromisso porque não tem certeza dos sentimentos dela.
–Ela acredita em um amor tão... tão...
–Mágico, surreal e puro – Pierre completou prontamente – Mas a questão que te faço agora é, você ainda acredita que um tipo de amor desse não exista? Depois de conhece-la e ter tido algumas experiências?
A pergunta dele me deixou completamente desarmada. Até pouco tempo atrás eu estava zoando mentalmente de mim mesma por estar que nem uma idiota apaixonada. Soltei um longo suspiro e bebi um grande gole de vinho enquanto pensava.
–Eu ainda acho difícil e meio irreal. Mas acho que a verdadeira questão não é se ele existe ou não, mas sim o que se faz para que se chegue perto disso – falei finalmente, surpresa com meu próprio pensamento – Digo, Liz sempre demonstra de alguma forma que gosta de mim. E não é algo forçado, é natural – então eu ri – Eu fui estúpida, ela disse que ia me mostrar que estava apaixonada por mim e o fez sem que eu nem percebesse – passei a mão pelo rosto e foi impossível não sorrir – Está nas pequenas coisas e eu esperava algo meio que grande sabe? A felicidade que ela fica quando eu elogio algo que ela fez, o carinho e delicadeza que ela tem comigo.
–Então agora acredita no que ela diz quando a ama?
–Eu quero acreditar que sim. É tudo muito novo e essa certeza vai se construindo com o tempo. O que pode ser relativamente pequeno em comparação aos outros, porque moramos juntas e isso pula muitas etapas. Apesar de tudo, vamos devagar e rápido ao mesmo tempo. Respeito o espaço e o tempo dela.
–Posso te dizer agora que fico feliz dela ter encontrado uma canalha romântica como você – Pierre comentou rindo e me fez gargalhar – Então te pergunto mais diretamente, por que não a pediu ainda?
Essa pergunta me fez beber todo o resto de vinho na minha taça e soltar um suspiro de sofrimento. Todas as minhas incertezas afloraram em meu corpo. Eu poderia tentar fingir que estava tudo bem, mas não estava. Ao menos comigo não.
–É complicado. Digo, tudo no que se trata nessa porra de coisa de amor e cortejo é. Eu sei lidar com paquera, casos rápidos e fugazes. É como Liz disse, é fútil e sem emoção. Mas eu não sei nada sobre compromisso e o que dá a ela – soltei um gemido de dor – Cara, ela é perfeita. Tem o pensamento perfeito, o corpo perfeito, a maturidade de mulher e inocência de uma menina. Eu sou toda errada!
–Então não se acha suficiente para ela?
–Nem um pouco. Ela merece um príncipe encantado, uma pessoa educada que saiba palavras difíceis, que tenha um bom emprego. É muito fácil imaginá-la com um desses riquinhos que usam ray-ban e tem uma Ferrari na garagem. Que vá busca-la no trabalho e não ficar esperando no ponto de ônibus para entrarem em um ônibus lotado – enchi novamente minha taça, tratando de dar bons goles antes de continuar – Tenho medo de que ela perceba isso e me dê um fora. De certa forma, ainda continuo sendo egoísta, como ela acusou desde o inicio.
Pierre dessa vez nada comentou. Bebi o vinho em silêncio, minhas incertezas e inseguranças fazendo um verdadeiro baile em meus pensamentos. A dor que eu sentia só de imaginar que ela poderia me deixar era tão forte que eu podia me imaginar morrendo se isso realmente acontecesse. Saber disso me assustava pra caralho, a tal ponto de não saber mais o que fazer e ter medo de assumir esse risco a pedindo em namoro.
–Eu acredito no amor – Pierre disse de repente, me fazendo olhá-lo surpresa – Sei que sou um mulherengo de quinta categoria. Mas acho que só estou esperando pela pessoa certa.
–Como sabe que é a pessoa certa?
–Porque eu iria querer ser o meu melhor para essa pessoa – Pierre disse encarando a bebida em seu copo – Mas seria de uma maneira natural e não proposital, porque essa pessoa iria despertar esse desejo em mim de uma forma que eu mal iria perceber. Levar flores apenas para vê-la sorrir com a surpresa. Controlar minha impaciência para não brigar. Pedir desculpas quando estiver estressado e ter dito algo impensado – ele então me fitou intensamente – Ninguém é necessariamente o encaixe perfeito do outro apenas por serem almas gêmeas, por assim dizer, mas sim porque se esforçam minimamente para isso. Claro que há a mágica do romance e a química do tesão, mas como eu disse, o amor age naturalmente.
–Acho que estamos andando demais com a Elizabeth, já estamos dizendo coisas desse tipo.
Foi inevitável não soltar uma alta gargalhada com isso. Vejamos, éramos dois pegadores natos, bebendo uma garrafa de vinho em solidariedade a um companheiro que levou um fora de alguém. E estávamos discutindo sobre o amor.
–É um risco no final das contas – Pierre pareceu completar – Nunca sabemos se vamos errar ou fazer direito. Mas se não o fizer e perder as melhores coisas da sua vida? Não há um castigo pior do que viver imaginando o que seria e ter perdido chances.
–Seria lindo chama-la de minha e ser verdade isso – sonhei um pouco e rir – E esfregar na cara daquele Henrique que ele não tem mais nenhuma chance!
–Então tente, se arrisque, beba do amor enquanto ele lhe estiver sorrindo.
–Mas e se... E se eu acabar machucada no final?
–Acha que uma hipótese vale mais a pena do que a certeza de momentos felizes?
–É uma construção de memórias, afinal de contas – pensei alto, lembrando de uma das definições que Elizabeth fazia do amor – Então meu caro, acho que se é pra eu me ferrar, que eu me ferre de uma vez! – ergui minha taça em um brinde – A pedirei em namoro no momento certo, porém. Quero fazer as coisas direito e do jeito romântico.
–Talvez no Festival Primavera, o lugar é lindo.
–É uma ideia a se pensar.
Sorrimos cumplices e terminamos mais uma taça. Mas logo tratei de encher novamente e comecei o meu interrogatório sobre quem o havia chutado. Acredita que era uma garota que eu já havia ficado? Isso foi a deixa para começarmos a contar velhas histórias, descobrindo garotas que já havíamos dado encima em momentos diferentes. Passei aquela noite rindo e recordando sobre meu antigo eu. Foi nesse exato momento que eu soube que aquela vida já não tinha mais graça e nem sentindo, não quando o meu mundo passava a girar ao redor de uma garota de cabelos ruivos e olhos achocolatados.
(...)
Era por volta das dez e vinte quando o ônibus de Liz e Anne finalmente chegou. Eu estava total e completamente impaciente, esperando ansiosa pela visão de minha princesa burguesinha. A esperava no portão de desembarque, em minhas mãos um buquê com flores coloridas. Tinha pegado apenas o mais alegre que havia encontrado, nem perguntando quais eram aquelas flores.
Meu corpo todo tremeu quando ela apareceu puxando a sua enorme mala de rodinhas. Conversava algo com Anne, parecendo levemente cansada pela viagem. Quando dei por mim, já estava correndo em sua direção. Liz teve tempo apenas de me ver e começar a abrir um sorriso, no segundo seguinte eu a estava envolvendo em um abraço forte e apertado, a erguendo do chão alguns centímetros em minha ânsia de tê-la em meus braços mais uma vez. O calor dela, o cheiro, a textura... Ah Deus, como eu necessitava disso! Ela também me abraçava forte, agarrando meu corpo e sem dizer uma só palavra. A coloquei no chão e meus olhos azuis encontraram-se com os castanhos dela. Abri um enorme sorriso, um bobo e que prontamente foi retribuído. Inclinei para beijá-la, mas no último segundo ela desviou os lábios e eu lembrei do que ela disse noite passada ao telefone.
–Que seja, eu vou te encher de beijos de qualquer forma – resmunguei.
Então comecei a dar vários beijinhos pelo rosto dela, a segurando firme pela cintura para que não escapasse. Elizabeth ria e virava o rosto, mas então eu só fazia beijar a parte que estava em meu alcance.
–Oh, obrigada pelo carinho – escutei a voz de Anne – Também senti saudades suas.
–Ah você viajou? – indaguei fingindo surpresa e a vi exibindo o dedo do meio para mim. Afastei o corpo do de Liz apenas para dar para ela o buquê de flores – Comprei para você, espero que goste, escolhi o que era mais... Alegre, eu acho. Porque acho que me lembra você.
–Está começando a melhorar no discurso ao dar as flores para a pseudo-namorada – Anne alfinetou.
Liz pegou o buquê e sorriu tão lindo que eu soube que fiz a coisa certa ao comprar aquilo. Ela levou as flores até o nariz, sentindo a fragrância em todo o seu jeito delicado. Era uma imagem que eu não esqueceria por um bom tempo.
–Estamos em um lugar público com um comportamento indevido e que pode estar chamando a atenção – então ela me fitou e sorriu sem jeito, toda fofa – Podemos ir para casa?
Casa. Nosso apartamento. Ah coração, como pode ser tão tolo por disparar por algo tão bobo? Mas não era assim o amor? Ele coloria todos os detalhes que não percebíamos antes. Eu prontamente peguei a mala de Liz para puxá-la com uma mão enquanto a outra segurava a dela. Anne ia tagarelando sobre o engarrafamento no Rio de Janeiro que ocasionou o atraso. O caminho inteiro Liz estava próxima de mim, seja dentro do ônibus com o braço entrelaçado no meu, ou quando tivemos de caminhar, sua mão segurando firmemente a minha.
–Vou aparecer para o almoço! Poderíamos ir almoçar fora, já que eu tenho certeza que a Liz não vai conseguir cozinhar com você grudada nela desse jeito – Anne comentou quando ficamos de frente aos nossos apartamentos.
–Tudo bem, você apareceria de qualquer jeito mesmo – disse usando um tom descontente.
–Me ame mais, por favor! – Anne exclamou em brincadeira, abrindo o apartamento e acenando – Sem gemidos muito altos de vocês duas quando ficarem a sós ok?
Revirei os olhos acostumada com aquele tipo de brincadeira, mas, obviamente, Liz estava em um extremo tom vermelho, com aquele jeito tímido e levemente culpado. Ela certamente sabia que algo iria acontecer quando aquela porta fechasse e nos deixasse em uma bolha particular, protegidas do mundo. Eu a achava tão fofa quando ficava daquele jeito que minha vontade era de morder aquelas bochechas avermelhada e enchê-la de beijos. Por isso não demorei em destrancar nosso apartamento, abrir a porta e entrar o mais rápido que pude, arrastando a mala de Liz para perto do sofá da sala.
–Eu fico realmente agradecida do apartamento estar arrumado – Liz comentou virando as costas para mim para fechar a porta — Por um momento cheguei a cogitar a possibilidade de que mademoi...
Liz não terminou a frase. Eu tinha me aproximado e quando ela virou o corpo, estávamos a centímetros de distância. Isso a fez arfar e me fitar com uma intensidade provocante. Estiquei minhas mãos a prendendo contra a porta fechada, aproximando nossos corpos até que eu a estava prensando de uma maneira realmente gostosa. Meu corpo inteiro reagiu, como se cada célula dentro de mim estivesse vibrando de alegria por finalmente sentir o calor dela tão perto. Até mesmo o cheiro daquele perfume suave que eu tanto adorava estava causando um efeito abrasador em mim.
–Eu senti sua falta – falei em um tom acima de um sussurro, o timbre rouco – Falta desse seu cheiro – inspirei profundamente perto do pescoço dela, isso foi o suficiente para fazê-la arrepiar – Falta de sua presença delicada e gentil – não resisti por muito tempo em morder o pescoço dela – Deus, eu estou com medo de te beijar e te machucar, porque estou desesperada e necessitada do sabor de sua boca.
–Mon amour – Elizabeth começou e engoliu em seco antes de continuar, sua voz no mesmo tom que a minha – Neste momento eu posso julgar que preciso mais de tua boca sobre a minha do que o ar em meus pulmões – ergui meu olhar ao dela, aquele doce tom de chocolate estava ficando cada vez mais escuro — Embrassez-moi.
Eu nunca saberia dizer o que “embrassez-moi” significava, mas ela o pronunciou como se me pedisse o coração, aquela boca naturalmente avermelhada quase roçando na minha. Eu não precisava saber francês para saber que eu deveria beijá-la. E foi exatamente o que eu fiz no segundo seguinte. Minha boca cobriu a dela em um toque que exigia o que me pertencia, não fui delicada, afinal tomava para mim o que precisava com certa urgência. Era um beijo desde o principio intenso, que fazia minha língua buscar a dela com anseio e a mover meus lábios sobre os dela em uma dança vigorosa. Elizabeth suspirou contra minha boca, seus braços envolveram meu corpo e me apertaram contra si. Eu enlouqueci com o ato que demonstrava o quanto ela também necessitava de mim. Sem quebrar o contato alucinado de nossos lábios, eu deslizei minhas mãos da porta pelo lateral do corpo dela até alcançar aquelas coxas definidas. Apertei, alisei e em um único movimento as ergui, forçando Liz a envolver as pernas em meu quadril.
Se eu estivesse em meu juízo perfeito, talvez julgasse que eu estava sendo rude com uma flor tão delicada como era Elizabeth. Mas aquela francesa burguesa malditamente gostosa não estava colaborando em nada! Ela soltou meu corpo para poder montar em meu colo, apertando bem firme aquelas pernas moldadas pela dança, uma de suas mãos tocou meu pescoço, a outra se perdeu nos fios escuros de meu cabelo e fez aquela pegada que me forçou inclinar um pouco a cabeça para trás. Eu gemi contra sua boca, de uma maneira abafada, sentindo meu corpo ser atingindo por uma onda de tesão incontrolável. Mas isso não parecia ser suficiente para Liz, não, ela provavelmente queria me deixar sem controle nenhum quando resolveu tomar o controle do beijo. A ruiva em meu colo envolveu a minha língua na sua, a trazendo para si para chupar de uma maneira fodidamente sensual, então apertou ainda mais meu cabelo em sua mão, me fazendo estremecer, ao mesmo tempo em que pegava meu lábio inferior e o sugava com gosto, fazendo uma linda mordida ao final, antes que meu lábio soltasse de sua boca. Então me beijou, me beijou com uma maestria de quem conhecia minha boca e sabia exatamente o que fazer para me deixar a beira de um colapso.
Separei nossas bocas e quase choraminguei pela falta do contato. Mas eu tinha dois bons motivos. Um era que eu estava muito, mas muito perto de perder o controle. O outro era irrelevante, eu só precisava de ar para me manter viva.
–Você está me enlouquecendo – murmurei pressionando ainda mais meu corpo sobre o dela, a senti estremecer em meus braços – Eu... Eu... – merda, eu não conseguia nem pensar direito! – Porra, Liz! Olha o estado em que você me deixa.
–Pardon, Vic – ela pediu naquele jeito inocente dela, mas quando a fitei, ela estava com os lábios inchados por causa do beijo, o cabelo desalinhado e os olhos espelhando todo o desejo que ela estava sentindo – Eu não queria causar mal...
–Ah você me deixou mal, muito mal – afirmei dando selinhos nela, era como se minha boca não conseguisse desgrudar por muito tempo da dela – Eu to muito molhada por sua causa – aquilo a fez arfar e morder o lábio inferior, maldita, havia ficado ainda mais sexy! – Como eu digo minha gostosa em francês?
–Mon chaud...
–Mon chaud – sussurrei provocante em seu ouvido, resultado? Ela puxou novamente meu cabelo me fazendo gemer baixo, ela estremeceu mais uma vez – Eu preciso que me solte primeiro, ou eu não conseguirei te soltar. Eu preciso fazer a coisa certa aqui.
–O certo me parece errado se ele diz que você tem de me soltar.
–Se eu não o fizer, sabe o que eu vou fazer? Vou deslizar minha mão por esse seu corpo branco e delicioso e fazer você minha aqui, contra a porta, em nossa sala, em plena manhã – meu tom não era carinhoso, era quente, sedutor. Tive de engolir em seco e afastar um pouco meu rosto – E eu e você sabemos que não será assim a nossa primeira vez. Um dia, com certeza. Mas não a primeira.
Liz fitou-me de uma maneira indecifrável, apenas travou seus olhos chocolates nos meus azuis. Mantive-me firme, pois sabia que se acontecesse algo demais ali, naquele momento, daquele jeito, nós duas nos arrependeríamos. Ela de ter perdido a virgindade de uma maneira tão rudimentar, eu por ter feito isso com a mulher que eu amava. Por fim, minha princesa soltou meu cabelo e repousou as mãos em meu ombro, tendo assim apoio para sair de meu colo.
–Eu vou tomar um banho gelado, porque haja fogo para ser contido – disse em uma breve careta.
–Victoria – Liz segurou firme em meus braços, me impedindo de me afastar – Obrigada por me respeitar tanto. Isso é realmente importante pra mim e... – ela corou um pouco, ficando extremamente fofa – E isso me faz me apaixonar ainda mais por você. Sei que não aprecias quando digo que a amo, que pode achar que eu estou confusa por causa do tesão. Mas eu tenho essa certeza de que você é meu príncipe encantado no momento – então ela sorriu de maneira extremamente sedutora – E um dia será meu lobo mal.
Deus do céu, que mulher era aquela que conseguia ser fatal e fofa ao mesmo tempo? Eu fiz uma enorme careta porque eu queria agarrá-la de novo. Gemi em frustração e deitei a cabeça em seu ombro, respirando fundo diversas vezes. Liz riu, parecendo entender o meu estado. Ela me compreendia melhor do que qualquer outra pessoa.
–Vamos tomar banho – ergui rapidamente o meu rosto, o sorriso malicioso prontamente em meu rosto – Separadamente – o sorriso sumiu no mesmo instante, a fazendo rir mais uma vez – Porém, como mademoiselle citou há pouco... Um dia, com certeza.
–Quando você ficou tão esperta para essas coisas? – brinquei e finalmente, infelizmente, me afastei um passo dela – Tomamos banho, acalmaremos os ânimos, então vamos depois ficar ali no sofá abraçadinhas e você vai me contar com detalhes o quanto sentiu minha falta.
–Oui, parece um bom plano – Liz concordou com um ar risonho – Mas eu não poderia ganhar pelo menos mais um beijo?
Eu deveria ter resistido mais. Pois assim que eu a beijei de uma maneira mais lenta e íntima, eu tive de beijá-la de novo e de novo. Era como um vício que eu não conseguia parar de consumir. O resultado? Tive de tomar um longo, bem longo, banho gelado.
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