Ma Chérie

8 Capítulo 8: A valsa do pecado


Notas iniciais
Então, eu já tinha esse capitulo pronto e a Mitchie pediu com carinho para eu postar hauhauahua então aqui vai! Quando der eu respondo os reviews ok?

POV Vic

O 7Sins era definitivamente o lugar mais agitado em Santa Mônica naquela noite de sábado. O espaço era enorme em quesito de largura, pois havia apenas um andar superior destinado a espaço reservado e vip. Era dividida em duas áreas, uma para show mais eletrônico ou agitado, e outra para festas ao vivo seja ela qual for. Entre elas existia um espaço verde com bancos para os que queriam apenas um pouco de ar fresco e conversar sem aquele barulho todo.

Foi difícil para Pierre encontrar um lugar para estacionar. Ele havia ido nos buscar já que era o único que possuía um carro, porém desconfiava que ele nunca deixaria Liz sozinha em um momento como aquele. Era engraçado ver como um mulherengo como aquele cuidar de uma mulher tão linda com tanto respeito. Ah e como Elizabeth estava linda! Aquele vestido a deixava estonteante com sua beleza tão singular. Mas agora, a ruiva tinha o cabelo solto e liso, em sua face uma maquiagem de dar inveja a qualquer estilista. Ela havia dito que tinha aprendido a se maquiar devido às apresentações que fazia antigamente como dançarina, tendo feito questão de fazer a arte em mim também. Perto de Liz, mesmo sabendo que sua condição era similar a minha, me fazia sentir como uma plebeia perto de uma nobre. Eu estava usando uma calça totalmente colada, uma blusa branca um pouco folgada com um ombro caído e um cinto fino que definia muito bem a minha cintura.

-Finalmente – Pierre falou assim que saiu do carro, eu tratei de sair, mas o observei ir abrir a porta para Liz um tanto surpresa, desde quando ele era cavalheiro? – Liz, lembre que se alguém tentar algo que você não queira, grite imediatamente.

-Eu não sou criança! – ela exclamou tentando fingir irritação.

-Eu vou ficar com ela essa noite Pie – comentei dando o meu melhor sorriso confiante – Foi a condição para trazê-la hoje, então vou ser a responsável.

Liz revirou os olhos novamente e tomou à dianteira, mas não foi muito longe, pois logo se deparou com uma enorme fila para poder entrar na casa noturna. Sorri ao ver sua expressão de espanto e de uma maneira quase automática peguei a sua mão e comecei a puxá-la. Em minha mente tentava me convencer de que era apenas para que ela não se perdesse ou se afastasse, afinal era como se eu estivesse tomando conta de uma criança em um parque de diversão. Mas em realidade eu adorava aquela textura macia da palma da mão dela.

-Vic, o final da fila é para lá – Liz comentou apertando a minha mão para chamar atenção.

-Nós não pegamos fila, somos VIPs – Pierre explicou com um sorriso soberbo – Afinal somos clientes fieis.

-Fieis apenas ao lugar – a ruiva tratou de alfinetar, o que fez o seu amigo rir.

Como Pierre disse, foi fácil entrarmos. Conhecíamos praticamente a todos que trabalhavam ali, desde os seguranças aos donos do lugar. Naquela noite a atração principal era um DJ vindo da Holanda, apesar de não ser famoso por lá o simples fato dele ser internacional fazia de sua figura uma grande atração. Seguimos primeiro em direção à área entre os dois espaços, o ponto de encontro principal entre as pessoas.

-Crianças, aqui! – gritou Anne dando pulinhos para ser vista, afinal ela era baixinha.

A minha vizinha havia ido com outros amigos dela, eu conhecia a maioria deles. Eram em geral dançarinos informais ou da Escola de Dança, eles sempre chamavam a atenção quando dançavam em conjunto. Assim que me aproximei vi dois garotos abrirem um enorme sorriso ao verem Elizabeth.

-Professora! – exclamou o mais moreno deles – Que bom que veio!

-Agora tenho certeza que vamos chamar a atenção, basta a Liz começar a dançar – o garoto loiro, que se não me engano se chama Jonas, parecia afirmar com convicção.

-Não gosto de chamar atenção – Liz sorria tentando ser social, mas eu conhecia aquele tom tímido dela.

-Deixa-me apresentar a galera, apesar de você conhecer esses dois – Anne logo se prontificou – O rapaz mais alto é o Arthur e a garota ao seu lado é a Susana, mas pode chamar ela de Su ou Suzie.

-Nada de Suzie! – a garota loira e alta fuzilou Anne com os olhos.

-Ok! – Anne riu – O Jonas e o Henrique você já conhece – ela se referia aos garotos que cumprimentaram Liz, sendo o Henrique o rapaz moreno – E essa pérola negra aqui é o Ian.

Ian mais parecia um daqueles negros americanos, com sua calça folgada e caída e camiseta que definia o seu perfeito peitoral. Ele abriu um enorme sorriso e cumprimentou a Liz pegando em sua mão e aplicando um casto beijo.

-Enchànté, dame – Ian falou usando todo de seu charme.

-Oh, vous parlez français? – Liz logo comentou sorrindo animada.

-Opa, só sei aquilo mesmo – Ian riu sem jeito – Era só uma cantada.

-Se deu mal, mané! – gritou Susana fazendo todos rirem.

-Vamos para pista? – Pierre chamou olhando para a entrada da área mais agitada – O som parece muito bom e hoje o mar está cheio de sereias.

-Concordo! – Jonas exclamou.

Entrelacei meu braço ao de Liz sem aviso e comecei a puxá-la junto comigo, sabia que lá dentro as coisas iriam apertar um pouco e seria muito mais fácil perde-la apenas segurando a sua mão. Assim que entramos a batida eletrônica se provou ser mais forte que o de costume. Havia várias pessoas ali espalhadas pela pista, pelos cantos e até mesmo no andar superior. Tinha de todos os tipos e gosto, como Pierre disse, o mar estava para sereias! Procuramos um lugar com mais espaço e logo Anne, Ian e Henrique estavam dançando sem pudor ou vergonha, afinal eram realmente ótimos dançarinos.

-Vou pegar algo para beber, quer algo? – tive de perguntar perto do ouvido de Liz para que pudesse ser escutada.

-Acho melhor não – ela disse acuada.

-Vamos, só um pouco não faz mal e vai te deixar mais solta, vou pegar um drink fraco!

Antes que ela recusasse me afastei piscando um olho e indo em direção ao bar que ficava mais ao fundo. Demorei cerca de dez minutos para poder chegar perto do balcão e encontrar com Lígia, a bargirl com o braço esquerdo completamente tatuado e um charmoso sorriso.

-Oi gatinha, chegou cedo hoje! – Lígia cumprimentou abrindo aquele sorriso.

-Oi Lí! – falei animada – Vim com uma amiga hoje, então vim mais cedo. Pode pegar uma cerveja para mim e fazer um drink doce?

-Então está de babá hoje? Sério isso? – Lígia riu de minha situação, logo começando a fazer um drink qualquer – Ela é bonita pelo menos?

-Uma ruiva de tirar o folego, ela está dividindo apartamento comigo agora – expliquei me debruçando um pouco no balcão.

-Só dividindo? Que isso Vic, achei que você não levasse amantes para casa.

-Não temos nada, eu juro! Até pensei no inicio, mas ela é uma burguesinha muito fofa, não é para mim.

-Pensei que qualquer uma fosse para você! Que revelação!

-Não ela, é toda educada e romântica, eu só faria quebrar seu coração se tentasse algo. E sabe? É bom tê-la como amiga, ela é toda diferente Lí!

-Nunca vi você falando assim de ninguém, se importando até com quebrar o coração de alguém.

-Eu não sou tão ruim assim Lígia!

-Fale isso para as garotas que você pega – Lígia riu demonstrando que estava apenas brincando, foi o tempo dela terminar o drink e ir pegar a minha cerveja – Depois traga a sua ruivinha para eu conhecer.

Apenas assenti sem levar muito a sério. Quando voltei encontrei a galera inteira dançando, inclusive Liz que era conduzida pelo Henrique. Mas assim que a burguesinha me viu sorriu e se aproximou. Ela parecia muito mais confortável, o que não era surpreendente já que a turma era realmente alegre e sem muita preocupação. Ofereci a ela o drink e ela me olhou um tanto desconfiada antes de bebericar um pouco. Liz abriu um lindo sorriso dizendo que aprovou e jogou o cabelo um pouco para o lado fazendo um efeito lindo já que naquele momento as luzes da boate refletiram nos fios vermelhos. Ela era tão linda!

-E você não vai dançar? – Liz falou perto de mim, logo bebendo um pouco mais da bebida – Isso daqui está realmente gostoso.

-Eu disse que você ia gostar – não pude deixar de dizer em um tom convencido – E eu não sei dançar, não tenho coordenação motora o suficiente.

-Ah não é difícil, é só relaxar e não ter vergonha! Ninguém vai se importar se fizer algo errado – Liz falava e de repente seus olhos brilharam – Deixa eu te ensinar?!

-Não, a Anne já tentou e não deu certo, pode perguntar para ela se não foi um verdadeiro desastre! – tentei explicar já rindo das lembranças.

Liz revirou os olhos e foi puxada por Jonas para fazer alguns passos simples, já que ela estava com a bebida na mão. Sorri ao ver que ela estava realmente se divertindo, sempre com aquele principio de sorriso marcando seus lábios bem desenhados. Ela logo acabou com o seu drink e não precisou passar quinze minutos para ela pedir outro. Dessa vez foi Arthur a ir buscar as bebidas, mas antes de sair já apontava para Pierre em um beijo escandaloso com uma garota loira em um microvestido. Comecei a rir, mas não da cena, mas sim de Liz que fez uma careta desaprovadora ao mesmo tempo em que ficava vermelha. Porém isso nos distraiu, eu não vi quando um garoto alto e até bonito se aproximou e puxou Elizabeth pela cintura para dançar. Ela prontamente tentou se afastar ao mesmo tempo em que eu me aproximava.

-Qual é gatinha, dança comigo só uma música! – o garoto insistia fazendo uma voz dengosa.

-Ei! – dessa vez fui eu a segurar Liz e puxá-la para mim a afastando do garoto, envolvi meu braço em sua cintura e olhei ao garoto séria – Ela está comigo, tenta ali com a japinha, ela dança muito bem.

Ele deu de ombros e foi realmente dançar com Anne. Eu tinha me esquecido de como as investidas eram às vezes abusiva. Até mesmo eu algumas vezes fazia uma coisa parecida às vezes apenas para chamar a atenção de alguma garota bonita. Liz me agradeceu e esqueceu o ocorrido assim que Arthur voltou com sua bebida. As horas seguintes se resumiram em muita dança, bebida e risada. Liz estava completamente solta e brincando com os outros, mantendo o seu jeitinho fofo e charmoso de ser. Ela dançava apenas com os conhecidos, sem se importar de ser homem ou mulher e sempre dançava muito bem. Anne estava certa quando disse que a ruiva possuía um requebrado de deixar qualquer homem ou mulher babando. Não que eu estive, ou ao menos não muito... Ok, eu estava! Mas também era humanamente impossível não parar para vê-la dançando daquele jeito sinuoso e tão preciso.

Porém percebi que deveria suspender a bebida dela quando Liz começou a errar os passos. Aproximei-me dela e a puxei delicadamente para que virasse o corpo para mim e pudesse fita-la enquanto conversava. Mas o que ela fez? Deu um sorriso devastadoramente sexy e envolveu meu pescoço com seus braços e começou a dançar pertinho de mim. Meu fôlego se perdeu prontamente enquanto meu corpo sentia cada roçar daquele quadril como se fosse um verdadeiro choque delicioso. Definitivamente ela estava bêbada.

-Vamos parar com as bebidas ok? – falei em seu ouvido lutando para minha voz sair normal.

-Ah, nem mais uma? É tão gostoso esses drinks! – Liz pedia fazendo beicinho.

-Não princesinha – neguei mantendo-me firme – Vamos lá fora um pouco? Aqui está abafado e está afetando você.

-Só se você dançar comigo! – a ruiva exigiu.

-Mas eu não...

-Então permanecerei nesse recinto onde as pessoas são mais divertidas do que você – ela disse simplesmente, embolando as palavras com o seu forte sotaque francês que a fazia puxar ainda mais o r.

Desde quando eu havia virado a pessoa chata do grupo? Mas se Elizabeth continuasse daquele jeito era capaz de fazer algo e se arrepender depois. Então dei de ombros e apenas concordei para tirá-la dali. Segurei em sua mão e a fui puxando para fora, o que não foi nada fácil já que ela ia dançando e chamando a atenção de todo mundo. Deixei um suspiro escapar quando chegamos à área mais tranquila, ficando mais próximo de onde acontecia o show ao vivo.

-Aqui está tão fresco! – Liz comentou e sentou em um banco vazio, cruzou as pernas e ajeitou a franja de seu cabelo – É mais divertido do que eu pensei.

-Você não se divertia com seus amigos? – perguntei curiosa, sentando ao seu lado de um jeito mais largado.

-Se eu posso considerar aquelas pessoas minhas amigas – Liz fez uma careta – Meu pai é um homem da política, então mesmo se eu não gostasse também teria de ser agradável apenas para manter a imagem.

-Não imaginava que você era falsa! – a encarei realmente surpresa.

-Não é falsidade... Quer dizer, também pode ser, mas é ser educada até mesmo com pessoas que você não gosta. Prefiro pensar desse jeito!

-Para mim é falsidade de...

-Ah mon Dieu! Essa música!

Liz saltou do banco e olhou em direção ao local do show ao vivo. Uma música começava a tocar e pareceu surtir um efeito na ruiva. Ela logo virou em minha direção, segurou em meus braços e me puxou começando a me levar para um lugar com mais espaço que era mais afastado das pessoas.

-Você prometeu que iria dançar comigo! Vamos valsar! – Liz disse toda animada, parando a minha frente.

-Valsa? Putz grila, eu não vou não! – recusei prontamente.

-Vamos não é difícil – a ruiva estava irredutível, segurou firme em minha cintura e logo levantava meu braço – A valsa é questão de postura e desenvoltura. Mantenha o braço firme e sempre retorne a essa posição básica.

-Eu não acredito que vou fazer isso – resmunguei olhando para os lados.

-Pare de ser pessimista – Liz segurou meu rosto me fazendo fita-la – Preste atenção só em mim, é para dançar comigo, chérie.

Soltei um suspiro resignado e deixei ela me explicar a postura. Ao que parecia ainda por cima eu que teria de conduzi-la! A música saiu da parte instrumental e começou a primeira estrofe, foi impossível não reconhecer a música romântica A Thousand Years.

-Eu vou guiar por um tempo, apenas para você entender como é. Passos largos e sempre ritmados – Liz explicou e começou com um passo para direita, depois outro e um para trás – Não, não, não é para invadir meu espaço quando estamos na forma básica, é questão de elegância, de troca de olhares.

Aquilo era mais difícil do que tentar dançar funk, ao menos isso era só mexer a bunda e não ter de ficar mantendo toda uma postura e ritmo. Eu estava completamente tensa, pisei no pé de Liz umas duas vezes e apesar dela não se importar eu estava preocupada em fazer as coisas certas.

-Victoria – Liz me chamou com uma voz extremamente suave, um timbre realmente gostoso de se escutar – Me conduza agora.

Engoli em seco e a fitei um pouco desesperada, mas assim que dei um passo para frente ela deu um para trás em sintonia perfeita. Primeiro comecei com passos realmente simples, olhei para baixo algumas vezes, mas quando fitei aqueles olhos castanhos cor de chocolate... Perdi-me completamente dentro deles. Não sei quando comecei pegar o jeito, mas quando dei por mim estava girando com ela e adorando a sensação. Liz sorriu, aquele sorriso que era capaz de fazer meu coração disparar e apenas para agradá-la, segurei sua mão, afastei meu corpo e a fiz girar no mesmo lugar. Quando a puxei de volta para mim, provavelmente por causa da bebida, Liz tropeçou para frente e caiu em meus braços. Seu perfume delicado e totalmente inebriante invadiu meus pulmões parecendo ter o efeito de me fazer parar de pensar.

Ela ajeitou-se lentamente, apoiando em meu corpo. Quando aqueles olhos achocolatados me encararam, percebi o quão perto realmente estávamos. Minha respiração ficou pesada enquanto um friozinho se fazia presente em minha barriga, ou seriam as borboletas ainda valsando ali? Eu não resisti a levar uma mão até o rosto dela e acariciar com carinho, o suspiro delicado que escapou dos lábios de Liz tocou minha face e eu não pude resistir mais. Inclinei meu rosto e selei nossas bocas, apenas um encontro e pressionar de lábios. Um longo selinho que para mim estava sendo mais intenso do que qualquer outro beijo! Senti as mãos de Elizabeth em meus ombros e uma forte pressão, fechei meus olhos esperando que fosse ser empurrada, mas aconteceu o contrário! Liz puxou-me para mais perto de si colando nossos corpos. Aquilo era demais para a minha fraca resistência! Ainda de olhos fechados e com toda a calma do mundo, comecei a mover meus lábios sobre os dela, experimentando aquela textura tão deliciosa e verdadeiramente gostosa. Deus, o beijo poderia ser o mais simples que já havia dado, mas mexia comigo mais do que qualquer outro!

-Liz! Vic! – escutei uma voz vindo de longe.

Aquilo foi o suficiente para que eu acordasse de meu sonho. Afastei nossas bocas com a respiração rápida, como se tivesse dado um beijo selvagem e não um tão terno. Liz estava mais vermelha que nunca, parecendo finalmente perceber o que tinha acontecido. Afastei-me com medo do que tinha feito, enquanto minha mente entrava em um furioso conflito. A culpa de tê-la beijado rivalizava com o forte desejo de fazer isso novamente. Por sorte, por muita sorte, enquanto dançávamos acabamos por parar em um lugar praticamente vazio.

-Eu preciso de uma bebida – foi tudo o que eu consegui dizer.

Liz apenas acenou com a cabeça e me seguiu. Dessa vez eu não ousei tocá-la, não poderia! Estava eufórica e envergonhada ao mesmo tempo. Definitivamente eu precisava de mais uma bebida e dessa vez eu não impedi Liz de também beber.

Notas finais
Ai deols, adoro essa música A Thousand Years sz