MY Queen
2 O plot twist para James
Notas iniciais
Saí com os marotos, Lene e Dorcas novamente na quarta-feira, quando fomos jogar boliche. O Cabeça de Javali era um pub de jogos novo, que tinha desde mesas de bilhar e pebolim, até pistas de boliche e salas de videogame. Reservamos uma pista para todos e pretendíamos jantar por lá mesmo, entre pizzas e sanduíches.
Estávamos na terceira rodada da primeira partida e já era claro que Sirius ganharia com facilidade, era o único com três strikes em três tentativas, e eu nem sabia que essa precisão era possível. Depois dele vinha Dorcas, com 23 pontos, sete atrás, Remo e James empatados em 21 pontos, Lene, com 18, Peter com 14 e, em último, eu e minha inabilidade completa, com 11 pontinhos mixurucas.
No entanto, independentemente de resultados, eu gostava da companhia dos meus amigos, de rir e me divertir tentando jogar corretamente. James e Remo se revezavam em tentar me ensinar o melhor modo de jogar a bola, e lá pelas tantas eu até tinha entendido. Acabei em penúltimo lugar, mas só porque Peter saiu para ficar com uma conhecida que encontrou e acabou não jogando a última rodada.
— Vamos outra partida? – Lene estava muito empolgada – Dessa vez eu vou ganhar do Sirius!
— Ah, claro que vai! – Sirius gargalhou alto, com sua risada rouca que parecia um latido
— Vou comprar mais uma hora de pista para a gente então... – James avisou, indo em direção ao balcão.
— Espera! Vou com você comprar uma bebida... alguém quer algo? – meus amigos negaram, e eu só peguei minha carteira na bolsa antes de sair atrás de James
O local estava cheio devido às férias de verão, mesmo que fosse dia de semana. Havia muitos alunos de Hogwarts, alguns até conhecidos, e gente de outras escolas também. Reconheci Amos Diggory na fila da mesa de pebolim, abraçando pela cintura uma menina, que, depois de um tempo olhando discretamente, eu percebi ser sua ex-namorada, Emmeline. Então tinham reatado? Dorcas precisava saber disso!
— Vai tomar o que, Lírio?
— Limonada. Por que insiste com isso de Lírio? – devolvi para James, rindo enquanto ele pediu meu suco e eu repassava a ele uma nota de dez libras
— Ah, sei lá... é original e diferente, só eu te chamo de Lírio, enquanto todo o mundo vai te chamar de...
— Lily? É você?
Alguém me chamara, interrompendo James. Atrás de mim, vindo da entrada, estava Severo Snape, desacompanhado.
— Ei, Severo! Boa noite, como vai? – respondi, com um pouco mais de formalidade, afinal não éramos exatamente amigos. James pagava nossos pedidos no balcão, dando um pouco de espaço para que eu falasse com Snape
— Vou bem, e você? Não imaginava que estaria aqui... faz tempo que queria falar com você, mas não sabia como te achar.
Pelo canto do olho vi James virar os olhos de um jeito que me fez querer rir, mas mantive o sorriso educado e respondi Snape calmamente. Lembrava vagamente de ter ouvido Potter comentar que ambos não se davam bem.
— Ah, bem. Estou aqui agora... – dei uma risadinha amigável para amenizar o clima. – Pode falar.
Ele pareceu constrangido, como se não quisesse falar ali, naquele momento, e coçou a parte de trás da cabeça, deixando toda a situação ainda mais esquisita.
— Bem, não é nada em específico. Queria trocar uma ideia, bater papo... quem sabe a gente podia sair para tomar um café, que acha?
Não era como se eu quisesse aceitar, afinal eu podia notar as segundas intenções de Snape com esse convite, as quais eu certamente não correspondia, já que ele não tivera a menor noção ao flertar comigo a noite inteira e depois ficar com outra pessoa bem a minha vista.
No entanto, também não era como se eu tivesse motivos para dispensá-lo, já que não era um convite para um encontro. Ele queria só tomar um café e bater papo, e isso era completamente normal, certo?
— Ah, quem sabe... me manda mensagem, a gente vai vendo se rola esse café. – sorri com educação, e esperei que ele notasse a falta de interesse no meu tom.
Para meu completo desconforto, Snape quis deixar claro ter percebido que eu não passara nenhum número de celular, expondo contra mim o meu desinteresse em marcar esse café com ele.
— Eu adoraria, Lily Evans... mas não tenho seu número. – e riu, como se satisfeito com sua própria esperteza em conseguir meu telefone
— @redheadedgirl em qualquer rede social. Eu não sou fã de aplicativos de mensagens... – ri de volta, enquanto James se virava em minha direção, me estendendo o copo de limonada.
Antes que eu notasse, ele deixou a mão em meu ombro, numa espécie de abraço lateral, e eu senti um calafrio, estremecendo, afinal a mão dele estava gelada. Snape torceu a cara de um jeito engraçado, claramente desgostoso da proximidade de James em relação a mim. Eu não pretendia pedir à James que se afastasse, não quando estava tirando Snape de suas outras intenções comigo.
James e ele se encararam por uns segundos, e era como se Severo medisse se valia perguntar algo sobre nossa súbita aproximação, já que talvez ele soubesse dos boatos de que James e eu brigávamos como cão e gato. Ele também parecia ponderar no quanto acreditava na desculpa esfarrapada que eu dera para não ter de passar a ele meu número de celular.
Ao mesmo tempo, eu sentia como se Snape não quisesse realmente saber se James e eu estávamos juntos para não desiludir suas expectativas.
Ele apenas não disse nada.
— Hum... então, qualquer coisa, me manda mensagem. Agora eu vou precisar ir, a gente vai jogar... até depois! – me despedi, antes que tudo ficasse mais esquisito, e, puxando James por uma das mãos, saímos de volta às pistas de boliche.
— A cara do Snape quando você não passou o número foi hilária... aliás, eu não achei que você teria tamanha cara de pau, Lily! – James comentou quando estávamos mais longe de Snape
— Ah, bem... eu domino a arte de dar bons foras. – me gabei, bebendo um pouco de limonada, ao que James riu.
— Eu concordo ruiva... vou ficar bem decepcionado com você se Snape conseguir um encontro antes de mim, ouviu? – ele pareceu estar emburrado, andando ao meu lado
— Eu ficaria decepcionada comigo se fizesse isso! – arregalei meus olhos, enfatizando meu choque, e Potter gargalhou, me dando um abraço de lado, e me fazendo perder um compasso de batida cardíaca, afinal fora repentino.
— Os pombinhos ai podem vir mais rápido? Estamos querendo jogar logo! – Sirius berrou quando chegamos perto da área das pistas de boliche, me fazendo enrubescer e James mostrar o dedo do meio, enquanto dava um sorriso leve.
Por que eu sentia aquilo tão leve e agradável?
Ah, idiota! É claro que você está gostando de toda essa atenção e afeto de James, não se faça de rogada, Lily Evans! Não vá ser babaca outra vez e pisotear os sentimentos de Potter, iludindo-o desse jeito. Afaste logo essa ideia de que você o corresponde antes que seja tarde!
Jogamos pelo resto da noite, mas eu me sentia estranha e sabia que estava escondendo isso mal, embora meus amigos estivessem com o bom senso de não perguntar nada.
Pelos dias seguintes eu passei a ignorar cada vez mais algumas das mensagens de James, evitando procura-lo, afinal eu não devia brincar desse jeito com os sentimentos dele por mim. Aos poucos eu respondia menos mensagens e sempre achava uma justificativa. Por volta de terça feira as mensagens dele também foram espaçando-se mais, de modo que no sábado já fazia dois dias que não trocávamos conversa.
Foi quando Snape mandou um convite para um café da tarde e eu resolvi acompanhá-lo, apenas para evitar o tédio das férias. Enquanto esperávamos nossos pedidos, Snape puxava um assunto bizarramente chato sobre seus planos universitários e suas notas exemplares o suficiente para ingressar em Cambridge no verão seguinte. Eu me peguei pensando, mais vezes do que supus, em como James faria aquilo ser um diálogo e não um monólogo exibicionista.
Numa espécie de “falando no diabo, aí ele vem”, James e Sirius entraram na cafeteria rindo e meio suados, o que me fez pensar instantaneamente no que faziam. Quis desviar o olhar para que James não me visse sentada à mesa com Snape, mesmo sem saber o motivo disso. Era como se eu realmente sentisse que o estava traindo, de algum modo.
Antes que fosse possível me esconder, James me reconheceu, abrindo um sorriso, que morreu no instante em que ele cruzou os olhos com minha companhia à mesa. Os olhos dele murcharam um pouco nos cantos, bem tristes, e James precisou recuar os dois passos que dera em minha direção, fazendo tudo ficar ainda pior.
Fiquei tão constrangida que até mesmo Snape notou e parou de falar, querendo saber se algo acontecera. James acenou educadamente ao sair com um copo de café em mãos, e Snape percebeu a razão pela qual eu repentinamente deixara mais claro não estar dando atenção a ele.
Já sem paciência para aquele café de péssima companhia, sem jeito pela cena com James, e com um sentimento esquisito e confuso (Culpa? Vergonha? Arrependimento?) eu deixei cinco libras sobre a mesa para pagar meu café e saí, pedindo desculpas à Snape, principalmente por ter aceitado aquele convite idiota.
Não tive coragem de mandar nenhuma mensagem à James me explicando, embora sentisse que devia. Implicitamente havia um combinado de fidelidade, mesmo que como amigos. Eu não deveria precisar esconder com quem saía, mas escolher justamente uma inimizade de James era muita canalhice minha.
Era bem verdade que James não tinha nada a ver com minha vida, e que eu não o devia explicações, mas o ponto todo era que eu tinha, por um tempo, nutrido os sentimentos dele, e eu me sentia a pessoa mais errada do mundo por estar pisando no afeto dele por mim.
Já era de madrugada quando meu celular vibrou com uma mensagem de James.
Ei Lily! Tudo bem?
Eu falei brincando aquilo de me decepcionar
se não saísse com você antes de Snape, okay? Você é minha
amiga antes de tudo...
Não precisa esconder as coisas de mim, quero
continuar falando com você normalmente, ruiva :)
Fico feliz por você, se Snape está te fazendo bem
Ah, o aniversário da Dora é sábado, você está super
convidada (mas acho que prefiro que Snape não venha,
se for okay para você). 16h aqui em casa, até lá ruiva!
Vamos dançar muito as coreografias do Tik Tok com
crianças de 10 anos!
Eu não sabia responder. Não estava saindo com Snape, e queria que James soubesse disso, mas ao mesmo tempo tinha muita vergonha de explicar meu afastamento repentino em nossa amizade. Eu sabia que ele estava chateado, provavelmente decepcionado, sabia que os sentimentos dele eram fortes, e, naquele momento, eu sabia que estava o magoando.
Ei! Desculpa esses dias foram corridos!
Senti falta de falar com você, James :)
Estarei aí no sábado, melhor preparar sua coreografia
de Frozen! Estarei pronta para ser TikToker! ;)
Tangenciei os tópicos mais pesados porque seria impossível entrar no assunto emocional afetivo que havia ali naquela conversa. Não sabia o que dizer, porque nem mesmo sabia porque estava doendo a ideia de que James estava, também, se afastando de mim.
A ideia de que ele pensava que eu estava com Snape. A ideia de que ele estava triste com toda aquela situação. Tudo aquilo estava incomodando de um jeito que me deixava confusa demais para responder.
Pouco tempo depois, navegando pelo Twitter, encontrei uma atualização recente dele que fez tudo ficar ainda pior dentro da confusão emocional que estava a nossa amizade.
Pontas Potter @jamesFleamP: eu não pensei que as coisas fossem desandar desse jeito tão rápido. Quem traz mais cerveja escondidos pais? Preciso beber
Almofadinhas @blaackStar respondeu um tweet de Pontas Potter @jamesFleamP: Oh shit! To chegando com os refris rapaziada!
Não tive coragem de responder, nem mesmo de curtir, porque sabia que ele estava se referindo a mim. Então só ignorei.
Assim como ignorei James e todas suas mensagens pelo resto da semana.
Na sexta, Marlene e Dorcas tinham decidido vir dormir em minha casa, numa espécie de noite não planejada das garotas. Preparei baldes de pipocas e chocolates quentes com creme enquanto Dorcas inflava os colchões na sala de tv, e Marlene escolhia um romance clichê da Netflix que ainda não tivéssemos visto.
— Fiquei com Evan Napier. – Dorcas soltou, enquanto esticava um edredom macio sobre o lençol.
— O QUE? – berrei – O DELINQUENTE DO SEGUNDO ANO?
— Dormi com Sirius. — Marlene rebateu, bebericando seu chocolate quente
Eu pisquei duas vezes, boquiaberta. Todas minhas amigas tinham surtado e feito o mais improvável em suas vidas em apenas uma semana. Eu nem acreditava que aquelas eram as fofocas da vez. De repente, todas estávamos rindo. Elas de mim, eu de nervosismo e choque.
— Vocês piraram! Me contem tudo agora!
Uma a uma as histórias foram atualizadas. Eu ria e me divertia horrores com o assunto, até que eu virei o assunto.
— E que história é essa, que Remus me contou, que você e James não estão mais se falando?
— Ah Dorcas, é complicado. Eu adoro o Potter, mas ele não ia ficar satisfeito em ser só meu amigo daí eu...
— Achou melhor ser babaca e nem mesmo falar para ele que estava saindo com Severo Snape? Aliás, ficando com Severo Snape, Lily? Que houve com você?! – Marlene me interrompeu, com uma cara nada boa e bem chateada com minhas decisões
— Não estou saindo nem ficando com Snape. Foi um mal-entendido, eu saí para um café com ele, que por sinal foi péssimo, e Potter nos viu. Por alguma razão eu me senti culpada demais em estar ali, por ele ter me visto com Snape, pela situação, não sei! Mas fui embora e bloqueei Snape. Sei que me afastei para não magoar Potter, porque sei que ele não aceitaria ser apenas meu amigo, ele quer algo a ma...
— Desde quando você o chama de Potter de novo? – Marlene me interrompeu pela segunda vez
— Você vai me deixar terminar? – perguntei, já chateada
— Não enquanto for falar merdas. James é maduro o suficiente para saber aproveitar sua amizade mesmo que você não queira algo a mais. E você está sendo babaca e infantil ao se afastar de um amigo só por conhecer os sentimentos dele! Porque você sempre foi muito clara nos seus foras grosseiros, e não acho que ele pense que algo mudou só porque agora são, ou eram, pelo menos, amigos. – fiz menção de interrompê-la, mas ela levantou um dedo, mostrando que não deixaria.
Marlene estava realmente chateada.
— Escuta bem, Lily. Você pode se enganar o quanto quiser, mas a mim não! Eu sei muito bem que você está confusa porque está começando a perceber que corresponde os sentimentos dele e quer evitar isso a todo custo. Só digo que está perdendo a chance de estar perto de alguém muito divertido, uma companhia boa, por orgulho de não dar o braço a torcer. E sair com Severo Snape, depois de ele ficar com outra pessoa na sua frente, é a prova de que apenas quer se convencer de não ter sentimentos por James. É ou não é?
Eu não conseguia responder aquilo. Estava irritada pelo jeito com que Marlene estava falando comigo, e poucas foram as vezes em que tínhamos brigado ou ela usara aquele tom; por outro lado, havia uma parte de mim que sentia um acelerado no peito pelo que ela dissera. Claro que eu tinha medo de gostar de Pot.. James. Eu o esnobava há meses!
Mas eu também sabia que não era verdade. Não estava correspondendo-o, éramos só amigos e eu queria evitar maus entendidos, não era? Sim, era. Porém sim, eu sabia que tinha me afastado demais, amanhã eu me retrataria da maneira certa e me aproximaria novamente do meu amigo.
— Deixa isso pra lá, vamos ver o filme. – desviei o assunto depois de alguns minutos encarando Lene, sem responde-la
Sábado (dia da festa de aniversário de Dora)
Às 16h10 Sirius estacionou na rua de James, dando carona para Lene, Dorcas e eu. O jardim da casa estava cheio de decorações de Frozen, e isopor ralado fazia uma neve falsa na varanda da frente. Contornamos a casa até os fundos, onde tudo estava arrumado e enfeitado. Havia um poster enorme do filme atrás da mesa do bolo, e a piscina estava cheia de balões rosa e lilás, e crianças nadando.
As meses tinham enfeites, de vidro, de flocos de neve, e havia uma caixa cheia de presentes no solário da casa. Euphemia Potter, a mãe de James, nos recebeu com um sorriso acolhedor, e Fleamont Potter deu um abraço em cada um (“Então você é Lily Evans!”, seguido de uma cutucadela da esposa).
— James está em algum lugar, provavelmente roubando docinhos na cozinha, logo ele vem. – ela saiu, nos deixando na mesa com Remus e Peter.
Dora apareceu correndo algumas vezes, exibindo um sorriso tão grande que deveria doer. Vestida de princesa, mas com um tênis colorido, ela pulou dentro da piscina de roupa e tudo e deixou a mãe maluca. Eu, Lene, Dorcas e os marotos ríamos da cena toda e o clima estava leve.
Conversamos por boa parte da tarde, mas por desencontros, já era 19h e eu ainda não vira James. Ora ele sumia quando eu estava à mesa, sempre andando de um lado para o outro, ou então ele passava em nossa mesa quando eu me levantava para pegar comida ou ir ao banheiro, e eu já começava a achar que não eram desencontros acidentais, porque Sirius sempre parecia disposto a me tirar da mesa em momentos específicos.
Na hora dos parabéns, encontrei James e nos cumprimentamos com uma troca de sorrisos, já que ele estava ao lado da família, e havia um mar de crianças entre nós. Eu o percebia meio desanimado, e havia até menos brilho em seu cabelo espetado.
Alguma coisa me incomodava profundamente, aquela situação me deixava chateada, e as palavras de Marlene continuavam ressoando dentro da minha cabeça numa frequência chata. Eu não estava tendo sentimentos por James, estava? Não podia estar tendo sentimentos por ele.
Não quando ele me tratava bem, e se mostrava uma ótima companhia. Não quando ele escrevera uma música sobre mim, não quando ficávamos até de madrugada trocando mensagens sobre assuntos aleatórios.
Percebi que sentia mais falta dessas coisas do que pensava que sentia, e era como se está-lo ignorando fosse uma tarefa dos últimos 3 meses, e não 5 dias. Sim, eu estava sentindo muita falta de James.
Após o bolo ser cortado, James saiu em direção à cozinha para pegar pratinhos, e eu resolvi ir atrás, mesmo sabendo que ele percebia que eu o seguia e, voluntariamente, não falava nada.
— Oi, estranho! Você me evitou a festa toda... quer ajuda?
— Uhm.. Oi Lily! Não evitei, evitei? Não foi intencional, só desencontro mesmo... depois que as crianças saírem eu converso melhor. E também não quero criar caso com Snape por estar perto demais de você. Como vão as coisas com ele?
O tom de James era distante, e eu notava em sua voz como ele estava magoado, e o quanto estávamos afastados. O jeito como ele falou de Snape, com um asco velado, deixou claro o quanto estava sendo incômoda, e até revoltante, a ideia de que eu estivesse saindo com sua inimizade. Não o culpava, eu tinha sido realmente babaca de sequer ter me submetido a sair com Snape por.... sei lá porque, provavelmente por insanidade e falta de autopreservação.
Incomodada com a situação, ciente de que, com certeza, eu ficaria ainda mais confusa depois disso, porém percebendo como era péssimo estar afastada de James, que Marlene estava certa e, principalmente, louca para entender meus sentimentos, eu contornei a bancada de ilha, toquei no ombro de James, chamando sua atenção.
Ele tirou o rosto de dentro de um armário de cozinha, e então eu o beijei.
A princípio achei que fosse precisar sair correndo de vergonha e me mudar para o Jalapão, pois James não correspondeu de imediato. Mas então ele soltou os pratinhos que tinha em mãos numa bancada e segurou meu pescoço, passando a mão pelos meus cabelos. Inesperadamente meu coração acelerou e eu precisei de autocontrole para não tremer.
Céus, James Potter beijava muito bem!
Havia delicadeza no jeito como ele me segurava, mas uma firmeza decisiva, como que dizendo que esteve sempre esperando aquilo acontecer. Eu podia sentir que seu coração batia forte, e eu sabia que James lutava contra si mesmo para manter aquele beijo calmo e não aprofundá-lo.
Mais abalada do que achei que ficaria, e até com as pernas meio trêmulas, me afastei de James algum tempo depois, dando um leve sorriso, para então encarar sua expressão confusa.
— Não estou saindo com Snape, não suportei um segundo daquele café com ele, e me arrependi de sequer ter ido no segundo em que te vi lá. Sinto muito por magoar você. – ele ia abrir a boca para falar algo, mas não deixei. – Li sua mensagem, a que você apagou e disse que era músicas. – acrescentei quando ele pareceu confuso, e então ele assumiu uma aparência constrangida
— Desculpe por aquilo... eu... eu nem devia ter mandado em primeiro lugar. – James estava vermelho de vergonha.
Encostado contra a bancada da cozinha, ele parecia pequeno de constrangimento, arrependido de ter se exposto de tal modo.
— Eu gostei. Achei genuíno e honesto comigo. O que eu claramente não fui com voc...
— Não me devia nad...
— O que eu claramente não fui com você – repeti, deixando claro que não queria ser interrompida. – Eu fui bem estúpida de ignorá-lo semana passada. Para falar a verdade, Marlene acha que eu estava fugindo. E eu também acho.
— Fugindo?
— Dos sentimentos que estou tendo por você.
Houve um silêncio meio desconfortável, meio necessário. Uma espécie de pausa dramática antes do gran finalle. Eu estava bem nervosa para esse gran finalle, na verdade.
— Uou! Não esperava mesmo por esse plot twist... — James respondeu, atrapalhando os cabelos, e então não disse mais nada, virou-se para pegar mais pratinhos para o bolo.
Esperei que ele dissesse algo a mais, mas não. Ele apenas contornou a bancada rumo à porta e foi então que eu perguntei.
— James? Não vai falar nada? – ele deu um sorriso divertido, o qual eu não entendi, e continuou sem responder. – Por favor, James... responde alguma coisa.
Ele saiu, indo em direção à mesa do bolo com a família e me deixando plantada no meio da cozinha, me sentindo a pior das idiotas, com um pedaço do coração doendo de um jeito que eu não esperava que aconteceria. Fiquei encarando as pastilhas de azulejo azuis sobre a pia da cozinha, até que havia alguém me abraçando por trás.
James Potter me fez virar em sua direção para então me dar um beijo de tirar o fôlego, com direito às minhas mãos em seu cabelo e James me colocar sentada sobre a bancada da pia.
— Mas o qu... – perguntei quando nos separamos, vários minutos depois.
— Eu não podia deixar todo mundo esperar eu terminar de te beijar para daí comerem o bolo, ou então ninguém comeria bolo hoje. – eu ri com o humor idiota de James. – Que plot twist, ein Lily Evans? Quem diria que seria você a me beijar!
Houve uma pausa em que rimos da situação, e eu apenas encarava James, com um sorriso gostoso que eu não sabia tirar do rosto.
— Você ainda vai me deixar maluco, ruiva.
— Eu sei. – ri, beijando suas bochechas antes de seus lábios.
— Sai comigo, ruiva? Um encontro sério, por favor! – James convidou, com um olhar pidão, todo bobo
— Depende, você vai tocar Queen para mim de novo? – ele riu, mas entendeu que era um sim quando eu o beijei de novo.
E de novo, e de novo, e de novo. Mesmo sob os assobios maliciosos de Sirius um bom tempo depois.
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