MUTANTES & PODEROSOS I - O Segredo dos Poderosos

33 Capítulo 32 - Os Pontos Sem Ligação


Notas iniciais
GENTEEEEEE, QUANTO TEMPO...faz tanto tempo que não escrevo, que preciso pedir perdão por fazê-los esperar. Estive muito ocupado com os estudos nos últimos meses que nem lembrei da história por um tempo. Mas obrigado por não "descurtirem" ou abandonarem a história, e bem-vindos aos leitores novos...

CAPÍTULO 32

OS PONTOS SEM LIGAÇÃO

A rainha Mariany estava segurando um copo de chá na mão, que esfumaçava e lançava no ar um cheiro bom de cidreira. Seus olhos castanhos estavam focados na bebida dentro do copo, seus cabelos lisos castanhos claros estavam amarrados em uma enorme trança, trança esta que levou horas para ser preparadas pelas mãos das diversas amas que as seguiam. Sua cabeça estava cercada pela coroa que ela usava, principalmente em reuniões sérias. Hoje era dia de usá-la então.

À sua frente, os três espiões se mantinham de pé, todos com expressões sérias. Mais uma daquelas reuniões com a rainha que não pareciam resolver nada. Eles não estavam na sala do trono, mas em uma sala mais escondida para que o assassino não tivesse a oportunidade de ouvi-los.

A rainha bebericou o liquido dentro da xícara. A bebida estava quente e desceu pela sua garganta, dando uma sensação de calor pelo corpo dela. Também faltava um pouco mais de doce, talvez um pouco mais de açúcar, mas ela não hesitou em tomar mais um gole.

—Então, o que vocês descobriram ultimamente? – indagou a mulher coroada.

—Descobrimos que muitos são suspeitos, mas temos poucas pistas. – respondeu Roff.

A rainha levantou os olhos, e em seus olhos estava uma expressão de contrariedade.

—Senhor Roff, tenho que discordar de você. Vocês descobriram muitas coisas, mas acho que não pararam para ligar os pontos, fazer uma conexão entre eles. – ela se levantou da cadeira. – Vamos pensar um pouco. Quem são os suspeitos?

—Aaron, que está sendo usado pelo seu próprio pai, Lorde Mut. Dankgan, para se vingar do seu irmão mais velho, desaparecido no dia da morte do rei Ricard II. Eles se vingaram de Lorde Lafter e de Lorde Haland que tinham a responsabilidade de cuidar do menino enquanto ele realizava seus estudos, o que é estranho, pois o Lorde enviou seu outro filho aqui, porém mais velho, como... – Jamesie foi interrompido pela rainha.

—Como se ele estivesse aqui só para resolver algo. Lorde Mut. Dankgan não permitiria que mais um de seus filhos desaparecessem sub a responsabilidade de outro Lorde como o que aconteceu com o primeiro. O que aconteceu para ele deixa-lo vir senão para isso?

—Ele está hospedado no castelo de Lorde Clifys, o defensor dos Mutantes, que por um acaso também é suspeito. – respondeu Jamesie.

—Mais suspeitos? – a rainha perguntou.

—Edward é um dos suspeitos pois somente ele sabia que Molly estaria lá naquele entardecer, quando foi morta.

—Mas que conexão ele tem com os outros assassinados?

—Aparentemente nenhuma, até mesmo porque Lorde Lafter, o pai de Molly, tinha um respeito pelo jovem. Mas o suspeito tem conexões com os outros suspeitos, pois o corpo de Molly foi encontrado com, como Vossa Majestade sabe, um “M” de “Mutante” ao lado de seu corpo, desenhado na terra, sem falar da adaga. Analisando, descobrimos que a adaga era Mutante também, e que a capa é, muito provavelmente, de Aaron.

—Espere! Edward mata Molly e coloca a capa de Aaron perto do local do crime. Há alguma possiblidade de eles estarem trabalhando juntos? – a rainha pareceu perdida na própria pergunta.

—Ahn...acho que não! – respondeu Antony. –Interroguei o Mestre Horuan, que afirmou que o relacionamento entre os dois é de implicância e sarcasmo. Não têm um relacionamento de amizade.

—Estranho! – ela afirmou. – Mais alguma coisa?

—Sim! – Antony voltou a falar. –Nesse interrogatório, ao sair da casa de Horuan, ouvi-o falando com alguém. Ele chamou esse alguém de Charles.

—Charles? – a rainha perguntou pensativa e curiosa, enquanto as feições de Jamesie e Roff acompanharam a da rainha.

—Sim! Ouvi Horuan falando com esse tal de Charles e afirmando que, se descobríssemos sua presença aqui, ele seria preso ou até morto.

Pela mente da rainha corriam milhares de pensamentos.

—Ahn...senhora! – Jamesie olhou para Roff, que olhou para ele durante alguns segundos e depois para o chão, como que envergonhado. – Temos uma coisa para contar. No castelo de Lorde Mut. Dankgan ouvimos alguns rugidos, terríveis e altos, como os de um dragão. Depois que Antony voltou para a capital, nós ficamos lá e descobrimos que eles escondiam uma...uma criatura estranha.

—Que tipo de criatura? – indagou a rainha.

—Uma criatura como um homem, mas com corpo de lagarto e muito selvagem. – interrompeu Roff, falando meio assustado. – Nós ficamos com pena dele e o libertamos, então a criatura se tornou selvagem e fugiu, matando muitos.

—Vocês o quê? – a rainha gritou indignada.

—Nós não sabíamos ainda que era selvagem. Achamos que pedia ajuda quando gritava, e então decidimos deixá-la. – Roff se encolheu meio envergonhado.

—Vossa Majestade! – Jamesie tomou a palavra. –Era um homem!

—Era uma criatura selvagem e não tinham que tê-la libertado. – ela disse indignada. –Mas o que era aquilo e o que Lorde Mut. Dankgan escondia de nós?

—Não faço ideia, mas não deve ser coisa boa. – respondeu Jamesie. –A senhora quer que eu volte para a Capital Mutante ou...

—Quero que você investigue Lorde Clifys, e Antony e Roff, investiguem Aaron.

—Senhora, deixe que eu investigue Lorde Clifys. – interrompeu Roff.

—Eu posso fazer isso! – disse Jamesie.

—Mas...

—Está decidido, senhor Roff! – a rainha deu a palavra final e o espião pareceu ficar pálido. –Agora, mãos à obra!

***

Dylan sentiu um pingo de suor escorrer pelo seu rosto já avermelhado, o cabelo já colado à testa e a respiração cansada e ofegante. Ele soltou um sorriso para o seu amigo, Theo, também já cansado da luta.

—Um minuto apenas, por favor, para eu poder respirar. – disse Theo, segurando os joelhos com as mãos.

—Ah! Vamos lá! Já está cansado? – Dylan respondeu, meio provocativo.

—Nem venha, princesinha. Sei que você está cansado também. – Theo respondeu sorrindo, provocando uma risada no príncipe, principalmente pelo apelido irônico.

Depois de alguns segundos, ele recuperou o fôlego, endireitando-se. Os cabelos extremamente negros combinavam com os olhos também bem escuros, mas a pele era, como da maioria dos andryleenses, branca. O jovem era alto, talvez alguns centímetros maior do que Dylan. Fazia tempo que era amigo do príncipe. Era filho de Lorde Clifys.

—Vamos voltar à luta? – perguntou Dylan.

Theo levou alguns segundos, mas respondeu:

—Sim, vamos!

Eles voltaram às posições de ataques, um de frente para o outro, alguns metros os separando. Theo veio correndo em direção ao príncipe, que lhe deu um soco no ombro esquerdo, mais fraco do que conseguia, mas o filho do Lorde sentiu a dor e gemeu, mas não demorou e com a perna direita, chutou a parte de trás da de Dylan, fazendo o príncipe cair de joelhos no chão.

Theo se endireitou, mas Dylan puxou as duas pernas dele, fazendo-o cair de costas no chão. O príncipe se levantou e simulou vários socos no nariz do amigo, como se representasse a morte dele em uma luta real.

—Está certo! Você venceu. – disse Theo. – A não ser que eu faça isso!

Ele segurou o punho de Dylan, apertando-o, e também agarrou o pulso da mão esquerda de Dylan, que segurava o seu pescoço. Ele empurrou o filho da rainha para o lado, e se levantou e afastou-se um pouco, antes que Dylan pudesse atacar novamente suas pernas. O príncipe sorriu e levantou rapidamente, correndo até Theo, planejando agarrar a cintura do outro, derrubá-lo, e se estivesse em uma guerra, matando-o com seguidas pisadas. No entanto, antes que ele chegasse até o amigo, Theo o chutou com a sola da bota na coxa com força, fazendo o príncipe gritar alto de dor e cair no chão, apertando os olhos em dor.

—Ai seu maluco! Isso é um jogo, não é de verdade. –disse o jovem, indignado, dando rápidos suspiros, um depois do outro. – Isso doeu de verdade. Ai!

Theo correu até o príncipe, agachando-se ao seu lado e dizendo preocupado.

—Me desculpe! Achei que você tinha que treinar sentindo dor de verdade.

—Quando estou com mestre Horuan, não com você. – o jovem levou as mãos à área chutada. Realmente, era uma dor que queimava a carne. –Eu treino com mestre Horuan, mas com você eu apenas me divirto.

—Você está certo. Perdoe-me.

Dylan apenas mexeu a cabeça positivamente, aceitando as desculpas. Theo ofereceu a sua mão e Dylan aceitou. O amigo puxou-o até ficar de pé, e deixou que Dylan passasse seu braço em volta do pescoço de Theo, sendo ajudado pelo amigo até chegar ao castelo, e até lá tinham que caminhar muito.

Os dois saíram do campo gramado de treinamento, seguindo o caminho que levaria até o caminho mais largo, onde poderia arranjar a ajuda de um dos guardas à cavalo para chegar até o castelo.

Andaram mais um pouco pelo caminho de cascalho, a grama verde em volta. Dylan tentava evitar reclamar ou mesmo gemer de dor.

—Você me paga! – ele disse, meio sorrindo, para Theo.

—Como pago uma dívida dessa? – Theo sorriu. O príncipe bufou de dor, mas retomou o humor, dizendo:

—Na próxima vez, sou eu quem vou dar esse chute. – Theo riu.

—É claro! Mas você vai ter que me ajudar como estou fazendo agora.

Dylan não respondeu, apenas parou onde estava, o que tomou Theo de surpresa.

—O que aconteceu? – mas o homem levou o olhar até onde estava o olhar de Dylan: na biblioteca onde Suber e Lorde Lafter foram encontrados mortos, talvez uns cinquenta metros à frente.

—Tem alguém dentro da biblioteca. – disse Dylan.

Theo olhou bem para a construção e comprovou o que o jovem dissera.

—Mas ela fora fechada. Foi cena de um assassinato. – respondeu o filho do Lorde Clifys.

—Bem, parece que alguém desrespeitou a ordem. – respondeu Dylan, ainda dependurado no pescoço de Theo por um dos braços, enquanto se apoiava na perna boa. Ele apertou os olhos e pareceu tentar descobrir quem era. Pela janela da biblioteca, viu que ele estava encapuzado, mas também distraído. Parecia nem ter visto os dois ali, apenas focando em algo em suas mãos.

-Você consegue ficar escondido ali, atrás daquela árvore? – perguntou Theo.

—Claro! – respondeu Dylan, fazendo uma careta de dor.

Theo começou a andar com Dylan até a árvore, que era apenas mais uma do pomar na frente da biblioteca. Suas folhas esverdeadas brilhavam à luz do sol da manhã, e seu tronco marcado permitia ver uma trilha de formigas negras que subiam e entravam tronco adentro em algum pontos que eles não conseguiam ver.

Theo abaixou-se, ajudando Dylan a sentar-se debaixo dela. O jovem fez mais caretas de dor, e evitou fazer barulho. Ao sentar-se, Theo se endireitou e deu uma rápida olhada para a biblioteca. Não conseguia mais ver o encapuzado, mas sabia que ele estava lá dentro.

Theo começou a andar lentamente pelo meio das árvores. Andava, alternando sua visão entre a janela da biblioteca, ainda quebrada pela flecha, e os galhos pelo qual tinha que evitar pisar. O cheiro de frutas era forte, mas em meio àquela adrenalina Theo nem reparara nos detalhes.

Foi se aproximando da biblioteca. Um frio percorreu a sua barriga. Ele estava diante do assassino do reino, que matava Lordes. Lordes! Isso não era nem um pouco confortável.

A porta da biblioteca era de madeira escura. Era divida em duas e tinha os batentes de ferro e enfeitados. Eram altas o suficientes para dar mais medo nele. A biblioteca estava conectada à um pavilhão enorme. Se o assassino o visse, poderia fugir para lá e pegá-lo de surpresa. Na verdade, ele poderia estar atrás dele naquele exato momento. Isso fez o amigo de Dylan ter uma sensação de medo ainda maior.

Ele deu uma última olhada na janela, no andar de cima. Foi até a porta, e hesitou um segundo. Depois, empurrou a porta de leve e o rangido deixou-o pálido. Entrou no corredor escuro e fechou a porta. Viu a escada no final do corredor, ao lado esquerdo, e correndo até lá, começou a subir as escadas de pedra rapidamente. Sua respiração estava ofegante, o ar estava pesado e cheio de poeira.

Subiu a escada, chegou ao patamar do meio, virou-se e começou a subir o segundo lance de escadas. Cada pisada que ele dava era como se um Poderoso desse-lhe uma saraivada de raios com seus poderes. O medo o estava deixando tonto, mas ele conseguiu subir até o corredor do segundo andar.

A porta da sala dos livros estava entreaberta. A sala onde os dois foram achados mortos. Será que ele seria mais uma vitima a morrer na biblioteca? Ele andou até ela e a empurrou lentamente. Não havia ninguém lá, ninguém que ele pudesse ver.

Ele entrou a passos lentos, evitando fazer barulho. O cheiro era terrível lá dentro, e o chão ainda tinha marcas avermelhadas de sangue velho seco. Os livros estavam meio empoeirados, mas os assassinatos não haviam acontecidos há muito tempo para acumular grandes camadas de poeira.

A janela quebrada permitia a passagem de bichos e ele conseguia ouvir o barulho de filhotinhos de pássaros que já haviam feito ninho em alguma estante. A rainha estava tão preocupada com os assassinatos que nem pensara em guardas os livros e pergaminhos em outro lugar, então eles ficaram lá.

Ele passou a mão pelo rosto, com gastura de toda a poeira. Sentiu vontade de espirrar, mas segurou o fôlego por alguns segundos para não o fazer. Tudo estava melancolicamente estranho. Nem parecia o mesmo lugar que ele ia para estudar, às vezes, quando mestre Horuan o levava até lá para “aprofundar os conhecimentos e deixar a mente mais fortalecida”.

Ele começou a entrar e chegou perto do balcão, onde, abaixando-se diante da mancha avermelhada, viu a marca do corpo de Lorde Lafter desenhada ali. Era perturbador, e por alguns segundos sentiu um ódio intenso do assassino.

Um livro caiu do chão, no lado direito, e Theo olhou na direção do barulho, mas percebeu que era uma distração. Quando menos esperava, um vulto preto passou pela porta e fugiu. Ele se levantou e correu rapidamente, puxou a porta com força e correu até as escadas, mas elas estavam em silencio. Quando virou para trás, para o outro lado do corredor do segundo andar, o encapuzado deu-lhe um soco no nariz. Ele reagiu e empurrou o encapuzado com tanta força que o individuo caiu no chão com um barulho opaco. Ele pulou em cima do assassino e puxou o seu capuz, mas um tapa forte machucou o seu rosto, deixando-o tonto.

O encapuzado pulou, recolocou o capuz rapidamente e desceu as escadas. Theo, ainda meio tonto, levantou-se enquanto se apoiava nas paredes e tentava correr mais rápido. Seus pés desceram pulando vários degraus, seguindo em direção ao primeiro andar. Por um segundo, viu o vulto na porta. Com três enormes saltos, pulou até a porta de saída. O encapuzado já saía de lá de dentro, mas Theo o segurou pela barra capa derrubando-o.

Levou sua mão ao capuz e o puxou.

—Eu não sou o assassino! – gritou Aaron.

—Você?

—Eu não matei ninguém, eu juro. Eu não sou o assassino!

—Hoje você vai direto para a forca, pagar pelos seus crimes.

Notas finais
Palavras de hoje: perdão, obrigado e bem-vindos...