M.T.A - Meet To Always
1 Prólogo I
Notas iniciais
MIYA
Ψ
Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010
── Senhorita Miya, vejo que está tirando muito proveito dessa aula ── Diz Sra. Thompsom ironicamente, com os braços cruzados olhando para minha carteira enquanto todos de minha sala me observam.
Levanto minha cabeça. Havia, novamente, dormido durante a aula. E não era uma aula qualquer, era justamente a aula da professora que simplesmente me odiava.
── Pode me dizer o que eu acabei de explicar? ── Perguntou enquanto olhou-me de maneira um tanto sarcástica.
Tento ler as palavras no quadro, mas as letras começaram a flutuar diante de meus olhos. Quanto mais eu me esforçava, mais elas pareciam se dissipar à minha frente. Sempre tive esse problema, por causa da minha dislexia, não conseguia me concentrar muito bem nas palavras.
── Acho que... Não. ── Dizia dando uma pausa entre minhas palavras para suspirar. Já sabia o que ia acontecer.
── Então, por favor, a senhorita poderia informar sobre sua brilhante produtividade à diretora? ── Ela diz enquanto abre a porta ao seu lado.
Eu me levanto calmamente olhando apenas para frente, sem olhar para as pessoas em minha volta. Mesmo que já fosse bem provável que eles haviam se acostumado com esse tipo de situação.
Saio ao corredor da escola. A professora bate a porta atrás de mim, o que causa um estrondo. Que poderia ser ouvido por todo o corredor.
Ando um pouco até chegar à sala da diretora, então bato em sua porta e ouço sua voz dizendo:
── Está aberta ──, então eu empurro a porta e entro. Ela logo solta um suspiro profundo e eu me dirijo para sentar-me em uma das cadeiras à sua frente.
── Então, o que você fez dessa vez? ── Ela diz apoiando as mãos na mesa enquanto permanecia olhando para baixo. Não demoro para responde-la, mesmo ainda estando cabisbaixa:
── Digamos que... ── eu paro por uns 10 segundos e depois continuo. ── Eu ando dormido na aula da Sra. Thompsom...
Estar de cabeça baixa aparentava querer fugir do olhar da diretora, mas, na verdade, estava cansada, e cada vez mais minha cabeça pendia para baixo juntamente à meus olhos.
A diretora abre sua gaveta e pega um bilhete, começando a escrever no mesmo. Assim que acaba sua assinatura, ela me entrega e eu vejo: Apenas um aviso. Suspiro aliviada. Não podia levar mais advertências.
── Vou deixar passar dessa vez, mas espero que procure dormir em horários oportunos. De preferência, de noite, como toda pessoa normal faz.
O sino da escola bate, e ouço as portas se abrirem. Olho para a diretora e ela assente significando que poderia deixar sua sala.
Ψ
Enquanto guardo os livros no armário, Lilly, uma de minhas amigas, encosta do meu lado e começa a dizer em tom um tanto quanto animado de mais:
── Hey! Hoje a noite vamos jantar naquela pizzaria nova que abriu. É pra ir, tá? Às 19:00 horas!
── Já que não me deixa escolha... ── e sorrio para ela, mesmo achando que não o fiz muito bem.
── Aconteceu alguma coisa na diretora? ── Ela me pergunta, parecendo estar preocupada.
── Não, foi só um aviso. Desculpe, estou um pouco cansada hoje ── digo fechando o armário e começando a andar com Lilly em direção à saída.
Consigo ver minha mãe praticamente assim que saio: Ela estava estacionada com seu carro prateado. Parecia estar pouco impaciente. Eu aceno para Lilly e em seguida entro no carro.
── Mãe... ── começo. ── Hoje meus colegas de sala me convidaram para ir em uma Pizzaria nova... Em torno das 19:00h.
Ela me olha preocupada. Um problema de minha mãe é que, mesmo sempre (ou 95% das vezes) me deixando sair, incessantemente fazia o mesmo discurso. Encosto minha cabeça na janela enquanto ela fala:
── Miya, já sabe que pode ir. Mas deve tomar cuidado, porque pode ser uma rua não muito movimentada, e irá em um horário em que várias coisas podem acontecer, lembre-se que sempre podem ter ladrões e .... ── sem ter a pretensão de fazer, acabo dormindo.
Ψ
── Tome cuidado, por favor, filha ─ minha mãe me diz enquanto saio do carro, já de noite, na porta da Pizzaria.
── Vou tomar ── digo fechando a porta e acenando a medida que ela se distancia da entrada.
Entro na pizzaria. Um cheiro familiar de azeite e massa pairava no ar. A pizzaria está bem cheia para um novo comércio na cidade. Observo cada mesa da Pizzaria até um de meus amigos acenar, embora não tenha dado muito certo pois ele acertara a mão na cara do garçom atrás de si, e parecia pedir desculpa várias vezes enquanto eu me aproximava.
Sento no lugar vazio ao lado de Lilly, que tamborilava os dedos na mesa. Seu cabelo castanho estava preso num rabo de cavalo e seus olhos quase negros pareciam observar tudo a seu redor.
Eu bloqueava e desbloqueava meu celular continuamente, uma mania que tinha enquanto estava inquieta ou algo do tipo. Tinha a impressão de que algo daria errado, mas ao mesmo tempo me perguntava se era apenas uma cisma minha.
Mas não era apenas isso que me incomodava, uma senhora na mesa da frente não parava de me encarar.
Não estava prestando muita atenção na conversa de meus amigos, mas ria e comentava algumas coisas para não parecer estranho. Porém continuava a observar a senhora pelo canto dos olhos, me perguntando continuamente por quê ela me olhava tanto.
── Volto já ── digo me levantando e andando em direção ao banheiro, que adentro rapidamente me olhando no espelho. Eu estava aparentemente normal, com meu cabelo louro brilhante arrumado, e não aparentava ter nada de errado em meu rosto. Assim, descarto a ideia da senhora estar me encarando por algo que comprometa o mesmo.
Suspiro começando a achar que era apenas loucura minha.
Quando seguro a maçaneta para sair, uma escuridão me envolve. As luzes apagam e o secador de mãos desliga dentro do banheiro. Uma mulher que estava no banheiro grita baixinho pela queda repentina de energia.
As luzes reservas ligam, embora mais fracas, bruxuleando. Já estava para sair do banheiro. Quando percebo a senhora encostada em uma pia me diz:
── Que inconveniente essa falta de luz, justamente na sua saída com os amigos ── Sua voz era doce e gentil. Viro para ela sorrindo e então me assusto quando a senhora diz em uma voz mais grossa e sombria:
── Mas isso não importa.... Meios-sangues não tem tempo para a diversão.
── Meios... o quê? ── Eu digo, mas a pele da senhora começa a adquirir uma coloração cinza e suas unhas crescem formando garras. Suas roupas escurecem e encurtam. E seu cabelo se solta ficando em uma cor branca brilhante e pálida.
── Já que está perto do fim da vida, minha criança, e não sabe o que é? Bem, vou dizer apenas uma vez... S-E-M-I-D-E-U-S-A! ─ Ela diz em voz rouca enquanto soletra a palavra semideusa, exclamando.
Naquele momento, nem procurava saber o sentido do que ela estava falando, apenas em como iria escapar. Como já estava perto da porta, adentro novamente a parte principal da pizzaria, que por sorte estava mal iluminada.
Estico meu braço para a esquerda e direita pegando os talheres das mesas ao meu lado e olho para trás: A criatura ainda me seguia. Eu jogo os talheres em sua direção. Porém, para meu azar, fora uma atitude inútil, pois ela não aparentava ter nenhum arranhão.
Então, faço a primeira coisa que me vem a mente: Viro a mesa atrás de mim para atrasar a criatura, então me escondo embaixo de outra mesa vazia de modo que a toalha me escondesse. Eu pensava desesperadamente no que fazer, mas as outras pessoas não aparentavam ver nada de errado. O que está acontecendo?
Sinto alguém me agarrar pelo pulso e puxar, apenas me deixo ser levada enquanto percebo que estou saindo da pizzaria.
Assim que saio, a luz do poste ilumina seu rosto: Um menino com aparentemente minha idade, de cabelos castanhos e uma barba rala, estava à minha frente. Ele tira algo do bolso que logo percebo o que é: Um anel prateado com uma pedra reluzente de cor azul. Ele rapidamente diz:
── Não há tempo pra explicar, apenas use isto ──, ele me entrega o anel enquanto confusa o olho.
── Sabe, se isso for um pedido de namoro ou algo assim, fique ciente de quê...
── Não é nada disso! ── Ele me interrompe ── use isto para matar aquela Ctónico. Apenas coloque no dedo e diga o nome inserido no anel. ── Um estrondo ecoa no interior da pizzaria. ── Rápido!
Não tenho tempo de pensar em o que diabos era uma Ctónico, apenas olho as letras brilhantes no anel que me fora entregue, e leio confusamente as letras em grego: τιμωρία. As letras parecem se organizar de forma que montou um nome legível e eu pronuncio:
── Timória?
Um brilho azulado aparece e logo depois o anel antes em meu dedo se torna uma longa espada de cores prateada e bronzeada, com o cabo branco e um tridente azul estampado no mesmo.
A Ctónico sai da Pizzaria, e assim que vê a espada em minha mão um olhar de retração se afeiçoa em seu rosto. Ma ela diz tentando não transparecer isso:
── Acha mesmo que uma semideusa sem nenhum tipo de treinamento vai conseguir me derrotar com is-isso? ── Sua voz rouca gagueja no final e ela parte para cima de mim, mas apenas me atiro para o lado. O único problema é que: ela é mais rápida que eu. Quase me alcançou, porém consigo subir em um carro ali estacionado. Sem jeito, caio por detrás do mesmo, ficando abaixada.
Assim, quando a Ctónico pula sobre o carro, eu debaixo da mesma ergo a espada e ela parece se surpreender. A espada faz um corte horizontal de baixo para cima, ou seja: de onde eu estava agachada na frente do carro. Após isso, ela é dissipada. Embora tenha causado uma confusão, ela não parecia assim tão inteligente.
A espada vira um anel novamente, voltando para meu dedo, e o garoto que antes me ajudara rapidamente vem de encontro dizendo:
── Vamos, rápido... Te conto tudo no caminho. Aliás, sua mãe já sabe de tudo. Na verdade, ela causou tudo isso, indiretamente. Apenas temos que chegar em segurança ao acampamento....
Ele diz enquanto começa a correr e eu o sigo. Só agora começando a perceber que em vez de pés ele possuía cascos de bode, que pelo visto eram ótimos já que ele corria incomparavelmente mais rápido que eu.
Ψ
A explicação, que ainda não conseguia engolir, em resumo era que os deuses olimpianos existiam. o mundo mitológico grego existia. E tanto eu, como a Ctónico como ele fazíamos parte dele. Eu especificamente como filha de um dos deuses, ou seja, uma semideusa. Aparentemente existia um lugar para todos providos do "meio-sangue", que era metade humano e metade deus e eu deveria ir para lá imediatamente para minha segurança, mesmo com as várias perguntas frequentes de o que aconteceria com minha mãe e quanto tempo passaria lá.
Ou mesmo se tudo isso era realmente real.
Após andar muito e obter toda a explicação, chegamos a uma grande colina onde um enorme pinheiro se erguia e uma placa dizia em letras entalhadas na madeira: "Acampamento Meio-sangue".
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