M.T.A - Meet To Always

4 Capítulo II - À Primeira Vista


Notas iniciais
Um novo capítulo! Boa leitura.

MIYA

Ψ

Já havia algum tempo desde que Laier saíra em uma missão, e dizendo ele, havia encontrado uma semideusa bem perto de onde estávamos. Assim, ele não demoraria muito para voltar cumprindo com o que disse. No final da tarde do dia seguinte que saíra, estava chegando ao acampamento.
Corro para a colina e percebo que estou sendo seguida por mais dois campistas, mas não dou muita importância, aliás, era muito bom que eles fossem para ajudar-me a passar uma sensação de confiança à nova semideusa.

A medida que me aproximo, vou diminuindo minha velocidade. Laier está sorrindo de modo debochado, com as mãos atrás da cabeça enquanto uma garotinha está ao seu lado. Ela aparenta ser mais baixa que eu e tem cabelos curtos e negros. Sua pele é bastante pálida, e seus olhos são praticamente negros. Era fascinante como ambas tonalidades ── clara e escura ── se contrasteavam na mesma. Pelo primeiro olhar, já dava para saber que possuía alguma descendência asiática devido aos olhos menores e puxados. A menina é bem fofa e bonita, mas se olhar por outro lado, parecia sombria, ou até possuía algum tipo de anemia por a pele ser tão clara.

Victor, um semideus filho de Hermes, se apressa e cumprimenta Laier começando a conversar com o mesmo, deixando-me com a nova campista.

Procuro o que dizer, mas Ryan, a filha de Afrodite que também viera, começa a dizendo a menina:
── Bem vinda ao acampamento meio-sangue!

Ryan sorri para a garota. Faço o mesmo para passar uma sensação de confiança, pois muitas vezes os que chegavam no acampamento sofreram algum tipo de dificuldade para fazê-lo.

A menina faz uma cara meio chorosa, então pergunta:
── Vocês... Me querem aqui? ── Ela olha para baixo, como se tivesse medo de olhar em nossos olhos.

Parecia triste e com algum tipo de dúvida em si. Não sabia o que aquela garota havia passado, mas certamente não era algo que ela gostaria de lembrar. Eu sorrio na esperança dela se sentir melhor, fazendo um sinal com os dedos e uma careta ao falar com ela:
── Claro que sim, afinal, você é uma de nós!

A garota começa a chorar. O que me impressiona. Mas sabia que não eram lágrimas de tristeza, seu olhar parecia acalentado e feliz, assim indicando que chorava de emoção e felicidade. Começo a entrar em pânico, passando a mão no cabelo da menina rapidamente falando:
── Não... Não precisa disso! Eu sei que você está emocionada, mas se acalme, está bem? ── Tento acalma-la.

Percebo que ela continuava com o olhar abaixado, então me ajoelho a sua frente para tentar ficar a altura de seus olhos. Viro-me para Ryan, que assente com a cabeça, tirando do bolso um delicado lencinho branco bordado com detalhes rosados.

Pego o lenço e ofereço à garota, que o pega enxugando o rosto. Pouco depois, ela me devolve o lenço e sorri, indicando que estava melhor.
── Então, qual seu nome, garotinha? ── Ryan pergunta enquanto eu me levanto.

A menina agora estava com a cabeça levantada e um olhar pouco mais confiante e aliviado. Ainda haviam resquícios do choro em seus olhos, estavam pouco avermelhados, porém parecendo mais feliz do que antes.
── Me chamo... Akemi, ou melhor: Akemi Tsuke! ── Ela sorri.
── Meu nome é Ryan Pearcy e esta ── ela aponta para mim ──, é Miya Alethia.
── Akemi... Que nome bonito ── eu sorrio para a garota. ── É de origem japonesa, não é?

Akemi assente alegremente, então Victor se aproxima e diz:
── Hm... Quem vai estar encarregado de mostrar o acampamento pra ela? Se não puderem, eu...
── Não, eu vou! Você já instruiu os dois últimos campistas e Ryan também! ── Digo interrompendo-o

Fico ao lado de Akemi colocando a mão em seu ombro. Por mais que fosse cansativo apresentar o acampamento, era uma tarefa divertida de se cumprir.

Ryan sorri desajeitadamente enquanto Victor faz um sinal com as mãos em forma de defesa, então diz:
── Tudo bem então... Só não se atrasem. ── Ele fala acenando para ir embora.
── Prazer em te conhecer, Akemi. Espero que sejamos amigas. Bem, Miya vai te mostrar o acampamento, eu já vou indo. ── Ryan diz, acenando e correndo para alcançar Victor.
Eu olho para Akemi, dizendo a ela:
── Então, vamos? Sei que é meio repentino, mas vou te mostrar o acampamento.

Começo a andar com Akemi me acompanhando. Laier nos alcança e descemos a colina juntos.

Ψ


── Bom, vamos começar... Com a casa grande? Acho que é o correto. ── Digo.

Laier foi embora há pouco tempo, e agora, Akemi e eu andávamos pelo acampamento. Vários campistas passavam, com diferentes tipos de armas, e para cada uma Akemi olhava com surpresa.
Chegamos rapidamente à casa grande e eu me apresso para bater na porta enquanto Akemi estava atrás de mim, meio que se escondendo.
A porta se abre, fora o diretor de atividades. Ele logo olha para mim, e em seguida lança seu olhar à Akemi.
── Boa tarde, Miya. Não esperava sua visita... Essa é a nova campista? Laier voltou bem cedo pelo visto.
── Sim, sim. Estou mostrando o acampamento pra ela, acho que o certo é começar por aqui ──, ele parece contente. Logo depois, o diretor passa pela porta, se revelando um corpo de cavalo. Akemi coloca as mãos na boca abafando um susto, enquanto olha surpresa para o centauro.
── Qual o seu nome, minha jovem? ── Ele pergunta.
Akemi fica um tempo o observando, e gagueja ao falar:
── M-Meu nome é... A-Akemi Tsuke.
O centauro solta um suspiro profundo, mas logo sorri e diz:
── Meu nome é Quíron, sou o diretor de atividades do acampamento. ── Ele diz e percebe que Akemi ainda parece surpresa. ── Vou dar um tempo para você se acostumar com isso ──, em meio a pequenas risadas.
Akemi também ri levemente, embora pareça meio tensa.
── Bem, vou continuar a mostrar o acampamento para ela, certo? Até depois. ── Aceno para Quíron, que acena de volta quando começamos a andar.
Akemi parece perdida em seus pensamentos, mas logo pergunta:
── O que ele é? ── Se referindo à Quíron.
── Um centauro. São criaturas que possuem metade corpo de cavalo e metade de homem.
── Ah, como em "As Crônicas de Nárnia"? ── Akemi responde alegremente.
── O que é isso?
── Bem, é um filme... Ou um livro. Seja o que for, lá tem desses também! ── Diz sorrindo. Parece que está começando a se soltar.
Então rio junto, enquanto continuamos a andar em direção ao campo de morangos.
Chegamos lá rapidamente. O campo era imenso e praticamente inteiro na cor vermelho, devido aos morangos. Akemi novamente fica surpresa, dizendo baixinho:
── Uau!
Então eu olho para ela e seguro seu pulso, a puxando para o campo.
Estávamos andando entre a plantação. Eu estava procurando alguém para apresentar à Akemi. Ela parece olhar de um lado para o outro e depois pergunta:
── Porque vocês produzem morangos?
── Não, Não! "Vocês" não! Você é uma de nós agora, Akemi, use: "Nós". ── Sorrio para ela, que parece se alegrar. ── Bem, os morangos são apenas um disfarce. Os mortais não conseguem ver o acampamento, mas esse lugar ainda existe. Então, temos o comércio de morangos para disfarçar... E claro, somos semideuses, mas não somos ricos...
── Mas... Como os mortais não veem um lugar tão grande quanto esse?
── É que temos uma coisa chamada névoa. Ela esconde dos mortais tudo que é mitológico, os disfarçando como outra coisa. O mundo grego está por toda parte, só não o conseguem ver por causa dessa névoa. Quer um exemplo? Bem, um semideus pode estar lutando com um chicote e os mortais o veem como uma corda comum.
── Um chicote? ── Ela parece animada.
── Sim! Depois vou te levar para escolher sua arma, todos os semideuses tem uma.
── Sério? Hm... Qual será que devo escolher? Acho que uma espada seria muito grande para mim... Um arco não combinaria... Uma foice seria muito pesada... ── Ela começa a falar distraidamente.
De repente, vejo uma menina recolhendo morangos. A reconheço de imediato: com seus cabelos tingidos de vermelho presos em um coque, enquanto ela observa os morangos com seus atentos olhos castanhos. Mas, assim que nos percebe, larga a pazinha na terra e retira as luvas, vindo correndo até nós, praticamente pulando.
── Miya! Você por aqui? Quase nunca vem! Mesmo quando eu te peço... Ai meu Zeus! Ah, tenho uma coisa pra te contar! Sério mesmo! Você não vai acreditar... Vou tentar dar uma fugida da mesa de Deméter para falar com você no jantar! É sério! Ah, quem é essa com você? ── Ela diz energeticamente enquanto segura minha mão com os dedos pouco calejados.
── Cath... Bem, desculpe... Ando bem ocupada com as coisas do acampamento como treinamento e coisas do tipo. Ah, desculpe, Akemi, essa é Catherine Lins.
── Ahn... Meu nome é Akemi, prazer em conhecê-la!
Catherine, com seu jeito eletrizante, se dirige à ela falando:
── Bem, Miya já se apresentou por mim. Me chame de Cath, é meu apelido. Sou uma filha de Deméter! Você já foi reclamada?! Tem ideia de quem é seu pai?! Está ansiosa?!
── "Re"... o quê? ── Ela diz confusa.
── Cath, ela acabou de chegar. Depois explico isso a ela ── digo, e ela parece se conformar, embora Akemi faça uma careta parecendo brava por não saber.
── Ah, Akemi... Miya já te explicou sobre os campos, não é? Aliás, quer um morango? ── Catherine diz, enquanto volta à sua bolsa, pegando um morango que parece brilhar em tom vermelho intenso. Os olhos de Akemi reluzem, e Cath lhe entrega o morango, dizendo:
── Aqui, pra você! Seja muito bem vinda!
Akemi morde o morango, logo em seguida fazendo uma cara de surpresa dizendo:
── É delicioso!
── Não é? ── Digo sorrindo.
Catherine parece olhar para o céu, e depois disso diz:
── Está sendo ótimo, mas tenho que ir. Tá ficando tarde, aliás, Miya, trate de rapidamente mostrar os chalés para ela. Ou vai escurecer.
── Certo... Vamos, Akemi? ── Ela assente enquanto come o morango alegremente.

Ψ


── Aquela é a parede de escalada ── digo apontando ao longe a grande parede, coberta com lava.
── Incrível! ── Akemi exclama enquanto paramos para observar. ── Alguém já morreu nela?
── Bem, não. ── Solto um risinho.
── E pra que a lava? ── Ela pergunta enquanto vê alguns campistas escalando.
── Bem, a ideia é você escalar o mais rápido possível, caso demore demais, a lava irá queimar suas roupas e bem... É uma humilhação, não é? Bem, vamos indo, ainda tem muita coisa pra te mostrar.
── Não! Quero ficar aqui! ── Ela protesta.
── Por quê?
── Quero ver se essa coisa de queimar as roupas realmente funciona. ── Ela diz vendo com atenção a parede. Mas logo pego-a pelo pulso puxando-a, e ela não apresenta sinais de luta contra isso.
Andamos mais um pouco até passar pelo lago. Paro rapidamente em sua borda, e digo à Akemi:
── Fique olhando.
── Água? ── Ela pergunta curiosa.
── Paciência...
A água começa a ficar agitada, e Akemi parece ficar cada vez mais tentada. Então, do lago uma cabeça emerge, em seguida se apoiando na margem, agora com a água cobrindo até os seios.
── Uma sereia! ── Akemi exclama enquanto olha a garota.
── Não sou uma sereia. ── Ela diz meio impaciente. ── Sou uma Náiade, uma ninfa da água. Hum. O que quer comigo, Miya? Já disse que estou com raiva de você ── ela se vira cruzando os braços.
── Emy, pode estar com raiva de mim, mas estou mostrando o acampamento para a nova campista. O nome dela é Akemi Tsuke.
Emy solta um suspiro dizendo:
── Vocês, semideuses, se acham só porque tem tudo isso. Mas enfim, prazer em conhecê-la, Akemi. ── Emy se vira.
Akemi parece meio chocada. Mas ela logo responde:
── P-Prazer.
── Olha, tome cuidado, Miya pode acabar fazendo alguma coisa contra você. Eu não ficaria muito perto dela.
── Em primeiro lugar: Akemi é educada e agradável, não uma pessoa rancorosa como você. Aliás, não fique enchendo a cabeça dela porque a ultima coisa que preciso é da nova campista ter medo de mim, sem nem saber o que eu fiz.
── Ok, já acabou? Vou embora então. Bem, foi bom te conhecer, Akemi. ── Ela diz praticamente me ignorando.
Quando a ninfa já havia ido embora, eu levanto da margem do lago e Akemi me acompanha enquanto voltamos a caminhar pelo acampamento.
── Miya, você fez algo de muito ruim? ── Akemi parece preocupada.
── Não, a Emy é equivocada mesmo. Não se preocupe com ela, apenas queria que a conhecesse para saber que nem todos desse acampamentos são semideuses.
── Entendi... Ela parece estar bem brava com você.
── Não tinha jeito ── digo, cruzando os braços.
Andamos mais um pouco, cada vez mais próximos dos chalés. Logo solto meus braços, antes cruzados, apontando ao longe para que ela seguisse meu dedo com os olhos.
── Aquela é a enfermaria. Só estou te dizendo isso para caso não se sinta bem e não haja alguém por perto, tente chegar lá está bem? ── Digo.

Ψ


── Finalmente, os chalés! ── Digo aproximando-me do primeiro.
── Bem, Akemi, os chalés são onde os semideuses são hospedados de acordo com seu pai ou mãe olimpiano. Existem num total de 31 chalés, sendo que, os dos doze olimpianos estão organizados em: Impares na direita e pares na esquerda. Os outros estão mais à frente.
Ela parece ver os chalé com atenção enquanto se anima. Eu logo começo a falar novamente:
── Bem, não há necessidade de lhe mostrar os três primeiros chalés.
── Por quê? ── Ela pergunta curiosa, olhando para o primeiro chalé.
── O primeiro chalé é o de Zeus, e... Não há nenhum filho de Zeus no acampamento. O segundo é o da deusa Hera, mas ela não possui filhos semideuses por ser uma deusa fiel à Zeus, fazendo jus a seu título de Deusa do Casamento. Já o terceiro chalé é o de Poseidon, e bem, sou a única filha dele no acampamento.
── É solitário? ── Ela pergunta meio triste.
── O quê?
── É solitário ser a única no chalé? ── Me olhando como se pudesse arrancar todas as palavras de mim.
── Olha, na maior parte do tempo, sim. Mesmo que tenha um espaço só meu, o chalé é vazio e isso me incomoda as vezes. Por isso compenso meu tempo passeando pelo acampamento nos horários livres. Afinal, assim que conheci tanta gente. ── Solto uma risadinha debochada.
Akemi parece se alentar quanto a questão da minha solidão, mas logo diz determinadamente:
── Não sei em que chalé vou ficar, mas quando puder vou te visitar! ── Ela diz sorrindo.
Mas logo sua expressão muda, tornando-se preocupada, e diz:
── Miya, onde vou ficar? Assim... Como vou saber quem é meu pai ou mãe olimpiano?
── Bem, você deverá ser reclamada por ele ou ela. Enquanto isso, ficará no chalé de Hermes, que é o Deus dos Viajantes. Uma dica pra ter ideia de quem é seu pai ou mãe é: Com quem você morava?
── Com minha mãe... ── Akemi responde não parecendo muito feliz com isso.
── E o que aconteceu com seu pai?
── Não sei de verdade, minha mãe só dizia que ele era do exército, saiu em uma missão e não voltou mais.
── Bem, com certeza o seu pai é olimpiano, aliás, ele sumiu não foi? Deuses não podem permanecer na terra.
── Ah! ── Akemi se encanta com a ideia de ter um pai ── Quem será?... Quem você acha que seja, Miya? ── Ela pergunta com um olhar de expectativa.
── Bem, considerando sua personalidade ... Acho que chutaria Hermes, mas sua aparência não fazem jus a eles. Então, desculpe Akemi, não faço ideia.

Penso que ela iria se desanimar com a falta de informação, mas ela parece feliz com o mistério.
Andamos mais um pouco, e eu paro entre os próximos chalés.
── Bem, aquele verde que está vendo é o chalé 4. É o da deusa Deméter, Deusa da Agricultura. Sua líder é Catherine Lins. Foi aquela garota que você conheceu no campo de morangos.
── Ele é bem bonitinho e decorado ──, Akemi comenta se referindo às várias grinaldas de flores envolto ao chalé.
── Olha, ── me viro, apontando para o outro chalé, ── aquele é o chalé 5. O chalé do deus Ares, Deus da Guerra. Seu líder é Edward Blake. Eu evitaria muito contato com eles, pois podem ser agressivos.
── Dá pra perceber. ── Ela diz, provavelmente se referindo à decoração, com fios de arames farpados e uma grande cabeça de javali na entrada.
── O próximo... ── eu me viro e aponto para outro chalé. ── É o chalé 6. O chalé da deusa Atena, Deusa da Sabedoria e Estratégia em batalha. Sua líder é Fyre Payne.
── Ele é bem lindo!
── Sim. ── Sorrio para ela.

Realmente o chalé de Atena é majestoso, feito de mármore e com galhos de oliveira por toda parte, além da coruja que enfeita a porta.
Me viro novamente para a direita, onde ficam os chalés ímpares. Então digo:
── Esse é o chalé 7. O chalé do deus Apolo, deus de um monte de coisas mas... Resumidamente, Deus do Sol e da Profecia. Seu líder é Taylor Atalla.
── Ele é feito de ouro? ── Ela pergunta enquanto seus olhos brilham enquanto observa o chalé.
── Bem, não sei. Mas é bem brilhante, não é?
Me viro novamente, estavam faltando a metade dos chalés.
── Esse é o chalé 8. O chalé da deusa Ártemis, Deusa da Caça e irmã de Apolo. Como ela não possui filhos, não possui um líder. É mantido não apenas por honra, mas também porque Ártemis possui suas caçadoras que raramente fazem uso do chalé.
Estava tentando me apressar, então mal deixo de falar e continuo:
── Aquele é o chalé 9. O chalé do deus Hefesto, Deus do Fogo e dos Ferreiros. Seu líder é Jared Jinta. Ele tem essas várias geringonças em volta dele porque os filhos de Hefesto são trabalhadores assíduos e bons artesãos.
Rapidamente me viro, para o chalé completamente decorado e rosado. Dizendo:
── Aquele é o chalé 10. É o chalé da deusa Afrodite, Deusa do Amor e da Beleza. Sua líder é Ryan Piercy, a garota que você conheceu quando entrou no acampamento.
── Aquele é o chalé 12 ── digo pulando o 11 propositalmente. ── O chalé do deus Díonisio, deus do vinho e das festas... E orgia. ── Digo falando baixinho a ultima parte. ── Seu líder é Adam Wynne.
── Ei, você pulou o 11! ── Ela diz irritada.
── Eu sei. ── Sorrio a pegado pelo braço e puxando para perto daquele chalé. Então bato a porta, entrando logo em seguida sem esperarem para me atender. O chalé como sempre estava cheio de campistas, que sorriam e conversavam em uma grande bagunça.
── BEM, AKEMI! ── Digo gritando para que as pessoas ali prestem atenção em mim. ── Esse é o Chalé 11, o Chalé do deus Hermes, Deus dos Viajantes e dos Mensageiros. Seu líder é Victor Farenhart. ── Eu digo apontando para ele, que estava em cima de um beliche. ── Mas você já o conhece.
── Por que entramos nesse chalé?
── Você vai ficar aqui enquanto não é reclamada. É bom conhecer sua estadia, não? ── Novamente sorrio para ela, que retribui.
Ela, confiante, da um passo a frente enquanto eu me pergunto o que ela iria fazer.
── Hm... Eu sou... Akemi Tsuke, espero não ser um incômodo. ── Ela diz para os campistas do chalé, que rapidamente começam a rir fazendo-a ficar envergonhada.
Victor pula do beliche e fala com ela:
── Não precisa se preocupar. Somos todos uma família, não é?
Akemi se alegra. Então Victor pergunta para mim:
── Você já levou ela no arsenal?
── Ai meu Zeus, o Arsenal! Esqueci completamente ── exclamo pegando o pulso de Akemi, acenando e dizendo:
── Vejo vocês mais tarde!

Ψ


── Esse é o Arsenal ── digo enquanto abro a porta, me recostando nela e fazendo um sinal para Akemi entrar.
── O que fazemos aqui? ── Ela pergunta.
── Bem, não disse que todos os semideuses tem uma arma? Escolha a sua.

Ela parece olhar em volta e vejo que fica surpresa com a variedade de armas por seus olhos estarem brilhando.

Akemi fica inquieta, enquanto experimenta vários tipos de armas por alguns minutos enquanto eu apenas fico observando. Logo, ela para de testar e se dirige a mim dizendo:
── Miya, não pode me ajudar?
── Infelizmente, não... A arma de um semideus é uma coisa que apenas ele pode decidir.

Ela parece frustrada, mas assim que se vira, sai correndo em direção a algo.

Quando vejo, ela havia pegado uma adaga de cabo arroxeado e lâmina negra, dizendo:
── Eu quero essa!
── Tem certeza? Ela é de Ferro Estígio... Foi deixada há muito tempo por um campista, mas ninguém gostou de usa-la...
── Tenho certeza! ── Ela diz confiante. Então sorrio.
── O nome dela é Apókrypsi, literalmente: "ocultação". Mas ninguém até agora descobriu o porquê.

Akemi pega uma pequena bainha para a adaga, então a prende no cinto da saia, sorrindo para mim.

Estávamos saindo do arsenal quando o sinal do jantar soa fazendo-me novamente puxar Akemi pelo pulso, correndo em direção ao pavilhão.

Ψ


── Aqui é o pavilhão! ── Digo assim que chegamos.
── Meu Deus, quantas mesas! ── Ela diz.
── Uma para cada chalé.

Começo a instrui-la, no que deveria ser feito durante a janta quando Taylor, o líder do chalé de Apolo, passa do nosso lado. Então, rapidamente seguro seu pulso para conte-lo. Ele se virando diz:
── O que você quer?
── Nossa, que delicadeza. ── Digo a ele, fazendo uma cara melancólica. ── Queria te apresentar a nova semideusa do acampamento! Bem, eu desconfio um pouco que ela seja filha de Hermes, ou até mesmo Apolo, então...
── Você tem uma tatuagem! ── Akemi exclama em tom animado.

A garota olha o pescoço de Taylor, que estava exposto por causa do corte da camiseta. Taylor, mesmo que sempre tivera este jeito ríspido e solitário, mudou desde que chegou ao acampamento. Pelo o que eu saiba, ele chegou um ano antes de mim. Agora, alto e muito belo, esbanja um incrível porte físico, resultado de ardorosos treinamentos. Taylor também fizera uma tatuagem em formato de sol, bem bonita por sinal, no lado esquerdo do pescoço.
── É por causa de seu pai? Ele é o deus do sol, não é? ── Akemi pergunta, mas ele desvia o olhar falando:
── Não é por causa do meu pai. É em homenagem a minha mãe. Vem cá, posso ir comer em paz?
── Nossa, desculpa então. ── Digo como uma indireta, chamando Akemi e me virando para leva-la a mesa de comida.

Mas algo parecia estranho: Todos olhavam em minha direção, ou melhor, na direção de Akemi. Então, quando me viro para olhar o que era, uma coisa me surpreende: O elmo de Hades brilhava sobre a cabeça de Akemi.

Notas finais
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