MINHA OUTRA FACE
39 Quem é vivo sempre aparece
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═══🎭✦✧ Ainda na casa dos Antunes... ✧✦🎭═══
Diná continuava descontrolada. As mãos tremiam de raiva e dor enquanto desferia tapas em Soraia.
— Eu tenho vergonha de você! — gritava entre lágrimas. — Vergonha de ter parido um ser humano lixo como você!
Soraia tentava se proteger como podia, encurralada contra o sofá.
— Para! Tá me machucando! — gritou ela, tentando afastar as mãos da mãe.
Nesse momento, a porta da casa se abriu.
Joana entrou primeiro, seguida de Kléber. Os dois pararam abruptamente ao ver a cena.
Diná em cima da filha, chorando e batendo. Soraia tentando se defender.
— Meu Deus... — murmurou Joana.
Ela se aproximou rapidamente e segurou Diná pelos braços, puxando-a para trás.
— Calma, senhora! Calma!
Diná ainda tentava avançar, mas Joana conseguiu afastá-la.
Soraia permaneceu caída no sofá, respirando forte, o cabelo completamente bagunçado, os olhos cheios de lágrimas.
Diná começou a chorar compulsivamente.
— Eu criei um monstro... — disse entre soluços. — Eu tenho vergonha da filha que coloquei no mundo.
Ela olhou para Soraia mais vez.
— Mas agora eu cansei. Pra mim você morreu. Tá enterrada.
Depois se virou para Joana, constrangida.
— A senhora me desculpe... por fazer esse barraco dentro da sua casa.
Joana respirou fundo antes de responder.
— Imagina... a senhora tá no seu direito como mãe. Às vezes os filhos não se tornam aquilo que a gente sonhou.
Diná enxugou as lágrimas com a manga da blusa.
— Eu preciso ir embora.
Joana olhou para Kléber.
— Kléber, você se importaria em levá-la em casa?
Diná imediatamente recusou.
— Não precisa. Eu pego um ônibus aqui na frente, rapidinho tô em casa.
Kléber deu um passo à frente.
— Claro que não. Eu levo a senhora.
— Não quero dar trabalho.
— Não é trabalho nenhum. — respondeu ele com firmeza.
Diná apenas assentiu, cansada demais para discutir.
Kléber a acompanhou até a porta, e os dois saíram.
A sala ficou em silêncio.
Joana então voltou o olhar para Soraia, que continuava jogada no sofá, ofegante.
— Triste... — disse Joana, fria. — Mas parece que até sua mãe se cansou de você.
Soraia se levantou devagar, ajeitando o cabelo bagunçado e limpando as lágrimas do rosto com raiva.
— Pouco me importam meus pais. — respondeu com desprezo. — São dois fracassados que nunca tiveram ambição nenhuma na vida.
Ela caminhou alguns passos pela sala.
— Espero que depois desse showzinho ela realmente esqueça que eu existo.
Parou diante de Joana, sustentando o olhar.
— Eu sei que a senhora também não gosta de mim. Preferia a Daiana, né?
Fez uma pausa.
— Mas vai ter que me engolir.
Sem esperar resposta, Soraia virou-se e começou a subir as escadas. Passo firme e queixo erguido. Como se nada tivesse acontecido.
Joana permaneceu parada na sala, observando-a desaparecer no andar de cima.
═══🎭✦✧ Mirante de Santana ✧✦🎭═══
O carro de Daiana subia lentamente a rua tranquila. O movimento da cidade parecia ficar cada vez mais distante. O céu já começava a se tingir de tons alaranjados.
Ela estacionou próximo ao mirante e desligou o motor.
— Chegamos. — disse Daiana, olhando pela janela.
Gabriel observou ao redor, curioso.
— Isso é um sequestro?
Daiana sorriu e abriu a porta do carro.
— Talvez. Vem... quero te mostrar uma coisa.
Gabriel desceu também. Uma brisa suave soprava lá de cima, trazendo aquele silêncio típico dos lugares altos.
Os dois caminharam alguns passos até a grade do mirante.
A cidade se estendia diante deles como um oceano de prédios. Ao fundo, o sol enorme e dourado começava a desaparecer no horizonte, pintando o céu de laranja, rosa e vermelho.
Gabriel ficou em silêncio, impressionado.
— Uau... muito bonito aqui.
Daiana encostou os braços na grade, observando o pôr do sol.
— Já vim aqui algumas vezes... — disse ela, em voz baixa. — Principalmente quando preciso pensar.
Gabriel se aproximou, ficando ao lado dela.
— Obrigado por ter me trazido aqui.
Ela virou o rosto para ele.
— Eu achei que você precisava respirar um pouco. Por isso pedi para o Fabinho deixar o seu tio no orfanato... e decidi te sequestrar.
Os dois trocaram um olhar longo.
— Tomara então que ninguém pague o resgate... — disse Gabriel com um sorriso. — Porque eu não tô afim de ser salvo.
Os dois riram.
Logo depois, se aproximaram e trocaram um beijo demorado, daqueles que parecem suspender o tempo.
— Tanta coisa acontecendo... — disse Daiana, ainda perto dele. — Nem teve como a gente aproveitar o nosso reencontro, né?
— Verdade. — respondeu Gabriel. — Não vejo a hora de sair desse pesadelo... provar minha inocência e viver sem me esconder. Voltar a assumir minha vida. E, se possível, sem Rodrigo e Soraia no nosso caminho.
— Ah não... ninguém merece esses dois. — ela riu de leve. — Mas estamos perto, meu amor. A gente vai conseguir desmascarar o Rodrigo e colocar ele atrás das grades.
Ela olhou novamente para o horizonte.
— Agora vem cá... não vamos perder esse pôr do sol lindo falando desses dois.
Os dois trocaram outro beijo, mais intenso.
Depois ficaram em silêncio, observando o sol desaparecer lentamente no horizonte.
Daiana ficou de frente para a paisagem. Gabriel veio por trás e a abraçou pela cintura, apoiando o queixo no ombro dela.
— Olha que espetáculo... — disse ela. — Isso acontece todos os dias e a gente nem percebe.
— E na sua companhia o espetáculo fica ainda mais incrível. — respondeu ele.
Daiana se virou para ele, envolvendo os braços em seu pescoço.
— Sabia que nesse horário... aqui praticamente não vem ninguém?
Gabriel sorriu, batendo de leve com o indicador na testa dela, como se estivesse "lendo" os seus pensamentos.
— Daiana Meireles... o que tá passando nessa cabecinha?
Ela se aproximou ainda mais.
— Eu te quero Gabriel.
Fez uma pequena pausa.
— Te quero aqui... te quero agora.
O beijo agora era mais quente, mais intenso. Havia algo de urgente nele, como se todo o tempo que haviam passado separados estivesse sendo recuperado naquele instante.
Depois eles se afastaram por um segundo, ofegantes. Os olhos se encontraram, cheios de desejo.
Gabriel então a puxou para si e a levantou nos braços. Daiana soltou um pequeno riso, envolvendo as pernas na cintura dele enquanto continuavam se beijando.
Sem parar o beijo, ele caminhou até o carro e a colocou sobre o capô.
Gabriel deslizou as mãos pelos braços dela e, num gesto apressado e cheio de vontade, puxou a blusa de Daiana por cima da cabeça. A peça caiu ao lado, deixando-a apenas de sutiã.
Ele voltou a beijá-la, descendo lentamente pelo pescoço, pelo colo, até parar entre seus seios.
Daiana fechou os olhos, respirando fundo, enquanto seus dedos se perdiam nos cabelos dele.
O céu atrás deles já estava mergulhando nos últimos tons do pôr do sol, e a cidade lá embaixo parecia distante, quase inexistente.
═══🎭✦✧ Casa de Charles ✧✦🎭═══
Diná entrou em casa com os ombros caídos e o olhar vazio.
Na sala, Charles estava largado no sofá, concentrado assinando um bilhete de loteria.
— E aí, mulher! — disse ele, sem tirar os olhos do papel.
Diná soltou a bolsa sobre a mesa.
— Você ainda insistindo nisso aí?
Charles deu um meio sorriso.
— Vai que a sorte resolve brilhar pra nós, não custa tentar.
Ele finalmente levantou o olhar e franziu a testa ao notar a expressão dela.
— Mas que cara de enterro é essa?
Diná caminhou lentamente até o sofá e se sentou ao lado dele.
— Você acertou... acabei de enterrar a nossa filha.
Charles virou o corpo para ela, confuso.
— Que história é essa, Diná?
Ela respirou fundo, os olhos marejados.
— A Soraia morreu, Charles... — disse com amargura. — A nossa filha agora tá morta e enterrada.
— Aconteceu alguma coisa?
— Eu fui lá na casa dos Antunes. — respondeu ela. — Aquela menina me falou desaforos, me tratou como se eu fosse um lixo.
A voz começou a falhar.
— Eu fui lá preocupada, e ao mesmo tempo feliz em revê-la...
Ela balançou a cabeça, indignada.
— E sabe o que eu recebi em troca? Desprezo. Frieza. Como se eu não fosse nada. Aquela dali não tem conserto, Charles. Eu me envergonho de ter gerado aquele monstro.
Ela se levantou abruptamente.
— E a partir de hoje vai ser assim mesmo.
Uma lágrima escorreu, mas ela não enxugou.
— A minha Soraia morreu... e tá enterrada dentro de mim.
Charles também se levantou e se aproximou da esposa. Colocou a mão no ombro dela, tentando confortá-la.
— Oh, meu amor... é triste te ver assim. Mas te entendo. Infelizmente a nossa filha virou um caso perdido.
Diná respirou fundo, tentando recuperar o controle.
— Eu não nasci pra viver nenhum tipo de relação tóxica. Nem com marido, nem com amigo... e nem se quer mesmo com filho.
Ela falou com uma frieza que assustava:
— Eu não quero mais saber de Soraia dentro dessa casa. Nunca mais. Ela fez a escolha dela, não fez? Então que arque com as consequências. A partir de hoje... eu não movo mais um dedo por aquela ingrata.
Virou o rosto, como se tentasse afastar qualquer fraqueza.
— Porque agora ela pode até estar lá... se achando. Nariz empinado, toda poderosa...
O olhar endureceu.
— Mas ela vai cair. E vai cair feio. E quando isso acontecer... ela vai voltar. Vai bater nessa porta... se rastejando... implorando ajuda.
Ela encara Charles, firme, definitiva:
— Mas você pode ter certeza... eu não vou ajudar. Porque a filha que eu amava... morreu.
Diná virou-se e caminhou para a cozinha.
Começou a mexer nas panelas, tentando ocupar as mãos para não desabar.
═══🎭✦✧ Em frente à casa dos Meireles ✧✦🎭═══
Ludmila havia montado um verdadeiro acampamento ao lado do portão da mansão.
Barraca armada, cadeira de praia, uma pequena mesa improvisada e até uma garrafa térmica de café.
Sentada tranquilamente na cadeira, ela segurava uma xícara fumegante, como se estivesse ali apenas aproveitando a noite.
O carro de Fabinho surgiu na rua.
Ele diminuiu a velocidade, estranhando aquela cena absurda.
Ludmila se levantou imediatamente, tentando chamar a atenção dele, acenando discretamente.
Fabinho aproximou o carro do portão e chamou o segurança.
— O que tá acontecendo aqui, Marcão?
O segurança coçou a cabeça, sem saber se ria ou se ficava sério.
— Essa maluca chegou aqui mais cedo e armou essa barraca aí. Disse que só sai quando o senhor for falar com ela.
Fabinho olhou para Ludmila.
Os dois trocaram um olhar carregado de sentimentos.
Mas ele endureceu a expressão.
— Pois deixa ela aí. Tomara que chova... quero ver quanto tempo ela aguenta.
Ele respirou fundo.
— Apronta, me trai... e depois fica fazendo ceninha pra chamar atenção.
Ludmila manteve os olhos nele, firme, sem dizer nada.
Fabinho desviou o olhar.
— Abre o portão.
O portão se abriu e ele entrou com o carro.
Ludmila permaneceu ali, parada, observando enquanto o carro desaparecia pelo jardim da casa.
Dentro da mansão, Fabinho mal teve tempo de entrar quando se deparou com Angelina na sala.
— Meu filho... quem é essa maluca que tá acampada aí na frente? — perguntou ela, intrigada. — Só não chamei a polícia porque fiquei esperando você chegar pra me explicar o que tá acontecendo.
Fabinho jogou a chave no sofá, irritado.
— Pois deveria ter chamado. Ela tá querendo chamar minha atenção porque eu bloqueei ela em tudo.
Angelina ergueu as sobrancelhas.
— E por quê você fez isso?
— Porque me traiu! — respondeu ele, nervoso. — E agora fica aí querendo... querendo dar uma de arrependida.
Meireles, que estava na sala em sua cadeira de rodas, observava a conversa com interesse.
— Calma aí... agora tô entendendo. — disse ele. — Isso tem a ver com coisa do coração, né?
Angelina olhou novamente pela janela, curiosa.
— Oh, meu filho... você gosta dessa moça, é isso?
Fabinho passou a mão no rosto, e se jogou no sofá.
— Eu sou completamente apaixonado por aquela maluca.
Ele apontou para a janela.
— Mas olha isso! Ela não consegue levar nada a sério. E por mim ela pode passar a noite toda aí... a semana... o mês... o ano. Que eu não vou lá falar com ela. Quero nem saber.
Falou quase para si mesmo:
— Eu vou arrancar ela de dentro de mim.
Do lado de fora, Ludmila voltou a se sentar na cadeira de praia.
Olhou para o portão da mansão e deu um pequeno sorriso teimoso.
— Se ele pensa que eu vou embora... tá muito enganado. Daqui eu não saio. Uma hora ele vai ter que vir aqui falar comigo.
Fez outra pausa, olhando para a casa iluminada.
— Quem mandou me conquistar... agora que aguente.
Serviu mais café na xícara.
— Acho que vou servir mais um cafezinho... porque essa noite promete.
═══🎭✦✧ Casa dos Antunes ✧✦🎭═══
O quarto estava mergulhado na penumbra. Soraia dormia profundamente, alheia a tudo.
A porta se abriu lentamente, quase sem fazer barulho.
Uma sombra entrou.
Passos leves.
Silenciosos.
Aos poucos, a figura se aproximou da cama.
Um brilho metálico surgiu na escuridão.
Uma arma.
Apontada diretamente para a testa de Soraia.
Ela abriu os olhos de repente.
O susto foi imediato.
— Que isso?! Tá maluco?! — disse, assustada.
Rodrigo estava ali.
Frio.
Imóvel.
Com a arma firme na mão.
— Levanta... sua vadia. — disse, com a voz baixa e carregada de ódio. — Quero atirar em você em pé... só pra ver você caindo.
Soraia se levantou lentamente, com as mãos erguidas, o corpo tremendo.
— Rodrigo... calma... cuidado com isso...
Ele inclinou a cabeça, observando cada reação dela.
— Tá com medo? — debochou. — Pensei que você fosse mais corajosa... pra ter colocado aquela bomba dentro do meu carro.
— Aquilo foi só uma brincadeira! — disse ela, tentando manter a voz firme. — Como você viu... era de mentira.
Rodrigo deu um passo à frente.
Os olhos frios.
— Ah, é? Pois eu não brinco com coisa séria.
Fez uma pausa.
— Atirei uma vez em você... posso muito bem atirar de novo. Prepara pra morrer, Soraia.
Por um instante, o silêncio dominou o quarto.
Então...
Soraia abaixou lentamente as mãos.
E encarou Rodrigo de volta.
— Você não teria coragem de atirar em mim aqui. — disse, firme. — A sua mãe tá bem aqui do lado.
Rodrigo sorriu de lado.
Um sorriso perigoso.
— Então você duvida?
Aproximou ainda mais a arma.
— Idiota... você não faz ideia do que eu sou capaz, né garota?
Ele puxou o gatilho e...
CLIC.
Soraia gritou, se encolhendo, fechando os olhos, esperando o impacto.
Nada.
Silêncio.
Quando abriu os olhos, Rodrigo estava rindo.
— Se mijou toda, né... sua vadia?
Ele girou a arma nos dedos.
— A arma tá descarregada. Mas pode ter certeza, essa brincadeirinha sua vai te custar caro.
Se aproximou mais uma vez, falando baixo, quase sussurrando:
— Me aguarde.
Rodrigo virou as costas e entrou no banheiro, batendo a porta.
Soraia permaneceu parada por alguns segundos.
Paralisada.
A respiração descompassada.
═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══
O dia amanhecia. Fabinho se levantou inquieto e caminhou até a janela.
Lá embaixo, Ludmila ainda estava acampada.
Ela caminhava ao lado do muro quando, ao erguer o olhar, cruzou com o dele.
Os olhos dos dois se encontraram por um breve instante.
Tempo suficiente para o coração dele vacilar.
Fabinho se afastou da janela rapidamente, como se tivesse sido pego em flagrante.
— Não acredito... — murmurou. — Ela passou a noite naquela barraca... mas que garota teimosa.
Do lado de fora, Ludmila caminhou até o portão e começou a gritar, sem hesitar:
— Não adianta se esconder, Fabinho! Eu te vi!
A voz ecoou pelo jardim.
— E eu não vou sair daqui enquanto você não vier falar comigo!
Ela bateu levemente no portão.
— Eu sei que você tá me ouvindo!
Virou-se para o segurança, que a observava da guarita, impassível.
— O que foi? Nunca se apaixonou não, meu filho? Eu hein...
Ele só soltou um riso curto, irônico, balançando a cabeça.
Fabinho fechou os olhos, respirando fundo, e sentou na cama, tentando ignorar.
Nesse momento, a porta se abriu.
Angelina entrou.
— Meu filho... — disse, olhando em direção à janela. — Você não acha melhor ir lá falar com ela?
— Deixa essa maluca lá fora, mãe! — respondeu ele, irritado. — Será que ela não percebe que eu não quero nada com ela?
Angelina cruzou os braços.
— E você acha que isso vai resolver alguma coisa? Essa situação não pode continuar assim, Fabinho. Se continuar desse jeito, eu vou ter que chamar a polícia.
Fabinho pegou o celular imediatamente.
— Pois é exatamente isso que eu vou fazer.
Começou a discar.
— Vou ligar agora.
Angelina se aproximou e sentou ao lado dele na cama.
— E vai ter coragem de denunciar a garota que você ama?
Fabinho parou.
O dedo suspenso sobre a tela.
Engoliu seco.
Desligou o telefone lentamente.
— Desce lá... — disse Angelina, com calma. — Resolve isso de uma vez. Conversa com ela. Decide se realmente não vale mais a pena vocês continuarem.
Ela segurou o olhar do filho.
— Porque tá muito claro, meu filho... você gosta muito dessa garota.
Fez uma pausa, com um leve sorriso.
— Realmente ela é uma maluca... nunca vi uma pessoa tão impulsiva e insistente. Mas pode ser que ela te ame de verdade. E essa foi a maneira que ela encontrou de tentar te chamar atenção. Eu não sei exatamente o que aconteceu entre vocês... mas sei que tem coisa mal resolvida aí.
Do lado de fora, a voz de Ludmila continuava.
Agora mais embargada.
Mais sincera.
— Fabinho! Eu errei, tá bom?! Eu sei que errei! Mas eu tô aqui... porque eu te amo!
A voz falhou.
— E não dá mais pra fugir disso... nem de você! Me perdoa!
As palavras atravessavam as paredes.
E atingiam direto nele.
Fabinho apertou os olhos com força.
— Eu odeio essa garota...
Mas a voz já não tinha a mesma convicção.
Ele se levantou de imediato, sem dizer mais nada saindo do quarto.
Angelina ficou ali. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios. Sabendo exatamente o que aquilo significava.
— Esse tá perdido... — murmurou para si mesma. — A juventude e suas paixões avassaladoras.
═══🎭✦✧ Na rua ✧✦🎭═══
Um carro de aplicativo seguia tranquilo pela avenida.
No banco de trás, Soraia estava distraída, mexendo no celular, alheia ao movimento ao redor.
Até que, ao erguer os olhos...
Congelou.
Lá na calçada, à frente, Daiana e Gabriel. Se beijando, alegremente.
Os olhos de Soraia se arregalaram.
— Moço... para um instante, por favor.
O motorista reduziu a velocidade, confuso.
Soraia se inclinou levemente para frente, tentando enxergar melhor.
— Eu não tô acreditando no que eu tô vendo...
Franziu a testa.
— Rodrigo... e Daiana juntos?
Mas algo não encaixava. Ela estreitou o olhar, observando melhor.
— Espera... O Rodrigo não saiu de casa com essa roupa.
O choque tomou conta do rosto dela.
— Não... não pode ser...
Um pensamento atravessou sua mente como um raio.
— Será...?
Sem perder tempo, pegou o celular e ligou para Rodrigo.
Chamou.
Chamou.
Atendeu.
— O que foi agora, Soraia? — a voz dele veio do outro lado, impaciente. — Soraia... tá ouvindo? O que foi?
Soraia ficou em silêncio.
Os olhos fixos na cena à sua frente.
No beijo.
Naquele homem.
Na confirmação impossível diante dos seus olhos.
O celular escorregou lentamente entre seus dedos.
Quase caindo no banco.
A respiração falhou.
— É ele...
Sussurrou, em choque.
— O Gabriel tá vivo.
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