MIC 2
16 A Onda
Notas iniciais
Capitulo 16 – A onda
Narrado por Lukas:
Chegamos na praia e eu desafiei ela dizendo que ela era bv, e ela beijou o Vini só para me dar nos dedos... Bem feito, Lukas, bem feito, quem mandou... Depois disso fomos jogar vôlei, a Tina parece que pirou, se irritou com a Isa porque ela fez o ponto do jogo e jogou a bola na cara dela, o nariz da Isa começou a sangrar, eu ia tirar satisfação com a Tina, mas a Gio fez isso, fui ver como a Isa estava, e o Vini também... Ele deu a camisa para ela limpar o sangue... Eu ia fazer aquilo.
Depois ela já estava melhor, e nós vimos meu tio e meu pai surfando. Os caras mandam bem.
– Uau, eles mandam bem, hein! — Pedro disse.
– O tio Rafa manda bem mesmo, o Lipe também... — Gio falou.
– Pai de quem... meu né... tem que ser bom... — falei me achando.
– Convencido, meu pai manda muito melhor... — Isa riu.
– Não mesmo... se tivesse poeira aí, seu pai estava engasgado já... — respondi.
– Sonha Lukas, sonha... — ela riu outra vez.
– Mas claro, ele é o melhor, eu sou o melhor... – falei me achando.
– Você é o melhor? Não sei em que... – ela me encarou.
– Vai dizer que surfa agora? – ergui uma sobrancelha.
– Surfo, e desde meus cinco anos... — ela respondeu.
– Sério? – me impressionei.
– Aham, e deixo muito cara no chinelo...
– Não eu...
– Está me desafiando? — ela me encarou com um sorriso.
– Não sei... competir com uma mulher pode ser covardia... — dei de ombros.
– Está me cheirando a medo, isso sim... — ela provocou.
– Medo eu? De surfar contigo? – eu ri debochando.
– Medinho sim. – ela debochou.
– Vamos lá então? — convidei.
– Demorou.
Nos levantamos da areia, e fomos até o carro pegar as pranchas.
– Vamos ver quem chega primeiro? — falei rindo.
– Não sei... – ela disfarçou e saiu correndo na frente.
– Não vale, você roubou caramba. – ela correu antes de mim.
Corri atrás dela e ela chegou antes é claro, estava com as duas mãos apoiadas no carro de costas para mim e eu cheguei e a segurei por trás. Ela virou rápido com o susto e eu a prendi entre mim e o carro.
– Você... você roubou. – falei ofegando.
– Não, eu ganhei. – ela riu.
– Não, você roubou, agora tem que fazer o que eu mandar.
– E o que você deseja, Vossa Alteza?
– Vai realizar meu desejo? — ergui a sobrancelha encarando ela.
– Depende do que você pedir.
– Eu quero... – falei me aproximando da boca dela, ela estava com vontade de me beijar eu senti, ela olhou para minha boca e mordeu seu lábio inferior.
– O quê? – Isa estava bem perto da minha boca.
– Eu quero que você passe parafina na minha prancha. – me afastei dela rindo. Ela ficou furiosa.
– Idiota! — ela ficou com muita raiva.
– O que foi? Você queria me beijar? – cheguei perto dela.
– Não! Eu não queria te beijar! — Isa respondeu super brava.
– E porque ficou brava com meu desejo? — provoquei.
– Porque... por... porque... – ela mostrou o dedo do meio pegou a sua prancha e foi para a praia.
Droga Lukas, a melhor chance de você beijar ela, ela doidinha para te beijar e você tinha que dar uma de difícil! E ainda zoar com ela... agora sim ela nunca mais te beija. Idiota, idiota, idiota.
Peguei minha prancha e fui para a praia também. Ela estava tirando o shorts para colocar a roupa de surf. Ela é a menina mais linda que eu já vi na vida. Tão linda! E eu acabei de perde a chance de pegar! Idiota. Parei ao lado dela e ela me olhou meio triste.
– Que foi, Isa? Ficou brava porque não ganhou um beijinho meu? Se você quiser eu te dou um agora... – cheguei perto dela.
– Não obrigada, não quero um beijinho seu, nem nada que venha de você. E me deixa ir surfar em paz ok. – ela foi para o mar.
– Isa! – chamei, mas ela nem olhou.
Ela amarrou os cabelos e entrou na água, começou a remar com os braços por cima da prancha, experiência ela tinha... Estava num ótimo lugar para pegar ondas. E estava se formando uma onda maravilhosa. Ela remou para a onda. Logo estava em pé na prancha dominando a situação. Tinha muita gente da escola ali, e muitos estavam prestando atenção nela, afinal, dificilmente uma menina ali se arriscava a pegar uma onda daquelas, e alem disso, eram poucas as que sabiam alguma coisa de surf... A onda começou a formar um túnel, e sim, a Isa foi para ele. Ela tinha muita coragem, a gente nunca tinha visto uma menina fazer aquilo... E ela estava se saindo muito bem.
– Ela manda muito bem! — Gio disse animada.
– Além de gostosa, surfa pra caralho! — Vini mordeu o lábio.
– Mas o Vini é um cachorro mesmo. — Pedro riu.
– Eu sei que sou. — Vini brincou.
– Ta perfeita! Ela está entrando no túnel! — falei.
– Ai meu Deus, será que ela consegue? Gio se assustou.
– Ela precisa conseguir, se não... — Pedro disse sem terminar o pensamento.
Ela desapareceu dentro do túnel. Todos que estavam cuidando ela estavam assustados, ela não aparecia mais. O túnel já estava quase fechando.
– Ela vai morrer! — Vini disse assustado também agora.
– Droga! — Pedro ficou em pé.
– Ela não vai conseguir, Meu Deus! — Gio disse desesperada.
– Vamos Isa, você consegue, vamos, vamos. – falei baixinho para mim mesmo.
Eu ia entrar no mar quando ela saiu com as mãos para o alto do túnel. Nós todos podíamos ver que ela estava muito feliz. E nós todos ficamos extremamente alegres, aquela tinha sido a onda mais perfeita do dia, do mês, do ano! E ela dominou, dominou perfeitamente bem! Foi de mais.
Ela voltou correndo da água, algumas pessoas ainda cuidavam para ver quem tinha pego a onda, mas eu fazia mais que isso, eu admirava cada passo dela em câmera lenta, ela segurando a prancha com uma mão, desamarrando o cabelo, abrindo o fecho da roupa de surf, seu biquíni começou a aparecer, ela era linda. Não conseguia tirar os olhos. Eu estava viajando.
– Então, Lukas, faz melhor? – ela parou na minha frente, mas eu nem ouvi eu acho.
– Eu acho que nem o pai dele faz melhor... — Vini disse.
– Cara, que onda! Como você fez aquilo?! — Gio perguntou animada.
– Eu surfo desde pequena, por isso... — Isa deu de ombros.
– Foi demais aquela onda! — Pedro elogiou.
Uma menininha veio até a gente. Voltei para a terra eu acho, porque eu estava bem longe...
– Tia, que onda! Como eu faço para ficar como você? — a loirinha de cabelos lisos falou com os olhos brilhando.
– Treina querida, treina bastante que um dia você fica melhor que eu. — Isa disse toda fofa.
– Obrigada, tia. – ela abraçou a Isa e a Isa retribuiu o abraço, achei aquilo tão legal.
– Então Lukas, você faz melhor? — Isa me encarou.
– Hã? Faz o que? — falei confuso.
– Você não disse que era o melhor surfista? Pega uma onda melhor que a minha?
– Você foi bem porque a onda era boa... eu faço melhor sim... — falei sem dar moral.
– Duvido! — ela riu.
– Eu estou com preguiça agora. — disfarcei fingindo um bocejo.
– Pó, pó, pó – ela imitou um galinha.
Todos acabamos rindo da imitação dela.
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