MEMÓRIAS

25 CAPÍTULO 24 - Esta noite é nossa


Jacob descobriu que havia diferentes maneiras de esperar por Sarah.

Durante quinze anos, esperara sem saber que esperava.

Esperara por uma menina que acreditava morta, por uma resposta que nunca chegava, por uma noite em que conseguisse dormir sem vê-la cair.

Depois que ela voltou, esperara de outra maneira.

Pela confirmação do DNA.

Por uma lembrança.

Por um sorriso.

Pelo instante em que ela finalmente deixaria de associar sua voz à palavra desculpa.

Mais recentemente, passara a esperar pelas pequenas coisas.

Sarah entrando em sua sala.

Sarah roubando sua comida.

Sarah mandando mensagens no meio de reuniões.

Sarah chamando-o de marido.

Sarah beijando-o.

Mas naquela noite, parado diante da janela de sua casa, Jacob esperava simplesmente que ela chegasse.

E isso era completamente novo.


A campainha tocou às oito e doze.

Jacob chegou à porta rápido demais.

Parou.

Respirou.

Abriu.

Sarah estava ali.

Cabelos soltos.

Vestido preto simples.

Casaco sobre os braços.

Nada particularmente elaborado.

E ainda assim Jacob ficou olhando.

Sarah ergueu uma sobrancelha.

— Vai me deixar entrar?

Ele abriu espaço imediatamente.

— Estava pensando.

— Perigoso.

Ela entrou.

Jacob fechou a porta.

Quando se virou, Sarah ainda o observava.

— O quê?

— Você está nervoso.

— Não estou.

Sarah sorriu.

— Está.

— Você chegou há vinte segundos e já começou.

— Eu conheço você.

A frase fez alguma coisa dentro dele.

Sarah percebeu.

— Agora conheço — corrigiu, mais baixo.

Jacob aproximou-se.

— Está melhorando.

— Tenho boa capacidade de aprendizagem.

Ele parou diante dela.

Sarah levantou os olhos.

O silêncio chegou.

Aquele silêncio que já conheciam.

Não desconfortável.

Carregado.

Jacob tirou o casaco dos braços dela.

Os dedos roçaram os seus.

Um toque mínimo.

Sarah sentiu.

Ele também.

Jacob colocou o casaco sobre uma cadeira.

Quando voltou, ela continuava no mesmo lugar.

— O jantar está quase pronto.

— Você cozinhou?

— Não pareça tão surpresa.

— Estou tentando imaginar o presidente da Cullen & Black usando avental.

— Não usei avental.

— Perdeu uma oportunidade.

Jacob riu.

— Vem.

Ele passou a mão pelas costas dela para conduzi-la.

E Sarah sentiu imediatamente.

A palma aberta.

Quente.

Suave.

Não exatamente na cintura.

Um pouco acima.

Um gesto perfeitamente inocente.

Mas depois do primeiro beijo, parecia que o corpo dela tinha aprendido a perceber Jacob de outra maneira.

Sarah virou levemente o rosto.

Jacob notou.

— O quê?

— Nada.

Ele estreitou os olhos.

— Seu rosto está falando.

Sarah sorriu.

— Aprendeu rápido.


O jantar foi quase normal.

Quase.

Sarah roubou comida do prato dele.

Jacob reclamou.

Ela ignorou.

Ele contou uma história de Emmett.

Ela riu.

Sarah contou sobre uma discussão com um juiz naquela manhã.

Jacob perguntou:

— Você discutiu com o juiz?

— Tecnicamente, argumentei.

— Ele concordaria com essa definição?

— Não perguntei.

Jacob riu.

Sarah ficou olhando.

Ele percebeu.

— O quê?

— Nada.

— Sarah.

Ela apoiou o queixo na mão.

— Gosto de ver você assim.

— Assim como?

— Feliz.

Jacob ficou quieto.

Ela já dissera antes.

Mas naquela casa silenciosa, sem Emmett, Edward, Billy ou qualquer outra pessoa ao redor, soou diferente.

— Estou — respondeu.

Sarah sorriu.

— Eu também.

E aquilo bastou.


Depois do jantar, foram para a sala.

Sarah tirou os sapatos.

Jacob olhou.

— Você tem algum problema com calçados?

— Tenho um relacionamento difícil com eles.

Ela sentou no sofá, recolhendo as pernas.

Jacob sentou ao lado.

Não perto demais.

Sarah percebeu.

— Você está fazendo de propósito.

— O quê?

— Essa distância.

Jacob olhou para o espaço entre eles.

— Não tem distância.

Sarah olhou também.

— Tem exatamente trinta centímetros.

— Você mediu?

— Visualmente.

— Advogados são assustadores.

Sarah sorriu.

Então simplesmente se aproximou.

Eliminou os trinta centímetros.

Encostou o ombro no dele.

Jacob ficou imóvel por um segundo.

Depois relaxou.

Sarah apoiou a cabeça em seu ombro.

A televisão estava ligada.

Nenhum dos dois sabia o que estava passando.

Jacob olhou para ela.

Sarah percebeu.

— Para.

— O quê?

— De me olhar.

— Você veio até minha casa.

— Não significa que pode ficar olhando.

— Parece contraditório.

Ela levantou a cabeça.

Ficaram frente a frente.

— Você fala demais.

— Você também.

Sarah sorriu.

— Então temos um problema.

Jacob levou a mão ao rosto dela.

Devagar.

Os dedos passaram por uma mecha de cabelo.

Colocaram-na atrás da orelha.

Sarah parou de sorrir.

O polegar dele percorreu sua bochecha.

Ela fechou os olhos por um instante.

Não havia pressa.

Era isso que tornava tudo mais intenso.

Quando Sarah abriu os olhos, Jacob ainda estava olhando.

Não para a menina.

Ela já sabia.

Para ela.

Sarah inclinou-se.

O primeiro beijo foi pequeno.

Suave.

Quase familiar agora.

Ela se afastou apenas o suficiente para olhar.

Jacob sorriu.

Sarah voltou.

O segundo durou mais.

A mão dele continuou em seu rosto.

A dela encontrou o peito dele.

Sentiu o coração.

Rápido.

Sarah sorriu contra sua boca.

Jacob afastou-se um centímetro.

— Está rindo de mim?

— Seu coração.

Ele olhou para a mão dela sobre seu peito.

— Culpa sua.

— Gosto disso.

— De quase me causar uma arritmia?

— De saber que você também fica nervoso.

Jacob segurou sua mão.

Beijou os dedos.

Um por um, sem pressa.

Sarah perdeu a brincadeira.

Aquele gesto simples foi inesperadamente íntimo.

Jacob percebeu a mudança em seu rosto.

Beijou a palma.

Depois o pulso.

Sarah respirou mais fundo.

Ele levantou os olhos.

Não perguntou nada.

Não precisava.

Sarah passou os dedos pelo cabelo dele.

Puxou-o para perto.

O beijo seguinte não teve a mesma delicadeza.

Ainda lento.

Mas mais profundo.

Mais seguro.

Jacob passou o braço por sua cintura.

Sarah aproximou-se.

O corpo encontrou o dele.

E os dois ficaram imóveis por um instante, sentindo a proximidade.

O calor.

A respiração.

A consciência absoluta um do outro.

Jacob deslizou a mão lentamente pelas costas dela.

Sarah sentiu cada centímetro do movimento através do tecido.

Um arrepio percorreu seus braços.

Jacob percebeu.

Sorriu contra sua boca.

— Não fala nada — ela murmurou.

— Eu não falei.

— Mas pensou.

Ele riu baixo.

Sarah beijou-o novamente para fazê-lo calar.


Em algum momento, a televisão continuou falando sozinha.

Sarah já não sabia quanto tempo havia passado.

Minutos.

Talvez muito mais.

Jacob beijava como fazia quase tudo.

Com atenção.

Como se estivesse aprendendo.

Não apressava.

Não tomava nada como conhecido.

Descobria.

O canto da boca.

A linha do rosto.

A curva do maxilar.

Sarah fechou os olhos quando os lábios dele tocaram sua testa.

Depois a têmpora.

A bochecha.

Voltaram à boca.

Ela passou as mãos pelos ombros dele.

Sentiu a tensão diminuir sob seus dedos.

Jacob encostou a testa na dela.

Os dois respiravam mais rápido.

— Você está sorrindo — Sarah murmurou.

— Você também.

Ela abriu os olhos.

— Estou?

— Está.

Sarah tocou o rosto dele.

— Estranho.

— O quê?

— Eu achei que isso seria...

Ela procurou a palavra.

— Complicado.

Jacob entendeu.

— Também achei.

— Não é.

— Não.

Sarah sorriu.

— É fácil.

A palavra o atingiu.

Jacob beijou a ponta do nariz dela.

Sarah fez uma careta.

— Isso foi muito romântico.

— Reclamação?

— Ainda estou avaliando.

— Claro.

Ela passou os braços pelo pescoço dele.

— Preciso de mais elementos.

Jacob riu.

E beijou-a.


A mudança aconteceu sem anúncio.

Sarah não soube dizer qual beijo foi diferente.

Talvez aquele em que Jacob segurou sua cintura com as duas mãos.

Talvez quando ela passou os dedos pela nuca dele e sentiu a respiração mudar.

Talvez quando ele disse seu nome contra seus lábios.

— Sarah.

Não havia medo.

Não havia aviso.

Apenas o nome dela.

Ela abriu os olhos.

Jacob estava perto.

Tão perto.

Sarah passou o polegar pela boca dele.

Jacob fechou os olhos.

Ela sentiu a respiração dele contra seus dedos.

Então beijou-o outra vez.

Mais lentamente.

Jacob respondeu.

Sarah percebeu que gostava daquela sensação.

De descobrir que podia afetá-lo.

Um toque no cabelo.

Os dedos sobre o pescoço.

Uma carícia no rosto.

Cada pequeno gesto parecia provocar uma resposta.

A respiração mais profunda.

Os braços aproximando-a.

O sorriso que aparecia entre um beijo e outro.

E Jacob descobria o mesmo sobre ela.

O modo como Sarah prendia a respiração quando ele beijava seu rosto.

Como seus dedos apertavam levemente sua camisa quando ele a puxava para mais perto.

Como ela sorria antes de beijá-lo outra vez.

Como fechava os olhos quando ele tocava seu cabelo.

Nenhum deles precisava dizer.

Estavam aprendendo.

Um ao outro.


Jacob afastou-se apenas o suficiente para encostar a testa na dela.

Sarah permaneceu com os braços em torno de seu pescoço.

— O que foi?

Ele sorriu.

— Nada.

— Jacob.

— Estou guardando.

Sarah franziu a testa.

— O quê?

Ele olhou para ela.

— Isso.

Ela ficou quieta.

Jacob tocou seu rosto.

— Você aqui.

Sarah sentiu o peito apertar.

— Eu não vou desaparecer.

A frase saiu espontaneamente.

O sorriso dele sumiu.

Sarah percebeu imediatamente.

Jacob fechou os olhos.

Mas dessa vez não houve pânico.

Apenas emoção.

Quando abriu:

— Eu sei.

Sarah passou a mão pelo rosto dele.

— Sabe mesmo?

Jacob assentiu.

— Estou aprendendo.

Ela sorriu.

— Bom.

Ele beijou a palma da mão dela.

Sarah aproximou-se.

— Jacob.

— Hum?

— Eu também estou guardando.

— O quê?

Ela sorriu.

— Você assim.

— Assim como?

— Sem pedir desculpa.

Jacob soltou uma risada baixa.

E Sarah o beijou.


Quando levantaram do sofá, nenhum dos dois falou sobre para onde estavam indo.

Sarah apenas segurou a mão dele.

Jacob entrelaçou os dedos.

Caminharam.

Devagar.

No corredor, Sarah parou.

Jacob também.

Ela olhou para as mãos unidas.

Então para ele.

— Engraçado.

— O quê?

— Durante tanto tempo essa mão significou o penhasco para você.

Jacob acompanhou o olhar.

— Significou.

Sarah apertou os dedos.

— Agora não.

Ele olhou para ela.

— Não.

Ela sorriu.

— Agora significa isso.

Jacob levou a mão dela à boca.

Beijou.

— Isso.


O quarto estava em meia-luz.

Sarah entrou primeiro.

Jacob fechou a porta.

Por alguns segundos, ficaram apenas se olhando.

Não havia constrangimento.

Havia consciência.

Da importância.

Da novidade.

Do fato de que aquela noite pertenceria exclusivamente ao presente.

Sarah aproximou-se.

Tocou a gola da camisa dele.

Depois os ombros.

Jacob passou os braços por sua cintura.

Ela encostou a testa em seu peito.

Ouviu o coração novamente.

Ainda rápido.

Sorriu.

Jacob beijou seu cabelo.

Sarah ergueu o rosto.

— Você continua nervoso.

— Você continua satisfeita com isso.

— Muito.

Ele sorriu.

— Cruel.

— Só um pouco.

Sarah tocou o rosto dele.

— Eu gosto de saber que isso é novo para você também.

Jacob compreendeu.

Não novo como experiência.

Novo como sentimento.

— É.

A resposta saiu simples.

— Muito.

Sarah sorriu.

E o beijou.

O beijo começou lento.

Diferente dos da sala.

Ali não havia televisão ao fundo, jantar sobre a mesa ou uma conversa esperando para ser retomada.

Só os dois.

Sarah sentiu os dedos de Jacob se moverem por suas costas, acompanhando a linha do vestido sem pressa. Não havia ansiedade em chegar a algum lugar. Havia curiosidade.

Descoberta.

Ela deslizou as mãos pelo peito dele.

Subiu até os ombros.

Depois voltou, sentindo sob as palmas a respiração que se aprofundava a cada toque.

Jacob interrompeu o beijo apenas para olhar para ela.

Sarah sorriu.

— De novo?

— O quê?

— Guardando.

O canto da boca dele se ergueu.

— Talvez.

— Então guarda direito.

Ela puxou-o pela gola.

Jacob riu contra seus lábios.

E o beijo mudou.

Mais quente.

Mais demorado.

Sarah sentiu as mãos dele em sua cintura, aproximando-a, e fechou os olhos.

Era estranho como cada detalhe parecia ampliado.

O calor da pele.

O som da respiração.

Os dedos nos cabelos.

O tecido da camisa sob suas mãos.

O coração dele batendo depressa quando ela se aproximava.

Não existia pressa porque nenhum dos dois queria perder a descoberta.

Sarah afastou a boca da dele e beijou sua bochecha.

Depois a linha do maxilar.

Sentiu Jacob prender a respiração.

Sorriu.

— Gostou?

— Você sabe que sim.

— Talvez eu goste de ouvir.

Jacob abriu os olhos.

— Perigosa.

— Já disseram.

Ele beijou-a novamente.

Sarah sentiu a mão dele subir pelas costas.

Devagar.

Até encontrar o fecho do vestido.

Jacob parou ali por um instante.

Não transformou o momento em pergunta.

Apenas olhou para ela.

Sarah sustentou o olhar e levou as próprias mãos até a camisa dele, começando a desfazer o primeiro botão.

A resposta estava ali.

Jacob sorriu.

Um sorriso pequeno.

Quase tímido.

Aquilo tocou Sarah mais do que qualquer gesto calculadamente sedutor poderia ter feito.

— Você está mesmo nervoso — ela murmurou.

— Já estabelecemos isso.

— Gosto de confirmar fatos.

— Advogada.

— Presidente.

Sarah abriu outro botão.

Jacob deslizou lentamente o zíper do vestido.

O som pareceu alto demais no quarto silencioso.

Sarah sentiu o ar mais fresco tocar a pele descoberta de suas costas.

Depois a mão dele.

Quente.

Suave.

O contraste provocou um arrepio imediato.

Jacob percebeu.

Dessa vez não sorriu.

Ficou olhando para ela com uma intensidade que fez Sarah prender a respiração.

Ele tocou seu rosto.

Depois beijou-a.

Sem pressa.

Sarah fechou os olhos.

O vestido deixou de ser importante.

A camisa também.

As roupas foram se tornando apenas camadas entre dois corpos que já tinham aprendido a procurar um ao outro muito antes daquela noite.

Não houve solenidade.

Em certo momento Sarah se atrapalhou com um botão e começou a rir.

Jacob também.

— Não ri.

— Você enfrenta conselhos administrativos.

— Botões são diferentes.

— Claramente.

— Cala a boca.

Ela conseguiu finalmente.

— Vitória.

— Estou impressionado.

Sarah empurrou a camisa pelos ombros dele.

Parou.

E olhou.

Jacob percebeu.

— O quê?

— Agora eu posso olhar.

Ele soltou uma risada.

— Você reclamou quando eu fiz isso.

— Regras diferentes.

— Conveniente.

Sarah passou os dedos pelo peito dele.

A brincadeira desapareceu.

Jacob fechou os olhos por um segundo.

Quando abriu, havia algo novo ali.

Não apenas desejo.

Vulnerabilidade.

Sarah compreendeu que ser olhado por ela também significava alguma coisa para ele.

Por isso não fez piada.

Apenas aproximou-se e beijou seu peito, perto do coração.

Jacob passou os dedos pelos cabelos dela.

— Sarah...

Ela ergueu os olhos.

Ele não terminou.

Não precisava.

Sarah voltou a beijá-lo.

Dessa vez, Jacob a envolveu completamente nos braços.

O beijo ficou mais intenso.

A respiração perdeu o ritmo.

As mãos deixaram de hesitar tanto.

Ainda havia delicadeza.

Mas já não existia distância.

Sarah sentiu os lábios dele descerem por sua face.

A linha do maxilar.

O pescoço.

Fechou os olhos.

A cabeça inclinou-se quase sem perceber.

O beijo ali foi lento.

Depois outro.

Sarah soltou o ar.

Os dedos apertaram os ombros dele.

Jacob sentiu.

Aprendeu.

Voltou ao mesmo lugar.

Sarah riu baixinho, sem abrir os olhos.

— Você aprende rápido.

— Tenho boa capacidade de aprendizagem.

Ela abriu os olhos.

— Você roubou minha frase.

— Prova.

Sarah o beijou antes que terminasse.

O quarto pareceu ficar mais quente.

Ou talvez fossem eles.

Cada toque fazia o seguinte parecer inevitável, não porque houvesse pressa, mas porque nenhum dos dois queria recuar daquela proximidade.

Sarah sentia o corpo responder antes do pensamento.

Um arrepio.

Uma respiração presa.

A necessidade de aproximá-lo quando ele se afastava alguns centímetros.

Jacob parecia descobrir a mesma coisa.

O modo como ela reagia aos beijos.

Onde seus dedos faziam Sarah fechar os olhos.

Que tipo de carinho a fazia sorrir.

Quando a provocação desaparecia e restava apenas aquela expressão aberta que ele já aprendera a amar observar.

E Sarah descobria Jacob.

O homem tão controlado no escritório perdia lentamente aquela precisão.

A respiração traía.

Os olhos fechavam.

As mãos apertavam sua cintura por um segundo antes de relaxarem novamente.

O nome dela escapava baixo entre um beijo e outro.

— Sarah.

Ela gostava especialmente disso.

Do próprio nome na voz dele sem culpa.

Sem desespero.

Sem um pedido de desculpas depois.

Apenas desejo.

Carinho.

Presente.

Sarah tocou o rosto dele.

— Fala de novo.

Jacob franziu a testa.

— O quê?

— Meu nome.

Ele compreendeu.

O olhar mudou.

— Sarah.

Ela sorriu.

— De novo.

Jacob aproximou a boca da dela.

— Sarah.

Ela o beijou.

E dessa vez nenhum dos dois riu.


A noite perdeu a divisão entre minutos.

Houve apenas sensações.

O toque cuidadoso tornando-se familiar.

A familiaridade tornando-se confiança.

A confiança permitindo que a proximidade crescesse.

Sarah sentiu o mundo diminuir até caber naquele quarto.

Na respiração de Jacob.

Na mão dele entrelaçada à sua.

Na boca encontrando a dela outra vez.

No calor de estarem tão próximos que já não havia espaço para pensamentos que não pertencessem aos dois.

Não existia o rio.

Não existia o penhasco.

Não existia Irina.

Não existia a empresa.

Não existia Sarah Cullen de oito anos.

Não existia Jacob Black de dez.

Havia Sarah, vinte e três.

Jacob, vinte e cinco.

E uma intimidade que não recuperavam de lugar algum.

Construíam.

Naquela noite.

Pela primeira vez.

Sarah percebeu isso com uma clareza quase dolorosa.

Cada memória que recuperara até então já havia acontecido.

Pertencia a uma vida que existira sem que ela pudesse acessá-la durante quinze anos.

Aquilo era diferente.

Não precisava ser recuperado.

Ela estava presente enquanto acontecia.

Guardaria a lembrança desde o começo.

O pensamento fez seus olhos arderem.

Jacob percebeu a mudança imediatamente.

Parou apenas para olhar.

Sarah tocou seu rosto.

— Não é tristeza.

Ele não disse nada.

Esperou.

— Eu só estava pensando que vou lembrar disso.

Jacob ficou imóvel.

Sarah sorriu.

— Desde o começo.

A emoção atravessou o rosto dele sem defesa.

Ele fechou os olhos e encostou a testa na dela.

Sarah sentiu a respiração dele.

— Então guarda — ele murmurou.

Ela passou os braços ao redor de seu pescoço.

— Estou guardando.

Jacob a beijou.

Lento.

Profundo.

Sem urgência.

E Sarah entendeu que ele também estava.

Guardando.

A textura daquela noite.

O cheiro do cabelo dela.

A risada baixa.

Os beijos.

O modo como ela dizia seu nome.

O modo como suas mãos se encontravam repetidamente como se precisassem confirmar que estavam ali.

O resto aconteceu com a mesma naturalidade.

Sem espetáculo.

Sem uma linha exata separando carinho de desejo.

Apenas uma progressão de proximidade, calor e confiança até que as palavras deixaram de ser necessárias.

E, quando finalmente se entregaram inteiramente àquela intimidade, não houve nada a provar.

Nada a reparar.

Nada a recuperar.

Só havia os dois.

Juntos.

Presentes.

E depois, quando o mundo pareceu lentamente recuperar contornos, Sarah continuou nos braços de Jacob.

Não se afastou.

Jacob também não.

Ele a envolveu com mais força, beijou seu cabelo e ficou alguns segundos em silêncio.

Sarah ouvia seu coração.

Acelerado.

Depois diminuindo.

Pouco a pouco.

Ela desenhou uma linha distraída em seu peito.

Jacob beijou sua testa.

Sarah ergueu o rosto.

Os dois se olharam.

E começaram a sorrir.

Não havia uma razão específica.

Talvez fosse justamente por isso.

Sarah tocou a boca dele.

— Oi.

Jacob riu baixo.

— Oi.

— Você está me olhando.

— Vou continuar.

— Autoritário.

— Não estou dando ordem.

— Ainda.

Jacob beijou a ponta de seus dedos.

Sarah sentiu uma ternura inesperada apertar seu peito.

A intensidade tinha passado.

A intimidade, não.

Talvez estivesse até maior.

Porque agora não havia expectativa.

Apenas permanência.

Ela chegou mais perto.

Jacob abriu o braço imediatamente para recebê-la.

Sarah acomodou a cabeça sobre seu peito.

E percebeu que gostava daquilo quase tanto quanto dos beijos.

Do depois.

Do silêncio.

De não precisar ir embora.

De sentir a mão dele distraidamente percorrendo seus cabelos.

De poder fechar os olhos sem que o momento acabasse.

— Jacob.

— Hum?

— Isso foi nosso.

Ele entendeu exatamente.

— Foi.

— Não era continuação de nada.

— Não.

Sarah sorriu contra seu peito.

— Gostei disso.

Jacob beijou seus cabelos.

— Eu também.


Mais tarde, o quarto estava silencioso.

A cidade continuava existindo do lado de fora.

Luzes atravessavam as frestas da cortina.

Sarah estava deitada junto a Jacob.

A cabeça sobre seu peito.

Os dedos desenhando distraidamente linhas em seu braço.

Jacob tinha uma mão em seus cabelos.

A outra segurava a dela.

Nenhum dos dois parecia interessado em dormir.

Sarah ouviu o coração dele.

Mais calmo agora.

— Jacob.

— Hum?

— Posso te contar uma coisa?

— Pode.

Ela levantou um pouco o rosto.

— Eu estava com medo de que em algum momento viesse uma lembrança.

Ele ficou quieto.

— Veio?

Sarah balançou a cabeça.

— Não.

Jacob passou os dedos pelos cabelos dela.

— Eu também pensei nisso.

— E?

— Nada.

Sarah sorriu.

— Nada.

Jacob olhou para o teto.

— Acho que foi isso que mais gostei.

Ela apoiou o queixo no peito dele.

— De não lembrar?

— De não precisar.

Sarah ficou imóvel.

Jacob olhou para ela.

— Hoje não teve passado.

Ela sentiu os olhos arderem.

— Não.

— Não teve penhasco.

— Não.

— Não teve promessa.

Sarah entrelaçou os dedos aos dele.

— Não.

Jacob sorriu.

— Só você.

Sarah chegou mais perto.

— Só você também.

Ele beijou sua testa.

Sarah fechou os olhos.


Algum tempo depois, Jacob achou que ela tivesse adormecido.

Até ouvir:

— Marido.

Ele começou a rir.

— Não acredito.

Sarah sorriu contra seu peito.

— O quê?

— Depois de tudo isso você ainda vai usar essa piada?

Ela levantou o rosto.

— Quem disse que ainda é piada?

Jacob ficou imóvel.

Sarah sustentou a expressão séria por três segundos.

Depois começou a rir.

— Sua cara!

— Você é terrível.

— Eu sei.

Jacob virou-se e a puxou para os braços.

Sarah riu.

— Jacob!

— Agora aguenta.

— Isso é vingança?

— Justiça.

Ele beijou sua bochecha.

Sarah tentou escapar.

Jacob beijou a outra.

— Para!

— Não.

— Jacob!

Ela ria.

E ele parou.

Não porque ela pedira.

Porque ficou olhando.

Sarah percebeu.

— O quê?

Jacob passou o polegar pela bochecha dela.

— Eu gosto muito de ver você rir.

A brincadeira desapareceu.

Sarah tocou seu rosto.

— Então me faça rir mais.

Jacob sorriu.

— Posso tentar.

Ela se aproximou.

Beijou-o lentamente.

Quando terminou, permaneceu perto.

— Boa noite, marido.

Jacob sorriu.

— Boa noite, esposa.

Sarah deitou novamente sobre seu peito.

Poucos minutos depois, sua respiração mudou.

Dormira.

Jacob não.

Ainda não.

Ficou olhando para o teto.

Sentindo o peso leve dela contra o corpo.

Os cabelos espalhados.

A mão sobre seu peito.

E esperou.

A antiga sensação.

O medo.

A culpa.

A imagem do rio.

Nada veio.

Jacob baixou os olhos.

Sarah dormia.

Em paz.

Ali.

Nos braços dele.

Uma lembrança antiga atravessou sua mente.

Uma menina durante uma tempestade.

Se eu dormir, você fica aqui?

O menino respondera que o quarto era dele.

Depois deixara que ela se aproximasse.

Agora Jacob sorriu.

Não porque estivesse revivendo aquela noite.

Mas porque finalmente compreendia a diferença.

Naquela época, era uma criança protegendo outra criança.

Agora era um homem deitado ao lado de uma mulher que desejava, admirava e começava a amar de uma maneira inteiramente nova.

Não eram a continuação de duas crianças.

Eram duas pessoas que tinham ganhado a oportunidade improvável de se conhecer outra vez.

Jacob beijou delicadamente o cabelo de Sarah.

Ela se mexeu durante o sono e chegou ainda mais perto.

Ele sorriu.

Pela primeira vez em quinze anos, Sarah dormia perto dele outra vez.

Mas Jacob não sentiu que o passado tivesse voltado.

Sentiu exatamente o contrário.

O passado, finalmente, tinha ficado onde deveria.

Atrás deles.

Aquela noite era nova.

Cada beijo era novo.

Cada toque.

Cada sorriso.

Cada descoberta.

Nenhum deles precisava lembrar daquilo depois de quinze anos.

Estavam ali para viver.

E, quando Jacob finalmente fechou os olhos, não teve medo de dormir.

Porque naquela noite não havia ninguém caindo.

Não havia ninguém desaparecendo.

Havia apenas Sarah respirando contra seu peito.

E a certeza tranquila de que, quando o dia amanhecesse, ela ainda estaria ali.


O dia seguinte chegou cedo demais.

Sarah não era uma mulher tímida.

Depois da noite anterior, menos ainda.

Levantou-se sem a pressa de procurar imediatamente as roupas espalhadas pelo quarto.

Caminhou até o espelho com uma expressão sonolenta e tentou organizar os cabelos completamente bagunçados.

Jacob acordou com o movimento.

Por alguns segundos, não disse nada.

Apenas a observou.

Não havia choque naquela imagem.

Havia intimidade.

Sarah em seu quarto.

À luz da manhã.

Sem a preparação da noite anterior.

Sem vestido preto.

Sem maquiagem intacta.

Sem qualquer preocupação em parecer alguma coisa.

Apenas ela.

Jacob sorriu.

— Isso, sim, é uma imagem perfeita para guardar.

Sarah encontrou os olhos dele pelo espelho.

— Meu cabelo está terrível.

— Está.

Ela virou-se, ofendida.

— Jacob!

Ele começou a rir.

— Você não deixou eu terminar.

— Não existe final capaz de salvar essa frase.

— Eu ia dizer que você continua linda.

Sarah estreitou os olhos.

— Recuperação medíocre.

Jacob apoiou-se no cotovelo.

— Vem aqui que eu tento de novo.

— Não.

— Sarah.

— Aprenda com seus erros.

Jacob levantou.

Sarah percebeu a intenção e começou a sorrir.

— Nem pense.

— Tarde demais.

Ela tentou escapar.

Ele a alcançou.

Sarah riu quando os braços dele envolveram sua cintura.

— Jacob!

— Agora eu termino a frase.

— Não quero mais ouvir.

Ele virou Sarah para si.

Afastou os cabelos de seu rosto.

E ficou sério.

— Você está linda.

Sarah parou de rir.

O olhar dele percorreu seu rosto.

Não havia pressa.

Não havia apenas desejo.

Havia uma espécie de encantamento tranquilo que a deixou sem resposta.

Jacob beijou sua testa.

Depois sua boca.

Um beijo sonolento.

Lento.

Sarah sorriu contra ele.

— Melhorou.

— Eu sabia.

— Não exagera.

O beijo seguinte demorou mais.

Sarah passou os braços pelo pescoço dele.

Jacob segurou sua cintura.

E a manhã começou da mesma forma que a noite terminara.

Sem urgência.

Sem passado.

Apenas com os dois descobrindo que a intimidade não acabava quando as luzes acendiam.

Talvez fosse justamente ali que começasse a parte mais importante.


Chegaram atrasados à Cullen & Black.

Jacob, pela primeira vez na vida.

Emmett não deixou passar.

Assim que os viu entrando juntos, lançou um olhar demorado para os dois.

— Finalmente — disse.

Jacob parou.

— Finalmente o quê?

Emmett apontou para o relógio.

— Finalmente você descobriu que existe uma coisa chamada atraso.

Sarah tentou manter a expressão séria.

Não conseguiu.

Emmett estreitou os olhos.

— E por que vocês dois estão com essa cara?

— Que cara? — Jacob perguntou.

— A cara de quem dormiu pouco e está feliz demais com isso.

Sarah tossiu para disfarçar o riso.

Jacob lançou-lhe um olhar.

Emmett abriu um sorriso.

— Ah. Entendi.

— Não entendeu nada — Jacob respondeu.

— Claro que não.

Emmett passou por eles, ainda sorrindo.

— Só vou avisar uma coisa: se vocês pretendem chegar atrasados todos os dias, pelo menos inventem uma desculpa melhor.

Sarah ergueu uma sobrancelha.

— Alguma sugestão?

— Tenho várias. Mas nenhuma é apropriada para o ambiente de trabalho.

Jacob fechou os olhos por um instante.

— Emmett.

— O quê? Só estou dizendo que, pela primeira vez, você parece ter uma boa razão para estar atrasado.

Sarah segurou a mão de Jacob.

Ele olhou para os dedos entrelaçados.

Depois para ela.

E sorriu.

Emmett viu.

Dessa vez, não fez nenhuma piada.

Apenas balançou a cabeça, satisfeito.

— Vou deixar vocês trabalharem.

Quando ele se afastou, Sarah aproximou-se de Jacob.

— Acho que ele sabe.

— Emmett sempre acha que sabe tudo.

— E dessa vez?

Jacob olhou para ela.

— Dessa vez, talvez saiba.

Sarah sorriu.

— Ainda bem.

Ele apertou a mão dela.

O dia tinha começado.

A rotina continuava.

Reuniões, processos, telefonemas e prazos esperavam por eles.

Mas alguma coisa havia mudado.

Não era apenas a noite anterior.

Era a certeza de que, quando o dia amanhecesse, Sarah ainda estaria ali.

E ela estava.