MEMÓRIAS
16 CAPÍTULO 15- Eu ia casar com quem?
Sarah deveria ter desconfiado no instante em que Emmett encontrou uma segunda caixa de fotografias.
Não era uma caixa particularmente grande, não tinha nada escrito na tampa e tampouco parecia ameaçadora. Mesmo assim, quando Emmett a retirou da parte inferior do armário da sala e Billy começou a rir antes mesmo que o filho adotivo a abrisse, Sarah soube que alguma coisa estava errada.
— Não.
Emmett virou-se.
— Não o quê?
— Seja lá o que estiver dentro dessa caixa, não.
— Você nem sabe o que tem aqui.
— Exatamente. E a sua cara está me dizendo que é melhor continuar assim.
Edward, sentado no sofá, cruzou as pernas.
— Pela primeira vez hoje, concordo com Sarah.
Emmett levou a mão ao peito.
— Vocês estão tentando impedir uma mulher de conhecer o próprio passado?
Sarah estreitou os olhos.
— Não use meu trauma para justificar sua fofoca.
Billy gargalhou.
Jacob estava numa poltrona, alguns metros atrás dela, e aparentemente havia decidido não participar.
Aparentemente.
Porque Sarah percebeu que ele olhava para a caixa como alguém que conhecia seu conteúdo e preferia estar em qualquer outro lugar.
Ela virou-se lentamente.
— Jacob.
— Hum?
— O que tem nessa caixa?
— Fotografias.
— Isso eu deduzi.
— Então por que perguntou?
Sarah estreitou os olhos.
— Você está nervoso.
— Não estou.
Emmett soltou uma gargalhada.
— Está, sim.
Jacob lançou-lhe um olhar mortal.
— Abre logo essa porcaria.
Emmett sorriu.
— Com prazer.
Sarah apontou.
— Eu ainda não autorizei.
— Tarde demais.
Ele levantou a tampa.
Billy começou a rir outra vez.
Sarah olhou de Billy para Emmett.
— Por que ele está rindo?
Edward respondeu:
— Porque sabe o que vem pela frente.
— E você?
— Também sei.
— E não vai me salvar?
Edward pensou por um instante.
— Não.
Sarah ficou indignada.
— Belo irmão gêmeo.
— Passei quinze anos sem você. Tenho direito a alguma compensação.
— Vocês são pessoas horríveis.
Emmett retirou a primeira fotografia.
— E você era uma criança muito interessante.
— Emmett...
— Senhoras e senhores...
— Só estamos nós aqui.
— Não destrua minha apresentação.
Ele ergueu a fotografia.
— Sarah Cullen, quatro anos, primeiro registro conhecido da obsessão por Jacob Black.
Sarah arregalou os olhos.
— Da quê?
Jacob cobriu o rosto com uma das mãos.
Billy quase engasgou de tanto rir.
Na fotografia, Sarah tinha quatro anos e Jacob seis.
Ele estava sentado no chão do jardim com um carrinho desmontado diante dele. Ao seu lado, praticamente colada ao braço do menino, estava Sarah.
Ela não parecia brincar.
Parecia fiscalizar.
— O que eu estou fazendo? — Sarah perguntou.
Edward respondeu:
— Atrapalhando.
Ela virou-se.
— Eu não perguntei para você.
— Mas eu estava lá.
Sarah olhou para ele.
— Você também tinha quatro anos.
— E já era observador.
Emmett bufou.
— Já era metido.
Edward ignorou.
Emmett apontou para a fotografia.
— Contexto histórico: Jacob ganhou esse carrinho do Billy e resolveu desmontar porque queria descobrir como funcionava.
Billy confirmou:
— Ficou horas nisso.
Sarah apontou para si mesma.
— E eu?
— Decidiu ajudar — Jacob respondeu.
— Que adorável.
— Você perdeu duas peças.
Sarah virou-se indignada.
— Eu tinha quatro anos!
— Exatamente por isso eu não queria sua ajuda.
— Você está me culpando por um crime cometido há dezenove anos?
Jacob parou.
Sarah também.
Edward corrigiu automaticamente:
— Aproximadamente dezenove anos.
Sarah apontou para ele.
— Obrigada, calendário humano.
Emmett gargalhou.
Jacob continuou:
— Só estou contextualizando.
Edward acrescentou:
— E depois você chorou.
Sarah fechou os olhos.
— Claro que chorei.
Emmett levantou um dedo.
— Não porque perdeu as peças.
— Então por quê?
— Porque Jacob mandou você brincar com outra coisa.
Sarah olhou lentamente para Jacob.
Ele já estava sorrindo.
— E o que aconteceu?
Jacob tentou não responder.
Billy respondeu por ele:
— Largou o carrinho.
Sarah virou-se.
— Por quê?
— Porque você estava chorando.
Ela olhou para Jacob.
— Você largou seu brinquedo porque eu chorei?
Jacob deu de ombros.
— Provavelmente.
Emmett quase caiu no sofá.
— Provavelmente?
Edward riu.
— Ele lembra.
— Claro que lembra — Emmett disse. — Jacob lembrava de absolutamente tudo que dizia respeito a Sarah.
Jacob apontou para ele.
— Não é bem assim.
Sarah começou a rir.
— Não. Continue.
Emmett abriu os braços.
— Finalmente tenho autorização.
Jacob murmurou:
— Péssima decisão.
A fotografia seguinte fora tirada numa festa na mesma época.
Emmett e Jacob tinham seis anos.
Sarah e Edward, quatro.
Emmett estava com o rosto sujo de chocolate. Edward parecia profundamente decepcionado com o comportamento de todos. Jacob segurava um prato.
Sarah estava comendo do prato dele.
Ela analisou a fotografia.
Depois olhou para Jacob.
— De novo comida?
Edward respondeu:
— Sempre.
Emmett confirmou:
— Você podia ter exatamente a mesma coisa no seu prato.
— E?
— Não queria.
Sarah começou a compreender.
— Eu queria o dele.
— Exatamente.
Billy ria.
— E Jacob dava.
Sarah olhou para ele.
— Sempre?
Jacob tentou defender-se.
— Não sempre.
Três vozes responderam simultaneamente:
— Sempre.
Jacob olhou ao redor.
— Que família maravilhosa.
Emmett começou a enumerar:
— Batata.
Edward:
— Sobremesa.
Billy:
— Pipoca.
Emmett:
— Biscoito.
Edward:
— Uma vez recusou o próprio sorvete porque queria o dele.
Sarah arregalou os olhos.
— Eu era insuportável.
Jacob respondeu automaticamente:
— Ah, isto é verdade.
Ela virou-se.
— Ei!
Ele começou a rir.
— Você mesma disse.
— Eu posso dizer. Você não.
Billy gargalhou.
Emmett bateu palmas.
— Isso! Exatamente isso!
Sarah olhou para ele.
— Isso o quê?
Emmett apontou entre ela e Jacob.
— Vocês faziam exatamente isso.
Edward concordou.
— O tempo inteiro.
Sarah ficou quieta.
Jacob também.
Billy ria tanto que precisou tirar os óculos.
— Algumas coisas realmente não mudam.
Sarah sentiu o rosto esquentar.
— Podemos passar para outra fotografia?
Emmett sorriu.
— Claro. Com prazer.
Jacob murmurou:
— Não confia nele.
— Estou começando a perceber.
A próxima fotografia mostrava Sarah, ainda com quatro anos, dormindo no sofá com a cabeça no colo de Jacob, de seis.
Jacob segurava um livro infantil aberto.
Sarah olhou para a fotografia durante alguns segundos.
— Ele estava lendo para mim?
Billy sorriu.
— Tentando.
Edward respondeu:
— Você interrompia a cada duas frases.
Sarah suspirou.
— Evidentemente.
Emmett afinou a voz:
— “Jacob, por que ela fez isso?”
Sarah começou a rir.
Edward entrou na brincadeira:
— “Jacob, por que o cachorro não fala?”
Billy acrescentou:
— “Jacob, você pulou uma parte.”
Jacob protestou:
— Eu não pulava.
Emmett olhou para Sarah.
— Pulava.
— Por quê?
Edward respondeu:
— Porque você escolhia livros enormes e ele queria terminar para ir brincar com Emmett.
Sarah levou a mão ao peito.
— E ele abandonava minha leitura?
Jacob apontou imediatamente.
— Está vendo?
Todos riram.
Sarah percebeu tarde demais.
— O quê?
Emmett mal conseguia falar.
— Dezenove anos depois e você ainda está reclamando!
Sarah cobriu o rosto.
— Meu Deus.
Jacob ria.
— Bem-vinda de volta.
Ela tirou as mãos do rosto.
— Não se acostume.
— Tarde demais.
Emmett começou a remexer a caixa.
Então seu sorriso mudou.
— Agora chegamos ao material importante.
Jacob endireitou-se.
— Não.
Emmett parou.
Olhou para ele.
Um sorriso lentamente apareceu.
— Ah.
Sarah percebeu.
— O quê?
Jacob levantou-se.
— Acho que já chega.
Sarah respondeu imediatamente:
— Senta.
Ele a encarou.
— Sarah.
— Senta.
Billy começou a rir.
Edward comentou:
— Definitivamente continua igual.
Jacob apontou para Sarah.
— Isso é exatamente o problema.
— Senta, Jacob.
Ele permaneceu parado.
Sarah cruzou os braços.
— Estou esperando.
Jacob olhou para Billy.
O pai levantou as mãos.
— Não me envolve.
— Você está rindo desde que isso começou.
— Porque é muito engraçado.
Jacob olhou para Edward.
— Nem tenta — Edward avisou.
Emmett sorriu.
— Senta, futuro marido.
Silêncio.
Sarah congelou.
Jacob fechou os olhos.
Billy explodiu numa gargalhada.
Edward virou o rosto, mas não conseguiu esconder o sorriso.
Sarah olhou lentamente para Emmett.
— O que você disse?
Emmett fez uma expressão inocente.
— Nada.
— Emmett.
— Futuro marido.
Sarah piscou.
Depois olhou para Jacob.
Ele parecia querer atravessar a parede.
— Eu ia casar com quem?
Billy ria.
Edward respondeu calmamente:
— Jacob.
Sarah abriu a boca.
Nenhum som saiu.
Emmett ergueu uma fotografia.
— Temos provas.
— Me dá isso.
Sarah avançou.
Emmett levantou a fotografia acima da cabeça.
— Violência contra irmão mais velho!
— Me dá!
— Jacob, controla sua noiva!
Jacob passou a mão pelo rosto.
— Eu vou matar você.
— Veja! Instinto matrimonial!
Sarah começou a rir apesar do constrangimento.
— Emmett!
Finalmente conseguiu arrancar a fotografia da mão dele.
Olhou.
E ficou ainda mais vermelha.
Era uma fotografia tirada no jardim da casa de Billy.
Sarah tinha quatro anos.
Jacob, seis.
Emmett também tinha seis e aparecia atrás deles segurando um livro de cabeça para baixo.
Edward, com quatro anos, estava sentado numa pequena cadeira com a expressão mais entediada que uma criança daquela idade poderia produzir.
Sarah usava uma toalha branca sobre a cabeça como se fosse um véu e segurava flores arrancadas do jardim.
Ela olhou para a fotografia.
Depois para todos.
— Não.
Billy quase chorava de rir.
— Sim.
— Isso não aconteceu.
Edward respondeu:
— Eu gostaria muito de poder dizer que não.
Sarah apontou para ele.
— O que você estava fazendo?
— Fui obrigado a ser testemunha.
Emmett levantou a mão.
— Eu era o padre.
Sarah fechou os olhos.
— Claro que era.
— Foi uma cerimônia belíssima.
Jacob murmurou:
— Durou três minutos.
Emmett corrigiu:
— Sete.
— Três.
— Houve recepção.
Edward acrescentou:
— Biscoitos.
Billy ria.
Sarah olhou para Jacob.
— Você aceitou participar disso?
Jacob parecia profundamente constrangido.
— Eu tinha seis anos.
— Isso não responde.
Emmett respondeu:
— Ele aceitou.
— Por quê?
Emmett abriu os braços.
— Porque você mandou.
A sala explodiu em risadas.
Sarah ficou vermelha.
Jacob apontou para Emmett.
— Ela começou a chorar!
Sarah arregalou os olhos.
— Eu chorei para você casar comigo?
— Você disse que eu tinha prometido.
— Prometido o quê?
Jacob respirou fundo.
Edward respondeu antes:
— Proteger você.
O riso diminuiu um pouco.
Sarah olhou para Jacob.
Edward continuou:
— Você decidiu que, se Jacob prometia cuidar de você para sempre, então vocês precisavam casar.
Sarah levou as mãos ao rosto.
— Meu Deus.
Emmett retomou:
— E anunciou durante o almoço que ia casar com Jacob.
Billy acrescentou:
— Na frente de todo mundo.
Sarah olhou para ele.
— Todo mundo quem?
Billy sorriu.
— Eu, Carlisle, Esme e Sarah.
Sarah ficou quieta.
Sua mãe.
E Sarah Black.
As duas ainda estavam vivas naquela fotografia.
— Minha mãe estava lá?
Billy assentiu.
— Estava.
Sarah sorriu lentamente.
— E o que ela disse?
Billy começou a rir antes de responder.
— Esme perguntou quando seria o casamento.
Sarah arregalou os olhos.
— Ela fez isso?
— Fez.
— Traidora.
— Carlisle perguntou se precisava comprar um terno.
Sarah riu.
— E Sarah Black?
A expressão de Billy suavizou.
— Disse que aprovava a noiva.
Sarah olhou para Jacob.
— Sua própria mãe me incentivava?
— Todo mundo incentivava você!
Emmett corrigiu:
— Porque era engraçado.
Jacob apontou.
— Exatamente.
Sarah voltou para a fotografia.
Agora olhava diferente.
Esme estava atrás da câmera.
Talvez Sarah Black estivesse ao lado dela.
Duas mulheres que ela perdera pouco tempo depois.
Ainda assim, aquela fotografia guardava um dia feliz.
— E eu realmente fiz uma cerimônia?
— Fez — Edward respondeu.
— Com véu?
— Toalha.
— Flores?
Billy apontou para o jardim.
— Arrancadas das minhas roseiras.
— Desculpa.
— Aceito com dezenove anos de atraso.
Sarah começou a rir.
— E você?
Olhou para Jacob.
— O que fez?
Ele respirou fundo.
— Fiquei parado.
Emmett protestou:
— Mentiroso.
Jacob fechou os olhos.
— Emmett.
— Conta direito.
Sarah estreitou os olhos.
— Conta.
Jacob olhou para ela.
— Você queria uma aliança.
Sarah quase engasgou.
— Não.
Emmett já estava rindo.
— Sim.
— Eu tinha quatro anos!
Edward comentou:
— Uma criança muito determinada.
— Isso não melhora!
Billy começou a rir novamente.
Sarah olhou para Jacob.
— E?
Ele suspirou.
— Eu dei uma arruela.
Silêncio.
Sarah piscou.
— Uma o quê?
Emmett caiu na gargalhada.
— Uma arruela!
Billy bateu na perna.
Edward finalmente começou a rir abertamente.
Sarah olhava para Jacob, incrédula.
— Você me deu uma arruela?
— Eu tinha seis anos!
— Como aliança?
— Você exigiu uma aliança!
— E sua solução foi uma peça de metal?
— Eu tinha seis anos, Sarah! Não tinha exatamente acesso a uma joalheria!
Ela não conseguiu mais.
Começou a rir.
Riu até os olhos lacrimejarem.
Jacob também acabou rindo.
— Meu Deus — ela disse. — Isso é maravilhoso.
— Para você.
— Principalmente para mim.
Emmett conseguiu recuperar o fôlego.
— Espera.
Jacob parou de rir.
— Não.
— Tem mais.
— Emmett.
— Tem muito mais.
Sarah olhou para ele.
— Mais?
Emmett fez uma expressão solene.
— A pequena Sarah Cullen não considerava aquele casamento uma brincadeira.
Sarah imediatamente ficou desconfiada.
— O que eu fiz?
Edward respondeu:
— Planejou a vida.
Ela fechou os olhos.
— Não.
— Sim.
Billy já ria antes da história começar.
Emmett sentou-se no chão diante dela.
— Você anunciou que, quando crescesse, teria uma casa perto da casa do tio Billy.
Sarah olhou para Billy.
— Sensato.
— Obrigado.
— Continue.
Edward falou:
— Dois cachorros.
Emmett:
— Um cavalo.
Jacob corrigiu automaticamente:
— Três.
Silêncio.
Sarah virou lentamente a cabeça.
— Você lembra?
Jacob percebeu o erro.
Emmett abriu um sorriso gigantesco.
— Pegamos.
Sarah começou a rir.
— Você lembra!
— Era impossível esquecer.
— Três cavalos?
Jacob suspirou.
— Um para você, um para mim e outro para...
Parou.
Sarah esperou.
— Outro para quê?
Emmett estava quase explodindo.
— Jacob.
— Cala a boca.
Sarah apontou.
— Termina.
Jacob respirou fundo.
— Para as crianças.
Silêncio.
Sarah ficou vermelha até as orelhas.
Billy gargalhou.
Edward cobriu a boca.
Emmett caiu para trás no tapete.
— Eu não acredito nisso! — Sarah exclamou.
Jacob levantou as mãos.
— A ideia não foi minha!
— Quantos filhos eu planejei?
Ninguém respondeu.
Sarah olhou para todos.
— Quantos?
Emmett levantou quatro dedos.
Edward corrigiu:
— Cinco.
Emmett virou-se.
— Eram quatro.
— Ela mudou de ideia.
Billy confirmou:
— Cinco.
Sarah encarou Jacob.
— Cinco?
— Não olha para mim!
— Você era parte essencial do planejamento!
— Eu não tinha poder de voto!
Emmett quase não respirava.
— Essa é a melhor noite da minha vida.
Sarah pegou uma almofada.
— Quer melhorar?
Emmett percebeu tarde demais.
A almofada atingiu seu rosto.
— Agressão!
— Cala a boca!
Ele pegou outra.
Edward levantou-se.
— Não.
Tarde demais.
Emmett jogou.
Sarah desviou.
A almofada acertou Edward.
Silêncio.
Edward olhou para Emmett.
Emmett empalideceu.
— Foi sem querer.
Edward pegou a almofada.
— Claro.
A guerra começou.
Billy não tentou impedir.
Ficou no sofá rindo enquanto quatro adultos transformavam sua sala numa reprodução ridícula das tardes de infância.
Sarah atacava Emmett.
Edward tentava manter alguma dignidade enquanto revidava.
Emmett usava Jacob como escudo.
— Sai de trás de mim! — Jacob gritou.
— Protege seu cunhado!
— Você não é meu cunhado!
Sarah parou.
— Tecnicamente, se aquele casamento foi válido...
Jacob apontou para ela.
— Não começa.
Ela começou a rir.
Emmett colocou a cabeça atrás do ombro dele.
— Ela ainda quer você.
Sarah atirou uma almofada.
— EMMETT!
Jacob abaixou.
A almofada acertou Billy.
Todos congelaram.
Sarah levou a mão à boca.
— Tio Billy...
Billy pegou a almofada lentamente.
— Agora acabou.
Sarah deu um passo para trás.
— Podemos conversar.
— Advogada.
— Exatamente. Vamos negociar.
Billy arremessou a almofada.
Sarah gritou e se escondeu atrás de Jacob.
Ele começou a rir.
— Ah, agora eu sirvo?
Sarah segurou os ombros dele.
— Você prometeu me proteger.
Jacob congelou.
Ela também.
Emmett arregalou os olhos.
Edward começou a rir primeiro.
Depois Billy.
Sarah percebeu o que acabara de dizer.
— Não.
Jacob virou lentamente o rosto.
— Você prometeu.
Ela largou os ombros dele.
— Foi força do hábito que eu nem lembrava que tinha.
Emmett caiu no sofá.
— Ela voltou! Ela voltou completamente!
Sarah pegou outra almofada.
— Eu vou matar meu irmão no primeiro dia.
Edward comentou:
— Compreensível.
Quando finalmente se acalmaram, a sala parecia ter sido atingida por uma pequena tempestade.
Almofadas no chão.
Fotografias espalhadas.
Emmett deitado no tapete.
Edward com o cabelo desarrumado.
Jacob sentado no braço da poltrona.
Sarah no chão.
Billy olhou ao redor.
E começou a rir outra vez.
Sarah olhou para ele.
— O quê?
Billy demorou a responder.
Os olhos estavam úmidos.
— Nada.
Ela percebeu que não era nada.
— Tio Billy?
Ele respirou fundo.
— Fazia muito tempo que essa casa não soava assim.
O silêncio chegou devagar.
Sarah olhou ao redor.
Emmett levantou a cabeça.
Edward abaixou os olhos.
Jacob ficou quieto.
Billy continuou:
— Depois que perdemos você, nós continuamos sendo família. Continuamos vivendo. Criamos esses três juntos.
Olhou para os rapazes.
— Mas alguma coisa mudou.
Sarah sentiu o peito apertar.
— Eu sinto muito.
Billy imediatamente balançou a cabeça.
— Não.
Apontou para ela.
— Nada de culpa.
Sarah assentiu.
Billy sorriu.
— Só estou dizendo que ouvir vocês quatro brigando outra vez...
Ele riu.
— É bom.
Emmett sentou.
— Podemos fazer isso toda semana.
Edward respondeu:
— Não.
Sarah:
— Sim.
Jacob:
— Definitivamente não.
Billy gargalhou.
— Decidido. Toda semana.
Jacob olhou para o pai.
— Você nem vota.
— A casa é minha.
Sarah assentiu.
— Argumento juridicamente relevante.
Billy apontou para ela.
— Sempre gostei dessa menina.
Jacob murmurou:
— Claro. Nunca era você que tinha que dar a sobremesa.
Sarah virou-se.
— Ainda está reclamando?
— Passei quinze anos finalmente podendo comer minhas próprias batatas.
Ela estendeu a mão para o prato sobre a mesa.
Pegou uma batata.
Do prato de Jacob.
Ele olhou.
Sarah mordeu.
— Acabou a tranquilidade.
Emmett soltou uma gargalhada.
Edward balançou a cabeça.
Billy ria.
Jacob ficou encarando Sarah.
Ela ergueu as sobrancelhas.
— O quê?
Ele olhou para a batata.
Depois para ela.
— Nada.
— Vai reclamar?
Jacob empurrou o prato inteiro na direção dela.
— Não adianta.
Sarah sorriu.
— Aprende rápido.
— Tive treinamento intensivo.
Mais tarde, quando Emmett finalmente deixou as fotografias em paz, Sarah permaneceu olhando para a imagem do falso casamento.
Quatro anos.
Ela tinha quatro anos.
Jacob seis.
Emmett, vestido de padre improvisado, também seis.
Edward, testemunha involuntária, quatro.
Uma toalha branca.
Flores roubadas.
Uma arruela usada como aliança.
E, fora do enquadramento, ainda existiam Esme Cullen e Sarah Black.
Sarah passou delicadamente o polegar pela borda da fotografia.
— Posso ficar com essa?
Jacob ergueu os olhos.
— Essa?
— Sim.
Emmett respondeu imediatamente:
— Claro.
Jacob apontou para ele.
— Ninguém perguntou para você.
Sarah olhou para Jacob.
— Se incomoda?
Ele encarou a fotografia por alguns segundos.
Depois balançou a cabeça.
— Não.
Sarah colocou-a cuidadosamente ao lado da bolsa.
— É uma parte da minha história.
Jacob assentiu.
— É sim.
Ela olhou novamente.
— Eu realmente dizia que ia casar com você?
Emmett respondeu do outro lado da sala:
— Constantemente!
Sarah fechou os olhos.
— Eu não perguntei para você!
— Mas eu estava lá!
Edward resolveu colaborar:
— Não era constantemente.
Sarah soltou o ar aliviada.
— Obrigada.
Edward completou:
— Era apenas com frequência preocupante.
Billy começou a rir.
Sarah levou as mãos ao rosto.
— Eu vou embora.
Emmett gritou:
— Boa noite, senhora Black!
Sarah pegou uma almofada.
Emmett correu.
Jacob fechou os olhos.
— Eu não mereço isso.
Billy olhou para ele.
— Merece, sim.
Jacob começou a rir.
Sarah correu atrás de Emmett pelo corredor.
Edward avisava que alguém quebraria alguma coisa.
Billy ria.
E, por alguns minutos, ninguém naquela casa pensou em rios, penhascos, funerais, emboscadas, exames de DNA ou quinze anos perdidos.
Sarah não precisava lembrar daquela infância para saber que tinha sido feliz ali.
As fotografias diziam.
As histórias diziam.
As risadas diziam.
E, sobretudo, dizia a facilidade absurda com que, depois de quinze anos longe, ela conseguia estar no meio daqueles homens como se alguma parte dela jamais tivesse realmente saído dali.
No aparador, entre dezenas de fotografias espalhadas, ficou o espaço vazio de onde Sarah retirara um pequeno retrato.
Naquela fotografia, uma menina de quatro anos usava uma toalha branca sobre a cabeça enquanto encarava solenemente um menino de seis.
Na época, Sarah Cullen tinha certeza absoluta de duas coisas.
Jacob Black sempre cuidaria dela.
E, quando crescessem, eles se casariam.
A primeira promessa ele passara quinze anos acreditando que havia quebrado.
A segunda era apenas a certeza inocente de uma criança.
E nenhum dos dois fazia ideia de que, dezenove anos depois, aquela velha fotografia ainda seria capaz de deixá-los tão constrangidos enquanto todos ao redor riam.
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