MELLORY — entre Deuses e Reis
63 Então... O dragão casa-se com o Cervo
Notas iniciais
UM MÊS DEPOIS — CASAMENTO DE HALU
O céu já não era mais o mesmo de quando os prometidos se conheceram. Antes era pálido, escuro e sentia-se o vento começar a cortas as peles desprotegidas pelo caos que reinava. Agora, o fim da primavera mostra nitidamente o contrario. Claro, límpido e relaxante. Tão quanto os espíritos do povo que se acalmavam depois de tantos delitos.
Um longo e intenso mês se passou desde a conquista em Premim. E até então as coisas pareciam estar favoráveis. O povo de Premim estava se adaptando a ser um reino se líder, apenas com o governo provisório sobre tutela de Draken, algo que deveria mudar, mas no momento, tinham que focar em detalhes preparatórios.
Hatori voltou ao seu típico posto, de Alfa maior, ficava o dia todo trabalhando, ainda mais com as colonizações que tinha que administrar. No entanto já tiraram todos os soldados do mercado Basílio, e se preparavam para liberar Findoram, que por mais incrível que fosse, estava se saindo muito bem em sua evolução.
— Alfa! — Helio entrou na sala do Hatori na cúpula, o lugar estava bem movimentado. — Deveria ir se preparar! — tentou alertar o amigo, o horário estava apertado.
— Só estou organizando os documentos, Findoram terá sua independência. Tenho que falar com os Deuses, não temos notícias da deusa Kalisse. Está demorando a ela renascer...
— Santo dragão! — o líder dos betas gritou indignado e interrompendo a fala do amigo. — Hatori hoje é seu casamento! Deixe essas coisas para depois! — era incrível que em um dia como esses o alfa estava preocupado com trabalho.
Hatori riu pelo modo colérico que seu subordinado falava consigo. Deixou os papeis na mesa de madeira escura. — Lunally está com as meninas, certo? — indagou sabendo a resposta. Helio se limitou a acenar positivamente. — E a casa? Está pronta?
— Estão terminando de mobilhar. — respondeu a segunda pergunta. — E em minha opinião ficou linda, escolheu um belo lugar.
Hatori dispensou o beta e foi para sua casa. A que era só dele, pois depois da cerimônia iria para nova que construiria sua família lá. Suas roupas foram para nova casa, mas a que usaria no casório estava na antiga para ele apenas se arrumar.
Por mais que tenha sido ele que fez o pedido, ainda estava processando que iria casar. Nunca pensou nisso, sempre achou que viveria em função do governo. Casar era algo tão distante. Nem se quer pensava em amar alguém. Ainda que em sua vida, muitas meninas gostavam deles e recebia declarações sempre, nunca teve interesse por elas. E em menos de um ano se apaixonou por uma loira que nem se quer declarou para ele, só lhe deu trabalho.
Riu com o pensamento que estava tendo.
— Como parece um idiota dessa forma! — desbocou.
O alfa maior nem precisava ver, sabia quem era nada mais do que o albino que perturbava sua vida.
— Hoje não Dhiren. Preciso arrumar-me para o casamento! — falou sem querer ter que escutar os comentários desnecessários do deus. Tratou de abrir a porta do lavabo.
— Ora, por favor! Como se fosse demorar! — brincou o albino. — Meu caro, nem que comece há arrumar duas horas depois vai se atrasar, pois sua esposa... Está arrumando cada pelo do corpo! — lembrou-se de ver a escolhida do cervo cheia de cremes e coisas no cabelo.
— O que quer? — perguntou tentando ir direto ao assunto. Não seria possível que problemas viriam justo hoje.
— A raposa nasceu de novo. — Dhiren foi direto. Deu um passo para o lado revelando atrás de si uma menina de cabelos vermelhos, olhos verdes. Linda! Parecia uma boneca. — Está é Kalisse.
Hatori pareceu emaranhado com o fato. O ser que estava na sua frente era meigo e fofo. Kalisse era vulgar e exibida. — Essa garota deve ter uns dez anos. Não acho que...
— Respeite-me! — exigiu a menina interrompendo o alfa. — Sou o espírito da raposa! Eu tenho consciência de que no passado não nos demos muito bem, Caius me contou tudo, mas venho aqui, por vontade própria, dizer que vou tentar ser pacifica. — encarou o alfa com superioridade e luxuria. — Mas é claro, se me derem valor, sou uma deusa afinal.
O alfa maior suspirou. Era a raposa, ainda teimosa e luxenta. Temia pelo fato de que não adiantou nada a reencarnação, mas confortou pela fala de que iria “tentar ser pacífica”.
— Iram dar valor a ti. O seu povo, eles são seus devotos, os dê prestigio também. — afirmou o alfa. — Será um prazer ter você do nosso lado. — finalizou.
A raposa sorriu de forma travessa. — Nunca disse que ficaria do seu lado, só falei que iria cooperar. — a afirmativa dela fez Hatori e Dhiren ficarem tensos, aquela mulher nunca mudaria? — Porem com um homem tão belo me falando isso... Acho que ficarei bem do seu lado. — a menina fez charme e desapareceu no ar.
— Eu e Caius estamos tentando educar ela, mas está difícil! — reclamou o deus albino. — Ela se acha!
Hatori gargalhou. Estava com o humor fantástico nesses dias. Nem podia acreditar que tinha um clima tão causal com o deus assim.
— Não se pode mudar a essência de um deus, mas se desta vez manterem um bom relacionamento com ela, as coisas serão diferentes. — tentou ajudar o deus que parecia perdido. — E pare que achar que você e Caius estão brincando de mamãe e papai! Por favor!
Dhiren se expressou ofendido com tal alegação. Era um homem de aparência tão seria que se portar como é era duvidoso. — Não estamos brincando. — alegou de forma brusca. — Somos pais! — falou irritado e desapareceu do cômodo.
Hatori não sabia como tratar aquele espírito, ele era louco. Mas Hatori gostava dele assim. Foi se banhar, estava atrasado, não poderia chegar depois da noiva, mesmo que Dhiren tivesse dito que ela estava bem ocupada na preparação, ainda deveria estar no templo antes dela. E pelo que conhecia de sua futura esposa, ela era pontual.
Lunally estava morando com ele nesse ultimo mes, então, o alfa já se acostumou um pouco com ela. Acordava cedo com ele, gostava de comer toda hora. Amava ler e jogar. Sempre gostava de quando ele estivesse em casa. A única coisa que não fez foi dormir no mesmo quarto que ela, somente no primeiro dia. Luna se recusava a dormir no mesmo quarto que ele, mesmo que fosse só dormir. Queria fazer a tradição por completo, somente depois do casamento. Se pudesse dizer que dormiu com ela depois do primeiro dia que ela foi morar com ele, foi uma vez na biblioteca que os dois caíram no sono de tanto conversar banalidades.
Hatori amava tudo nela, deste o modo carinhoso da mulher quanto às manias de querer ser livre. Lunally era muito bipolar, ao mesmo tempo em que queria carinho queria ficar sozinha. Ele entendia que a medica precisava de seu tempo só durante o dia. Por mais que ele fosse o mais dependente na relação (nunca gostava de ficar longe dela), ele entendia perfeitamente. Hatori aprendeu a entender, assim como sua esposa o entendia.
*
O momento era critico.
Serena estava estressada.
Lunally chorando.
July e Sara não sabiam o que fazer.
Estavam ajudando a futura Alfa dócil (mulher do alfa maior) a se arrumar, e uma carta chegou para Luna. E essa dispôs a chorar.
Serena que estava brava por não aguentar mais Lunally mudar de vestido, a noiva vestiu pelo menos cinquenta e não gostou de nenhum, se gostava não achava acessório que combinasse ou um sapato ideal, ou qualquer outra futilidade que fizesse com que ela vestisse outro. Mas no momento em que viu lagrimas sair do rosto da mulher ficou preocupada. Era uma carta do Golty.
— Lunally, fala com a gente, o que aconteceu? — Sara perguntou. As meninas estavam na parte de trás da loja de July, se preparavam lá, com todas as coisas necessárias ao seu dispor. Tinham programado tudo para fazer do dia confortável.
— Ah, listebibe! Eutoemocio... — a loira disse palavras sem sentido, chorava como nunca tiveram visto. As garotas não entendiam nada que ela tentava contar. E o fato estava ficando preocupante.
Serena pegou a carta da mão de Luna e leu o conteúdo sem permissão. Logo se encontrou apática. — Lisa teve o bebê! — anunciou para as meninas. Deveria ter imaginado isso, Lunally era tão dramática.
— Isso é bom! Porque estava chorando desse jeito? — July indagou, parecia que sua amiga estava sofrendo do modo que chorava.
— Eu não sei... — Lunally conseguiu pronunciar coisas audíveis e entendíveis. — Estou muito feliz. — completou. Era uma emoção enorme ser tia.
Sara bufou. — Lá se vai à maquiagem, alguém pode falar para o Alfa maior que ele vai casar amanha? Porque hoje não vai dar! — reclamou. Ela fez três tipos de maquiagem na noiva, até chegar ao tom prateado claro que ela queria.
— Amanhã? — Serena brava de novo questionou. — Isso é cedo! Semana que vem! Pois ainda nem decidiram o vestido. — jogou a carta na mesa e caiu em um dos sofás da loja. Estava cansada. Era o fim da tarde, estavam lá desde antes do almoço. Dá próxima vez que Lunally fosse se arrumar, ela não viria. Dá muito trabalho.
*
Balck tie preto azulado, bem costurado e na medida certa da proporção do corpo do homem que o vestia. O sapato bem polido e novo brilhava com o reflexo das luzes do lugar. O cabelo curto jogado para trás e alinhado na medida certa.
Hatori esperava sua noiva. Sua pontual noiva que se atrasou no dia do casório.
O templo jamais esteve tão belo como hoje. Flores azuis para todo lado e lustres em todo lugar. Mesas forradas de azul claro e branco. Em cada degrau tinha uma flor de guardanapo (origami), tudo tinha um detalhe a ser observado, Lunally não deixou nada escapar. Fez tudo tão belo.
O reino inteiro foi convidado. E todos estavam lá, exceto a noiva.
— Ela atrasa assim mesmo? — Marcio perguntou. Estava ansioso, ele esperou muito tempo para poder casar o alfa maior. Era o sonho de ele casar o alfa, até uns anos tinha quase desistido, pois o alfa maior era um insensível e inflexível homem.
— Geralmente não. Porem dê um desconto. — pediu o alfa maior. Não estava demonstrando, mas estava quase entrando em pânico.
— Pare de atazanar ele! — Miguel bradou. Ele não viu sua esposa também, ela esteve o dia todo com a noiva. Mas sabia que elas viriam. — Hatori, fica calmo, não é como se ela fosse fugir, penso eu. Ela te ama, eu acho... E ela não vai embora, eu acho... — tentou manter seu irmão relaxado.
— Miguel! — Hatori rosnou bravo. Seu irmão tinha boas intenções, mas estava o chateando não acalmando.
A marcha nupcial começou a tocar finalmente. Era sinal que a noiva chegou.
Uma deusa apareceu do outro lado do templo. O vestido era tipo “X”, desenhava a cintura fina perfeitamente. Branco-neve, com flores azuis o decorando em toda a extensão. A gola era frente única com uma rosa pequena do lado do pescoço. E na “saia longa” do vestido descia flores por todo ele, na parte branca tinha bordados damash em um tom branco muito parecido com o tom neve, apenas dava um efeito de preenchimento no tecido.
Lunally trajava o vestido mais lindo que o alfa já viu.
O cabelo da noiva estava puxado para trás e trançado na cabeça, como se fosse um “hot crossed”, mas ao invés de ter um coque, ele soltava em cachos na parte que não era fixa (presa na cabeça).
Lunally foi tremendo por todo o caminho, não pelo frio, pois já era primavera, mas era pela empolgação. Ela estava casando! “Toma Daniel! Você duvidava!” — gritou no pensamento, para o falecido irmão.
Todo o resto se tornou insignificante. A visão dos noivos era exclusiva um para o outro. O corpo arrepiado, o coração palpitando acelerado. A sensação de que borboletas vão sair do estômago. A cabeça vazia, sem saber o que pensar, sem saber agir. O desejo de estarem juntos e não se distanciarem, a necessidade de ter um para o outro. E a satisfação de saber que não era sonho, era a realidade tangível se concretizando.
Luna pegou a mão de seu marido que a estendeu. O olhar de Hatori queimava sobre ela. Ele não parou de fitá-la por um momento. A menina que já parecia um tomate de vergonha não conseguia se concentrar. Seu marido estava tão belo que ela queria chorar, ela queria chorar por qualquer coisa. Só de ver como o lugar ficou lindo ela se emocionou. Porem deveria ser forte, Sara ameaçou ela:
“— Se estragar a maquiagem, vai ficar proibida de ir ao meu restaurante por um mês!”
Lunally apertou a mão de Hatori forte. Ele pode sentir o quando ela estava emocionada, tremia o corpo pela agitação.
— Alfa maior e Alfa dócil. — Marcio começou a cerimônia. De tudo que ele disse nem Hatori nem Lunally prestaram atenção, alternavam em olhar um para o outro, para os convidados, o local, e às vezes para o líder dos anciões. Estavam tão avoados, contudo, Marcio nem se importou, eles estavam felizes.
Lunally em espanto respondeu a única coisa que escutou: “Confirma o casamento com o alfa maior Hatori?” — Sim! Claro, sem duvidas. — alguns risos foram ouvidos, a forma fofa que ela respondeu foi engraçada.
— Confirmo. — Hatori respondeu sutilmente. Não largou a mão de sua noiva por nenhum momento. E assim a cerimônia acabou.
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