MELLORY — entre Deuses e Reis
62 Colonização — O Segredo de Amom
Notas iniciais
COLONIZAÇÃO
— Entrem em Premim! — Matt gritou. — Brutus está morto! Kalisse está morta! A vitoria é nossa!
Milhares de soldados corriam para derrubar os portões de Premim. Os que ficaram presentes no país revoltavam-se, mas os vitoriosos continham facilmente. O exército de fato tinha sido dizimado, os poucos sobreviventes seriam trancados na prisão até segunda ordem.
Derrubaram as bandeira dos Brutus e levantavam as dos dragões e do leão por consequência de sua aliança. Iriam colonizar mais um lugar.
A luta teve mais mortes do que esperado. Os drakinianos se reduziram pela metade. Golty não tinha muitos soldados, mas como estava com os selvagens foram os que menos sofreram perdas. Findoram também foi bastante afetada.
Mas a noticia satisfatória era que Premim tinha um quinto de seus soldados vivos. Talvez não tão boa para o futuro alfa que fosse governar, porém para Draken era uma ameaça a menos.
*
— Vamos fazer o de sempre, só que com resalvas. — Hatori explicava para os soldados chefes de patrulhas. Já havia virado rotina colonizar países. Reuniram-se em ma sala do governo de Premim. — Premim tem pessoas muito egocêntricas então temos que aproveitar disso, mostrar que eles se sobressaíram se tiverem do lado de seu deus: o grande leão. E não do Brutus um tirano morto.
Hatori não se sentia confortável de falar do leão como uma pessoa louvável, mas deveria colocar ele assim no momento.
— Precisamos os fazer entender que já foram abusados por muito tempo e que precisavam se legitimar de uma forma digna, não por comércios ilegais e ameaças bobas. — o alfa maior de Draken resaltava a todo tempo como deveria ser as intenções para a colonização.
— Quando fizer essas medidas de conscientização e indução no povo, apresentamos Serena, como escolhida de Amom e merecedora do trono. — Lunally completa a fala do alfa.
— Onde está Serena? — um militar perguntou.
— Na sala do trono conversando com o deus. — Luna respondeu. — Essa colonização será mais trabalhosa, só que quando colocarmos Serena no trono, não teremos tanta responsabilidade.
— Por quê? — um beta indaga.
— Não teremos uma insegurança de revolta. Serena é nossa aliada. Findoram e o Basílio não são. O mercado agora é neutro, um alivio. Mas Findoram está em um processo, só saberemos se eles serão de nossa confiança quando se estabilizarem e a deusa voltar.
— Acha mesmo que a menina de Premim ficara do nosso lado? — outro beta questionou sarcástico.
— No entanto, nem Premim, nem Findoram, nem Golty e muito menos qualquer outro reino tem poder para lutar. Estamos prejudicados. — Hatori alerta. — Demorará uns quinze para voltarmos ao numero de guerreiros que tínhamos antes. — se mantinha ressequido, mas estava angustiado com a condição de seu reino.
Todos na sala ficaram tensos. Mesmo que Hatori tenha dito, pode haver algum país que queira se aproveitar da fraqueza dos reinos. A única esperança que tinham é que se a dificuldade acontecer os países pelo elo um tanto duvidoso que tinham se unissem para proteger.
FLASHBACK DE AMOM
Amom estava na sala do trono de ouro. A guerra tinha acabado, e quem ele queria que ganhasse, ganhou. Sua escolhida, sua rainha, a Ômega. Mas ainda faltavam algumas coisas para serem explicadas, se ela fosse governar o reino de Premim juntamente com ele, deveria ter conhecimento de alguns fatores.
O sol que brilhava intensamente refletindo o brilho do ouro que cobria toda aquela cidade ela algo nostálgico para o leão. Como sentia saudades de seu reino, até então, ele era o único que estava em seu lugar. E por mais chato que fosse deveria agradecer aos outros deuses. E claro, para mãe natureza, quem diria que ela mesmo que indiretamente fosse ajudá-lo.
Encontrou-se se lembrando da época em que quase perdeu seu posto. O corpo arrepiava pela sensação ruim. Até mesmo seu ego tinha que ter limites.
Muitos anos antes da patética reunião de Kalisse que separou os deuses dos humanos. Leão está com raiva porque a mãe natureza não o ajudava, ele é egocêntrico e fazia muitas guerras, principalmente com o dragão. Era a época de diamante de seu reino, haviam ganhado tantas batalhas e o comercio estourava. Mas mesmo assim o Leão, patrono estava desconfortável.
Não gostava que ninguém tivesse vantagens sobre ele. E ficou bravo ao ver que a mãe natureza ajudava muito o Cervo, aquele ser desprovido de qualquer atitude e fraco como um formiga.
Amom começou a questionar o equilíbrio nas reuniões do templo lótus. Que pelo menos nesses anos eram frequentes. Sempre criticava o Cervo que este nem gostava muito de vir nas reuniões e começou a preferir por faltar. As atitudes do deus leão começaram a chamar atenção da deusa do corvo, uma criatura poderosa, misteriosa, que trazia mala agouro e presságios de morte. Ela detinha de uma sabedoria vasta, era uma das deusas mais antiga já criada.
Está mulher, certa vez, fez a proposta de matar a mãe natureza, alegando que os mais fracos que só viviam das dádivas dela iriam morrer, e só os fortes (eles) iriam controlar Wakanda e todo o resto do mundo. Que todo esforço que ele fazia, para impulsionar seu reino, fazer seu povo engrandecer não seria mais em vão, e não teriam que ter aprovação do equilíbrio, e não seriam ignorados vendo à criadora (mãe natureza) favorecendo aqueles que nada faziam pelo prestigio.
Amom, seduzido pelo poder e cego ao trair seu objetivo de vida concordou. Havia desenvolvido repulsa pelo modo que era tratado, sempre foi o melhor e mãe natureza nem se quer lhe concedeu um pedaço de terra para começar. O reino do corvo era muito pobre sem dádivas, mas a Georgiana era inteligente e com muitas ideias promissoras. Seu reino nem sempre foi assim. Já foi a maoir potencia que o mundo já virá, mas as intempéries da vida o fez desmoronar.
Ela abandonou seu reino, se virou contra ele, e no futuro o reino que tinha como patrono a deusa do corvo, desmanchou-se. E georgiana foi para Premim. Ela queria um povo bom para ela, um que já estivesse pronto, sem ela ter que ter o trabalho de começar do zero. Amom nem desconfiava que ela quisesse tomar seu trono, apenas encarava tudo aquilo como uma aliança promissora, talvez esse fato que tenho influenciado no quesito que o leão não gostasse muito de trabalhos em grupo.
Caius resolveu orientar Amom, mesmo não tendo amizade com a deus, ele se importava com o equilibro. Amom lembra-se bem do desespero do Cervo ao tentar alertá-lo. O deus de Golty dizia que a mãe natureza iria punir o corvo por abandonar seu reino, um dos fins da existência dos deuses era cuidar de um reino e ajudar o povo dali se desenvolver.
Amom ficou frustrado, uma das coisas que lhe deixava perplexo era que eles não escolhiam o que fazer, a mãe natureza os mandou construírem um reino e ajudar o país crescer, e nunca abandonarem. Algo que era injusto, os deuses não escolhiam o que fazer (tanto que quando depois do jantar de kalisse a mãe natureza não ficou feliz com o abandono de todos os deuses com a humanidade, parte da vingança dos deuses foi obra do equilíbrio, os fizeram perder devotos e suprimir o ódio que os humanos passaram a sentir por eles).
O leão não deu muito ouvidos para o cervo, sempre considerou ele um ser patético, suas palavras eram vazias para ele. Mas quando Amom foi falar com a mãe natureza, expressar que estava cansado de ser mandado e que tinha vontade de parar de fazer o que ela mandava, o equilíbrio o sentenciou.
— Se não cumprir sua função de existência, deve ser uma deus caído. — a mãe pronunciou.
Se as coisas não fossem regradas pela Mãe natureza, seria pelo caos. E se o caos nascesse todos morreriam. O equilíbrio, talvez por dó ou afeição, mostrou que Georgiana queria tomar Premim dele e depois o sonho do corvo era matar o equilíbrio não para ser livre, não existe liberdade nesse mundo. Tudo segue mandamentos, regras, disciplinas.
O objetivo da mulher era se tornar a nova mãe natureza, ela não queria vencer com o leão, ela queria mandar em todos! Queria ditar as regras, criar os mandamentos e estabelecer as disciplinas. Ela desejava ser suprema.
Amom nunca se sentiu tão estúpido. Sorria em escárnio, fora tão ludibriado. Pediu perdão para mãe natureza, pela primeira vez sentiu uma dádiva dela, a segunda chance, a oportunidade de avisar antes que errasse. Ela já tinha até arquitetado com Georgiana como invadiriam o templo e destruiriam a estrutura, só de lembrar nos pensamentos que teve se sentiu enojado com a capacidade de ferir sua mãe. Sua criadora.
Amom nunca foi discreto e teve uma grande e árdua briga com o corvo que ameaçou vingar do leão, o qual nem deu ouvidos, acreditava que aquela deusa patética sem devoto ou reino nunca seria capaz de encostar-se a um pelo de seu corpo. A mãe natureza destituiu Georgiana do posto de Deusa, e permitiu que vagasse pelo mundo, como uma deusa caída, que não exercia sua função de existência, só não fez algo pior porque a mulher não havia tentado concretamente matar o equilíbrio.
Fez Amom pagar uma sentença pelo momento que ajudou o corvo, algo que envolveu os selvagens e afetaria toda a coisa dos escolhidos.
Por muitos anos não se teve noticias do corvo, até depois do momento em que os deuses não apoiavam mais os reinos, todos pararam de fazer sua função e a mãe natureza se encontrou ausente. O corvo apreceu, quando Mathias o alfa de Premim, se casou pela primeira vez, e teve sua herdeira: Serena, a ligação de Amom com a terra.
O leão ergueu a cabeça. A filha de sua maior inimiga e sua escolhida entrou na sala, com o sorriso de vitoria no rosto, havia matado Brutus e se tronaria alfa regente desse reino. Seu marido: Miguel, a acompanhava, igualmente feliz, Amom nunca foi muito sentimental, mas teve receio pelo futuro, pelo o que ria contar para sua criança, sua escolhida, sua rainha.
REVOLTA DE SERENA COM AMOM
— Amom! – Serena o cumprimentou feliz, contudo o leão parecia desconfortável. – Aconteceu algo? – Perguntou curiosa, fitando-o um pouco cansada. A ferida de Miguel havia sido corretamente limpa e os curativos foram postos logo após a morte de Brutus e o cessar da guerra, com vitória drakiniana.
— Meus parabéns, Dama do Sol! – A divindade forçou um sorriso forçado. Tentava ao máximo desviar o assunto. – Com essa vitória, logo poderá retornar para seu reino. – Completou. Miguel voltou a atenção para o deus. Quando exatamente aquele ser divino pretendia tirar sua esposa de seus braços? Contentou-se com manter-se calado durante a conversa. Amom parecia esconder algo sério. – Querida, preciso que me ouça atentamente. – Pediu o leão um pouco receoso.
— Pode dizer. – A Alfa pediu que ele continuasse. Sua armadura pesada cansando seus ombros.
— Existem certas coisas sobre meu passado que a senhorita desconhece. – O loiro disse com calma e ponderação. Manteve determinada distância antes de continuar. – Eu pequei. – As lembranças acendendo na mente do deus e fazendo-lhe ficar tonto. Serena escutava atento enquanto ele explicava todo o ocorrido. O atentado contra a Mãe Natureza que ele planejara juntamente a mãe da morena. Então, ela era uma deusa caída? Relatou as traições durante o processo e como ele estava cego por poder. Era um egocêntrico nato. Finalmente, chegou na parte que mais perturbou a mulher. – Sua mãe firmou um pacto com seu irmão e eu possibilitei, ajudei se certa forma. — Amom não sabia dizer que ficou de braços cruzados, pois não queria encrenca com a mãe natureza, fechar o olhos era o mesmo que ajudar.
— Como é? – Miguel perguntou cético. Sabia muito bem no que os acordos com deuses se baseavam. Sacrifícios. Sempre dolorosos.
— A vida dele pelo direito de andar mais uma vez. – Amom continuou envergonhado. – Mesmo sob vontade do pequeno alfa, eu deveria ter impedido Georgiana. Eu a abandonei tempos antes, nem sabia mais se estava viva ou não, até ela vir atrás de Nath. Mas, o caçula de meus Alfas acabou por ficar preso em um espaço-tempo imutável. – Lamuriou-se. — E eu abri a oportunidade para isso acontecer.
— Espere. – Serena interrompeu a fala do deus. – Quer dizer que Nathan está vivo? – Seus olhos cintilaram com a hipótese.
— Aparentemente sim, mas a alma dele já tem os dias marcados. Manter alguém em um estado de sobrevida por tanto tempo é impossível até mesmo para sua progenitora que é uma especialista em necromancia. – Concluiu o leão. – Mas, Nathaniel perdeu-se durante a transição de volta e despertou além das fronteiras de Premin.
— Que merda é essa que você está me falando?! – A Alfa disse irritada e incrédula. –Ajudou meu irmão a ser usado, minha mãe é quase um demônio e Premin foi abandonada pelo seu egoísmo. – Cuspiu as verdades em seu patrono, listando-as.
— Não foi assim, teve a triação dos humanos e... — tentou detalhar mais Serena não parecia interessada. — Mas, eu mudei, ainda mais depois que descobri nossa ligação... – Começou ele a tentar se redimir.
— Tarde demais. – Ela bloqueou seu pedido de perdão. – Não irei reinar em Premin. – Negou-se firme. – Não enquanto tiver que olhar para sua expressão nojenta. Você me traiu! – Estava realmente enojada e magoada. – Vamos, Miguel. – Agarrou-se a mão de seu marido. – Não há nada mais para se discutir aqui. Esqueça que eu existo, leão. – Terminou em tom sarcástico, praticamente arrastando Miguel para fora da sala do trono. As lembranças da morte de Nath e saber que Amom ajudou o corvo a matar e pactuar seu irmão. Era uma dor imensurável para ser esquecida assim.
Amom desesperou-se pela primeira vez em sua existência. Sua escolhida dar-lhe as costas como resposta não parecia ser um bom sinal. Ela estava anulando-o e aquilo o machucava profundamente, ferindo além de seu ego, seu coração divino, inundado de sentimentos similares aos paternais.
*
— Esse deus arrogante com o qual acabo de conversar deve padecer no limbo! – Serena disse contrariada e nervosa a todos os presentes. Luna, Hatori e seu marido que a olhava preocupado. Ele tinha conhecimento de que aquilo a afetara. – Recuso-me a usurpar o trono de meu reino. – Falou firme, Hatori observando sua fala um tanto confuso. Onde estava a mulher que desejava a todo custo ser uma rainha legítima? Mas, preferiu não interferir. A colonização do reino do ouro mal iniciara-se e esposa de seu irmão ainda teria um tempo para pensar melhor. Afinal, abrir mão de uma nação inteira não é algo prudente para se decidir em momentos de raiva. – Ficarei em Draken, por enquanto. – Miguel sorriu com a afirmação da morena. Ainda não estava psicologicamente preparado ou burocraticamente pronto para deixar seu país.
— Bem, devemos voltar então. Um reino aguarda seu Alfa com boas notícias. – Suspirou o mais velho dos irmãos. Desejava retornar. Apesar de não transparecer tanto, estava exausto pelas batalhas travadas.
Os quatro adentraram na primeira caravana de soldados que passou pelo local. Chegariam dentre de dois dias a capital drakiniana, sem expectativa de surpresas no meio do caminho.
Como em todo lugar que invadiram, deixaram responsáveis para vigiar o local, cuidar, harmonizar e desenvolver. Era interesse dominar aquela terra, por mais que Serena tivesse negado reinar, Hatori sabia que era temporário. E também, não deixaria Premim sem cuidados, até porque já bolaram as táticas de colonização daquele lugar muito antes, estava tudo ajeitado, agora era só progredir com a conquista.
Tempos depois, retornaram em segurança, avistando no horizonte a imensa cúpula de ferro e vidro.
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