Notas iniciais
LOOK AT THIS NUMBER, BITCH! Em fim, espero que gostem. Sério. Não faço ideia a qualidade desse capi. Então é isso. Esperem por #GHOSTFIRE. Ops, quer dizer, eu não me atreveria a uma terceira fic né? Maybe. Gostaria de dizer que a história termina onde o capi termina, mas não é nem da missa a metade.

Era tarde da noite, a fogueira já devia ter acabado. Nico não se sentia incomodado na escuridão, ainda na floresta no intuito de voltar para seu chalé e ficar ali pela noite só pra não ser comido por harpias. Não que elas fossem tão perigosas, mas se não pensasse assim, Nico iria deitar no chão e dormir ali mesmo, na floresta.

Ele estava cansado do chalé, principalmente em suas recaídas. Ainda iria redecorar. Ainda, quando arranjasse forças para isso e não tivesse sei lá quantas pessoas o distraindo de si mesmo e de tudo que sentia ou poderia sentir.

Fazia um mês que Leo Valdez estava desaparecido.

A lua sempre era forte no Acampamento Meio Sangue. Não tinha nem graça de contar histórias de terror por ali, com tanta luz lunar. Ela brilhava e reluzia na pele que continuava pálida, mas também no pingente de ouro imperial preso no seu pescoço por uma gargantilha preta de veludo. O pingente era na forma de Festus, uma cortesia de Juníper e do chalé de Herfesto.

Aquela altura o chalé de Nico consistia em só coisas de Leo, bichos de pelúcia e livros. Bem gay. Oh well, ele era o dono, afinal.

Nico parecia desavisado, porém ele não tomou um susto quando alguém segurou seu braço. Afinal, havia deixado a pessoa se aproximar o bastante para isso. Não era a primeira vez.

– Nico! — Percy exclamou.

– Heeey Percy, pode me largar agora. — Nico olhou acusadoramente para mão de Percy e depois para o rosto dele. O garoto o soltou na hora.

– Você disse que não ia mais sair sozinho por aqui, Nico. — Percy parecia estar com raiva por Nico ter mentido.

– Não é como se fosse perigoso.

– É, de noite, claro que é! — Percy bufou, incrédulo com as atitudes de Nico. O garoto cruzou os braços.

– Eu sou um filho de Hades, Percy. Um pouco de escuro não me assusta. E, de qualquer jeito, essa história sobre as harpias serem violentas é coisa pra crianças dormirem.

– Esse não é o problema Nico, e você sabe.

Nico observou o filho de Poseidon. Ele sempre foi irritante, mesmo quando Nico tinha interesse romântico nele. Porém, naqueles últimos dias, estava ficando insuportável. Ah, se Percy tivesse se importado antes. Provavelmente Nico nunca iria superá-lo. Iria continuar vendo-o como o herói da sua vida, admirando e contando todas as suas qualidades, esquecendo seus eminentes defeitos.

Isso não queria dizer que os dois não pudessem ser amigos, por que Nico até queria, mas Percy não estava realmente ajudando a sua causa. Nico só queria se afastar mais e mais dele, e isso com certeza era um sinal ruim.

Não soube quando deixou de confiar em Percy. Porém, provavelmente ele não era o único que perdeu a sua confiança. Deve ter sido o mundo todo, por que este, este sempre o traía e o machucava. Uma hora cansa. E Nico estava definitivamente cansado. Não era nem drama de vítima, eram simplesmente o que ele sentia.

– Nico? Você está ouvindo?

– Eu ouvi, Percy. — Nico revirou os olhos.

– Eu não sei qual o seu problema. — Nico notou que Percy estava sendo finalmente sincero. — Nós dois sabemos por que está aqui, mas parece gostar disso, por que quando alguém chega para te ajudar você age desse jeito. Ou é só eu? — Percy arqueou as sobrancelhas. — Por que, é, eu notei isso também.

– Do que está falando?

– Estou falando de como você me odeia. Nico, eu estou tentando aqui, ok? E mesmo assim você…

– Tsk. — Nico não evitou debochar. Sempre era sobre Percy. Como Percy era bonzinho, como Percy tentava, como Percy era perfeito e Nico defeituoso. — Percy, pare, ok? Eu nunca te odiei. — Percy simplesmente arqueou as sobrancelhas. — Tá, por um certo tempo sim. Mas foi rápido. Acabou. Todo mundo me dá espaço, então é por isso que eu me dou bem com eles. Não é tão difícil assim. Eu só quero que você entenda que eu não sou uma criança perdida que precisa da sua mão para se achar no caminho. Então, por favor, pode parar de…

Nico deu um pulo, paralisando completamente. Percy puxou o garoto para perto, quando o segundo barulho soou. Era uma explosão grande e muito próxima deles, e quando os dois se viraram puderam ver o rastro de fumaça e fogo que ela havia deixado no meio da floresta, entre o alto das árvores. O ar ficou denso e quente, enquanto o cheiro de queimada enchia as narinas dos dois.

As harpias não demoraram para aparecer, grasnindo na direção da explosão. Percy e Nico trocaram um olhar, obviamente dizendo o quanto que não queriam que aquilo significasse outro ataque. Percy soltou Nico e sacou Contracorrente, transformando-a em espada. Nico desembainhou a sua e os dois correram na direção da onde a fumaça e o cheiro haviam vindo, sem tempo para pensarem em chamar reforços.

Nico sabia que, como semideus, sua vida seria estranha. Mas só quando chegaram na causa da explosão é que ele notou que ela era muito, muito, muito estranha.

– Sheeesh, tudo bem Festus? Essa foi péssima.

– Leo, “péssima”? Essa foi a pior aterrizagem da história! Você é péssimo!

– LEO? — Percy Jackson gritou. Leo Valdez virou-se meio assustado meio surpreso, junto com Calypso. Ele estava… Ali. Vivo, inteiro, um pouco maior e bem sujo de fuligem e outras coisas que só Herfesto iria saber. Ele parecia mais magro, principalmente o seu rosto, mas ainda era o mesmo Leo com cabelos cacheados enlouquecidos e os olhos castanhos.

Festus estava jogado no chão, tossindo fumaça e se arrastando, nada bem. Calypso estava do seu lado, e de alguma forma estranha ela parecia estar acalmando o dragão, se não ele estaria se contorcendo em dor. Claro que Nico não notou nada disso. Foi como se o tempo parasse por um instante.

Como deve ser a sensação de alguém que espera, dia após dia, por algo que pode mudar todo o seu destino? Por algo que ama tanto que o coração dói com a sensação, cujo nunca se apaga, nem mesmo quando ela tenta e tenta e tenta. Ela se esfaquearia se isso desfizesse o que sente, mas sabe que não vai. Isso a faria sangrar, mas não esquecer, e essa pessoa já sangra muito.

Porém, mais importante do que tudo isso, como é a sensação dessa pessoa quando ela finalmente ganha o que orou, implorou, lamentou tanto por? Que em suas horas mais sôfregas achou que nunca ia acontecer. Que ela não merecia, então teria que morrer desejando, perdendo, necessitando. Como deve ser? O que era que Nico estava sentindo?

– Puta que pariu, Leo. — Percy não sabia o que dizer. Muito menos Leo. Ele olhava para Nico, mas parecia que fazer isso o causava dor.

Nico pensou como seria se fosse Bianca. Se Bianca aparecesse ali tão culpada quanto Leo, dizendo que iria ficar com ele e nunca mais deixá-lo. Nico tentou imaginar a felicidade, a facilidade que ele a aceitaria de volta. Não teria nenhuma hesitação, nenhum medo. Nico sabia muito bem que um bom jeito de derrubá-lo era Bianca.

Na verdade, era seu amor.

Por isso Nico correu e derrubou Leo.

– W-Woah, N-Nico, pera ai… Ouch!

– Seu idiota! Seu filho de uma… Urgh! Eu te odeio tanto! Como pode, como pode?! — Nico o encheu de murros e xingamentos. Não se importou se sujava as roupas ou se o machucava. Ele precisava gastar aqueles sentimentos de alguma forma, então que fosse no causador deles.

Leo tentava desviar e não apanhar tanto, mas ele paralisou totalmente quando sentiu a primeira lágrima na pele do seu braço.

Lentamente, um pouco assustado talvez, Leo tirou os braços do rosto e olhou para o rosto de Nico pairando sobre o seu. Ele nunca achou que iria ver Nico chorar por sua causa. Se era de felicidade, raiva ou alívio, Leo não fazia ideia, mas gostaria de pensar que era de tudo um pouco. As lágrimas de Nico percorreram seu rosto e caíram no de Leo.

– Eu senti tanto a sua falta. — Nico fungou. — O que mais doeu foi pensar que nunca mais ia te ver.

– Eu não ia conseguir ficar sem você. — Leo murmurou em tom sutil. Era verdade. — Se eu tiver a chance, prometo sempre voltar pra você, Nico.

Como resposta, Nico o beijou. Entre as lágrimas e emoções desesperadas, tudo ficou bem por alguns segundos. O fantasma finalmente achou a lareira que o aquecia.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!