Notas iniciais
Eu só quero avisar que estou programando capítulos, então tipo... Não me matem se não tiver notas iniciais -q. É só isso, Anna Tem TDAH, hello my old friend. HASJKHJAKSA Boa leitura ♥

Nico esperou um ataque no exato momento que saísse da capela, mas em vez disso ali estava, sentando com Reyna comendo doces. A companhia dela era agradável, por que ela não ficava esperando ele dizer alguma coisa. Reyna nem parecia ser do tipo que falava muito. Nico gostava disso nela, como ela queria que as pessoas ficassem confortáveis consigo — e no fim eles só sentiam medo. Podia entendê-la em tantos níveis que chegava a ser comicamente bizarro.

Deixando a mente andar por ai e chegando em trocadilhos sem graça, lembrou-se de Percy. Percy era infantil o bastante para fazer piadinhas que ninguém ia gostar — apenas Nico, mas ninguém precisava saber disso.

Nem mesmo Annabeth lhe dava muito crédito naquelas horas. Nico tentou se lembrar o que ela havia feito para Percy sem ser procurá-lo e conversar com a sua mãe quando estava desaparecido. Se não fosse por Nico, Percy estaria morto. Mas, tudo bem, mesmo assim nem o próprio italiano conseguia discordar que eles eram o casal perfeito.

E não ficava mais tão amargo sobre tais fatos. Quase como se fossem só fotos num álbum velho, que você vê e relembra e pode se emocionar, mas é coisa momentânea, e a vida continua.

Uma coisa que continua, também, é o humor negro na vida de Nico. Não parecia que ia acabar nunca. Advinha quem era a grande piada? Yup. Um tal de Di Angelo, meio magrelo, meio baixo, usa muito preto, pele doente. Perfeito pro papel.

Nico viu Sally uma vez, mas ela não o viu. Ele havia acabado de cumprimentar Percy no Acampamento Romano, e o choque foi tão grande que, quando teve chance, viajou nas sombras apenas querendo desaparecer.

As sombras eram, para variar, imprevisíveis e Nico não havia parado nem em um lugar próximo a remoto. Não, em vez disso, estava na escada de emergência ao lado do quarto de Percy, onde eles haviam se encontrado anos atrás em seu aniversário. A janela estava fechada e o quarto todo estava escuro, e Nico iria fugir ali no mesmo segundo se não tivesse visto...

Visto Sally Jackson debruçada sobre a cama do filho perdido, chorando. Em seu rosto a umidade brilhava contra a luz da rua e do corredor, e seu corpo todo tremia com os espasmos da dor emocional. Paul, seu marido, a abraçava por trás, tentando consolá-la o máximo que podia.

Era lamentavelmente lindo.

Lamentável por que Nico podia entrar ali e acabar com o sofrimento de ambos, do mesmo jeito que podia falar com Percy sobre sua verdadeira identidade, mas estragaria tudo. Não era o modo de um Filho de Hades se portar. Aquele com certeza era um plano maior e Nico não podia se meter.

Lindo por que, oras. Era o auge de um amor familiar, uma mãe que provavelmente chorava sem saber o paradeiro do filho todas as noites, mesmo que soubesse que ele podia estar morto. Ela podia esquecer, seguir em frente, mas não, Sally Jackson continuava ali, desejando e orando com todas as suas forças para que tivesse seu bebê de volta nos braços.

Nico chorou também, por que sabia que sua mãe agiria do mesmo jeito. Se não pior. Bianca dizia que ele não devia ficar triste se a mãe deles não estava por perto, por que não foi abandono. Foi o melhor para os três. Ela nunca se distanciaria por outro motivo.

Hoje Nico entende que Bianca queria dizer que Maria morreu feliz por que não teve que ver os filhos mortos.

Então, como um soco, Nico foi acertado pela confirmação que era como a mãe. Indulgente da cabeça aos pés. Patético. Ele amava de mais as pessoas. Faria qualquer coisa por elas, por mais que fosse o único ferido no final. Foi assim com Percy. Provavelmente seria assim com Leo.

Nico grunhiu. Não! Se negava a passar por isso de novo! Não sabia o que sentia, mas era algo que esquentava o peito. Não podia comparar com a queda que teve por Percy. Com Percy eram coisas estranhas na barriga e de baixo do ventre, desejos e pensamentos estranhos, enquanto com Leo... Leo era tão mais complicado que Nico não queria nem pensar sobre. Sentia-se errado fazendo. Era algo tão forte, tão difícil... Leo com certeza não devia sentir o mesmo, então era errado.

Nico não soube dizer quando foi jogado num buraco negro de drama adolescente, e ele literalmente não conseguia lidar com isso.

xx

Reyna estava rindo.

— É um longo tempo até a noite.

— Concordo. — Nico grunhiu de novo, afundando a mão nos cabelos.

— Nico… Você vai conseguir. — Reyna disse com cuidado. — Vão ter menos monstros nos Estados Unidos. Agora, eu sei que preciso te ajudar, então peça.

Ela estava dando uma ordem, não oferecendo.

Bom, eis uma coisa que ele não ouvia com frequência. Reyna e Hedge não tinham muito o que fazer por Nico, mas o pensamento bastava. Eles continuaram discutindo. Nico, mesmo sem querer, lembrou-se da época após a batalha de Cronos, onde ele foi aceito por um tempo minúsculo por ter ajudado.

Mas da mesma forma que começou, terminou. As pessoas sentiam-se incomodadas, como se Nico não devesse estar ali. E ele podia se esforçar para se provar boa companhia, mas a que custo? Não era como se ninguém importasse ali. Não eram pessoas que Nico ia precisar mais tarde, estas não o afastavam, tipo Rachel e Grover.

Nico lembrou-se de um conto de Platão sobre as pessoas terem quatro braços e quatro pernas, e Zeus as separou para que não transcendessem o poder dos deuses, deixando-os confusos e perdidos atrás de sua outra metade.

Eu não me encaixo nisso. Nico pensou com amargura. Lembrou-se de Calypso. Quando ouviu que ela também gostara de Percy, Nico se relacionou mais com a garota do que realmente queria. Ela parecia estar fadada a nunca achar sua outra metade, sem nem o direito de procurar, até que Leo caíra na sua ilha.

Era nojento, por mais que Nico tivesse dito que ia ajudar. Ajudaria por que era seu comum. Por que, talvez, Nico notaria como Leo não valia à pena e desistisse dele também. Por que era nojento como eles combinavam. Ambos rejeitados, ambos solitários, ambos carentes. Talvez era a tão famosa combinação de duas peças quebradas formando uma melhor.

Nico quis se matar por estar passando isso de novo. Queimava em ódio dentro de si. Não sabia por quê, mas era um sentimento bem mais forte que a náusea e o desgosto que ver o casal dourado: Annabeth & Percy. Como se o que tinha com Leo, de jeito nenhum, podia acabar quebrado da mesma forma.

Mas o problema era que eles não tinham nada!

xx

Nico estava puto. No sentido: “Eu perdi a porra do meu casaco preferido e pra variar posso morrer a qualquer instante e eu fui burro o bastante para não mandar uma mensagem pelos sonhos para o meu quase-tipo-muito possivelmente-futuro namorado.”

Ele não devia se preocupar com detalhes quando estava numa missão mortal, mas ali estava Nico, prestes a se matar por ser tão distraído. Ele esperou achar Clovis sonhando, mas em vez disso achou alguém bastante inusitado.

Piper.

Ela estava coberta de arranhões, com os cabelos armados e uma expressão cansada, mas sua postura rígida era igual a de uma Amazona vitoriosa em batalha. Nico achou que aquela era a sua verdadeira beleza. Até onde ela iria para proteger quem amava e se provar para si mesma.

— Espiar é feio, sabia. — Piper sorriu para ele, massageando os ombros. Eles estavam na sua cabine no Argo II.

— D-desculpe. — Nico gaguejou ao notar como suas atitudes eram assustadoras. — Eu… Hmm, eu não quis te incomodar no seu sono.

— Bem, só tem um problema: Não estou dormindo. — os olhos de caleidoscópio dela brilharam.

— Como isso é possível?

— Eu acabei de voltar de Esparta. — Piper suspirou. — Dei um passeio nem tão agradável no templo dos meus irmãos, Deimos e Fobos.

— Wow. — Nico se surpreendeu. Lembrou do que Reyna havia dito sobre a trajetória do Argo II segundo Leo. A ideia de recuperar a batida de um coração de um Deus era ridícula o bastante para fazer alguém dizer: “I can’t” e sair andando, mas ali estava Piper, toda badass mostrando que havia conseguido.

Era por isso que ele gostava dela.

Ambos eram pessoas julgadas por conta do parentesco divino, mas quando alguém se esforçava minimamente para conhecê-los, notava que eles eram mais que uma filha de Afrodite e um filho de Hades estereotipados.

Provavelmente a diferença mais gritante entre os dois era o fato que Piper colocava sua merda em ordem de uma forma bem mais fácil que Nico.

— Eu acho que minhas emoções ficaram maiores que o normal. A minha criação está inteiramente ligada aos sentimentos. Então quando você tem um forte desejo de me ver…

— Não é você que eu queria ver! — Nico exclamou numa respiração. Piper arqueou as sobrancelhas. — Quer dizer… Isso é um sonho. Eu não posso controlar o rumo dos meus sonhos. — Nico mentiu. — Talvez eu só esteja preocupado com o navio.

Piper sorriu de uma forma triste.

— Eu confio em você, Nico.

Nico engoliu a seco, ficando muito nervoso com a declaração. Era uma responsabilidade enorme, Nico não queria decepcioná-la. Não, não podia.

Por isso ele acabou dizendo a verdade.

— E o Leo?

Piper o olhou surpresa por uns instantes, até que ela sorriu. Mas não o sorriso triste que não alcançava os olhos. Era o tipo de sorriso de satisfação que iluminava seu rosto, e essa expressão intimidou Nico, por que era uma Amazona poderosa sorrindo após vencer uma batalha.

— Ele está bem. Só que mais recluso do que nunca. — ela bufou e cruzou os braços, fazendo uma pequena jogada de cintura. — Hazel falou com ele.

— Fa-falou…?

— Nico. — o tom de Piper ficou cuidadoso. — Você precisa falar com ele.

Nico desviou os olhos, sentindo-se sufocado. Quando ela notou que ele não queria responder, ela suspirou.

— Eu não quero te pressionar…

— Então por que todos vocês fazem isso?! — Nico esbravejou, sentindo-se a ponto de explodir. — Por que todos esperam que eu seja alguém funcionavel e saudável sendo que ninguém realmente me ajuda nisso? Eu… Eu só tenho eu mesmo, Piper. Você quer que eu simplesmente desfaça tudo que eu pensei… Tudo que eu construí por anos só por que algumas pessoas não desviam mais o olhar quando me vêem?

Piper não tinha resposta. Seus olhos mostraram dor, mas não por ela e sim por ele. Ela parecia sinceramente mal por não saber ajudá-lo. Mas talvez ninguém devesse ajudar Nico. Ele queria… Não, devia se ajudar sozinho. Se havia algo certo a fazer, tinha que descobrir por si só.

Mas e se não fosse a coisa certa? E se ele despencasse num buraco fundo apenas por um passo em falso? Era por isso que Nico precisava pensar. Era por isso que ele precisava planejar as coisas. Não era por que Nico era frágil ou coisa parecida, apenas por que ele era uma pessoa comum que por acaso não era masoquista.

— Desculpe, Piper. — Nico queimou de vergonha. Odiava ser sensível daquele jeito. Como uma cherry bomb muito neurótica. — Nada justifica esse jeito de falar. Eu só… Eu vou embora agora. Tenho muita coisa para pensar.

— Espera! — Piper o impediu. — Nico, eu entendo. Todos nós entendemos, de verdade. Mas como eu ia dizer, você escolhe confiar ou não. O direito é todo seu, desde o início. Eu só acho que você ia gostar de saber… Jason se machucou feio, e eu achei… Nós achamos… Foi difícil. Foi um daqueles momentos difíceis. E sabe o que ele disse? Ele comentou de você. Agora ele está se recuperando, e eu não quero que ele…

— Eu estou bem. — por alguma força que Nico nunca achou que tivesse, ele sorriu. Não foi um forçado como os de Leo, não, Nico não era assim. Ele sorriu por que o pensamento que Jason se importava com si, de um jeito ou de outro, o fazia sorrir. Assim como Piper, Hazel, Rachel… Até mesmo Reyna. Eram pessoas que ajudavam a diminuir os efeitos do peso da sombra sobre si. — E eu espero que ele fique bem. Que todos vocês fiquem. Diga isso para ele.

— Você é um garoto tão bom, Nico. — Piper disse de uma forma quase maternal. — Eu só queria que pensasse mais isso.

Nico assentiu, sem ter mais o que dizer, até ir embora nas sombras.