Notas iniciais
É um conto, o contexto é um pouco irrelevante, é composto por "atos", descritos de formas bem óbvias que tentam passar mais que uma ambientação. >>> IMPORTANTE <EU SOU BURRO. Me desculpem, eu sou muito burro. Fechei essa história sem querer e por isso, não posso mais continuar daqui, caso você tenha lido - ou está para ler, esse conto, saiba que a sua continuação foi postada em outra história chamada "Doce Ingenuidade".

[Madrugada, Neva, Os ventos frios congelam até dos ossos os mais frágeis]

De dentro de prédios abandonados por séculos, atravessando o escuro a figura envolta de um manto branco surge para a fraca claridade das tochas.

Do outro lado, alguns homens vestindo pesadas roupas para se proteger do frio e carregando lanças, escudos e espadas — ainda que deixados de lado, tentam se aquecer em uma das grandes fogueiras que também servem para iluminar a noite escura.

A figura envolta do manto caminha indetectável até poucos metros do grupo. Não faz som, não libera calor, seus passos não pesam no chão, o único movimento que diz que ele não está estático é o tremular colérico o manto que o cobre e, da formas estranhas para quem estiver por baixo dele.

— Estranho! Recue, você está em uma Terra Sagrada!— Fala um dos guardas com tom severo.

A figura encoberta ignora o comando e continua a seguir seu caminho — que não o fará cruzar com o grupo.

Alguns pegam suas armas, outros fitam a figura invasora sem face.

— Você será morto se der mais um passo!— Bradou outro guarda que já portava sua arma e escudo. As chamas refletem em seus olhos dando um aspecto semidivino ao seu semblante.

Os guardas o cercam, ainda que a figura sem rosto continue a se mover para a mesma direção desde que chegou — o Palácio Valhala.

— Morra e seja enterrado sem um nome em sua lápide!— Gritou o guarda ao avançar impiedosamente na direção do invasor.

A lâmina percorre um arco no ar, e mesmo estando escuro, com pouca visibilidade ela brilha como se a força de Asgard a guiasse em seu caminho. O manto é atingido, penetrado, e o guarda pode sentir a resistência da carne sendo rasgada.

O golpe atinge o flanco da figura encoberta, ela para.

Uma rajada de vento poderosa joga o manto que cobria o invasor para trás revelando sua forma verdadeira. O guarda recua com sua espada embebida.. embebida em sangue?

O brilho dourado invade os olhos de todos os guardas, as fogueiras se apagam subitamente, deixando ainda mais em evidência a claridade proveniente da figura recém-descoberta.

O ar se enche de hesitação. Olhos cheios de pavor, passos para trás, medo. PAVOR.

A lua cheia surge no céu, a tempestade se abre sob aquele local. A luz ilumina seu corpo, sua armadura dourada. Seu rosto está semi encoberto, mas os guardas podem ver seu sutil sorriso, sua expressão de paz, seus olhos fechados que demonstram a ordem que seu mente se encontra.

Todos sabem de onde veio, nenhum sabe quem é. Mas podem sentir a chama acalentadora de um ser encantadoramente mortífero.

[Nascer do Sol, na encosta gélida do Palácio Valhala]

Sem pressa a figura de armadura dourada avança pela encosta repleta de ruínas, deixando pegadas por seu caminho despreocupadamente. Ele aprecia a natureza e as construções, diferentes arquitetonicamente, mas iguais filosoficamente.

— Ei, você! Cavaleiro?!— Uma voz juvenil vinda das árvores chama a sua atenção.

Um rapaz, de não mais do que 16 anos, salta de um do galho de uma das árvores próximas. Ele veste uma armadura de um azul profundo, e seu cosmo agressivo entrega sua posição dentro daquele local.

O homem de armadura dourada se vira, e encara outra os pilares caídos a alguns metros. Como aquele rapaz, outros três saltam por lá. Ele é cercado, são quatro.

— Você vai morrer aqui Cavaleiro de Ouro hahahahaha— Um dos rapazes que chegaram depois fala em escárnio, sua armadura é esverdeada e seu capacete cobre todo o seu rosto.

Seus cosmos em uníssono reverberam com a tempestade que toma toda a encosta do Palácio. No céu, as imagens de quatro enormes lobos surgem. O homem de armadura dourada é a presa.

— Antes de atacarem, vocês sabem o motivo que me trás aqui?— Pela primeira vez desde que adentrou aquele lugar, aquelas terras geladas ouviram sua voz; calma, serena e que levava a paz aos que a escutavam.

Três dos jovens guerreiros ignoram, exibindo sorrisos sarcásticos, não dando a mínima. Contudo, um deles não; o que tinha o semblante mais ébrio, de cabelos longos e louros, que trajava uma armadura totalmente negra. Ele pareceu refletir.

Aqueles que investem contra o invasor têm seus punhos iluminados, muito de suas cosmo energia se reúne ali.

Enquanto se aproximam, em câmera lenta, as palavras proferidas pelo homem dourado, seu alvo, invadem suas mentes. Ele diz "Que seus corações belicosos se acalmem para que vocês compreendam os dias que virão.. INSTÂNCIA DA PAZ INABALAVEL". O halo de luz que se expande até sumir de vista atinge todos que estão a volta do invasor.

Quando os quatro recobram a visão, o homem já não está mais lá. Seu rastro, no entanto, se encontra de óbvio, uma trilha de pegadas que levam até ele. Mas, dentro de seus corações, onde havia a raiva, agora existe a paz. Até aquele que hesitou que ao invés de ódio, tinha a dúvida, agora estava em paz.

Todos se entre olhavam, pois sabiam que sua missão havia falhado, mas por mais que pudesse ver a trilha, o caminho deixado por aquele homem de armadura dourada, eles não tinham vontade de segui-lo. Não queria lutar, não queriam matar, apenas desejavam descansar.

[Sol no céu, encoberto pelas nuvens. Em um campo florido, próximo ao Palácio de Valhala]

Fazia alguns minutos que o caminhante dourado chegará a um campo florido, de beleza indescritível, que resistia firmemente aos ventos tempestuosos e a neve ininterrupta que caia. Era quase um milagre, como se alguém protegesse aquele lugar das intemperes.

Ele estava perdido nos seus pensamentos, quando notou uma presença se aproximando rapidamente, mas esperou até que ela se revelasse bem a sua frente, a apenas alguns metros, dentro do campo de flores.

— Saiba que o é que você tenha feito com aqueles garotos, não funcionará comigo, Cavaleiro de Atena.— Ele falou sem nenhum tipo de hesitação, sua voz era séria, a de alguém confiante que entende o que está em jogo.

O cavaleiro de Atena pega um flor que se solta com o vento intermitente. Ele abre seus olhos pela primeira vez. Profundos, escuros, um olhar fixo ali seria capaz de focar o próprio universo se expandindo.

— Não se preocupe, sei que aquilo não terá o mesmo efeito em você, infelizmente..— Sua voz dessa vez continha um pouco de pesar, ele falava enquanto observava aquela flor, bela, mas que teria de morrer apenas pela vontade da tempestade que não há deu outra escolha.

O guardião do campo se aproxima do cavaleiro, que fica parado observando a Flor.

— Sei quem é você, é quem eles chamam de "O Observador", não é?!— Ele diz em tom inquisidor, circulando o cavaleiro dourado.

— Creio que me chamem assim, mas não deveriam..— Responde o dono dos olhos universais.

— O que você faz aqui, afinal? Vindo de tão longe, se recusando a matar aqueles que se postam contra você. O QUE VOCÊ QUER Cavaleiro de Atena?!— Gritou irritado o guardião.

— Você sabe o que vim buscar.. Bericir de Alcor..— Comentou de forma incisiva, como se suas palavras fossem a mais pura verdade.

O Guerreiro Deus para seus passos ao ouvir seu nome, sua constelação. Logo percebeu que estava lidando com alguém diferente, afinal de contas apenas três pessoas sabiam de sua existência, seu irmão Faricir, Aldtrich e a regente Poláris. Apesar disso, não deixou transparecer, na verdade seu semblante pouco mudou, e nada, além da parada súbita poderia denotar sua surpresa.

— Você veio roubar a ânfora, você não passa de um ladrão Cavaleiro de Virgem. — Ele disse de forma série e fria. O tom de sua voz mudará agora ele estava irritado, porém na defensiva.

Os olhos do cavaleiro de Virgem se voltam para Bericir, de canto de olho ele podia ver os dentes do Guerreiro Deus trincarem e seu cenho se fechar demonstrando sua raiva.

— A ânfora nos foi dada, não a roubamos, diferente de você e seus comandados, que foram até seu local de descanso e a pegaram.— Esclareceu de forma simples, com palavras impactantes o suficiente para ampliarem a expressão colérica do Guerreiro Deus.

— Cale-se cavaleiro, não importa o que aconteceu!— Grita o Guerreiro Deus em fúria.

A tempestade se agita, e mais flores começam a voar para todos os lados. O Cavaleiro de Virgem fita os olhos do seu oponente, mas logo em seguida se vira para a flor em sua mão, ele a olha uma última vez antes de solta-la para que voe com as demais e siga seu destino.

— Você faz jus a sua alcunha, você viu muita coisa. Você sabe demais. Felizmente você morrerá aqui. Morra cavaleiro de Atena!— O homem que traja a armadura de um tigre branco, o Guerreiro Deus da Estrela Zeta, avança gritando em direção ao Cavaleiro de Atena. De suas mãos, precisamente de suas unhas, um brilho vermelho e pulsante vibra marcando o ar por onde ele passa.

— Morte Oculta de Alcor!— Bericir invoca sua técnica mortal, e um enorme tigre branco é projetado no céu, o brilho vermelho se tornam garras enormes que avançam contra o cavaleiro de Atena, e em meio ao seu deslocamento o jardim que está em seu caminho é destruído.

Em uma fração de um único segundo, o Guerreiro e o Cavaleiro trocam olhares. O primeiro está surpreso e o segundo não parece nem um pouco abalado.

O Cavaleiro de Virgem estendeu seu braço e carinhosamente afaga o punho fechado do Guerreiro de Alcor, bloqueando completamente seu ataque mortal.

— Co.. Como você pode bloquear meu ataque dessa forma?— Pergunta com a voz tremeluzente o Guerreiro Deus.

Fechando os olhos o Cavaleiro de Virgem sorri, ele se vira para ficar de frente para seu oponente.

— Me chamam de observador, apenas por cumprir as ordens de minha Senhora..— Ele fala calmamente elevando seu cosmo, um calor cresce da manifestação visível das chamas douradas que o envolvem.

— O que você quer dizer? O que você está fazendo Cavaleiro?— Diz o Guerreiro Deus enquanto se afasta com um salto do Virgem Dourado.

— Quero dizer que há sua hora chegou, Bericir de Alcor, descanse em paz. QUEIME!— Ao proferir essas palavras seu cosmo de chamas douradas se expande para todas as direções queimando tudo em seu caminho sem piedade alguma.

A rocha do chão, as árvores, as flores, tudo é calcinado, destruído, apagado do mundo mortal, toda raiva, ódio, amor, pureza, nada, não importando o que é, escapa das chamas douradas que varrem o lugar.

— Que? O que é... QUEM É VOCÊ!?— Pergunta o Guerreiro Deus antes de ser atingido pela onde de fogo dourado que o carboniza quase instantaneamente, destruindo não só seu corpo, mas também sua Armadura e a própria Safira de Ódin.

Apesar de estar destruindo todo aquele lugar que apreciava a um instante atrás, seus olhos fechados e seu rosto já sem expressão, deixam clara que seu coração esta em paz.

— Eu? Eu sou a Morte.— A resposta do Cavaleiro de Virgem chega aos ouvidos do guerreiro de Alcor, antes que ele morra, o fazendo partir em um estado de pavor inimaginável para ele até o aquele momento, o de sua morte.

No centro do campo tomado apenas por cinzas, o corpo de Bericir caído de joelhos fica inerte e pouco a pouco a neve volta a cair no local, cobrindo-o com seu manto branco, trazendo a paz e a serenidade de volta ao lugar.

Outro jardim tão belo quanto o anterior voltará a crescer ali.

[O Sol está quase em seu pico, e as nuvens de tempestade não o ocultam mais totalmente. O pátio do Palácio de Valhala]

Imponente o Guerreiro Deus de Dubhe aguarda na base de uma escadaria no primeiro pátio do Palácio de Valhala. Ele acompanha com os olhos a figura dourada que desce a longa escadaria de pedra avermelhada que liga o Palácio a encosta.

— Você não deveria estar aqui Cavaleiro. Você matou um dos nossos, se antes era apenas um invasor que devia ser expulso, agora você é um assassino, marcado para morrer.— Ele gritou e deixou que o vento levasse sua voz até o invasor.

O cavaleiro parou, e mesmo a uma longa distância, ambos se entre olharam. No céu suas constelações se projetam, um Dragão e a Virgem, azul escuro e dourado.

Sem avisos um ponto negro irrompe o céu, tanto o cavaleiro como o guerreiro deus se surpreendem. Entre eles a figura aterrissa. Traja uma armadura negra, e uma túnica branca, sua veste sagrada é igual a Bericir, ambos sabem quem é: Faricir, o Guerreiro Deus de Mizar.

A chegada de mais opositor motiva o cavaleiro a continuar seu caminho. Debaixo de um de seus braços está a ânfora que ele devia resgatar. Antes que alguém pudesse chegar ele invadiu o Palácio, afastou todos que tentaram impedir até chegar no seu objetivo.

— Largue isso seu maldito!— Gritou o Guerreiro de Mizar, liberando sua cosmo energia branca agitando a tempestade em volta do lugar.

— Você..você matou o meu Irmão! Jamais te perdoarei, nem você, nem a nenhum de sua Ordem!— Ele bradava a cada passo que dava na direção do cavaleiro de Virgem que caminhava olhando para o horizonte, sem sequer focar sua visão no Guerreiro que ia a sua direção.

— Faricir!— Bradou o Guerreiro Deus de Dubhe.

— Se acalme e volte para cá!— Continuou em tom impositivo. Ele como o líder dos Guerreiros Deuses devia ser obedecido e era dessa posição que ele se valia em suas palavras.

As palavras atingem o Guerreiro Deus, ele para sua caminhada, porém não retrocede. Ele viu o corpo de seu irmão, e toda a carga psicológica de anos vivendo naquela situação eram demais para ele, que sempre se perguntava por que nunca poderia deixar seu irmão trilhar o mesmo caminho que ele, um caminho Honrado. E principalmente, ele sabia que era o seu irmão que deveria vestir o manto sangrado de Mizar, e não ele. Infelizmente o passado não podia ser mudado, e quem estava morto no que já foi um belo jardim na encosta do Palácio era Bericir, e não ele.

Porém, mesmo que parado, ele volta a gritar com o Cavaleiro que já está a poucos metros de cruzar com ele.

— Você o matou por isso? Por essa ânfora? Não..não.. NÃO!— Sua expressão de irá é cada vez mais evidente, seus dentes rangem, seus olhos estão totalmente abertos, sua testa comprimida. Logo ele vai explodir, e o Guerreiro Deus de Dubhe sabe disso.

O enviado de Atena passa pelo Tigre Negro, que visivelmente se contorce em ódio. Eles não trocam olhares, pois o cavaleiro de Virgem entende o sentimento de seu oponente e não deseja que mais sangue seja derramado.

— Assur, Cavaleiro Protetor da Sexta Casa Zodiacal, Virgem, não posso te deixar partir.— O Dragão, líder dos Guerreiros Deuses, fala. — Sei que você já compreendeu o que está acontecendo, que não é mais uma marionete de quem nos colocou nessa situação. Mas, esse não é o meu problema, e preciso mata-lo, espero que compreenda.— Ele termina, com certo pesar na voz.

O recém-nomeado, Assur, continua caminhando, agora já de costas para o Guerreiro de Mizar.

— Compreendo Aldtrich, Guerreiro de Dubhe. Por isso estou indo até ti, para que o destino se cumpra. — O tom cordial do Cavaleiro impressiona o líder dos Guerreiros Deuses, ele não esperava que um homem tivesse tanta coragem, mesmo que fosse confiança em sim mesmo.

— Vamos te matar, seu maldito!— Gritou alucinadamente Faricir.

— Vamos Aldtrich! Ele lutou contra meu irmão, com certeza foi ferido e não deve ter metade de suas capacidades, nós dois somos mais que o suficiente para matar esse desgraçado!— Ele gritou enquanto avançava com sua cosmo energia branca se concentrado em seu braço direito.

De forma alarmada Aldtrich ordena, de forma que soa quase como se ele implorasse, que o Guerreiro de Mizar parasse, mas ele não deu ouvidos.

— Você devia ter ouvido seu capitão!— Brada Assur com um ímpeto não visto até agora. Ele estava preparado para parar Faricir, e se fosse necessário o mataria assim como fez com seu irmão, Bericir, na encosta.

— INSTÂNCIA DA PERPÉTUA DOR!— Seu grito que anuncia sua técnica ecoa por todo o local, seguindo pela dispersão de cosmo energia caótica que atinge Faricir. O Guerreiro Deus Aldtrich salta em fuga do ataque que quase o atinge também.

Faricir cruzou os braços na frente de seu corpo e se preparou para o impacto, que não veio. Logo que abriu seus olhos, percebeu que o cavaleiro de Virgem se afastava a passos calmos, indo na direção de Aldtrich. Porém, assim que tentou dar seu primeiro passo, ele sentiu. Seu corpo começou a pulsar e uma dor inimaginável surgiu primeiro em sua pele, depois em sua carne até chegar a seus ossos. Em um segundo ele já estava caído de joelhos no chão lutando contra a dor e a vontade de gritar em desespero.

— O que você fez com ele Assur?— Urrou o Guerreiro Deus que havia se esquivado.

— Dei a ele a chance de escolher seu futuro. Quanto mais resistir, mais dor sentirá até que seu sistema nervoso pare e ele morra. Se decidir que quer viver, irá parar de lutar, te nutrir esse ódio, dessa mágoa pelo passado, e sobreviverá.— As palavras de Assur atingem os dois Guerreiros Deuses de formas diferentes. Aldtrich enxerga naquela ação a benevolência de um ser humano incomum, já Faricir, se sente mais irritado, como aquele Cavaleiro poderia fazer isso? Como ele pode ousar força-lo a parar de lutar dessa forma? Quem ele pensa que é, para dar o opção da vida ou da morte para alguém? Um Deus?

— Não vou me render! Vou te matar!— Ele gritou, caindo no chão e se contorcendo de dor.

— Seu desgraçado, você não deveria tê-lo matado, meu irmão, minha família! — À medida que sua voz aumentava mais próximo a sua morte ele estava. Seus olhos começam a falhar, e ele não ve mais um cavaleiro de Atena na sua frente, agora ele ve uma cena do passado, seu irmão Bericir, o chamando para irem juntos pescarem no lago. Aos poucos, ele vai caminhando, e a dor vai passando, seu irmão estende a mão, os dois estão próximos a um lago, há uma fogueira, as varas de pescar que eles usavam quando eram crianças estão lá. Ele estende sua mão, estão quase se tocando, agora ele vê seu irmão como era antes de morrer, um homem feito, assim como ele.

— Maldito.. você é, não é?.. Você é um Deus.— Suas ultimas palavras, a sua dor acabou, ele pega na mão de seu irmão e juntos vão pescar, como quando crianças, agora em um lugar melhor.

Aldtrich sente a cosmo energia de Faricir que era inquieta, e furiosa, se acalmar, até que desaparece. Ele sabe, assim como Assur, que o Guerreiro Deus de Mizar acabava de morrer, em paz.

— Se eu elevar meu cosmo ao máximo, ainda assim serei derrotado como eles foram?— Perguntou o Líder dos Guerreiros Deuses, ao perceber contra quem estava lutando.

— Sim, mas preferiria que você não escolhesse esse caminho.— Respondeu Assur, parando a cinco metros de seu oponente deixando a ânfora ao seu lado.

— É meu dever. Sei que você faria o mesmo, se estivéssemos em posições opostas— Fala Aldtrich, e continua. — Me concederia um favor?— Termina de falar se posicionando para a batalha.

Assur concorda com a afirmação de seu oponente com um movimento de cabeça e faz o mesmo, se preparando para o duelo.

— Diga o que quer— Fala decidido, com a voz em tom calmo, como o de costume.

— De tudo de si nesse último golpe, me mostre todo o poder que tem.— Ele brada elevando sua cosmo energia ao limite. Um sentimento de calmaria invade o coração do cavaleiro de Ouro, confirmando os sentimentos que ele sentia: a sua frente estava um dos homens mais honrados que já pisaram na terra.

O guerreiro sorriu. Elevou ainda mais seu cosmo, cruzou os braços acima da cabeça e anunciou sua técnica mais poderosa:

ESPADA RESPLANDECENTE!

Observe Aldtrich, Guerreiro Deus da Estrela Dobhe, a técnica mais poderosa do Cavaleiro de Ouro de Virgem.. a PALAVRA DA CRIAÇÃO!

O ataque de Aldtrich avança contra Assur, um golpe direto, uma espada de cosmo que se propaga de seu punho até o seu alvo. Enquanto percorria o caminho, a técnica do cavaleiro de Atena transforma espaço e tempo, em um instante estão no universo, cercados de galáxias. O guerreiro de Dubhe pode ver uma onda de distorção se aproximando, ele não pode escapar, seus olhos se fecham e um único pensamento que lhe vem a mente é "Obrigado". A onda o atinge, no mesmo instante estão de volta ao local da batalha, seu ataque se desfez, ele está caído no chão, observa o céu, e o Sol se livrando das nuvens de tempestade, iluminando o Palácio. Sua vida vai se esvaindo a cada respiração, ele sorri, morreu como um guerreiro, o Valhala o aguarda.

[Noite, no Santuário — Na casa de Virgem]

Passos invadem a casa de banho onde o cavaleiro de Virgem repousa dentro de uma piscina de águas calmas. Mesmo tendo ciência disso ele prefere não se mover, está boiando, e seus longos cabelos negros ocupam quase todo a piscina.

— O que fez com a ânfora?— A voz do invasor ecoa pela casa de banho.

— A devolvi para o seu devido lugar.— E ele respondeu, ainda boiando sem fazer sequer uma única ondulação na linha d'água.

— Atena não vai aprovar isso, você foi precipitado..— O tom reprobatório também carrega um pouco de desapontamento.

A água se agita com o cavaleiro se levantando.

— Foi Ysra quem ordenou!— Ele responde rispidamente.

O confrontador recua um passo ao ouvir o nome, poucos conheciam o verdadeiro nome de Atena, e não era comum ele ser pronunciado. Principalmente por aquele entre dos Doze Cavaleiros de Ouro que nunca saia de sua morada, nunca participava dos concílios, aquele que era tido como uma incógnita entre as Doze Casas, Assur de VIrgem. Pronunciar aquele nome indicava que ela, a própria Deusa, havia dito isto para ele, sendo ela própria visto que foi assim que aconteceu para os demais.

— Se foi Atena quem te ordenou, por que o Patriarca esta contrariado com isso?— Ele fez a pergunta correta, mas no momento errado.

—Meu caro Hamza, infelizmente não tenho a resposta para a sua pergunta. Mas temo dizer que isso crie suposições perigosas de se falar.— Assur completou enquanto jogava uma cambucá d'água sobre sua própria cabeça.

— O que? Você não pode estar falando sério Assur.— Retrucou com seu tom inquisitório.

— É, talvez não esteja, mas isso só o tempo dirá.. — Resmungou o cavaleiro de Virgem que molhava seus cabelos longos com cuidados.

— Já que você está aqui.. não quer entrar aqui e tomar um banho comigo?— Falou de uma forma divertida, sem medos ou preconceitos.

Hamza olhou para seu irmão de armas e riu consigo mesmo, aquelas palavras, aquela situação, realmente geravam muitas perguntas.

— Quem sabe outro dia, você me deu coisas para pensar.— Refletiu o cavaleiro de Libra que dava as costas para o companheiro e ia saindo da casa de banho.

— Hm...tudo bem, mas não há fonte melhor no santuário do que essa..— Comenta o cavaleiro de Virgem enquanto seu colega saia. Ele por sua vez balança sua mão como se dissesse "Não enche o saco".

Notas finais
Para ser sincero, fazia muito tempo que não escrevia nada sobre Saint Seiya, mas ao me deitar outro dia as ideias ocuparam minha mente por algumas horas, cenas, diálogos, inspirações para o cenário. De certo, caso você que está lendo isso, tenha visto alguma outra coisa que eu escrevi, pode notar alguma semelhança. Se você notou isso, está certo, é o mesmo universo, mas não me preocupei em alocar esse conto dentro do que já contei aqui, não tendo uma obrigatoriedade de fazerem parte da mesma linha de acontecimentos. Espero que gostem, que se divertam lendo e, caso haja alguma dúvida, sugestão ou mesmo interesse com o conteúdo; falem comigo, vou curtir bastante trocar uma ideia com vocês sobre isso.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!