Mãos Que pintam
2 Sala de tinta
Notas iniciais
O que mais me fazia não piscar o olhar era aqueles rostos pálidos de meninos que tinham de ser homens tão cedo, e dar suas miseráveis vidas por uma pátria alastradas de pragas ideológicas, nunca me interessei pelos motivos do qual toda aquela dinastia entorpecida veio a tona, porém ao pensar nos milhares de ingleses que morriam todos os dias em campo, lembrava de quanto era miserável minha vida, meus quadros e minha lei de proteção, ao passar por todo aquele estilhaço fatídico, a senhora Calert, dama de companhia de minha avó, nos levou para dentro do colégio, era um dormitório bem aprimorado, as moças lá estudava balé, piano, francês, tinham de saber se comportar, saber literatura, filosofia, política, matemática, era uma era de mudanças, porém a onde eu vivia tudo parecia ter parado no tempo, as pessoas mudavam as roupas os cortes de cabelo, os rádios avisavam sobre as tendências americanas, porém eu ainda andava para atrás, e naquele dia passei a conhecer o poder de um passo á frente do outro, ao chegar na sala da diretoria, minha vó revelou sobre sua ida, mas como sempre não era de se admirar, estava levando coisas de casa e utensílios para doar aos hospitais e abrigos de guerra, o carro estava cheio, lá era o forte de doação das pequenas cidades da região, e uma vez por semana todas aquelas jovens bem educadas e conservadoras, se encontrava com a rale bélica, e fazia as doações em nome das classes dominantes da época, assim dava pra ter um pouco de convicção do que era aquele cenário, lógico, eu não fazia parte desses atos gentis , eu não tinha escola, nem amigas para compartilhar esses momentos, muito menos podia me atrever a ir com elas, eu era só o olhar observador por trás das luvas brancas, ficava vendo todas aquelas meninas bonitas rirem e trocarem palavras umas com as outras, apenas em festas e ocasiões familiares via garotas de minha idade e garotos também, primos de primeiro ou segundo gral, acho por isso que senti mais a falta de meu amado Irmão do que de minha própria mãe, o egoísmo que me toma em não está só o tempo todo, fez eu sentir amargamente a perda de um irmão, poderia está brincando nos bosques, correndo com ele e até mesmo ensinando o a pintar, mais isso nunca será possível, eu era só e só ficaria, já estava chegando a hora mais aterrorizante da minha vida, e talvez de uma liberdade estrema, o sonho de minha mãe e de minha família era que em graça eu fosse para o convento e lá me dedicasse arduamente aos ensinamentos apostólicos e eclesiásticos, para que talvez eu pudesse de alguma forma fazer com que Deus perdoasse o pecado familiar que levo nas costas sozinha.
Mas a chegada dessa hora ainda não me permitia pensar, eu não tinha tantas escolhas, talvez as escolhas me mantivessem em um sono profundo, até aquele exato momento do dia. Eu estava fora do alcance dos olhos da minha vó, todos haviam saído para contemplar as risadas e a euforia suburbana, um corredor grande e largo, várias portas, todas as vezes que pisava com força no chão ele soltava um som culposo, de malicia, eu só queria olhar o colégio, vê o que elas viam todos os dias, andei e uma sala larga com um piano bonito que brilhava, estava parado no meio dela, eu não entrei nessa sala, a música não era meu interesse mais complexo, apesar que o som me fazia exalar um toque mais promiscuo a pintura, em um vacilo de ângulo observei pela janela de uma sala pequena no lado esquerdo, telas, aquilo me fez querer andar mais naquele corredor, mais, se minha avó sentisse a minha falta? Não hesitei, corri com cuidado para que não ouvissem o som da madeira, quando me deparei com uma sala de nome, “Sala De Tinta, Profº : Jean Mulhert, pensei que pudesse está trancada, porém com um pouco de sorte ela não estava, abri a porta devagar, quando a poeira subia ao decorrer que meu pé se escorregava no lodo do chão, tantas telas, tantos quadros, pinturas que me remetiam a satisfação do externo, comecei a passar a mão por entre as telas sujas, não quis desajeita-las, só apenas observa-las, havia um sala parada de pintura naquele lugar, parece que tudo parou no tempo a boas prima veras, quadros pequenos e hostis quadros grandes muitas pessoas eram usadas como objeto de criação, outras eram objetos concretos, porém ao olhar tudo aquilo todo aquele mundo viscoso que via e que me fazia ter esperança em um dia comum, avistei algo que não soube conter cada espetáculo de sentimento que passei a ter ali naquele momento, ela! Um quadro novo, era novo havia sido pintado a não mais que um ano, a pintura a óleo me fez querer soprar as gotas respingadas, era a simetria perfeita, uma menina nua, deitada a uma cama, lenções a envolviam porém seu corpo e cada pequena partícula de tinta que se transformava em sua feição, era digna do mais nobre arranjo, o pincel se destoava no ângulo do pescoço passando pelo seio pequeno, nossa, eu nunca havia visto aquele tipo de pintura, com tanta realidade e sentimento exposto em uma tela, dava para vê sua cintura suada, e o bico do seu seio havia um levantar comecei a imaginar o pincel descendo sobre suas partes púberes, o seu umbigo gelado, tudo aquilo se espalhou dentro de mim, quando de repente comecei a sentir uma sensação molhada por entre as pernas, uma sensação forte, de que queria pinta-la a mão, suas cochas brilhavam, toda realidade era jogava e centralizada em seu rosto olhos que despertavam prazer, uma mistura de gemidos e exaltações eu não sei por que comecei a imaginar tais coisas, porem comecei a ver o som que ela Fazia em quanto a pintavam, o quadro não tinha nome, nem tão pouco coleção, apenas uma garota nua, de beleza rara e altiva, cabelos pretos e franja aquele olhar amarelado e suas mãos, tocando se como em um embrulho ela parecia dar um laço em si.. não retirei meu olhar de cima daquele prazer..
Após voltar daquela espécie de clímax eu entendi o por que de toda a minha fome por pintar, eu enxergava além do que olhos naturais enxergariam, eu não sei em que estado eu deveria está mais transforma – la em concreto me fez vê que eu precisava achar, ter aquela criação, esconde-la, tê-la só para mim, olhei para o relógio pendurado, e vi pela fresta da janela, o sol se desvairando, foi quando percebi que ficará tempo de mais trancada em minha elucides, naquela sala de tinta.
(“”) Nossa! Perdi a Hora, elas devem estar loucas me procurando.
Olhei o quadro mais uma vez, pensando...
Queria que aquele desejo tivesse ficado na sala de tinta, só que não ficou.
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