Notas iniciais
Espero que gostem de chá, café ou uma bebida forte para acompanhar a leitura ("") No começo a história tende a ficar um pouco desconectada, porém não desanimem, leiam a desenterrem, ao debulhar dessa incógnita tudo se esclarecerá, como um bom drama as infinitas possibilidades e os minuciosos detalhes estão contextualizados a uma vertente delirante entre o real e o desconhecido, espero que gostem, esse é apenas um começo do capitulo, ele se divide em três. Bueno Apetite!

Era dia.

Uma escuridão máxima pairava sobre os buracos do meu cérebro, eu não entendia, tinha 15 anos, o asfalto lisinho acompanhava o ritmo quente dos pneus, mas eu ainda não entendia, e provavelmente não iria entender por muito tempo...

Eu nunca fui dessas pessoas que vivia em busca de alguma coisa, eu só vivia, sem o algo sem o alguém, eu apenas apreciava o que a vida me fornecia, agarrava cheia de dedos e mãos e assim andava sempre a frente nunca por traz.. Não era filosofa não era historiadora, não era daquelas que gostava de bons livros e nem do tipo que praticava coisas que os outros gostavam de ver, era eu meu pai, minha tia avó e uma casa grande com mais quartos do que deveria, uma varanda bonita três salas que nunca soube pra que serviam banheiros cômodos cozinhas etiqueta, piano, balé, postura, jardins, chá, e minha vida se resumia a isso, uma coleção de riquezas que não me enriqueciam, uma coleção de tradições tradicionalmente minhas, o dia era 12 do 10 de 1949 eu estava fora do alcance dos olhos da minha avó, um vestido azul dourado, um sapato preto que mas brilhava como uma prataria, um laço tbm azul só que de uma tonalidade ofusca, havia uma guerra nos arredores, e muitas pessoas sentiam o peso, e a consequência, tudo era frio e acinzentado, as cores do ano se estendiam até o inverno, a minha família pouco contemplada de pessoas, as vezes sentavam na Lareira e conversavam sobre a guerra, dizia que ela se chamava fria, eu nunca perguntei por que, mas tinha uma teoria toda guerra deveria ser fria, toda guerra deveria ter um som frio de vento forte pairando nas extremidades e dando eco até a luz alcançá-la, quase nunca havia luz. A Alemanha se dividia e havia muito choro naquele tempo, era uma época difícil para algumas pessoas, digamos que para a metade do mundo, o mundo todo se dividiu e quem ficava na parte da misericórdia, morria, mas rápido do que de costume, mas essa não é uma história sobre guerra, e também não é uma história sobre como a guerra afetou a minha família, por que eu te digo, afetou todos nós...

A pesar de ser de uma família tradicional da Inglaterra, eu não era muito notada, não tinha tantos espetáculos como as jovens da época, e também não tinha amigos nem amigas, eu vivia só, apenas havia uma coisa em que eu era boa em que eu gostava de fazer e que me prendia, eu amava as cores, como elas se destacavam e todo aquele mistíssimo alegórico, as cores podiam se tocar, fazer amor quando queriam com várias delas, e não eram jogadas na fogueira, dava pra fazer de tudo com elas, eu pintava e pintava, as vezes dia e noite as vezes madrugadas de solidão, quando a chuva se atrevia a bater em minha janela me convidando eu pintava, quando o piano ringia sinuosamente eu pintava, quando ouvia a natureza vasta e o sol polido nos meus olhos eu pintava, nada mas me dava alegria, eu já havia completado 15 anos, a minha família era da Carolina Do Norte, mas eu não conhecia tantas pessoas, sentia falta da minha mãe que morreu de uma febre repentina, e de meu irmão que morreu junto com ela em sua barriga, eram as duas pessoas que eu me lembrava e que eu sabia que não estavam mais ali, mas a imagem dos dois ficavam ainda mais lenta macia e desaparecida, a minha mãe me deixou uma carta antes de morrer que dizia:

Querida Laura, sabe que eu estou indo em bora, que talvez essa semana, essa manhã ou nessa mesma noite eu posso não está mais aqui, Deus preparou um lugar para mim e para o seu irmão que se foi a dois dias, ame seu pai e o obedeça com todo o respeito do mundo, peço que faça coisas boas seja á menina doce que é, eu não estarei ai para ver seu aniversario de 16 anos, mas estarei aqui a observando e olhando você todos os dias, minha Doce Laura, não esqueça de seus princípios e de sua vocação religiosa, não esqueça que Deus é o motivo de nossa passagem aqui na terra, e que o mundo é uma vasta escuridão, se não andarmos com o senhor, sei que virão dias difíceis, fique com seu pai, não se aventure, cuidado com as amizades pois ela muitas vezes se torna o laço do passarinheiro, não Tenha medo de quem não à ama, saiba que Deus seu pai e eu a amamos como ninguém já mais a amara, eu não quero que estude em um colégio comum, estudara em casa recebera ensinamentos cristão, e ira a igreja todos os dias, saiba que traçamos planos para você seu pai e eu. Obedeça com fervor!

E você será a jovem mais feliz. Com amor sua mãe.

A minha mãe morreu na noite que escreveu, foi em bora eu tinha 12 anos, mas a carta só foi entregue a mim com meus 14 anos. Eu não chorei.

A minha família era altamente religiosa, minha vô participava de chás beneficente, e sempre que podia me levava com ela, eu não era tão altruísta, talvez fosse um grande pecado, mas eu não conseguia pensar tanto em algo que eu costumava não ver com tanta frequência, quando não se tem amigos e a sua vida social se limita a uma senhora de idade cuja vida passara de joelhos rezando e escrava de um terço maior que ela, e um homem amargurado pela morte da esposa e do filho que não chegou a conhecer, e alguns empregados que possivelmente era proibidos de se dirigir a palavra, a sua exatidão filantrópica desaparece junto com a sua benemerência. Sempre que tinha de encarar essa realidade, imaginava um mundo de cores, talvez desses que não se vê mais com o coração.

A professora Sophie me dava aulas de bons modos e me deixava a par de conhecimentos históricos e políticos da época, falava as vezes dos soldados e muita religião, eu tinha que engolir aquilo tudo e ainda fingir que gostava, a comida descia mas o gosto era amargo, meus dias passavam assim como a guerra definhava o coração das pessoas e se alastrava por entre famílias destruídas por algo bélico, meu coração ainda tão em pouco som, se arrigava por entre a refinação contextual da época, no dia 12, sai com a minha avó para fazer aquele velho arranje matinal, minhas bochechas mais pareciam uma cortina de algodão, como o inverno era malicioso, a parte em que meus olhos alcançavam se estendiam em campos, bosques, colégios de moças, catedrais antigas, refinarias e comércios, casas de chá, alguns botequins barato, grandes casarões, e a pauperização maciça, queria sair para poder pintar aquelas cortiços sujos, nem sempre á graça no que se é conjurado por beleza.

Notas finais
a uma guerra nos arredores e ela é tão esdrúxula quanto o coração de Laura!